Referências:
DESEMPENHO MOTOR E ADIPOSIDADE CORPORAL SEGUNDO CRITÉRIOS DE SAÚDE EM ADOLESCENTES DE DIFERENTES NIVEIS ECONÔMICOS MOTOR PERFORMANCE AND BODY ADIPOSITY ACCORDING TO HEALTH
CRITERIA IN ADOLESCENTS OF DIFFERENT SOCIOECONOMIC STATUS
Vânia Silva Macedo Orsano, Richard Leite, Glauber Castelo Branco Silva, JonatoPrestes
Resumo
Fundamentos: Adolescentes de níveis socioeconômicos (NSE) diferentes apresentam resultados distintos com relação a critérios de saúde para desempenho motor e adiposidade corporal. Objetivo: analisar o desempenho motor e a adiposidade corporal em relação aos critérios de saúde, em adolescentes de diferentes NSE. Métodos: Participaram do estudo 551 adolescentes, sendo 240 do sexo masculino (13,09±0,77anos) e 331 do sexo feminino (12,88±0,78 anos) de escolas públicas e privadas da cidade de Teresina, PI. As variáveis analisadas foram: aptidão cardiorrespiratória determinada a partir do teste de 1600 metros, força/resistência muscular pelo teste de resistência abdominal, a força explosiva de membros inferiores pelo teste de salto horizontal e de membros superiores pelo teste de arremesso do medicine ball. A flexibilidade foi determinada pelo teste de sentar e alcançar, a composição corporal pelo somatório das dobras tricipital e panturrilha (TR+PA) e índice de massa corporal (IMC). O NSE foi avaliado pelo Critério de Classificação Econômica do Brasil e o estágio maturacional foi avaliado pela escala de TANNER. Resultados: O NSE econômico influenciou o IMC, somatório das dobras cutâneas e flexibilidade. Em relação ao sexo, meninas apresentam melhores resultados para adiposidade corporal (IMC e dobras cutâneas), já para o desempenho motor os meninos apresentam resultados superiores para resistência abdominal, potência dos membros inferiores e superiores, e as meninas apresentam melhores resultados para flexão de braços e flexibilidade, não havendo diferença entre os sexos para aptidão cardiorrespiratória. A maturação sexual não influenciou o desempenho motor nem os índices de adiposidade corporal em adolescentes. Conclusão: Um elevado número de adolescentes encontra-se abaixo dos níveis estabelecidos para a saúde. O nível econômico alto pode levar a maiores problemas de saúde, visto que, uma grande quantidade de adolescentes nesta categoria apresentou baixa aptidão física relacionada à saúde.
ABSTRACT
Background: Adolescents of different socioeconomic status (SES) present distinct results regarding health criteria to motor performance com and body adiposity (BA). Objective: To analyze the motor performance and BA related to health criteria in adolescents of different SEL. Methods: 551 adolescents participated of the study, being 240 males (13.09±0.77 years) and 331 females (12.88±0.78 years) from public and private schools of the city of Teresina, PI. The analyzed variables were: cardiorespiratory fitness by the 1600 meters test, muscle strength/endurance by the abdominal endurance test, power of the lower limbs by the horizontal jump test and upper limbs by the medicine ball throwing test. Flexibility was determined by the seat and reach test, while body composition was evaluated by the sum of tricipital andcalf skinfolds, and body mass index (BMI). The SES was evaluated by the Criteria of Economic Classification of Brazil and the maturational status by the TANNER scale. Results: The SEL exerted an influence on BMI, sum of skinfolds and flexibility. Regarding gender, the girls superior results on BA (BMI and sumo f skinfolds), while in the motor performance the boys presented superior results on abdominal endurance, power of lower and upper limbs, and the girls had better results on push-ups and flexibility, with no difference between genders for cardiorespiratory fitness. Sexual maturation had no influence on motor performance neither on BA indexes in adolescents. Conclusion: An elevated number of adolescents were found to be below the established levels for health. The high SES may induce more health problems, as, an elevated number of adolescents in this category presented a low health-related physical fitness.
