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1. Introduction

1.5. Evolution of viral virulence

Para poder intervir corretamente na escultura deve conhecer-se profundamente dos danos e alterações identificadas, bem como as possíveis causas para a sua ocorrência; perceber quais os danos que ocorreram por ações extrínsecas à escultura e quais os que ocorreram por características intrínsecas aos materiais que as compõe63.

Depois de identificados os danos, estes são apresentados nos parágrafos que se seguem, bem como as possíveis causas para o desenvolvimento desses problemas. Materialmente considerou-se que a escultura estava estável no que concerne à estrutura, contudo foram identificados alguns problemas que podem e devem ser resolvidos, nomeadamente ao nível dos estratos de superfície.

A escultura apresenta alguma sujidade superficial (é percetível um filme de poeiras geral, por todas as superfícies da imagem) – vd. Fig. 26. A deposição de poeiras sobre as superfícies é resultado, claramente, da não manutenção ou manutenção deficiente, da escultura – falta de uma limpeza periódica da imagem. A escultura encontrava-se colocada numa mísula a cerca de 2 metros do solo, na sacristia e, por vários motivos, a sua manutenção cuidada não era frequente – pode apontar-se como um motivo evidente o difícil acesso à imagem e a privacidade do espaço. Verifica-se também alguma sujidade acumulada nas

63 Vd. TAUBERT, Johannes – Polychrome Sculpture: Meaning, Form, Conservation. 1ª ed. Los Angeles, USA: The Getty Conservation Institute, 2015 ISBN: 978-1-60606-433-7. p. 134-135.

áreas de depressão das superfícies dos elementos de entalhe mais profundo, como é o caso das áreas de maior pormenor – entre o cordeiro e o livro em que este assenta, entre os dedos dos pés, entre outras áreas.

Fig. 26 – Sujidade: Pormenores da sujidade depositada sobre as superfícies da escultura (livro e cordeiro;

braço esquerdo e pé esquerdo, respetivamente). Fonte: de elaboração própria.

A imagem apresenta algumas lacunas ao nível da estrutura (de pequenas dimensões) – vd. Fig. 27: na base tem duas lacunas no friso superior (vista frontal) e duas no friso inferior (vista frontal, à direita, e vista lateral esquerda da imagem). Apresenta também falta de elementos – vd. Fig. 28: a mutilação do dedo indicador na mão esquerda, e na mão direita, conserva apenas o dedo polegar. Estas perdas de material poderão ter sido causadas por embate.

Fig. 27 – Lacunas ao nível do suporte: Pormenores onde se observam lacunas ao nível da estrutura na base,

no friso superior, vista picada de uma lacuna na frente; vista frontal da mesma lacuna; e vista frontal de uma lacuna no friso inferior, vista lateral esquerda. Fonte: de elaboração própria.

Fig. 28 – Elementos em falta: Pormenores da falta de quatro dedos na mão direita e de um dedo na mão

esquerda, respetivamente. Fonte: de elaboração própria.

Verificam-se também fraturas entre os pés e as pernas da imagem – vd. Fig. 29, que poderão ter na sua origem as causas anteriormente referidas (ações mecânicas violentas propositadas ou acidentais).

Fig. 29 – Fraturas: Pormenor das fraturas nos pés direito e esquerdo, respetivamente. Fonte: de elaboração

própria.

Os elementos metálicos, aplicados como reforço da colagem das fraturas e para permitir a fixação da imagem à base em posição vertical, encontram-se oxidados. Identificou-se também a presença de produtos de corrosão, resultantes dos pregos e parafusos oxidados – vd. Fig. 30. A oxidação dos elementos metálicos é uma reação que ocorre naturalmente – devido ao contato destes com o oxigénio presente no ar. No entanto estas reações podem ser aceleradas pelas variações de temperatura, humidade relativa (a níveis de humidade e temperatura elevados o processo de oxidação tende a ser acelerado) e

pela presença de ácido acético produzido devido a processos naturais da madeira64. Os

produtos de corrosão expandem, causando stress no madeira, e migram tanto para a estrutura lenhosa como para os estratos de superfície criando manchas.

Fig. 30 – Elementos metálicos oxidados e corroídos: Pormenor dos pregos aplicados pela parte inferior da

base para reforçar a união entre a imagem e a base depois de fraturada (vista inferior da base). Fonte: de elaboração própria.

Os estratos de superfície apresentam-se coesos e com relativa boa adesão à estrutura, em parte isto pode dever-se à boa qualidade material e técnica da escultura.

