E- learning at Telenor
8.2 Spin offs - new applications and/or new user groups
8.2.3 Expansion of new e-learning applications to new user groups
Gerais e consequentemente a presença de diversos grupos e capitais nacionais e estrangeiros.
É nesse capítulo que iniciaremos a discussão relacionada ao nosso objeto de pesquisa – o Grupo Tércio Wanderley. Com isso, compreender sua atuação na região e suas estratégias de desenvolvimento e expansão, ou seja, o processo de territorialização do Grupo na região.
2.1. Territorialização do capital agroindustrial canavieiro no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba
A expansão canavieira teve um crescimento acelerado em Minas Gerais a partir da década de 1970. Um dos fatores que contribuíram para essa expansão foi à utilização do álcool como combustível alternativo e a implantação do Programa Nacional do Álcool – PROÁLCOOL (1975&1985). Este projeto teve como objetivo estimular a produção de álcool em substituição à gasolina.
É sabido que a monocultura canavieira já era presente na região Nordeste desde o período da colonização, onde o açúcar era produzido na forma de 'para fins de
exportação. Mediante os incentivos da produção sucroalcooleira, houve o movimento do capital canavieiro nordestino para o Centro&Sul, onde se iniciou fortemente expressivo nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro a partir da década de 1970.
9 Modelo de organização econômica em que se destacam quatro aspectos principais: latifúndio,
monocultura, mão de obra escrava e produção voltada para o mercado externo. Durante o período colonial brasileiro, este foi o modelo adotado em larga escala, sendo a cana&de&açúcar o principal produto cultivado até meados do século XVIII.
A produção canavieira da região Nordeste concentrava&se nas mãos de alguns grupos tradicionais, que posteriormente migraram seu capital para o Centro&Sul do país.
[...] a organização social e política que ali [Região Nordeste] se estabeleceu pautada nos grandes latifúndios, no trabalho escravo e no poder exacerbado dos coronéis se refletem nos dias atuais na concentração de poder e de capital nas mãos de alguns grupos tradicionais, sobretudo nos principais estados produtores, Alagoas, Pernambuco e Paraíba (OLIVEIRA, 2009, p. 196).
Durante a década de 1920, a área produtora de cana da região Nordeste passou por alguns contratempos que fizeram com que a produção entrasse em declínio, contribuindo para sua expansão na região Centro&Sul. O , uma doença que afetou os canaviais do país no início da década de 1930 transformou o panorama da produção açucareira no país. Com isso, houve a necessidade de “renovação total dos canaviais de São Paulo e Rio de Janeiro”, e a região Nordeste não acompanhou esse processo de substituição de sementes da cana nas lavouras. Isso levou a um verdadeiro deslocamento dos centros produtores nordestinos de açúcar (BRAY; FERREIRA; RUAS, 2000, p. 8).
Nesse sentido, teve início uma nova espacialização da produção canavieira, eliminando o caráter concentrador em algumas regiões. Outro fator determinante para a presença da atividade agroindustrial canavieira no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba foi uma forte crise enfrentada pelo setor sucroenergético nos anos 1990. Nesse período, houve um recuo de investimentos públicos que ocasionou em um declínio dos grupos/empresas nordestinos. Várias empresas encerraram suas atividades, “tanto por conta da descapitalização dos grupos controladores como pela transferência dos investimentos para o Centro&Sul, especialmente para os estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul” (OLIVEIRA, 2009, p. 197).
De tal modo, em meio à crise enfrentada, os principais grupos tradicionais e capitalizados da região Nordeste direcionaram parte do seu capital acumulado para o Centro&Sul, adquirindo novas terras e implantando novas unidades, adquirindo unidades já implantadas ou transplantando suas unidades nordestinas. Podemos considerar que houve duas principais fases da migração nordestina para o Centro&Sul – a primeira, nas décadas de 1920/30 devido aos contratempos ocorridos nos canaviais do país e a segunda, durante as décadas de 1970 e 1990 devido aos incentivos à produção do etanol e às crises, que gerou um processo de reestruturação produtiva no sistema agroindustrial canavieiro.
Outro fator relacionado ao movimento do capital agroindustrial canavieiro para o Centro&Sul está consubstanciado na modernização da agricultura e na Revolução Verde ocorridas na década de 1970, pautadas nos programas de desenvolvimento do Cerrado10, onde teve início o processo de ocupação dessas áreas denominadas novas fronteiras agrícolas modernas, isto é, áreas agrícolas consolidadas e em expansão “aptas a receber o novo de maneira menos resistente, constituindo condições geográficas ideais para a política das grandes empresas, para além do processamento industrial e da comercialização” (CASTILLO; FREDERICO, 2010, p. 22). As novas fronteiras agrícolas do Cerrado possuem uma grande concentração fundiária e terras não ocupadas pelo agronegócio, criando possibilidades de atuação de grandes empresas de diversos segmentos (agro)industriais.
Milhões de hectares de domínios dos Cerrados [...] vêm sendo ocupados, desde a década de 1970, por uma agricultura moderna praticada em imensas propriedades. Essa agricultura é, por um lado, grande consumidora de insumos, implementos, crédito e assistência técnica especializada e, por outro, grande produtora de commodities agrícolas, ao custo da retirada da cobertura vegetal original e também substituindo pastagens e formas tradicionais de cultivo, com a expulsão de pequenos produtores (CASTILLO; FREDERICO, 2010, p. 22).
O que os autores descrevem é o que ocorreu no Cerrado de Minas Gerais, na região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba a partir da década de 1980, onde as lavouras de cana&de&açúcar ocuparam cada vez mais extensas áreas, apresentando crescente produtividade ao longo dos anos. O Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba se destaca das demais regiões do estado devido aos aspectos econômicos – maior proximidade com os principais centros econômicos do país, o que facilita a logística de escoamento da produção; ambientais – solo propício para a produção, com pouca declividade, o que permite a inserção de máquinas no processo produtivo e condições climáticas favoráveis a cultura como a disponibilidade hídrica dos Rios Grande e Paranaíba. Além disso, a região já possuía estrutura agroindustrial para a disseminação do agronegócio canavieiro devido à produção de grãos existente, tais como a soja e o milho.
Todas essas condições foram determinantes para o avanço agroindustrial canavieiro, além de compor uma rede infraestrutural propiciando a atividade na região. Ao todo, Minas Gerais possui 49 unidades em operação e o Triângulo Mineiro/Alto
10A ocupação canavieira no Cerrado é presente desde a década de 1970 na região Centro&Oeste do país.
Em nossa pesquisa, o foco está na ocupação do Cerrado do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, ocorrido com maior expressão a partir da década de 1980.
Paranaíba concentra 28 usinas em operação, sem contar as que estão projetadas para a região (UDOP, 2013).
Ao longo dos anos, observamos um notável crescimento no número de usinas e as investidas dos capitais nordestinos e paulistas, que transformaram o cenário agrícola da região. Na década de 2000, a atividade canavieira vivenciou uma internacionalização do capital, que tornou cada vez mais frequente. Assim, procuramos compreender a atuação desses grupos no item que segue, bem como o Grupo Tércio Wanderley.
2.2. Grupos econômicos atuantes no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e presença