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3 NORTH-EAST ARCTIC COD (SUB-AREAS I AND 11)

3.1 Status of the fisheries

4.1.3 Expected landings in 1997

1. 1. Envelhecimento e saúde mental

Uma das recentes preocupações da nossa sociedade reporta*se ao envelhecimento de um número progressivamente mais alargado de pessoas. A esperança de vida tem*se alongado nos países desenvolvidos, existindo a percepção de que o facto de se acrescentar anos à existência, nem sempre tem sido acompanhado por uma melhoria na qualidade de vida das pessoas idosas.

Uma melhor compreensão do desenvolvimento nas últimas etapas do curso de vida dos seres humanos (referimo*nos ao processo de envelhecimento), requer que contemplemos os diferentes contextos sócio*ecológicos em que o mesmo se produz.

Qualquer análise que se pretenda realizar na óptica da ecologia do envelhecimento deve contemplar não só as pessoas idosas mas também os ambientes, considerando*os sistemas que interagem e se influenciam reciprocamente.

De acordo com Lawton e Nahemow’s (1973) a adaptação do organismo ao ambiente é contínua e permanente, ocorrendo de maneira não ocasional. Há efectivamente, de acordo com os autores, uma relação directa entre o modo como o organismo, o ambiente e o comportamento, mudam ao longo do tempo.

A perspectiva ecológica (Stokols & Altman, 1991) pressupõe uma adaptação constante do ser humano ao ambiente, verificando*se que aquele, com a sua versatibilidade, é não só capaz de se adaptar mas também de tolerar, e, sobretudo, criar nos diferentes cenários ecológicos em que vive e se desenvolve (Bronfenbrenner, 1987, p.17). Paralelamente, de acordo com este mesmo autor, a natureza humana, examinada em contextos diversos, torna*se plural e pluralista porque os diferentes ambientes produzem diferenças perceptíveis, não só entre as sociedades mas também dentro delas, quanto ao talento, ao temperamento, às relações humanas e em especial à forma como a cultura e sub cultura se transmitem à geração seguinte (1987, p.17).

A saúde mental das pessoas idosas supõe um funcionamento harmonioso da pessoa nos diferentes contextos de pertença. Confere ao idoso a possibilidade de agir, autodesenvolvendo*se e preservando a sua identidade e autonomia. Traduz*se no bem*estar percepcionado e manifesto através da adaptação da pessoa aos diferentes cenários quotidianos nos quais actua, modificando*os. Todavia a expressão de capacidades humanas, de acordo com Bronfenbrenner

(1987) depende em grande medida, do contexto mais amplo, social e institucional em que a acção individual se desenvolve.

Às últimas etapas da vida associam*se mudanças extremamente significativas. Na transição da idade adulta para a terceira idade e desta para a quarta idade (idade superior a oitenta e cinco anos, Baltes, 1997), a pessoa confronta*se com mudanças não só do ponto de vista biológico, as quais acarretam não raras vezes, diminuição da capacidade funcional, mas também do ponto de vista psicossocial – mudanças de papeis, de estatuto, nas interacções, decorrentes entre outros aspectos da reforma (Fonseca, 2005a; Silva, 2005).

A percepção mais ou menos favorável que os idosos têm destas mudanças é significativamente importante, na sua adaptação ao ambiente e para o seu bem* estar.

Paúl, ao reflectir sobre o significado pessoal atribuído à vida pelo idoso e sobre o seu bem*estar refere:

O bem+estar dos idosos tem de facto a ver com atitudes, traços de personalidade, estados de humor e mais ainda com o ambiente em que os indivíduos se desenvolvem e vivem, numa combinação única que é a sua história de vida.

Só a partir da análise transaccional da unidade ecológica pessoa ambiente seremos capazes de compreender o bem+estar subjectivo dos idosos que envelhecem nos diferentes cenários (Paúl, 1996, p.30).

Os idosos fizeram uma longa caminhada para o serem e, a sua condição de vida implica não só toda a sua história biológica mas também biográfica, ambas relevantes quando queremos compreendê*los como pessoas, com as suas diversidades.

Na transição para a velhice o idoso é confrontado com situações e condicionalismos que o angustiam, com menores recursos para lidar com os problemas. Nestas circunstâncias o risco para o idoso de desequilíbrio e de doença mental acresce.