Introdução
Estima-se que quase dois terços das crianças no mundo são insuficientemente ativas, o que resulta em implicações para a saúde (WHO, 2002). No entanto, os padrões de atividade física da infância podem seguir na adolescência e depois na idade adulta e, em longo prazo, ser indiretamente relacionado com a saúde (KRISTENSEN et al., 2008). A Adolescência é um período de grande desenvolvimento biológico, social, comportamental e relacional. Mudanças neste período podem levar a um estilo de vida que influenciam profundamente a saúde no futuro (DUE et al., 2011).
Dessa forma é particularmente preocupante para os efeitos na saúde, os altos índices de inatividade física em jovens e nesse contínuo para a obesidade e as doenças associadas com alta mortalidade, como obesidade, doenças cardiovasculares, musculoesqueléticas e mentais. Um alto nível de aptidão física na infância e adolescência está associado com resultados favoráveis à saúde tanto a curto como em longo prazo. (ORTEGA et al., 2011; RUIZ et al., 2009).
Ademais, vale destacar um estudo mostrando que crianças de alto nível econômico estão mais acima dos critérios de saúde para adiposidade corporal e assim com maiores riscos para desenvolvimento de sobrepeso e obesidade, e que pequena parcela têm conseguido atingir um nível satisfatório para saúde com relação ao desempenho motor (RONQUE et al., 2007). Contrariamente, Silva et al. (2007) mostraram que o nível econômico não modifica de forma significativa os componentes da aptidão física relacionada à saúde como força, aptidão cardiorrespiratória, força, resistência abdominal e flexibilidade. Outro estudo sobre a influência da mobilidade social sobre a atividade física desde a infância até a idade adulta sugere que modificações no nível econômico, indicado pelo nível educacional, estão associadas ao aumento da aptidão física e cardiorrespiratória da infância a idade adulta e que a influência da infância pobre sobre a atividade física e aptidão são passíveis de mudança (CLELAND et al., 2009).
A falta de consenso entre nível econômico, atividade física e saúde sugere que mais estudos sejam realizados para melhorar o entendimento desses fatores discordantes. O nível econômico afeta os hábitos das pessoas e influencia no estilo de vida, alimentação, nível de atividade física e as formas de lazer sendo um importante aspecto na comparação de variáveis de saúde, como adiposidade corporal e desempenho motor.
Nesse sentido, as disparidades econômicas podem ser um fator que leva a problemas de saúde, levando-se em consideração a grande contribuição da inatividade física para o aparecimento das doenças crônicas (CLELAND et al., 2009). Nesse contexto o estudo objetivou analisar o desempenho motor e a adiposidade corporal em relação aos critérios de saúde, em adolescentes de diferentes níveis socioeconômicos. A hipótese inicial era de que uma maior quantidade de adolescentes de baixo nível socioeconômico não alcançariam os critérios estabelecidos para saúde em relação ao desempenho motor e adiposidade corporal. MATERIAL E MÉTODOS
População e Amostra
Este foi um estudo transversal de conveniência, realizado no período de fevereiro a junho de 2011. Para a realização do presente estudo foram selecionadas quatro escolas de diferentes regiões e classes socioeconômicas escolhidas em cada dependência administrativa (particular, pública municipal ou pública estadual) que atendiam aos critérios estabelecidos para o desenvolvimento dos testes a serem aplicados. Os critérios para a seleção das escolas foram: atender adolescentes no ensino fundamental entre 12 a 14 anos de idade e possuir espaço físico adequado para a aplicação dos testes.
A população foi constituída de alunos matriculados nas escolas das redes pública e privada de ambos os sexos, com idades entre 12 e 14 anos. Foram incluídos no estudo 551 adolescentes, respeitando o critério de idade previsto no estudo, bem como, a adesão prévia das mesmas e autorização dos respectivos pais, mediante assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para participar da pesquisa. Como critérios de exclusão foram adotados: ausência no dia da coleta de dados ou alguma doença/limitação física que impedisse a realização dos testes. O Estudo foi aprovado no Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Católica de Brasília (no 270/2010).
