Com o objectivo de quantificar e avaliar as DL têm sido desenvolvidos vários testes, muitos dos quais medem a função da sensibilidade ao contraste (FSC) utilizando letras ou redes sinusoidais. Outros permitem determinar o grau de incapacidade ao encandeamento mediante testes com letras, redes sinusoidais ou anéis de Landolt C, existindo instrumentos específicos para esse fim como o BAT (Brightness Acuity Tester) ou o de Van den Berg Straylightmeter.
Distorção Luminosa em condições escotópicas com Sistemas Multifocais para Presbiopia
Capítulo 1 - Introdução
Na tabela que se segue, extraída de uma revisão sobre alterações na visão nocturna após cirurgia refractiva, especificam-se alguns dos testes, a função que avaliam e os elementos de avaliação utilizados (Fan Paul et al., 2002).
Tabela 1.2. Resumo dos testes para avaliar a distorção luminosa
Função Elementos de
Nome do teste avaliada(**) avaliação utilizados
Bailey-Lovie SC Letras
Peli-Robson SC (e IE com
BAT) Letras Carta de Regan SC (e IE com
BAT) Letras Teste de contraste de pequenas letras SC Letras
Bistec MCT 8000 SC Redes sinusoidais
Bistec 6500 SC Redes sinusoidais
CSV 1000 SC Redes sinusoidais
Teste de encandeamento Berkeley IE Letras
Teste de encandeamento Miller-Nadler IE Aneis de Landolt C
BAT IE ---
Van den Berg Straylightmeter IE --- (**) SC: Sensibilidad ao contraste; IE: Incapacidade por encandeamneto.
Posteriormente à publicação de Fan-Paul e colaboradores, têm aparecido novos testes ou dispositivos, na maior parte computorizados, para medição da FSC, com ou sem encandeamento. Segundo a Food and Drugs Administration (FDA) os testes de redes sinusoidais são os que mostram mais sensibilidade na análise da qualidade da visão (Evans, 2005).
Existem outros métodos de avaliação das distorções luminosas. Estes métodos proporcionam informações subjectivas citadas pelos próprios pacientes. Do ponto de vista científico, são realizados questionários sobre a qualidade da visão percepcionada pelos indivíduos e os principais motivos de queixa. Embora a informação proporcionada por estas ferramentas de estudo seja de carácter subjectivo, resulta de vital importância na hora de avaliar a função visual.
Na literatura, encontram-se alguns questionários utilizados sobretudo para avaliar o fenómeno de encandeamento e os halos em baixas condições de iluminação, após cirurgias intra-oculares.
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Entre os questionários referidos:
Javitt e colaboradores, estudaram a função visual, o grau de satisfação e a qualidade de vida após implantação bilateral de LIOs multifocais versus monofocais. O questionário fornece informação sobre o encandeamento e os halos entre vários itens de qualidade da visão. No estudo, as lentes multifocais apresentaram piores resultados em relação aos fenómenos de distorção luminosa (Javitt et al., 2000).
Sedgewick e colaboradores realizaram um estudo com as mesmas características que o anterior. Analisaram a dependência de óculos para tarefas de visão próxima e outros parâmetros da função visual entre os quais se encontram o encandeamento e os halos em determinadas situações do quotidiano. Uma vez mais as LIOs multifocais causaram maiores queixas subjectivas em relação à distorção luminosa (Sedgewick et al., 2002) Tester e colaboradores analisaram a relação entre diferentes tipos de LIOs multifocais e a incidência de distorções luminosas e de imagens secundárias ou imagens fantasma. Compararam com um grupo controlo de pacientes com presbiopia sem correcção cirúrgica. Quase metade (49%) dos indivíduos inquiridos referiu problemas de encandeamento e halos nocturnos. O grupo controlo manifestou graus mais severos de encandeamento que o grupo dos pseuofáquicos (Tester et al., 2000).
Winther-Nielson e colaboradores desenvolveram um questionário que avaliava o grau de dependência dos óculos para visão próxima antes e após a cirurgia intra-ocular e os fenómenos de distorção luminosa que apresentavam os primeiros tipos de LIO multifocales difractivas versus LIO monofocais. Encontraram que o grupo com lentes multifocais tinha sérios problemas visuais especialmente na condução nocturna e também em dias de nevoeiro e com iluminação normal (Winther-Nielson et al., 1995).
