4. Method
4.3. Treatment of data
4.3.3. Exclusions
O conjunto das ações de informação no ambiente de informação das organizações encontra-se estruturado por um plano de regras ou planos de integração que, na realidade, incluem as dinâmicas e regulações tecnológicas e do mercado sob uma abordagem globalizadora, além do arcabouço institucional. As dinâmicas tecnológicas e do mercado (global) agem sobre as esferas de intervenção do Estado e sobre a autonomia em informação dos sujeitos neste plano de regras. Para cada elemento ou extrato que compõe esse plano de regras segue-se um quadro normativo, que define os valores de informação ou os critérios de validade25 e aceitação da informação.
O adensamento das relações no ambiente de informação ocorre por práticas, ações e estratégias de informação que, na designação de González de Gómez (1996) sobredeterminam os processos instituídos, por exemplo, de uso e não uso da informação e a direção dos fluxos de informação. Constituem enfim, as pragmáticas de informação nesse ambiente e as ações de articulação entre informação e metainformação, um plano de integração que ajuda no equilíbrio das redes primárias e secundárias porque tais redes dependem de operações de recuperação e transferência de informação26 e do diagnóstico
24
Almeida Júnior (2009) percebe a ocorrência do processo de mediação de duas formas: a) a mediação
implícita que ocorre nos equipamentos informacionais em diferentes suportes de informação (websites,
bancos e bases de dados, repositórios e documentos); b) a mediação explícita que exige a presença do usuário e acontece a partir das relações de comunicação diretas e locais estabelecidas pelas conversas, encontros interpessoais, como também em contatos através de canais de comunicação como telefone, chat, etc.
25
Os critérios de validade referem-se ao cumprimento de certas regras de comunicação estabelecidas para compreensão mútua ou consenso. As regras propiciam a validação do que se deseja comunicar (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2007).
26 Esse processo de transferência de informação realiza pelo menos quatro operações, segundo González de
Gómez (1996): a) definição das redes de interlocução (atores); b) definição de um domínio temático ou ontológico (pesquisa e extensão sobre café); c) definição de um universo de fontes (orientadas à pesquisa e à extensão); d) definição de um critério de valor e de relevância da informação (o que a equipe café considera como relevante sobre café?).
das estratégias definidas de geração de transmissão de informação promovidas pelos sujeitos relacionais ou reflexivos (os gestores e suporte DIF).
As redes prático-discursivas na equipe café correspondem às relações sociocomunicacionais dos três sujeitos ou atores gnoseológicos predominantes (os experimentadores, os funcionais e os relacionais ou reflexivos). Os Quadros 11, 12 e 13 descrevem os planos de regras junto a equipe café do Incaper, ou os valores de informação promovidos pelos sujeitos da equipe café.
As redes secundárias adensadas pelos pesquisadores estão constituídas por ações de mediação implícita conformando a preferência pela metainformação (informação sobre informação) disponibilizadas nos artefatos de informação em bibliotecas, repositórios, bases de dados, publicações periódicas, websites, participação em eventos, etc, conforme quadro 11. A mediação implícita também é agenciada pelos gestores e equipe suporte DIF que atuam para materializar a informação produzida pelas vias institucional, administrativa e tecnológica definindo as opções de sistemas, serviços e redes formais de informação.
Quadro 11 Plano de regras que orientam as narrativas dos sujeitos experimentadores Redes prático-discursivas Sujeitos experimentadores (Pesquisadores)
Critério de validade Científico e Técnico-científico
Componentes das ações
Modos como produzem sentido (comunicação) do ponto de vista semântico: as narrativas seguem as regras e usos da ciência na especialidade em que atuam, reguladas pelos dispositivos científicos e técnico-científicos, seguem as métricas da pesquisa científica, uso de linguagem, dependem de padronização e difusão dos termos/terminologia, da comunicação do conhecimento quase simultaneamente à descoberta, não dispõem de tempo para maturação de termos e conceitos. Para publicar utilizam canais e fontes de informação científicas. Tendem a conformar-se nas redes secundárias e infraestruturas típicas, como repositórios ou base de dados, cujo conhecimento produzido pode sofrer ausência de micropolíticas de sustentação (derivadas das redes primárias ou locais).