Segundo Barreto,

(...) nos últimos estadios da vida a existência é dominada por um conjunto de transformações físicas, psíquicas e sociais (esperadas umas, imprevistas outras), as quais se reflectem tanto no comportamento como na experiência subjectiva da pessoa ao envelhecer concorrendo muitas vezes para o aparecimento de doença psíquica (Barreto, 1988, p.159).

Sabemos que o envelhecimento é um processo heterogéneo para cada pessoa. Esta heterogeneidade relaciona*se com o modo particular como cada

idoso percorreu o caminho da vida, assumiu desafios, superou obstáculos, construiu significados na interacção quotidiana em cenários diversificados.

Na velhice, o sentido da existência advém de um memorial de vivências passadas, de um conjunto armazenado de saberes adquiridos através das experiências de vida, da recordação das situações que no âmbito relacional e afectivo deixaram marcas que se avivam ao serem valorizadas quotidianamente, quando o idoso comunica e se sente ouvido e estimado.

As questões concernentes à adaptação, numa perspectiva em que esta se revela essencial à saúde mental dos mais idosos, assumem particular relevância e têm sido contempladas por variados autores que se dedicam ao estudo psicológico e social do envelhecimento (Baltes & Baltes, 1993a; Baltes & Freund, 1998; Brunstein, Schultheiss & Maier, 1999; Coleman, 1990; Fonseca, 2005b; 2005c Silva, 2005).

Enquanto processo, de acordo com Barreto, a adaptação reporta+se à forma como se satisfazem necessidades e se reduzem tensões, particularmente quando estão bloqueadas as vias usuais para a sua resolução. Enquanto estado reporta+se à condição de equilíbrio do indivíduo com o meio e também consigo mesmo, em determinado momento (Barreto,1984, p.179).

Os estilos adaptativos não parecem mudar muito ao longo da vida, todavia, as circunstâncias e os problemas que se colocam aos idosos são outros. Há que admitir variações individuais na capacidade adaptativa das pessoas idosas, sendo mesmo possível, que em circunstâncias mais agrestes, os mecanismos adaptativos não funcionem.

A adaptação da pessoa ao longo da vida inclui: processos relacionados com escolhas, controlo e planeamento, frequentemente ligados ao desempenho competente (Berg & Sansone, 1993). A competência ou incompetência são produzidas através das transacções da pessoa com o seu contexto social, material, histórico e psicológico.

As visões negativas da velhice tendem cada vez mais a ser questionadas. Não parece dever confinar*se a análise da melhor ou pior adaptação e saúde na velhice, exclusivamente, à existência de perdas, limitações e deterioração, dado que sabemos existirem pessoas idosas que expressam mais satisfação com as suas vidas do que os mais jovens (Coleman, 1990).

Ao pretendermos salientar a importância no envelhecimento da saúde mental, é imprescindível fazê*lo de forma abrangente, pelo que seguidamente,

aludimos a dois modelos, que nos parecem importantes para uma melhor compreensão daquela no decurso do processo de envelhecimento.

1. 1. 1. O envelhecimento activo

A velhice é uma etapa do ciclo de vida em que o desenvolvimento continua a verificar*se e em que as mudanças que ocorrem interferem de forma variável, mais ou menos positiva, com o curso que aquele segue para cada pessoa idosa em particular.

Cada idoso configura a sua vida esforçando*se por atingir certos objectivos e procurando as condições ambientais que se ajustem aos seus interesses e às suas competências (Vandenplas *Holper, 2000). Contudo a pessoa não “é a única produtora do seu desenvolvimento”, ela está sujeita a diferentes tipos de constrangimentos que, podem gerar, frequentemente, efeitos secundários indesejáveis.

No entanto, para muitas pessoas, o envelhecimento é uma experiência positiva, verificando*se nesta circunstância, que o alongamento da vida é geralmente acompanhado por contínuas oportunidades de saúde, participação e segurança.

A OMS (2002) adoptou o conceito de envelhecimento activo para expressar o processo conducente a uma visão positiva do envelhecimento, definindo*o como o processo de optimização de oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objectivo de aumentar a qualidade de vida das pessoas idosas. O envelhecimento activo permite às pessoas realizarem o seu potencial para o bem*estar físico, social e mental ao longo do curso de vida e para participarem na sociedade em consonância com as suas necessidades, desejos, capacidades, sendo*lhes providenciada a adequada protecção, segurança e cuidados, quando requerem assistência.

