• No results found

Effect of AEA-SP Dosage Sequence on Air Entrainment in FA Concrete

O- series [18] where two different binder types were investigated and where much more emphasis was put on controlling workability and total air content by varying AEA dosage,

6. EXAMPLE OF APPLICATION

O padrão de consumo de alimentos e bebidas por uma população está inserido dentro de um contexto bio-sócio-econômico e cultural complexo. Os hábitos de consumo de café não estão evidentemente dissociados desse contexto. Na verdade precisam ser estudados e compreendidos dentro dessa dinâmica. A nossa hipótese de vinculação do consumo e não consumo atrelado principalmente ao aspecto de sabor foi confirmado. As escolhas de consumo passam por experiências agradáveis ou indesejáveis ao paladar.

São poucas as pesquisas sobre o padrão de consumo de café no Brasil. A mais recente e significativa publicada foi a sétima pesquisa “Tendências do Consumo de Café” (ABIC, 2010b). Foram entrevistadas 1.703 pessoas, com mais de 15 anos de idade, ambos os sexos, de todas as regiões do Brasil. Essa pesquisa faz parte de um conjunto de pesquisas que vêm sendo realizadas desde 2003 na população brasileira.

A grande maioria da população entrevistada no Distrito Federal e entorno referiu consumir café. Isso está de acordo com a pesquisa Tendências de Consumo de Café (ABIC, 2010b), que mostra 97 % de prevalência de consumo de café no Brasil. Dados do Centro-oeste, também, mostram que 97 % da população dessa região é consumidora de café, sendo que, do total da população pesquisada, 46 % são do sexo masculino e 54 % do sexo feminino (ABIC, 2008). O principal motivo verificado, no presente trabalho, para o não consumo de café foi o fato de não gostar do sabor e/ou aroma do café. Um menor percentual referiu não consumir café por acreditarem que a bebida faça mal à saúde. Na pesquisa Tendência de Consumo de Café (TCC) (ABIC, 2010b), as perguntas

123 ligadas ao sabor revelaram uma diminuição no percentual de pessoas que informaram não consumir café devido não gostarem de seu sabor. Isso pode se dever à melhora na qualidade do café vendido no mercado. Quanto ao conjunto de perguntas ligadas à saúde, as mais frequentes foram “por recomendação médica”, por “dar dor de estômago, azia” e por “fazer mal à saúde”.

Segundo essa mesma pesquisa, metade dos consumidores já ouviu algo positivo com relação aos benefícios do café para a saúde, e nesse grupo, destacam-se: consumidores da região Sul, cidades rurais, pessoas das classes A/B, mais velhas e mulheres. Assim, à medida que novos resultados de pesquisas apontam que o consumo regular de café pode trazer benefícios à saúde (DOREA & DA COSTA, 2005) e que está associado à proteção contra o desenvolvimento de diabetes tipo 2 (VAN DAM & HU, 2005) um contingente de pessoas podem assumir outro padrão de consumo.

Entre os consumidores da bebida, o principal motivo de ingestão foi o “prazer pessoal”, seguido pelo “hábito/tradição” de consumir café. O inverso foi encontrado na pesquisa TCC (ABIC, 2010b), pois o principal motivo de consumir café foi o hábito adquirido desde criança/tradição familiar, seguido pelo fato de gostar do sabor da bebida.

Quando questionados sobre a forma de adoçar o café, a grande maioria dos entrevistados referiu usar açúcar, e um menor percentual, edulcorantes ou a combinação de ambos no decorrer do dia, ou simplesmente não utilizaram nenhum tipo de adoçante. Nossa pesquisa não detalhou a quantidade de açúcar adicionada ao café pelos entrevistados. A forma de preparo de café mais consumida no presente estudo foi a infusão, sendo que o uso do coador de pano foi mais freqüente que o uso do filtro de papel. Já o consumo de café instantâneo

124 foi baixo, em comparação à infusão. Na maioria das vezes o café foi consumido puro, seguido do consumo com leite de vaca. Esses resultados estão de acordo com a pesquisa TCC (ABIC, 2010b), que também verificou as mesmas tendências de forma de preparo, exceto para a forma de adoçar o café, que não foi questionada.