Antropometria
A massa corporal foi aferida em uma balança antropométrica tipo plataforma (Britânia®, Brasil) com o avaliado descalço e usando a menor quantidade de roupas possível. A estatura foi medida com a utilização de uma fita métrica fixada na parede a um metro do solo onde o avaliado manteve-se junto à parede e descalço em apnéia inspiratória, a medida foi realizada do vértex a região plantar. Posteriormente, foi calculado o índice de massa corporal (IMC) a partir dos valores da massa corporal (MC) e estatura (ES) por meio da seguinte equação: IMC
= MC (kg)/ES2(m). A circunferência da cintura foi determinada com os indivíduos em pé e após expiração completa do ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca por meio de uma fita milimétrica inextensiva e inelástica (Sanny®, Brasil).
A dobra cutânea tricipital (DCTRI) foi medida no ponto médio entre o processo acromial da escápula e o processo do olecrano da ulna usando uma fita métrica, sendo tomada na porção posterior do braço. A dobra da panturrilha foi medida no ponto interno da maior circunferência da perna, na porção medial e com os joelho e quadril flexionados a 90°. As medidas foram realizadas três vezes com adipômetro (CESCORF®, BRASIL) de acordo com Petroski (2003), no lado direito, considerando como resultado final a média aritmética das medidas. O percentual de gordura foi estimado pela equação e pelos valores de referência propostos por Slaughteret al. (1988).
Critérios de referencia para a aptidão física relacionada à saúde (AFRS)
Os componentes da AFRS foram avaliados em relação aos critérios referenciados apresentados pela AAHPERD (1988), para a composição corporal (TR + PA), IMC, Flexibilidade (sentar e alcançar) e força / resistência muscular para a porção inferior do tronco (abdominal) e aptidão cardiorrespiratória. Para a força / resistência muscular para a porção superior do tronco os critérios descritos pelo FITNESSGRAM (2004) e para a força explosiva os critério referenciados apresentados pelo PROESP-BR (2007) foram adotados. É importante realçar que estas baterias de testes têm sido validada e amplamente utilizadas em crianças e jovens.
Avaliação da Aptidão Física
A aptidão Cardiorrespiratória foi avaliada por meio do teste de 1600 metros que consiste em correr/caminhar no menor tempo possível à distância de 1600m. O teste foi realizado em um espaço físico plano sem obstáculos ou quando possível numa pista de atletismo ou quadra poliesportiva. Os escolares realizaram uma única tentativa, onde foram identificados individualmente por meio de um número para o registro do resultado e divididos em grupos para uma melhor aplicação do teste, de modo que, ao final registrou-se o tempo em minutos e segundos.
A aptidão muscular para a força / resistência muscular superior do tronco foi avaliado pelo teste de resistência abdominal, no qual o avaliado executou a quantidade de repetições possível até um número máximo de 75. O avaliado posicionava-se em decúbito dorsal, com os
joelhos flexionados a 140 graus, com os braços retos e em paralelo como tronco com as palmas das mãos no colchonete. Uma tira de cartolina de 11,4 cm era colocada sob os joelhos. O aluno flexionava o tronco para cima para que os dedos deslizassem para o outro lado da fita.
Para medir a força/resistência muscular de braços, parte inferior do tronco, foi utilizado o teste de flexão e extensão de braços sobre o solo. Para os meninos na posição de quatro apoios, braços a largura dos ombros e movimento completo até a exaustão, descendo e tocando o peito no solo com extensão dos cotovelos. Para as meninas, posição de seis apoios, braços a largura dos ombros, movimento incompleto, descendo até tocar um objeto e estendendo os cotovelos. O movimento era repetido até a exaustão, devendo ser anotada a quantidade de repetições conseguidas.
