Del 2: Spesiell del
6 EN ANALYSE AV DEN EKSTERNE EVALUERINGEN
6.1 Evalueringens organisering og fremdrift
Adorno e os demais membros da Escola de Frankfurt, ao empreenderem suas análises sobre a sociedade de seu tempo, avaliaram as conseqüências dos fenômenos relacionados ao avanço do capitalismo, tematizados dentro de um enfoque materialista-dialético e cujas implicações não só se dão numa esfera sócio-econômica, mas estendem-se para o campo da cultura e da estética, assim como para os modos de subjetivação, os quais podemos entender
como a produção de um modo de existência pautado na relação que os sujeitos estabelecem consigo e com o mundo ao longo da história.
Ao abordar o capitalismo, Adorno contextualizou o momento histórico desse sistema sobre o qual discorreu e o fez a começar pelo seguinte questionamento que intitula um de seus importantes ensaios: Capitalismo tardio ou sociedade industrial? (1955).
Tal questionamento se justifica diante das intensas modificações no modo de produção e no sistema de idéias que puderam ser observadas com a intensificação da industrialização da sociedade, a partir do final do século XIX e início do século XX. A constatação dessas mudanças conduz a debates sobre a continuidade ou não de um modelo capitalista de produção e, no ensaio supracitado, Adorno se posiciona a respeito dessa questão.
O frankfurtiano relata que a relação entre capitalismo tardio e sociedade industrial expressa a contradição que caracteriza o momento sobre o qual discorre. Argumenta que essa sociedade se configura como uma sociedade plenamente industrial, de acordo com o estágio de suas forças produtivas (ADORNO, 1986b), e assim expõe:
Por toda parte e para além de todas as fronteiras dos sistemas políticos, o trabalho industrial tornou-se o modelo de sociedade. Evolui para uma totalidade, porque modos de procedimento que se assemelham ao modo industrial necessariamen te se expandem, por exigência econômica, também para setores da produção material, para a administração, para a esfera da distribuição e para aquela que se denomina cultura. (ADORNO, 1986b, p. 68).
Sob a nomenclatura “sociedade industrial”, podemos entender, segundo a leitura de Imbrizi (1995), o posicionamento de Adorno sobre:
os conteúdos e a forma de organização da sociedade contemporânea, na qual o
trabalho se transformou em modelo para toda a sociedade, mesmo para a esfera da cultura e da própria subjetividade humana, como também para o papel do Estado
que, ceifado pela racionalidade técnica, exerce a função de capitalista total. O aspecto ideológico da técnica e da ad min istração científica ganha força, encobre a perspectiva humana e coletiva e, assim, a ocupação de funções e postos de trabalho
passa a ser a grande conquista de cada homem, e não o desvencilhamento do trabalho heteronômico em direção à liberdade e ao prazer. (p. 45 – grifo nosso). No entanto, Adorno também defende que essa mesma sociedade é ainda uma sociedade capitalista, quando se toma como base suas relações de produção:
Os homens seguem sendo (...) apêndices da maquinaria, e não mais apenas literalmente os trabalhadores, que têm que de se conformar às características das máquinas a que servem, mas, além deles, muitos mais, metaforicamente: obrigados até mesmo em suas mais íntimas emoções a se submeterem ao mecanismo social como portadores de papéis, tendo de se modelar sem reservas de acordo com ele.
Hoje co mo antes produz-se visando o lucro. (...) as necessidades se transformaram completamente em funções do aparelho de produção, e não vice-versa. (ADORNO, 1986b, p. 68).
A esse respeito, Imbrizi (2005) reforça a argumentação do porquê o teórico crítico considera capitalismo tardio. Usando os elementos dispostos por Adorno no mesmo texto em que nos debruçamos, a autora afirma que é capitalismo porque a dominação entre os seres humanos se baseia na estrutura econômica da sociedade de classes, persistindo a antiga opressão, mas com a especificidade de ter-se tornado anônima. O controle persiste e, como afirma Adorno (1986b, p. 67), “os homens continuam não sendo senhores autônomos de sua vida; tal como no mito40, sua vida lhes ocorre como destino”. O modelo capitalista, embora modificado em alguns aspectos, ainda prevalece dominante, conforme conclui o frankfurtiano. Prosseguindo em seu ensaio, Adorno expõe que não é do interesse de uma teoria dialética contrastar entre si forças produtivas e relações de produção. Estas “estão entrelaçadas, umas contém as outras em si” (ADORNO, 1986b, p. 71), conforme afirma. Como esclarece Gatti (2008), nessa nova fase do capitalismo, podemos vislumbrar um novo arranjo entre forças produtivas e relações de produção, na qual o desenvolvimento das forças produtivas não está sujeito a entrar em contradição com as relações de produção, provocando uma ruptura do sistema, contrariamente, é controlado e orientado por essas relações de produção no sentido da manutenção e da expansão do capitalismo. O mesmo a utor defende que “o que está em questão, para Adorno, é o desenvolvimento de formas de controle social que afastam a possibilidade de superação do capitalismo” (GATTI, 2008, p. 30).
