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A amamentação constitui um processo na transição para a parentalidade que exige um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que se relacionam com o seu sucesso.

Durante o processo de transição para a parentalidade, a amamentação pode ser considerada como um evento crítico, que segundo Gladys et al. (2007), para ser superado deverá incorporar a aquisição de competências práticas e conhecimentos teóricos, com o objectivo de atingir a mestria e a integração fluida, defendidas por Meleis et al., (2000). Nos depoimentos é possível identificar, claramente, esta necessidade de aquisição de competências para lidar com esta dificuldade, sendo traduzida pelas puérperas da seguinte forma: Oàp i ipalà oti oàpeloà ualàp e iseiàdeàajudaàfoià aà uestãoàdaàa a e tação… à E ;à áà aio àdifi uldadeàeàdú idasà ueàti eàfo a à aisà aseadasà aàa a entação do que p op ia e teà out oà tipoà deà uidado. à E ;à No al e te,à ua doà ha a aà pelasà e fe ei asà e aà po à ausaà deà eleà a a ,à e aà se p eà po à isso… à E ;à P e iseià deà ajudaà pa aà da à deà a a ,à ueà à u à o adoà o pli ado. à E ;à ásà dú idasà ueà aisà surgiram fo a à elati a e teà à a a e tação… à E ;à áà i haà p i ipalà difi uldadeà foià aà a a e tação…est a osà uitoà o e t adosà asà difi uldadesà daà a a e tação… à

E ; àNoài í ioàti eàu à o adoàdeàdifi uldadesàpo à ausaàdaàa a e tação. à E .

Amamentar era, tradicionalmente, o padrão normal de comportamento, porém, na actualidade verificam-se estilos de vida diferentes, com modelos e hábitos de aleitamento artificial e consequentemente puérperas sem experiência e desconhecedoras dos aspectos práticos da amamentação, tal como é possível perceber, através dos seguintes indicadores: Ne essiteiàdeàapoioàpa aàp àoà e à aà a aàeàaà a aà oà e ,àp o to,àa uelesàajustesà p ti os à E ;à Ti haàdú idasà elati a e teàaàaspe tosàp ti osàdaàa a e tação à E . Maldonado et al., (2004) realizaram um estudo, através do qual identificaram que, o facto de muitas mulheres nunca terem tido oportunidade de observar uma mãe a amamentar é dos condicionantes que mais propiciam insegurança sobre as suas competências e necessidade de informação prática sobre a amamentação.

A decisão de amamentar consiste numa decisão pessoal mas, concordantemente, com o supracitado Lévy e Bértolo (2008) sustentam que, a mesma está sujeita a influências resultantes da socialização de cada mulher. Se uma mulher cresceu num ambiente aleitante, ou seja, o aleitamento materno era praticado de forma natural, se foi amamentada, se viu outras mulheres a amamentar os seus filhos e reúne experiências positivas relacionadas com a amamentação, é provável que repercuta essas experiências na sua decisão.

Para além dos factores enumerados, outros há que influem na escolha do método pretendido para alimentar o bebé e que dizem respeito, essencialmente, ao suporte familiar, social e profissional, podendo ser decisivos no sucesso do aleitamento materno. Por outro lado, o outro elemento da díade – o bebé – desempenha também um papel fundamental no estabelecimento da amamentação, pelas suas características individuais. Algumas puérperas referiram exactamente isso: …oà e à ãoàesta aàaà o segui àpega à oà peitoàeàdepoisàfi a aà uitoài itadoà o àissoàeàs à ho a a… à E ;à áà aio àdifi uldadeà ueà ti eà foià e à ajuda à oà e àaà faze à u aà pegaà o e ta... à E ;à à Oà aisà o pli adoà foià euà perceber como é que se dá de mamar, porque, no princípio ele não pegava e eu não sabia o

ueàfaze à E .

Imprescindível é relembrar que, o aleitamento materno é um assunto de Saúde Pública de primeira grandeza, pelo seu insubstituível contributo na promoção da saúde e prevenção da doença, sendo universalmente estabelecido que os profissionais de saúde, em particular os enfermeiros, têm um papel fundamental e inigualável no objectivo que é aumentar a incidência e a duração do aleitamento materno, como é preconizado pela Organização Mundial de Saúde, em associação com a UNICEF, ao apoiarem, protegerem e promoverem o aleitamento materno.

Através da análise das entrevistas foi possível perceber que a decisão de todos os casais entrevistados seria alimentar o recém-nascido, recorrendo ao aleitamento materno, contudo ficou patente que a amamentação foi uma das necessidades de cuidados de Enfermagem mais valorizada e que mais vezes suscitou dúvidas, principalmente, no que se refere à parte prática da técnica.

Murray et al., (2000) defendem que, a amamentação pode ser uma experiência extremamente gratificante para a mãe e para o bebé, com benefícios para a saúde física e mental de ambos, sendo que, amamentar é uma arte que se aprende. Algumas mães amamentam com facilidade, não se confrontando com problemas, mas outras encontram

muitas dificuldades e contrariedades que impedem o sucesso da amamentação. É neste encontro íntimo e profundo entre mãe e filho, que ambos, com as suas características próprias, vão-se conhecendo ou ´re-conhecendo`.

Tendo em conta o contexto acima mencionado, a actuação dos profissionais de saúde deve contemplar não apenas os aspectos biológicos, mas também os psicológicos e sócio- culturais nele envolvidos: o acto de amamentar não está relacionado apenas com as questões biológicas, mas sobretudo com um conjunto de factores que contribuem ou interferem para o seu êxito (Maldonado et al., 2004). Para que amamentação se inicie e se estabeleça devidamente, é necessário que as mulheres contem com o apoio activo não só das suas famílias mas também de todo o sistema de saúde que as assiste.

As estratégias a desenvolver pelos profissionais de saúde devem promover, sobretudo, a promoção da autoconfiança na capacidade das mulheres/casais para amamentar e para ultrapassar as dificuldades, através de informação baseada em aspectos práticos relacionados com a técnica de amamentação. Estas intervenções são suportadas por estudos que comprovam a eficácia da informação acerca dos benefícios do aleitamento materno, e que demonstram que, informar e proporcionar suporte é útil sobretudo em mulheres primíparas, e que a sua eficácia aumenta se for abordada a técnica de amamentação juntamente com a promoção da confiança da mulher na sua capacidade para amamentar (Henderson et al., 2001; Maldonado et al., 2004; Shealy et al., 2005).

Em termos de implicação para a prática, compreender o significado da experiência de amamentar implica respeitar o desejo, a cultura e o suporte social de cada mulher/casal. Para além do que, a mulher/casal deve assumir o protagonismo desse momento, porque, a individualidade de cada um justifica o direito de serem orientados quanto à prática do aleitamento materno e também de respeito pela recusa, após serem esclarecidos sobre as vantagens da mesma.

Bueno e Teruya (2004), defendem que se um profissional de saúde apresenta uma atitude de empatia, abrindo um canal de comunicação positivo e facilitador do aleitamento materno, consegue demonstrar que está disponível para ajudar. Segundo estes autores, durante o puerpério, a habilidade mais importante é a ajuda prática, tendo como objectivo promover o conforto e diminuir o sentimento de cansaço.