O Teste de força explosiva de membros inferiores foi o de salto horizontal onde uma trena era fixada ao solo, perpendicularmente a uma linha, ficando o ponto zero sobre a mesma. O sujeito colocava-se imediatamente atrás da linha, com os pés paralelos, ligeiramente afastados, joelhos semi-flexionados, tronco ligeiramente projetado à frente. Ao sinal o sujeito deveria saltar a maior distância possível. Foram realizadas duas tentativas, registrando-se o melhor resultado. A distância do salto foi registrada em centímetros, com uma casa decimal, a partir da linha inicial traçada no solo até o calcanhar mais próximo da mesma.
Para membros superiores foi realizado o teste de arremesso do medicine ball, no qual foi utilizada uma trena e uma medicine ball de 2 kg (ou saco de areia com 2 kg). A trena era fixada no solo perpendicularmente à parede. O ponto zero da trena era fixado junto à parede. O sujeito sentava-se com os joelhos estendidos, as pernas unidas e as costas completamente apoiadas à parede. A medicine ball lera posicionada junto ao peito com os cotovelos flexionados. Ao sinal do avaliador o sujeito lançava à bola na maior distância possível, mantendo as costas apoiadas na parede. A distância do arremesso era registrada a partir do ponto zero até o local em que a bola tocava ao solo pela primeira vez. Foram realizados dois arremessos, registrando-se o melhor resultado. A medicine ball foi banhada em pó branco para a identificação precisa do local onde tocou pela primeira vez o solo. A medida foi registrada em centímetros com uma casa decimal.
Para determinar a flexibilidade foi realizado o teste de sentar e alcançar modificado, com a utilização do banco de Wells. Os avaliados descalços, sentaram-se de frente para a base
da caixa, com as pernas estendidas e unidas. As mãos eram colocadas uma sobre as outras e os braços elevados à vertical. Posteriormente, o corpo era inclinado para frente e as pontas dos dedos das mãos alcançavam tão longe quanto possível sobre a régua graduada, sem flexionar os joelhos e sem utilizar movimentos de balanço (insistências). Cada avaliado realizava duas tentativas. O avaliador permanecia ao lado do avaliado, mantendo os joelhos do mesmo em extensão. O resultado era medido a partir da posição mais longínqua alcançada na escala com as pontas dos dedos. Registrou-se o melhor resultado entre as duas execuções com anotação em uma casa decimal.
Critério para a classificação da condição econômica
A condição econômica foi determinada pelo Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB), proposto pela Associação Nacional de Empresas de Pesquisa – ANEP, que permite estratificar a população em cinco classes econômicas (de A até E), baseada nas respostas do entrevistado, quanto à posse de bens, presença de empregada mensalista e grau de instrução do chefe da família. Este critério é utilizado para definir classes econômicas que possuam renda mensal até US$ 50.000,00. O CCEB foi construído com a utilização de técnicas estatísticas baseado em coletivos. É importante esclarecer que uma amostra de determinado tamanho existe a probabilidade de correta classificação, que se espera seja alta, como também a probabilidade de erros que se espera seja baixa. Para este estudo foram consideradas de alto nível econômico as classes A1, A2, B1 e B2 e de baixo nível econômico as classes C, D e E. Análise estatística
Para análise dos dados foi utilizada uma estatística descritiva de frequência, média e desvio padrão, teste de normalidade dos dados de Kolmogorov – Smirnov, teste de t de Student para amostras independentes e o teste de qui–quadrado para comparação das variáveis distribuídas em classes.