No processo de envelhecimento activo consideram*se certos factores determinantes. Para além da cultura e do sexo, determinantes económicos, sociais, físicos, pessoais e comportamentais, têm influência no seu curso. Os serviços de saúde e sociais são também determinantes das condições de saúde dos mais idosos. Não pode ser atribuído a apenas um destes factores o curso mais ou menos positivo do envelhecimento, devendo considerar*se que todos eles se interrelacionam, sendo bons predictores do modo como as pessoas e as

conhecimento científico de modo a compreendermos melhor o modo como estes determinantes afectam a saúde e o bem*estar.

Sabe*se por exemplo que a cultura, envolvente das pessoas e das populações, condiciona a forma como estas envelhecem, devido à sua influência em todas os outros determinantes do envelhecimento activo. No que se reporta ao género, admitem*se variações no modo como os homens e as mulheres experimentam o envelhecimento (Smith & Baltes, 1998; OMS, 2002). Em muitas sociedades as mulheres continuam a ter um estatuto social mais desvalorizado e um menor acesso a certas oportunidades que são essenciais para um desenvolvimento mais saudável como por exemplo: trabalhos menos gratificantes, menor educação, alimentação inadequada, menor acessibilidade aos serviços de saúde (OMS, 2002).

Muitas mulheres assumem responsabilidades significativas cuidando de outros familiares ou pessoas sem qualquer remuneração. Relativamente aos homens é mais frequente sofrerem injúrias ou morte devidas a violência, acidentes (ocupacionais) e suicídio. O risco de terem comportamentos adictivos também é superior relativamente às mulheres.

Englobam*se nos determinantes relacionados com factores pessoais a genética, a biologia e os factores psicológicos. Nestes, a capacidade cognitiva é um forte predictor do envelhecimento activo e da longevidade.

Durante o envelhecimento considerado normal, algumas capacidades cognitivas declinam (e. g. memória, velocidade de aprendizagem), no entanto, estas perdas podem ser compensadas pelos ganhos na sabedoria, no conhecimento e na experiência.

A falta de uso, a doença, os comportamentos inadequados (e. g. uso de álcool) e alguns factores psicológicos (falta de motivação, baixas expectativas e falta de confiança) bem como outros factores sociais (solidão, isolamento), influenciam a ocorrência de declínio.

No conjunto de determinantes relacionados com o ambiente, a OMS (2002) considera que um ambiente físico amistoso pode fazer a diferença, na dependência ou independência, das pessoas mais idosas. Destas, as que residem em ambientes com muitos obstáculos e pouco seguros estarão mais sujeitas a não saírem, a ficarem mais isoladas e deprimidas, a sofrerem uma redução na energia e capacidade física e mais rapidamente apresentarem problemas de mobilidade.

Uma habitação segura e boas relações de vizinhança são essenciais para o bem*estar das pessoas idosas; o local onde se encontram a residir, incluindo a proximidade dos familiares, dos serviços e a possibilidade de transporte, podem diferenciar entre a existência de interacções sociais positivas ou o isolamento.

No âmbito dos determinantes relativos ao ambiente social, o suporte social, a educação mais elevada e a aprendizagem ao longo da vida, a paz e a protecção contra a violência e o abuso, são considerados factores chave para o aumento da saúde, da participação e da segurança dos idosos. Contrariamente, o isolamento social, a solidão, a iliteracia e a falta de educação, o abuso e a exposição a situações de conflito, aumentam grandemente o risco de incapacidade e de morte.

Considera*se na óptica do envelhecimento activo, a necessidade de serem definidas políticas que o favoreçam. Efectivamente, o número cada vez mais elevado de pessoas que atingem idades mais avançadas, justifica que sejam planificados e implementados programas que contribuam para a manutenção nos idosos, durante mais tempo, das suas competências e da saúde/saúde mental. Três áreas de investimento surgem como pilares das políticas promotoras de desenvolvimento activo: participação, saúde e segurança (OMS, 2002).

A visão positiva subjacente ao envelhecimento activo, salienta a importância de perspectivarmos e agirmos nas diferentes sociedades fundados em conhecimentos científicos e baseados na evidência de que é possível envelhecermos mais saudáveis, desfrutando de bem*estar, caso se realizem os investimentos adequados do ponto de vista da promoção da saúde e da prevenção das disfunções e das doenças, quer físicas quer mentais.

A participação quotidiana das pessoas idosas nos diferentes cenários onde se situam, a atenção global mas também específica à saúde, ao longo de toda a vida, mais particularmente no decurso do envelhecimento e a segurança, não só perspectivada no âmbito da redução das ameaças à integridade física mas também do ponto de vista psicoemocional, são fundamentais para que o equilíbrio e a harmonia no desenvolvimento se mantenham quando as pessoas progridem na idade.