As lacunas ao nível dos estratos de superfície – vd. Fig. 31, são identificadas sobretudo nas margens da base e pontualmente nas extremidades da veste, sendo que atingem todos os estratos. Estas lacunas podem ter na sua origem vários fatores: pequenos toques (embate) durante o manuseamento; desgaste superficial acentuado que acabou por remover estes estratos completamente da superfície; falta de aderência destes à estrutura. A falta de aderência dos estratos aplicados sobre a estrutura pode ter como principais motivos: uma aplicação deficiente, o que pela qualidade da imagem não parece ser aceitável; a perda, em parte, de função do aglutinante utilizado, mas isso também deixaria a policromia

64 Vd. NAPPI, Manuela; NAPPI, Sérgio; VALLE, Ângela – Corrosão na interface metal/madeira – análise

de elementos metálicos embutido em diferentes espécies de madeira. [Em linha] Paraíba, Brasil: Anuais do

IX Congresso Internacional sobre Patologia e Recuperação de Estruturas – CIMPAR, 2013. [Consult. 27 Set. 2016]. Disponível em WWW: <URL: www.casadagua.com/wp-content/uploads/2014/02/A1_119.pdf>. p. 2.

pulverulenta, o que não se verifica na escultura em questão. Contudo, o aglutinante perde elasticidade com o envelhecimento, o que faz com que os estratos de superfície percam a capacidade de se adaptarem aos movimentos de expansão e contração sofridos pela estrutura lenhosa. Ainda que se saiba que a madeira de Teca é pouco susceptível às variações de temperatura e humidade relativa, a madeira sofre sempre alguma alteração volumétrica o que fez com que os estratos destacassem da superfície65. Por fim pode ser apontada como

responsável, a espessa camada de proteção, que com o envelhecimento retraiu e provocou levantamentos.

Fig. 31 – Lacunas ao nível dos estratos de superfície: Pormenores das lacunas identificadas ao nível da

camada de policromia ou folha metálica. Na face (testa e nariz) e no verso do braço direito. No caso do cordeiro observa-se uma lacuna extensa de desgaste. E pormenor de uma área lacuna na base (vista picada do plano frontal). Fonte: de elaboração própria.

Os estratos de superfície apresentam redes de estalados de envelhecimento66

(microfissuras) – vd. Fig. 32, que são resultado das características intrínsecas dos materiais aplicados sobre a estrutura, como a perda de elasticidade do aglutinante, que faz com que os estratos já não sejam capazes de acompanhar os movimentos da madeira (devido a variações de temperatura e humidade relativa). Contudo, o envelhecimento da camada de proteção também contribui para o acelerar deste processo de fissuração dos estratos de superfície.

65 Vd. NICOLAUS, Knut – Manual de restauración de cuadros. 1ª ed. Barcelona, Espanha: Könemann, 1999. ISBN: 3-89508-649-5. p. 189.

66 Por redes de estalados de envelhecimento, entende-se a existência de microfissuras que partem da estrutura e atravessam todos os estratos de superfície. – Vd. NICOLAUS, Knut – Manual de restauración de

Fig. 32 – Redes de estalados: Pormenores onde se observam as redes de estalados derivadas da alteração da

camada de proteção aplicada, na mão esquerda e pata da manga esquerda, vista anterior, respectivamente.

Fonte: de elaboração própria.

Encontra-se também, policromia em risco de destacamento – vd. Fig. 33. Este risco é localizado e baixo, identificou-se apenas nas margens das lacunas que afetavam todos os estratos (lacunas ao nível da preparação). A policromia em risco de destacamento tem na sua origem os mesmos motivos apontados para as lacunas ao nível da preparação, sendo que esta é a fase anterior à perda dos estratos de superfície.

Fig. 33 – Policromia em risco de destacamento: Pormenor de uma área onde se verifica o risco de

Quanto aos estratos de bolo arménio e douramento que reveste grande parte da superfície da imagem, este apresenta-se coeso e estável. O bolo arménio é visível em áreas de maior desgaste da folha metálica: no topo da cabeça, nos ombros e na parte central da túnica (na vista frontal). No que respeita ao estrato de douramento, é notório um desgaste geral, ainda que atualmente a imagem continue a apresentar uma percentagem elevada de superfícies douradas. O desgaste da folha de ouro – vd. Fig. 34, é obviamente resultado da abrasão sobre as superfícies, seja esta provocada por agentes atmosféricos (como a movimentação de poeiras, pelas correntes de ar), ou por ação humana (fricção).

Fig. 34 – Desgaste do estrato de douramento: Pormenores da cabeça (vista superior) e da veste (vista frontal),

respetivamente, onde se observa um desgaste das camadas de policromia e douramento. Fonte: de elaboração própria.

A camada de proteção apresenta-se muito alterada, está muito oxidada, e com redes de estalados – vd. Fig. 35. Estas redes de estalados são consequência da alteração material dos estratos de proteção aplicados sobre a superfície, que com o envelhecimento natural, retraiu. Outro motivo será a elasticidade, não conseguindo assim acompanhar os movimentos da estrutura lenhosa.

A alteração desta camada deu também origem a um escurecimento geral da coloração das policromias (na verdade o escurecimento é desta camada, mas é percetível graças às camadas subjacentes). Este escurecimento é resultado da oxidação da camada de proteção. O envelhecimento destes estratos torna-os mais suscetíveis à adesão de poeiras e sujidades,

que, por sua vez, são mais suscetíveis à acumulação de humidade e favorecem o desenvolvimento de pestes e pragas.

Fig. 35 – Oxidação da camada de proteção: Pormenores onde se percebe a alteração de cor devido à oxidação

da camada de proteção aplicada sobre a escultura, no braço direito e na pata da manga da veste, lado direito, respetivamente. Fonte: de elaboração própria.

As lacunas encontradas ao nível da camada de proteção resultaram do desgaste superficial – vd. Fig. 36.

Fig. 36 – Lacunas ao nível da camada de proteção: Pornenor onde se observa as camadas subjacentes à