Resultado
Participaram do estudo 551 adolescentes, sendo 240 do sexo masculino (13,09±0,77anos) e 331 do sexo feminino (12,88±0,78 anos) de escolas públicas e privadas da cidade de Teresina, PI. A amostra apresenta 50,9% de adolescentes do nível econômico alto e 49,1% do nível econômico baixo, em relação à maturação sexual 0,9% são pré-púberes, 78,2% são púberes e 20,9% são pós-púberes. A tabela 1 apresenta as características antropométricas e de desempenho motor dos adolescentes com média e desvio padrão de todas as variáveis
Variáveis Média±DP Idade 12,9±0,8 Estatura 158,2±0,8 Massa corporal 49,7±11,1 IMC 19,8±3,5 ∑DC(TR+PA) 28,3±12,5 Abdominal 31,9±19,8 Flexão de braços 12,1±8
Potência de membros superiores 297±72,6
Potência membros inferiores 145±33,5
Flexibilidade 23,1±8,1
Aptidão Cardiorrespiratória 13,18±2,7
Variáveis Sexo masculino
Média±DP Sexo feminino Média±DP Idade 13,1±0,7 12,8±0,8* Estatura 1,60±0,1 1,6±0,6* Massa corporal 51,7±12 48,3±10,1* IMC 19,9±3,5 19,7±3,6 ∑DC(TR+PA) 24,2±12,3 31,5±11,7* Abdominal 42,4±21,5 23,6±13,5* Flexão de braços 11,8±8,6 12,3±7,6
Potência de membros superiores 345±71,1 259±47,4*
Potência membros inferiores 142,8±33,8 146,7±32,6
Flexibilidade 22,8±7,8 23,4±8,2
Aptidão Cardiorrespiratória 11,43±1,9 14,43±2,5
estudadas e a tabela 2 apresenta estes valores separadas por sexo e sua comparação por meio do teste de t Student para amostras independentes.
Tabela 1. Características antropométricas e de desempenho motor dos sujeitos estudados.
DP= desvio padrão, IMC= índice de massa corporal, ∑DC(TR+PA)= somatório das dobras cutâneas do tríceps e panturrilha.
Tabela 2. Características antropométricas e de desempenho motor dos sujeitos estudados. DP= desvio padrão, IMC= índice de massa corporal, ∑DC(TR+PA)= somatório das dobras cutâneas do tríceps e panturrilha, * diferença estatística entre os sexos.
%
A figura 1 apresenta a proporção de escolares que se situam acima ou abaixo dos critérios estabelecidos pelo referencial adotado para medidas do IMC, somatório de dobras cutâneas (∑ dobras) e estágio de maturação sexual (MAT) de acordo com o sexo. A maioria (81,3%) dos adolescentes estava dentro dos critérios avaliados para o IMC e não houve diferença significativa em relação ao sexo. No entanto, o nível econômico influenciou significativamente estes resultados com maior prevalência para a classe baixa. Ademais os adolescentes do nível econômico alto estavam mais acima dos critérios de saúde em relação ao nível econômico baixo (tabela 3). Para o somatório das dobras cutâneas tricipital (TR) e panturrilha (PA), os resultados demonstraram que 50,0% dos meninos e 67,0% das meninas atenderam aos critérios de saúde. No entanto, apresentaram maior proporção de escolares acima do que abaixo dos critérios estabelecidos para saúde em ambos os sexos, concluindo um maior percentual estava excesso de gordura, com maior prevalência para os meninos e o nível econômico alto.
100,00 90,00 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 AB AT AC AB AT AC PRÉ PUB PÓS
IMC ∑ DOBRAS MAT
Total Mas Fem
Figura 1. Proporção de escolares que ficaram abaixo (AB), atingiram os critérios estabelecidos para a saúde (AT) ou ficaram acima (AC) para os valores do índice de massa corporal (IMC), somatório das dobras cutâneas tricipital e panturrilha (∑DOBRAS) e para os níveis de maturação sexual, pré-pubere (PRÈ), púbere (PUB) e pós-púbere (PÓS).
Fraca Razoável Boa
39,1% 44,6% 16,3% 47,1% 37,3% 15,6% 43,0% 41,0% 15,9%
Fraca Razoável Boa
52,4% 35,6% 12,0% 48,9% 31,8% 19,3% 50,7% 33,8% 15,6% Boa Ruim 37,9% 62,1% 54,1% 45,9% 45,7% 54,3% Boa Ruim 0,5% 99,5% 2,5% 97,5% 1,5% 98,5% Bom Ruim 34,8% 65,2% 36,1% 63,9% 35,4% 64,6% Tabela 3. Proporções das características antropométricas e de desempenho motor dos sujeitos estudados, separadas por classe socioeconômica.