1. 1. 2. O envelhecimento bem sucedido

Outras perspectivas sobre o envelhecimento bem sucedido têm sido aprofundadas (Baltes & Baltes, 2003a; Fonseca, 2005a; Paúl & Fonseca, 2005).

Baltes & Baltes (1993b) definiram como critérios de envelhecimento bem sucedido a longevidade, a saúde biológica, a saúde mental, a eficácia cognitiva, a competência social, o auto controlo e a satisfação de vida.

A par de outros critérios, a saúde mental é referida como critério significativo, colocando*se todavia a pertinência de precisarmos este construto.

Baltes e respectiva equipa em 1993b consideraram a possibilidade de um envelhecimento bem sucedido (óptimo), associando*a a variáveis intrínsecas ao próprio idoso mas também a variáveis do ambiente, que interactuam determinando o melhor ou pior sucesso.

O modelo proposto (Baltes & Baltes, 1993b), assenta na possibilidade de utilização pelo ser humano ao longo da vida de três mecanismos fundamentais: selecção, optimização e compensação. Estes mecanismos possibilitam uma melhor adaptação da pessoa nas diversas fases da vida ao ambiente. Em certas etapas do desenvolvimento verifica*se um predomínio da utilização de algum destes mecanismos, sendo a compensação aquele que é mais utilizado na velhice.

Face a si próprio, numa fase vital em que se evidenciam maiores limitações, quer do ponto de vista físico quer do ponto de vista psicossocial, o idoso procura compensar da melhor forma as dificuldades percepcionadas. Perante novas situações derivadas do processo de envelhecimento biológico mas também psicossocial, e ainda, de acontecimentos de vida não esperados como por exemplo doenças, perdas de figuras significativas, de suporte, mudanças de ambiente e residência entre outros, o idoso procura minimizá*las, superá*las. O recurso a mecanismos compensatórios torna*se mais saliente nestas situações.

Contudo, em idades mais avançadas – oitenta e cinco e mais anos (Baltes & Baltes, 2003b) * as perdas de potenciais e as limitações que se lhes associam, tornam*se mais acrescidas, justificando*se o aumento do suporte facultado ao idoso por outros significativos e a adequação do ambiente às limitações presentes, procurando*se optimizar os recursos disponíveis com vista à minimização das dificuldades e à reposição do bem*estar.

De acordo com esta perspectiva, as diversidades interindividuais são notórias dado que o processo de envelhecimento é idiossincrático. Tal facto deve*

se à influência de múltiplos factores os quais se correlacionam com a idade cronológica. Questiona*se em que medida e em que grau o fenómeno do envelhecimento é caracterizado por aspectos qualitativamente novos ou apenas envolve mudanças quantitativas nalguns parâmetros, os quais estarão também relacionados com etapas precedentes da vida. Torna*se importante percebermos quanto e de que modo, a partir das histórias de vida pessoais, poderemos predizer o fenómeno do envelhecimento. Novas condicionantes colocam*se à pessoa no decurso da velhice. A maior ou menor plasticidade e os limites nas capacidades de reserva daquela para adaptar*se às novas circunstâncias, são aspectos que devem considerar*se. Contrariamente a posições assumidas por estudiosos proeminentes no campo da biologia, Baltes & Mayer (1999), admitem duas faces na plasticidade na idade avançada. Pesquisas realizadas na última década evidenciaram plasticidade na adaptação e a existência de reservas não utilizadas numa variedade de domínios, nas pessoas idosas.

No âmbito do envelhecimento, referencia*se o modelo de relação entre saúde e envelhecimento bem sucedido, proposto por Paúl & Fonseca em 2001:

Figura nº 1. Modelo da relação entre saúde e envelhecimento bem*sucedido Saúde

Doença

Coping

Idoso Ânimo Envelhecimento

Contexto Actividades de vida diária Bem*sucedido Estilo de vida Activ. Instrumentais da Vida Diária

Activ. valorizadas pelas pessoas

Fonte: Adaptado de Paúl e Fonseca (2001). Envelhecer em Portugal, p. 294.

O modelo apresenta uma visão integradora que proporciona uma compreensão da relação existente entre a saúde/doença, a pessoa idosa e os

mecanismos e factores envolvidos na determinação do envelhecimento bem sucedido.