Contudo, em um estudo chamado Copenhagen Male Study (n=5.200), criado nos anos 70, para examinar as ligações entre obesidade, álcool, tabaco, atividade física e café, constatou-se que há menos obesos ou mais pessoas magras entre os que adoçam seus cafés ou chás do que entre os demais. Esse foi um estudo observacional e segundo os autores seria necessário um estudo complementar para saber se a combinação café com açúcar ativa os hormônios que reduzem o apetite (SUADICANI et al., 2005).

Contudo, é interessante observar que caso seja utilizada 1 colher de café de açúcar (3 g) para adoçar 1 xícara de café (50 mL), seriam consumidos 12 kcal advindas apenas da ingestão do açúcar. Caso fossem consumidas 6 xícaras por dia, ou seja, 300 mL de café, a quantidade de calorias consumidas advindas do açúcar seria de 72 kcal. Se o consumo fosse diário, em uma semana seriam ingeridas 504 kcal. Em estudo francês a adição de açúcar não modificou a associação do café com a redução de risco para o diabetes em coorte de mulheres adultas (SARTORELLI et al.,2010). Esse aspecto necessita ser melhor investigado.

A maioria das pessoas referiu consumir café com algum alimento e os mais comuns são produtos de padaria, como pães, pão de queijo e outros. A ingestão de café se faz como parte de refeições, como lanches e cafés da manhã, ou como ingredientes de sobremesas e petiscos. Em estudo realizado por Machado et al.

125 (2009), verificou-se tendência crescente e significativa da proporção de consumidores de café à medida que houve aumento na ingestão dos grupos de carnes e ovos, óleos e gorduras, e petiscos e lanches.

Smith et al., (1999) foi capaz de distinguir perfis (memória laboral, atenção, humor, função cardiovascular), baseados no consumo de café e cereais no desjejum. Os participantes que consumiram cereal no desjejum apresentaram melhor estado de humor no início da pesquisa e ao final sentiram-se mais calmos do que os que não tiveram desjejum. A ingestão de café não surtiu efeito no início dos testes, mas melhorou a codificação de novas informações e interagiu contra a fadiga durante a sessão de testes (SMITH et al., 1999).

Aproximadamente metade dos participantes referiu consumir café no trabalho. A própria demanda laboral dos indivíduos gera um aumento da ingestão de café em seus respectivos locais de trabalho, pois seu consumo melhora o desempenho de execução das atividades ocupacionais (DÓREA & DA COSTA, 2005). Smith et al., (1999) atribuíram à ingestão de cafeína do café o papel de melhora do processamento de novas informações e o impedimento do desenvolvimento de fadiga durante a realização do estudo. No entanto, atualmente pode-se questionar se estes efeitos do café podem ser atribuídos a cafeína e também a outros compostos presentes no café.

Um estudo realizado por Rey de Castro et al., (2004), verificou que o consumo de café faz parte das providências que os motoristas de ônibus do Peru relataram tomar, com a finalidade de evitar o sono e a sensação de cansaço ao dirigirem durante o período da noite.

Do total de entrevistados praticantes de atividade física e consumidores de café, menos de 1/3 referiu tomar café antes de praticar esportes. Dentre os

126 principais motivos, têm-se: „hábito, tradição‟, „por ser alimento‟, „prazer pessoal‟, por ser „estimulante‟. Poucas pessoas, que consomem café antes da prática de atividade física, o ingerem com a finalidade de ser um estimulante, no sentido de sentir-se mais disposto á realização da atividade.

Um estudo conduzido por Denadai & Denadai (1998), em homens não atletas e não consumidores regulares de café, mostrou um aumento significante do tempo até a exaustão dos indivíduos que ingeriram café com cafeína, confirmando que até mesmo em pessoas sem treinamento físico, a cafeína parece melhorar a performance. Um estudo realizado por Kromhout et al., (1988) encontraram uma associação positiva do consumo de café com a prática de atividade física.

4.1.3 Consumo moderado de café parece proteger contra o diabetes tipo 2