Modos como produzem os registros das narrativas (registro) do ponto de vista da sua estruturação: as narrativas são mediadas por artefatos ou objetos informacionais que seguem certas formas padronizadas de registro: a linguagem é padronizada (existe um dialeto padrão) e o egistro ocorre também seguindo normas, as publicações institucionais, as publicações externas (nacionais e internacionais). São os recursos de locução.
Modos como transmitem a informação (transmissão) do ponto de vista da infraestrutura: as narrativas sofrem a interferência: da instituição e de seu arcabouço comunicativo-informativo e tecnológico; das características do sujeito (cargo que ocupa), nível de poder, qualificação; e dos usos e competências linguísticas para compreender a base conceitual de seu campo de atuação (GALVÃO, 2004).
Produtos
Livros científicos. Documentos técnicos. Boletins técnicos. Artigos científicos. Pareceres. Apresentações em eventos de divulgação científica. Anais. Circulares técnicas. Teses e dissertações. Ensaios.
Junto aos sujeitos experimentadores (pesquisadores), os critérios de validade remetem à validação científica das narrativas: projetos e relatórios de pesquisa, artigos, livros, capítulos de livros, apresentação de pesquisas em eventos da área produzidos sob padrões predominantemente científicos ou técnico-científicos. As narrativas são primeiramente validadas no contexto científico, posteriormente tratadas em contextos heurísticos e tecnológicos e só na finalização convertidas em narrativas para outros fins.
As ações conjuntas dos pesquisadores e dos gestores adensam as redes secundárias. As ações conjuntas dos extensionistas e dos gestores adensam as redes primárias. A presença dos gestores, os sujeitos articuladores e reflexivos (veja o Quadro 12), em ambas as redes definem a singularidade e papel articulador desses gestores para promoção do equilíbrio esperado na conformação dessas redes de relações e interação (cooperação, intercâmbio, parcerias, etc.), permitem ações de coordenação/condução da direção dos fluxos, ações de editoração e organização da informação e da comunicação contemplando as demandas de ambas as redes e também relativas às macro e micro políticas concertadas.
Quadro 12 Plano de regras que orientam as narrativas dos sujeitos articuladores ou reflexivos Redes prático-discursivas Sujeitos articuladores ou reflexivos (Gestores e Suporte DIF)
Critério de validade Científicos, Técnicos, Simbólicos e Culturais.
Componentes das ações
As narrativas são articuladas e reguladas pelas relações (sócias, epistêmicas, materiais) que estabelecem (no ambiente interno e externo) ou pelas ações de integração que produzem para fortalecimento das formas de interação e para promoção das redes de cooperação.
Modos como produzem sentido (comunicação) do ponto de vista semântico: buscam na linguagem as combinações dos usos e critérios de validação das outras ações de informação produzidas pelos pesquisadores e extensionistas, tomam como objeto de referencia ou intervenção outras ações de informação para alargar as formas de descrição para facilitação da comunicação.
Modos como produzem os registros das narrativas (registro) do ponto de vista da sua estruturação: tendem a buscar o equilíbrio nas formas de registro. As narrativas tendem a padronização, modelização e normalização de caráter genérico porque têm que responder a “[...] demandas e conteúdos culturais de máxima plasticidade e polimorfismo (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2003, p. 35).
Modos como transmitem a informação (transmissão) do ponto de vista da infraestrutura: transformam a informação e a comunicação para promover as formas de interação e de integração social. Discurso validado pela ciência, potencializado pelas aplicações tecnológicas que na interação promovem visibilidade, as mediações socioculturais e simbólicas.
Produtos Gestores: Notas informativas. Entrevistas. Relatórios. Gráficos. Dados estatísticos. Apresentações em multimídia.
Suporte DIF: Releases jornais e mídias externas. Matérias em jornais. Programas de vídeos. Gráficos e infográficos. Reportagens televisivas.