No decurso do processo de envelhecimento são diversas as contingências e circunstâncias que se colocam aos idosos. Quer na óptica do indivíduo, nomeadamente, no que se reporta a factores intrínsecos ao próprio idoso, quer numa óptica colectiva, no que se relaciona com as interacções ocorridas entre a pessoa idosa e aqueles que a rodeiam nos diversos cenários sócio*ecológicos, surgem alterações que actuam como factores determinantes da saúde mental e do bem*estar. Os mesmos estão de forma cada vez mais significativa, a ser alvo de interesse, preocupação e estudo, no país, na Europa e noutros continentes, onde se constatam novas necessidades e problemáticas decorrentes do aumento da longevidade. Pretende*se que os anos que se acrescentam à vida sejam melhor vividos e, que, as pessoas idosas possam usufruir das condições que lhes proporcionem bem*estar e promovam o sentimento de que a vida lhes pertence e tem significado.

Segundo Baltes & Baltes (1993b), o processo de envelhecimento não é uniforme. Existem largas margens de variabilidade e modificação e também para a prevenção e optimização.

O envelhecimento envolve não apenas o decréscimo de recursos mas também ganhos, como por exemplo o aumento da experiência de vida, e, em alguns idosos, permite o atingir de virtudes e competências próprias, concebidas como sabedoria.

No que se reporta aos ganhos e às perdas, podemos afirmar que não ocorrem de forma fortuita. Os idosos tentam continuamente optimizar o balanço entre as mudanças positivas e negativas através de esforços preventivos, correctivos, compensatórios. No entanto, se as perdas e os constrangimentos perduram e se agravam, tendem a ser geradores de níveis superiores de stresse.

Atingir a velhice significa que foi possível sobreviver e adaptar*se, com mais ou menos saúde mental e consequente maior ou menor bem*estar, a desafios específicos de outras fases da vida. O processo de envelhecimento traz ele próprio desafios adaptativos que lhe são peculiares (Menninger, 1999).

1. 1. 3. Saúde mental

Ao longo da história foi marcada a tendência para conceptualizar a saúde mental, fundamentalmente, numa perspectiva psicopatológica (Ribeiro, 2000). A partir da década de setenta, esta tendência tem sido alterada evidenciando*se a importância de serem incorporadas na avaliação da saúde mental, vertentes mais positivas.

Com o decorrer dos anos, constataram*se algumas dificuldades de consensualização relativamente aos critérios e instrumentos para avaliar a saúde mental. Numa análise retrospectiva evidencia*se a heterogeneidade das medidas utilizadas por diferentes autores, desde as mais amplas que contemplaram um leque alargado de critérios e dimensões, às mais estreitas que, provavelmente, não reflectiram todas as dimensões subjacentes ao construto em apreço.

Um vasto conjunto de instrumentos incluía as que detectavam sintomas, desde os psicossomáticos aos físicos, avaliavam o estado funcional, outros problemas de saúde, a par de construtos psicológicos como a ansiedade e a depressão (Ribeiro, 2000). A partir dos anos setenta, a medição da saúde mental, passou a focar, preferencialmente, estes últimos construtos, que, em geral, eram a evidência expressa de distress psicológico.

O distress associa*se habitualmente à frustração e conflito e é acompanhado frequentemente por sentimentos de desânimo, abandono, e, quando prolongado, pode suscitar depressão do sistema imunitário aumentando o risco de infecção.

Sem dúvida que os critérios plausíveis de serem considerados nas avaliações relativas à saúde mental são variados. Refira*se de acordo com Kasl & Rosenfield, (1980):

Os índices baseados no tratamento;

Sinais e sintomas psiquiátricos – índices de incapacidade ou diagnóstico de caso psiquiátrico;

Indicadores de humor e de afectos, de bem*estar ou de distress, indicadores de satisfação;

Índices de efectividade funcional e de desempenho e papel;

Índices derivados de noções de saúde mental positiva (desenvolvimento, auto actualização, coping adequado).

Figura nº 2. Estrutura para a saúde mental proposta no Mental Health Inventory Afecto positivo geral Bem*estar psicológico

Laços emocionais Saúde mental

Ansiedade Distress psicológico Depressão

Perda de controlo emocional/comportamental

Fonte: Adaptado de Veit & Ware (1983), The struture of psychological distress and well+ being in general population, p. 740.

A estrutura proposta, engloba uma dimensão positiva, de bem*estar psicológico e outra negativa, de distress psicológico. Ambas são consideradas relevantes na avaliação do construto em apreço, o que permite uma avaliação

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