IMC ∑DOBRAS(TR+PA)
Abaixo Normal Acima Abaixo Normal Acima
Classe 1 3,4% 79,2% 17,4% 5,9% 54,7% 39,4%
Classe 2 4,0% 86,3% 9,7% 11,1% 64,4% 24,4%
Total 3,7% 82,7% 13,6% 8,5% 59,4% 32,1%
MATURAÇÃO FLEXÃO DE BRAÇO
Classe 1 Classe 2 Total Pré Pub Pós 0,9% 77,1% 22,0% 1,0% 79,0% 20,0% 0,9% 78,0% 21,0%
Fraca Razoável Boa
41,0% 39,3% 19,7% 37,3% 45,5% 17,3% 39,2% 42,3% 18,5% Classe 1 Classe 2 Total
POTÊNCIA DE MEMB. SUPERIOR POTÊNCIA DE MEMB. INFERIOR
IMC= índice de massa corporal, ∑DC(TR+PA)= somatório das dobras, classe 1= alta, classe 2= baixa.
Tabela. 4 Proporções das características antropométricas e de desempenho motor dos sujeitos estudados, separadas por classe socioeconômica.
Classe 1 Classe 2 Total
FLEXIBILIDADE RCR ABDOMINAL
RCR= resistência cardiovascular, classe 1= alta, classe 2= baixa.
No teste de aptidão cardiorrespiratória - 1600m (RCR) constatou-se um grande percentual de escolares (98,3%) de ambos os sexos em todas as faixas etárias pesquisadas que não atingiram os critérios de saúde (Figura 2). Os meninos foram superiores em relação à quantidade que atingiu os critérios propostos, mas essa diferença não foi significativa para o sexo, nem nível econômico (Tabela 3).
% 100,00 90,00 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 AT AB AT AB AT AB RCR ABD FLEX Total Mas Fem
Figura 2. Proporção de escolares que ficaram abaixo (AB) e que atingiram os critérios estabelecidos para a saúde (AT) para os testes motores de aptidão cardiorrespiratória- 1600M (RCR), abdominal (ABD) e flexibilidade (FLEX).
Para a resistência muscular do tronco (abdominal), houve um equilíbrio entre os meninos que atingiram (53,7%) e não atingiram (46,3%) os critérios de saúde ainda ficando uma maior quantidade para os que atingiram. Já para as meninas, à proporção que atingiram os critérios de saúde (20,1%) foi inferior em relação às adolescentes que não atingiram (79,9%). Em relação ao sexo os meninos apresentaram melhores resultados com 53,7% atingindo os valores estabelecidos para a saúde e apenas 20,1% das meninas conseguiram alcançar os valores (Figura 2). Destes que alcançaram os critérios, uma maior quantidade de adolescentes foi do nível econômico baixo (Tabela 3).
Para a flexibilidade houve diferença significativa em relação ao nível econômico baixo, onde um maior percentual atingiu os critérios de saúde, e para o sexo, onde o feminino (45,3%) foi superior em relação ao masculino (43,7%) que atingiram os critérios de saúde.
Na figura 3 são apresentadas as proporções dos adolescentes que atingiram os valores recomendados à saúde para flexão de braço (FLEXBR), potência de membros superiores (POTSUP) e potência de membros inferiores (POTINF). Para o teste de flexão de braço menos da metade dos escolares (42,7%) atingiram o patamar estabelecido, não havendo diferença entre os sexos, nem influência do nível econômico. Para a potência de membros superiores 40,8% dos adolescentes alcançaram os valores propostos, sendo que os meninos foram superiores em relação às meninas. Na potência de membros inferiores uma menor
%
proporção de adolescentes atingiram os critérios (34,2%), onde os meninos também foram superiores. Os adolescentes do nível econômico alto foram superiores nos testes de potência comparado aos do nível socioeconômico mais baixo (Tabela 3).