• No results found

Veiledning til forskrift om beredskap i kraftforsyningen

5.1 D OKUMENTSTUDIER

5.1.5 Veiledning til forskrift om beredskap i kraftforsyningen

Para Lawson (2011), cada um dos geradores de problemas impõe restrições sobre a solução projetada, sendo umas mais rígidas, como as apresentadas pelos legisladores que são mais absolutas, e outras mais flexíveis, como as geradas pelo projetista, que está livre para mudá-las ou abandoná-las.

Tais restrições também podem ser de natureza interna ou externa. As restrições internas “são as mais óbvias e fáceis de entender, já que, tradicionalmente, formam a base do problema do modo inicialmente exposto pela maioria dos clientes” (2011, p.95). Normalmente são encaradas logo no início do processo, como o desenho de esquemas e fluxogramas como uma forma de representar graficamente as relações necessárias do projeto. Já as restrições externas estão ligadas ao objeto projetado e ao seu contexto, podendo ser determinadas pelo limite do terreno, rua, tipo de solo, clima e localização.

33No original: Du point de vué métaphysique, l'idée permet de penser la création artistique en tant que mode de connaissance. Ainsi peit-on distinguer deux modalités decréation: l´imitation que reproduit ce qui est vu, et l´imagination que (re) produit ce qui n´est pas vu.

Com relação à flexibilidade, as restrições internas permitem ao projetista um maior grau de liberdade, já que “só influenciam fatores sob o controle do projetista”. As restrições externas são aquelas que estão além do controle, enfatizando a natureza individual e particular do projeto” (LAWSON, 2011, p.98-99).

Boudon et al (2000, p.18) concluem que um projeto é submetido a exigências/restrições de natureza diversa (sítio, regulamentação, custos etc.), ao mesmo tempo que alertam que o edifício não é a resultante dos dados iniciais e das imposições/restrições; ele se apoia sobre ideias, as do arquiteto ou de uma equipe de arquitetos. O trabalho do arquiteto não resulta de automatismos, de um determinismo dessas restrições. “A concepção de um edifício é feita por escolhas, intenções, decisões que permitem a ideia” (BOUDON, et al, 2000, p.18)34.

Portanto, as restrições projetuais não devem ser encaradas como limitadoras da criatividade. Logo, para Lawson (2011, p.100), “o propósito das restrições, obviamente, é assegurar que o sistema ou objeto projetado cumpra, da maneira mais adequada possível, as funções dele exigidas”, e desta forma expõe uma complexificação do campo das restrições ao apresentar quatro funções das restrições do projeto (Figura 48).

Figura 48: Complexificação do campo das restrições projetuais

Fonte: LAWSON (2011)

As restrições radicais “são aquelas que tratam do propósito primário do objeto ou sistema a ser projetado”, é o fundamental, “aquilo que está na raiz” (LAWSON, 2011, p.103). Elas são tão importantes, que podem ser consideradas a razão do projeto. Ao abordarmos o projeto de intervenção podemos apontar que a sua restrição radical é a preservação deste

34No original: La conception d´un édifice est portée par des choix, des intentions, des décisions que permet, ou auxquelles renvoie, l´idée.

patrimônio cultural objeto de intervenção, com seus valores/características arquitetônicas, eleitos como essenciais e que lhe conferem o título de bem de interesse para preservação e sua adaptação à vida contemporânea.

As restrições práticas são as ligadas “à realidade de produzir, fazer ou construir o projeto; o problema tecnológico”. São os materiais usados, o desempenho técnico do objeto durante sua vida funcional (LAWSON, 2011, p.103). Para o projeto de intervenção, esse tipo de restrição não está limitado apenas à escolha dos materiais envolvidos, mas também à adaptação do novo uso da edificação existente, uma vez que esta adequação consciente prolongará o tempo de vida do edifício.

As restrições formais estão relacionadas “com a organização visual do objeto”, como proporção, formato, cor e textura (LAWSON, 2011, p.104). Neste sentido, retomamos a questão da criatividade para o projeto de intervenção e o diálogo entre o novo e o preexistente, seja qual for o nível em que o mesmo se enquadre.

Já as restrições simbólicas são aquelas relacionadas à geração de um significado como parte central do processo. Este tipo de restrição é muito presente no caso do projeto de intervenção, uma vez que, normalmente, os discursos utilizados têm um forte apelo voltado para o resgate de uma identidade cultural e social de uma população.

Mahfuz (1995, p.45), ao destacar que, entre tantas possibilidades de arranjo formal em um projeto arquitetônico, “o arquiteto deve considerar as outras dimensões da arquitetura, indo além do propósito imediato que exige a criação de novos espaços, passando a considerar como de igual importância as dimensões cultural, social, histórica e individual”.

Nesse sentido, salientamos a importância do exercício projetual consciente, essencial a todo projeto de arquitetura, seja ele para a construção do novo ou para a intervenção no patrimônio cultural, com uma disposição de refletir no momento da concepção projetual capacitando os projetistas, cada vez mais, a serem profissionais habilidosos, principalmente porque cada projeto é único e, por isso, não existe um manual de como agir em cada caso; sempre existirão situações incomuns.

No caso do projeto de intervenção, as situações incomuns são mais marcantes; existem particularidades tanto para as questões formais como para as funcionais. Para cada edifício há uma peculiaridade: uns estão mais degradados que outros, demandando níveis de cautela

distintos. Surge ainda a questão da adaptação ao uso contemporâneo: como inovar/modificar sem descaracterizar? Existem conflitos que escapam aos cânones da racionalidade técnica35.

E apesar de haver contribuições teóricas sobre a forma de intervir, a atividade projetual ainda é muito subjetiva e dependerá principalmente da metodologia projetual adotada pelo arquiteto. Logo, Kühl (2006, p. 31) defende que o projeto de intervenção deve ser “embasado em rigorosa metodologia, que se façam conscienciosos estudos, e que o processo de aquisição e análise dos conhecimentos funcione de modo articulado ao projeto, para que se façam propostas pertinentes, que sejam fundamentas, justificadas e justificáveis”.

Portanto, ressaltamos a importância da consolidação de métodos de projetação conscientes da responsabilidade cultural e social envolvidas em projetos de transformação de áreas urbanas, conjuntos arquitetônicos e edifícios de interesse para preservação, como testemunhos únicos que devem ser transmitidos para as gerações vindouras, inclusive, como exemplos que podem ser utilizados como repertório para futuras intervenções.

E é baseado nesta importância que estruturamos a metodologia de análise projetual apresentada no capítulo a seguir.

35 Entre tantos exemplos que podemos citar para exemplificar a possibilidade de inovar sem descaracterizar, elegemos a intervenção realizado no Parlamento Alemão (o Reichstag de Berlin) a inserção da “cúpula envidraçada de Sir Norman Foster and Partners (1993-1999) recupera tanto a configuração do edifício, como restabelece a magnitude do edifício para seu contexto urbano, agora também em certa medida renovado” (NERY e BAETA, 2013, p. 10-11).

4. E NATAL? REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA PROJETUAL