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4. Drøfting

4.6 Evaluering og kultur for læring

Quando encaramos a fachada da Igreja de São Martinho de Sintra como corpo autónomo, herdeiro da antiga torre-narthex, hoje com altura até ao frontão e igual à da nave (cuja cércia subiu durante a reconstrução pombalina, retirando autonomia aos dois corpos justapostos), faz um certo sentido ler-se a estrutura, não do piso térreo para o mais elevado, mas inversamente. Isto porque toda a estrutura de pilastras pode ser lida como descarga de peso em função do campanário.

O campanário é interiormente quase semi-esférico, ou porque suporta um remate exteriormente facetado e octogonal, ou porque é ainda um vestígio de um coroamento em cúpula sobre o frontão anterior ao terramoto de 1755, com hipotética carga simbólica. Surpreende-nos que, a ser uma estrutura realizada após o terramoto, não tenha adoptado o sistema das trompas (com a passagem do quadrado ao octógono), mas a solução anterior, de paredes circulares, desenvolvida no Império Romano, e de que o Panteão de Roma é o exemplo máximo. As trompas, aplicadas nos cantos, foram desenvolvidas pela primeira vez no século VI na Igreja de Santa Sofia em Constantinopla e usadas de forma generalizada, em todos os zimbórios, sobretudo, a partir do Renascimento.

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Por sua vez, esta estrutura de rotunda ou semi-esfera assenta numa abóbada de berço, que corresponde ao tecto do coro alto, sendo só perceptível interiormente. Esta abóbada de berço é contrafortada a Norte pela escadaria de acesso ao campanário e a Sul pela abóbada da Casa Forte. Ambas as estruturas correspondem aos vãos laterais da fachada principal e tanto as escadas como a Casa Forte assentam sobre as abóbadas do narthex. No caso da Casa do Forte e do tramo sul do narthex, as abóbadas são perpendiculares entre si e respectivamente nos sentidos Este-Oeste e Norte-Sul, conferindo resistência estrutural por travamento.

Resta-nos saber se o espaço no segundo piso do vão central da fachada (correspondente hoje ao coro alto, onde está um janelão rectangular ao alto), bastante desarticulado com o conjunto e com um tipo de pedra diferente da pedra das pilastras, evidenciando ser posterior, foi outrora aberto ao exterior, à maneira de varandim, varanda ou terraço, bastando para isso recuar a parede agora alinhada com a fachada. Não seria essa uma estrutura estranha à arquitectura portuguesa, experimentada, sobretudo no Românico, na Sé Velha de Coimbra, na Sé de Lisboa, na Sé de Évora, e, no Gótico, no Mosteiro da Batalha.

Procurando uma filiação para a actual estrutura (e não o decoro), constituída por uma fachada renascentista com configuração de arco triunfal e vãos rectos, encontrámos semelhanças em obras albertianas. No século XVI, época em que situamos esta fachada, o modelo do Templo Malatestiano, Catedral de Rimini (Fig.208) é um modelo erudito do Quattrocento italiano de que a igreja de Sintra poderia ter recolhido inspiraçãosido inspirada. Mas afastamos a hipótese de ter tido esse modelo de arcos sobrepostos por uma simples evidência ocorrida em Sintra: a ter sido fechado o janelão do primeiro andar, a remoção dos rebocos durante as obras revelaria uma falta de cozedura das alvenarias ao longo do arco da anterior abertura em varanda, o que não se verifica nas fotografias da retirada dos rebocos (Fig.89) durante as obras de 1989.

Procurando uma filiação para a actual estrutura (e não o decoro), ela aproxima-se antes da concepção de fachada em arco triunfal concebida por Leone Battista Alberti para a Igreja de Santo André em Mântua (Fig.249), protótipo do género para a arquitectura do Renascimento. Não existe diferença nas proporções entre os dois templos, com excepção do arco do vão central de São Martinho, que, para se assemelhar a Santo André, bastaria não existir o pavimento do coro alto e a abóbada da cobertura deste estar

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aberta à rua e não para o interior da igreja. A Igreja de São Martinho não teria coro alto, à semelhança de Santo André de Mântua, mas a não adopção desta opção pode justificar-se pelo facto da Igreja sintrense ser mais exígua que Santo André, tendo a conveniência de aumentar o espaço (um coro alto por ser colegiada), enquanto que a igreja italiana é uma grande igreja de planta de cruz latina, onde não falta espaço. Mais uma vez, por isso, não acreditamos que tenha tido varanda ou terraço à maneira do Templo Malatestiano.

Por outro lado, considerando a sobreposição de duas estruturas em arco (vão central do pórtico sobreposto com terraço, para o que bastaria rasgar a já referida parede central da fachada), a estrutura seria uma simbiose entre a fachada em arco triunfal de Leon Battista Alberti em Santo André e a sobreposição de arcos como o mesmo arquitecto realizou no Templo Malatestiano.

Em ambos os casos, é de admitir pela análise de modelos análogos que os três vãos da fachada da Igreja de São Martinho fossem rematados por um frontão, que existe parcialmente existente no vão central, sem continuidade nos vãos laterais. Mas de que resulta uma concepção em termos estéticos, estruturais e proporcionais, semelhante ao modelo de Santo André em Mântua (Fig.249).

Não estando identificada no actual território português qualquer estrutura que siga o modelo albertiano (embora tenhamos de contar na fortaleza de Mazagão, com o caso da Igreja de Nossa Senhora da Assunção), esta teoria pode parecer à primeira vista, destituída de fundamento. Mas iremos ver, mais à frente, as eventuais relações entre os empreendimentos de Mazagão e Sintra. A configuração que foi dada à torre-narthex nunca se terá realizado antes do reinado de D. João III, sendo esse período uma baliza cronológica para a nossa busca de razões verosímeis que justifiquem a existência de uma estrutura constituída em arco triunfal.

De salientar que, por comparação com estruturas homónimas da mesma época e, em particular, com alguns dos seus elementos arquitectónicos (embasamento da Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, pilastras da Sé de Leiria, da Igreja de Santa Maria de Estremoz e, em Évora, da Paroquial de Santo Antão, do Espírito Santo do Colégio da Companhia de Jesus e da paroquial de São Mamede (Figs.234 a 238), podemos datar esta estrutura, com segurança, dos meados do séc. XVI. Neste tempo e neste espaço avultam, por outro lado, as importantes personalidades de D. João de Castro, vice-rei da Índia, e seu filho

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D. Álvaro de Castro, em torno dos quais a história dessa configuração triunfal pode fazer sentido.

Hipóteses para uma iniciativa de arquitectura laudatória – D.