2.2 The Theory behind ToM
2.2.4 Executive Function Accounts
subsolo português em matérias-primas minerais para pintura e a existência comprovada no século XX de indústrias portuguesas de transformação e manufactura de pigmentos terra e óxidos de ferro naturais, seria de supor que Portugal tivesse sido o principal utilizador de
3.4. O Comércio de pigmentos
inorgânicos dentro e fora de
Portugal (breves notas)
pigmentos inorgânicos nacionais. Tal parece não ter acontecido, tendo Adalberto de Campos Brito (1961) no estudo sobre a situação das Industrias Portuguesas de Tintas e vernizes, alertado para a necessidade de importar a quase totalidade da matéria-prima. Segundo o autor, em Portugal fabricavam-se poucos pigmentos100 sendo a maior parte de baixa qualidade101. Credível ou não, este texto suscitaria muita polémica no sector, tendo sido, na mesma década, contra-argumentado na sua totalidade, excepto na questão da matéria-prima (Honrado, 1962). Sobre esta seria apenas adiantado que “quanto à matéria-prima, utilizamos aquelas que são usadas pela moderna e evoluída indústria congénere no estrangeiro e quem não sabe se não será essa necessidade de termos de adquiri-las lá fora, que nos leva a fabricar produtos de tão boa qualidade”102. Neste texto, da autoria de José de Morais Sarmento Honrado103, a justificação prendia-se com a fraca capitação portuguesa que levava a questionar se seriam viáveis mais unidades produtoras de matérias-primas (Honrado, 1962).
100 Neste estudo são enumerados os pigmentos que eram utilizados, na altura, para o fabrico de diferentes tipos
de tintas, entre as quais as de cal. Entre os principais pigmentos naturais citados encontravam-se os ocres, os almagres, a terra de sombra, a terra de colónia, a terra de cassela, a terra de siena, a terra rossa, a terra verde, o mínio artificial e as “cores de cobre”. Os pigmentos inorgânicos artificiais citados são subdivididos por cores. Os pigmentos brancos utilizados eram o carbonato e o sulfato de chumbo, o branco de zinco ou alvaiade de zinco, o branco de zinco e chumbo, o litopone, o sulfureto de zinco, o branco de titânio e branco de antimónio. Os vermelhos eram o mínio ou zarcão, minio-orange, e vermelhão, vermelho de antimónio, vermelho de
Andrinopla, vermelho de Inglaterra, vermelho Perkins, vermelho de Marte, vermelho Veneziano, púrpura de Cássius e vermelho de cádmio. Nos azuis, o Ultramar, o azul da Prússia, o azul de cobalto e azuis de cobre; nos
amarelos, os realizados à base de crómio, de zinco, cádmio e de antimónio, o amarelo de Marte, o amarelo do Ultramar e o amarelo indiano; nos verdes, o verde Inglês, o verde de zinco, o verde-esmeralda, o verde
Schweinfurth, o verde de cobre, o verde de cobalto e o verde Ultramar; nos roxos, o roxo de Nuremberg, o roxo
de Borgonha, o roxo de cobalto, o roxo de Marte e o roxo Ultramar; nos pardos, o pardo Van Dyck e pardo de
Florença e finalmente nos negros, os negros animais, negros de fumo e os negros de gás (Brito, A. C. op. cit,
1961, pp. 26 e 27).
101 Segundo o autor do estudo, caberia ao “Grémio Nacional das Indústrias das tintas e vernizes a formar,
entender-se com os actuais fabricantes de pigmentos e fazerem os estudos necessários para se conseguir naquilo que fosse preciso, um fabrico de produtos nacionais com características e preços dos estrangeiros”. O mesmo Grémio também estudaria a possibilidade do estabelecimento de fábricas de pigmentos que ainda não se produzissem em Portugal (Idem, op. cit,, p 76 e 77).
102 Honrado, J. de Morais Sarmento, A Industria de tintas e vernizes no âmbito da reorganização industrial,
1962, p. 26.
103 Vogal da Comissão Reorganizadora da Industria de Tintas preparadas. Este parecer foi lido, em data incerta,
Era esta a situação na segunda metade do século XX. Como seria em épocas mais recuadas?
3.4.1. Forais e documentos avulsos dos séculos XIII ao XVIII
A actividade comercial, com os seus direitos e obrigações aparenta ter sido um dos pontos mais fortemente regulamentados nas várias cartas de foral, até à sua abolição por decreto-lei, em Agosto de 1832. A partir de então, inicia- se uma nova era de reformas legislativas, financeiras e administrativas de todo o aparelho do Estado e da sociedade portuguesa104.
Várias vilas alentejanas assumiram posições importantes como praças comerciais desde os tempos dos Romanos, devido ao fácil escoamento de mercadorias por via terrestre, fluvial ou marítima105. As vias romanas ainda existentes em vários pontos dos concelhos testemunham não só o grau de importância que possuíam mas também o grau de intensidade de ocupação e de circulação de pessoas e mercadorias (Correia, 1996). De entre as mais transaccionadas figuravam os géneros agrícolas e alimentícios, materiais para vestuário e gado. Em relação a matérias colorantes, só se encontraram menções claras a produtos para tinturaria, entre os quais o anil (corante de cor azul extraído das folhas de várias espécies de anileira e indigofeira) e a “grã”
104 Os forais manuelinos de Alvito e Vila Nova da Baronia, introdução, estudo e leitura de António Valério.
Edição da Câmara Municipal de Alvito, Alvito, 1996, pp. 37-43, 57-64.
105
Cfr. Ibidem; Varella, J.J., ‘ Memoria Estatistica acerca da notável Villa de Monte Mor o Novo’ Memórias da
Academia Real das Sciencias de Lisboa, 1816, p. 6; Leal, P., Augusto, S., Portugal antigo e moderno, diccionario geográfico, estatístico, chorográphico, heráldico, histórico, bibliográfico e etymologico de todas as cidades, villas e freguesias de Portugal e de grande numero de aldeias, Livraria Editora de Mattos Moreira &
Companhia, Lisboa, 1873, pp. 11, 58-59; Arquitectura popular em Portugal, Edição da Associação dos Arquitectos Portugueses, Lisboa, 1980, p. 483; Macias, S., Mértola Islâmica. Mértola, Campo Arqueológico de Mértola, 1996, pp. 14 a 44.
Fig. 3.20: Foral Manuelino das vilas da Baronia e de Alvito (Lisboa, 20 de Novembro de 1516). Parcela de texto referente ao anil e ao grã (fl.12 vº): “Marçaria e semelhantes- (…) E por graã Anjl Brasil e por todallas cousas para temgir (…)”