As redes primárias adensadas pelos extensionistas estão constituídas de ações mediadoras a partir de ações diretas e locais de comunicação, conformam a mediação explícita que faz uso de meios como reuniões, seminários, exposições, visitas locais, contatos interpessoais e telefônicos e atividades de mídia social junto ao público atendido e também com as instituições nas quais interagem para promoção das ações que desenvolvem (Quadro 13). Por isso mesmo os eventos sobre café constituem-se como dispositivos impulsionadores das ações dos extensionistas. As atividades de coordenação dessas relações diretas e de alimentação das mídias sociais são viabilizadas pelos gestores e equipe suporte DIF produzindo ações administrativas e de difusão para promoção dessas ações padronizadas pelos extensionistas.
Quadro 13 Plano de regras que orientam as narrativas dos sujeitos funcionais Redes prático-discursivas Sujeitos funcionais (extensionistas)
Critério de validade
Técnicos e Científicos
Componentes das ações
Modos como produzem sentido (comunicação) do ponto de vista semântico: as
narrativas tendem a seguir as regras, usos e costumes do ambiente social no qual interagem (contexto de atuação). São pré-modeladas por ações de informação anteriores (aquelas produzidas pelos pesquisadores).
Modos como produzem os registros das narrativas (registro) do ponto de vista da sua estruturação: dependem das condições institucionais, das relações socioculturais estabelecidas. Privilegiam as relações diretas e locais em contextos que produzem experiências (fazendas experimentais, visitas técnicas, sítios, dias de campo) por isso mesmo as redes tendem a ser mais parciais e fechadas.
Modos como transmitem a informação (transmissão) do ponto de vista da infraestrutura: demonstram preferência para ambientes onde podem demonstrar e desenvolver atividades que podem ser aprendidas por meio de exemplos.
Produtos Notas técnicas. Formulários. Modelos. Folders. Artigos técnico-científicos. Fonte: Produzido pela autora durante a pesquisa.
Redes primárias e secundárias requerem coordenação social em seu desenvolvimento para que na interação possa ocorrer a “[...] a geração do conhecimento coletivo e organizacional que, consequentemente, aumentam as margens de autonomia informacional no ambiente da instituição como um todo” (BRASILEIRO, 2013b, p. 197).
O que se busca na identificação das redes primárias e secundárias como dispositivos de informação é a percepção de que, cada uma a sua vez, dá a condição de desenvolvimento da outra, o equilíbrio do ambiente de informação depende também dessa boa relação, até para diminuição de assimetrias de informação na equipe, como também para efetivação das
operações de transferência de informação junto ao cafeicultor, cadeia produtiva e sociedade em geral.
Os extensionistas foram consultados sobre as práticas de comunicação (mediação)
com os cafeicultores e como estabelecem o contato. Todos confirmaram que atuam em
contato direto com os cafeicultores diariamente. Nos escritórios locais não há uma divisão de tarefas exata, todos interagem. Extensionistas e pesquisadores compreendem que não podem se dedicar somente a pesquisa sem interagir para melhor identificar os problemas. Atendem principalmente ao pequeno cafeicultor e associações de cafeicultores. Os participantes do Grupo Focal 1 (GF 1) responderam que fazem uma programação semanal de acompanhamento dos produtores nos escritórios locais onde atuam. O planejamento está dirigido ao atendimento de grupos e coletivos.
De forma complementar foram consultados se nessas práticas de comunicação existiam barreiras relacionadas ao processo de compartilhamento de informações. Apontaram que necessitam de telefone celular da linha vivo dedicado ao contato com os produtores e com o próprio Incaper. Citaram que o telefone que existe no escritório não funciona bem porque não é Vivo, o sinal é ruim. Eles usam o telefone pessoal, pra não penalizar o agricultor com uma ligação do fixo para o celular. Indicaram também que a falta de manutenção dos escritórios locais cria uma imagem desagradável do Incaper e deles mesmo. Os escritórios precisam de pintura e manutenção regular. Apontaram para as dificuldades atuais de deslocamento por conta da redução de combustível no orçamento previsto. Basicamente trataram de dificuldades ligadas aos canais de comunicação e de infraestrutura.