Recentemente Chu e colaboradores realizaram uma pesquisa para estudar os efeitos dos métodos ópticos de correcção da presbiopia sobre as dificuldades na condução. O questionário foi realizado a 255 indivíduos com presbiopia e a amostra foi dividida em cinco grupos (sem correcção para conduzir, lentes bifocais, lentes progressivas, monovisão com lentes de contacto e lentes de contacto progressivas). Entre as diversas questões relacionadas com a função visual e habilidades próprias da condução foram inquiridos sobre os fenómenos de distorção luminosa, encandeamento (diurno e nocturno) e halos (nocturnos). Os usuários de lentes de contacto multifocais foram os
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que manifestaram maior incidência de distorções luminosas como é apresentado na figura 1.26 (Chu et al., 2009).
Figura 1.26. Encandeamento (Glare) nocturno e diurno e halos com métodos de
correcção da presbiopia. (Reproduzido de Chu et al., 2009)
Quando o objectivo é determinar a degradação da imagem (distorção luminosa) existe menor disponibilidade de metodologias. Algumas formas de registar subjectivamente os resultados são:
Carta de Registo da Visão Nocturna (Night Vision Recording Chart) (Jewelewicz, 1998; Florakis, 1994). O teste consiste na projecção de um pequena fonte de luz num ecrã dentro de um gabinete em condições de baixa iluminação. O paciente deve reproduzir o que vê de forma gráfica. A carta corresponde a uma grelha de Amsler modificada na qual cada quadrado interior é proporcional em tamanho à imagem projectada (figura 1.27).
Figura 1.27. Starbust (A) e halo (B) expressados subjectivamente
utilizando o Night Vision Recording Chart. (Reproduzido de Fan-Paul et al., 2002) Distorção Luminosa em condições escotópicas com Sistemas Multifocais para Presbiopia
Com o refractómetro de resolução espacial Emory Vision InterWave Aberrometer (Emory Vision, Atlanta, USA) baseado no princípio de Scheiner desenvolvido por Webb e colaboradores no Schepens Eye Research Institute, é possível determinar a qualidade da imagem a nível occipital de um objecto extenso. Avalia tanto a função óptica (qualidade da imagem formada na retina) como a função neuro-sensorial (descodificação do sinal na retina) (Carr, 2004).
Na actualidade o dispositivo denominado Halómetro (Starlights® - Halo v0.91; Novosalud, Valencia, Espanha) permite obter uma medida mais objectiva da distorção luminosa no tamanho e na forma e a sua validade está verificada (Gutierrez et al., 2003). Este dispositivo é utilizado na presente pesquisa e será descrito detalhadamente no capítulo de metodologia.
Em seguida apresenta-se na tabela 1.3. uma síntese dos resultados de diferentes estudos que quantificaram o tamanho do halo em pacientes que se submeteram a cirurgia refractiva ou utilizavam sistemas multifocais para a correcção da presbiopia (LC e LIOs).
Tabela1.3. Resultados de estudos que quantificaram o tamanho do halo em diversas
circunstâncias clínicas.
Autores (ano) Intervenção Metodologia Resultados (Halo)
Lackner et al., (2003)
LASIK (Pre-, 1, 3 & 6 meses)
Tamanho do halo com Glare & Halo (Tomey, AG) Pre-: 1,97±1,20 1 mes: 2,61±3,14 n=16 3 meses: 1,88±2,37 6 meses: 1,30±1,63 (*) Villa et al., (2007)
LASIK (Pre-, & 3 meses) Tamanho do halo com Starlights (Novosalud, Valencia) Pre-: 0,32±0,23 3 meses: 0,69±0,47 n=83 (**) 2 Pieh et al., (2001) LIO multifocais (n=24) vs LIO monofocais (n=5) Tamanho do halo com Glare & Halo (Tomey, AG)
LIO multif:1,05-1,07 grado LIO monof: 0,26 grado2
Allen et al., (2009) LIOs monofocais vs LIOs multifocais Tamanho do halo com Glare&Halo (Versão modificada test Van den Berg)
LIOs multif: 97,32 grado2 LIOs monof: 119,36 grado2
2
* Unidades em grados que é uma media de ângulo sólido obtida com o instrumento Glare & Halo de Tomey.
** Medida adimensional. Multiplicada por 100 representa a percentagem de área não vista por um observador nas condições do teste. O aumento médio do tamanho do halo em este estudo foi de 2,15x.
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