Adorno (1986b) lança elementos para a compreensão de como essa nova interação entre as relações de produção e as forças produtivas contribui para a constituição da configuração social emergente. Segundo ele, a dominação das relações de produção sobre os homens pressupõe o estágio de desenvolvimento alcançado pelas forças produtivas, que agora somente podem ser compreendidas em relação com as primeiras. No entanto, não apenas por um viés econômico as massas são mantidas sob controle. Conforme afirma, a meta “é a passagem para a dominação independente do mecanismo do mercado” (ADORNO, 1986b, p. 73).
A suposta identidade entre as forças produtivas e as relações de produção gera, para a configuração que denuncia Adorno, uma aparência socialmente necessária e que assim o é porque integra num denominador comum momentos do processo soc ial anteriormente separados, incluindo também os seres humanos. Desse modo, produção material, distribuição
e consumo passam a ser administrados em conjunto, como assevera o frankfurtiano (ADORNO, 1986b, p. 74).
Diluem-se as suas fronteiras que antes ainda separavam essas esferas correlacionadas no interior do processo global e co m isso cuidavam do qualitativamente diferenciado. Tudo é uno. A totalidade dos processos de med iação, na verdade, do processo de troca, produz uma segunda e enganadora imediatez. Ela permite, talvez, esquecer ou suprimir da consciência, contra a própria evidência, o que é antagônico e separador. Mas, essa consciência da sociedade é aparência porque, ainda que se dê conta da unificação tecnológica organizatória, deixa de ver que essa unificação não é verdadeiramente racional, mas se mantém subordinada a uma irregularidade cega e irracional. Não existe sujeito
geral da sociedade. (ADORNO, 1986b, p. 74 – g rifo nosso).
Essas formas de controle social que se delineiam extrapolam o limite das relações de produção e passam a se inserir nos mais ínfimos aspectos da vida, inclusive nas consciências. Como afirma Adorno (1986b):
Tal involução do capitalismo liberal tem o seu correlato na involução da consciência, em u ma regressão do homem, para aquém da possibilidade objetiva que hoje lhe estaria aberta. Os homens perdem as qualidades que eles não mais precisam e que só os atrapalham; o cerne da individuação começa a se decompor. (p. 73 – g rifo nosso).
Como identifica Gatti (2008), surge um novo elemento de reflexão, na medida em que a consciência das pessoas se transforma em objeto do controle das instâncias de planejamento e dominação necessárias à sobrevivência do sistema capitalista, atendendo assim à nova exigência de que “o controle social assuma a forma de controle das consciências que pretende neutralizar o potencial crítico do indivíduo, assimilando-o ao funcionamento do sistema” (GATTI, 2008, p. 30).
Essa nova configuração, juntamente com o desenvolvimento técnico e a concentração econômica e administrativa que integra a produção e a difusão, conferindo-lhes o caráter de sistema, foi o que, segundo o autor, possibilitou a emergência e o fortalecimento da indústria cultural, um fenômeno próprio da fase do capitalismo abordada por Adorno e que proporcionou a racionalização da produção e sua difusão segundo as diretrizes do novo estágio do capitalismo: o capitalismo monopolista. (GATTI, 2008).
Sobre a indústria cultural, no entanto, discorreremos em tópico posterior, quando a abordaremos relacionada com a díade homogeneização/individuação, retomando as denúncias de Adorno de que, sob o império de tal instância, o indivíduo supostamente independente encontra-se, contrariamente, ainda mais distante de alcançar sua existência autônoma – no
sentido kantiano –, na medida em que é, cada vez mais, “profundamente submetido ao poder absoluto do capital” (ADORNO; HORKHEIMER, 1991, p. 113).