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As propriedades mecânicas de uma argamassa podem ser influenciadas pela sua estrutura porosa e pelas reações de carbonatação, hidratação e pozolânicas que ocorrem durante o seu endu- recimento. Pela análise da resistência à compressão concluiu-se que as argamassas da cura H apre- sentam valores superiores aos das restantes curas e que as argamassas com Mk apresentam valores superiores aos das restantes composições.

As conclusões poderão ser explicadas pelas constatações da distribuição da dimensão de poros: por um lado, a cura H apresentou poros com menores dimensões; por outro lado, os poros das argamassas com Mk apresentam dimensões inferiores aos das restantes composições. Assim, as argamassas com Mk da cura H são que têm uma estrutura porosa mais compacta sendo, consequen- temente, as que apresentam resistências à compressão superiores.

Relativamente às reações que ocorrem no endurecimento da argamassa, verificou-se que apesar do processo de carbonatação ser preponderante nas várias composições/curas, a resistência das argamassas da cura H, e sobretudo das com Mk, deve-se principalmente às reações de hidrata- ção e pozolânicas. Apesar da taxa de hidratação calculada na ATG ser inferior à das restantes curas, os difratogramas permitem concluir que as reações de hidratação são dominantes na cura H, uma vez que em qualquer uma das composições se verifica a existência de maior quantidade de portlandi- te e menor de larnite (Figuras 4.89 a 4.92 e 5.1). A reação de hidratação confere resistência à arga- massa porque produz CSH, composto que não é detetado no DRX; no entanto, dado que por DRX foi possível confirmar que na cura H ocorre mais reação de hidratação, então também se pode inferir uma maior produção de CSH.

No caso da reação pozolânica, os difratogramas das argamassas com Mk e na cura H apre- sentam compostos hidratados em maior proporção do que em qualquer outra condição de cura (Figu- ras 4.91, 4.92 e 5.1) e também maior proporção (ou até aparecimento desses compostos) que nas restantes composições. Compostos como o monocarboaluminato, ou o CASH, conferem resistência à argamassa e, como pode ser constatado, formam-se porque o Mk é muito reativo, contrariamente ao T. A sua formação é beneficiada quando os teores de humidade são elevados, portanto numa cura H. Nas composições sujeitas a cura H verifica-se uma diferença significativa das resistências à compressão entre as argamassas com e sem Mk. Assim considera-se que essa variação é devida à reação pozolânica.

Nas composições com 10% de Mk, a Rc na cura St toma valores próximos aos obtidos na cura H, ligeiramente superiores no caso da NHL_5T+10Mk. Na porosimetria de mercúrio constatou-se que as duas composições com 10% de Mk apresentam um valor significativo de poros na gama de menor dimensão. Por outro lado verifica-se, pelos cálculos da análise ATG, que a taxa de reação pozolânica é tão ou mais elevada nessas composições, que na cura H. Pela DRX constatam-se com- postos hidratados em proporções semelhantes às verificadas na cura H, nomeadamente o CASH (Figura 5.1).

Aos 90 dias de idade das argamassas, devido à instabilidade do Mk, a reação pozolânica abranda, o que pode ser constatado na Figura 5.2 pela diminuição da proporção de monocarboalumi- nato e inexistência de CASH aos 90 dias. Assim, o aumento significativo de resistências deve-se principalmente às reações de carbonatação e de hidratação, uma vez que com a evolução com a idade a calcite aumenta, e a larnite diminui (Figura 5.2).

A formação de vaterite nas argamassas com 10% de Mk da cura H aos 28 dias e a sua inten- sificação aos 90 dias (Figura 5.2) também contribuem para as Rc superiores e para o seu aumento com a evolução com a idade, pois este composto compacta a estrutura porosa.

DISCUSSÃO DE RESULTADOS

Figura 5.1 – Difratogramas da NHL_5T+10Mk nas três curas aos 28 dias

Figura 5.2 – Difratogramas da NHL_5T+10Mk aos 28 e 90 dias

Comparando os resultados das resistências mecânicas com os de dureza superficial, obtidos pelos métodos do durómetro e do esclerómetro, constatou-se que as tendências são inversas; as argamassas com Mk que são mais resistentes apresentaram tendência a dureza inferior.

5.2.4.2 Comportamento face à água

O comportamento de uma argamassa em relação à água depende essencialmente da sua microestrutura. Pela avaliação dos coeficientes de capilaridade das argamassas concluiu-se que a absorção de água por capilaridade nas argamassas quando sujeitas a cura H é mais lenta do que nas argamassas sujeitas a outras curas. Por outro lado as composições com Mk também são mais lentas a absorver água por capilaridade, comparativamente a outras composições. Assim, as argamassas com Mk e expostas a cura H são as mais lentas no processo. Tal como foi constatado na porosimetria de mercúrio e já referido em relação às propriedades mecânicas, as argamassas sujeitas a cura H apresentam maior volume de poros com menores dimensões e as composições com Mk são as que

apresentam maior volume nas gamas de poros inferiores. A absorção de água é dificultada pela pequena dimensão dos poros; daí a absorção nas argamassas da cura H e sobretudo nas com Mk ser mais lenta. Como os valores de porosidade não variam muito também não se verificam diferenças significativas no valor assintótico.

As composições com apenas resíduo em substituição de cal e as mistas com 5% de Mk, na generalidade dos casos apresentam tendência para um TS superior e IS inferior comparativamente às restantes composições, o que significa que têm uma capacidade de secagem inicial e a longo pra- zo mais rápida do que a das restantes composições. Tal poderá ser explicado devido a essas arga- massas, principalmente as com apenas T, apresentarem poros de maiores dimensões, o que poderá contribuir para facilitar a sua secagem.

Os coeficientes de absorção obtidos no ensaio dos tubos de Karsten são inferiores nas arga- massas com T; esses valores são muito próximos da argamassa de referência e significativamente inferiores aos das argamassas com Mk, contrariamente ao constatado no caso do ensaio de absor- ção por capilaridade.

5.2.4.3 Comportamento face aos sais

No ensaio de resistência aos sulfatos verificou-se que as argamassas com Mk, sobretudo em cura H, sofreram uma degradação muito acentuada; a maioria dos provetes degradaram-se totalmen- te, tendo a sua desagregação começado a ser evidente logo a partir dos primeiros ciclos do ensaio. As argamassas com T em substituição de cal apresentaram, para qualquer cura, resultados mais positivos comparativamente com as argamassas com Mk, não evidenciando degradação, nem varia- ções significativas de massa na maioria dos ciclos do ensaio; as argamassas da cura SP foram as que apresentaram melhor comportamento, não tendo ocorrido degradação total de nenhum provete. Verificou-se ainda um aumento da resitência ao ataque por sais dos 28 para os 90 dias de idade. Com efeito a idade mais avançada, os provetes apresentaram menor grau de degradação; algumas composições não apresentaram quase variações de massa e a degradação das com Mk começou em ciclos mais avançados.

A análise DRX evidenciou a presença de thenardite nas amostras contaminadas por sais, não tendo sido detetada a formação de etringite. Como as argamassas com Mk, e principalmente na cura H, apresentam poros de menores dimensões, a cristalização da thenardite terá originado tensões nos poros que conduziram à fissuração e consequente rotura da argamassa. As argamassas com apenas T apresentam poros com dimensões superiores às das argamassas com Mk. Já os poros das arga- massas sujeitas a cura SP são os que apresentam maiores dimensões, o que terá permitido melhor acomodar as tensões produzidas pela cristalização da thenardite.

A análise DRX só foi feita às amostras contaminadas resultantes do ensaio aos 90 dias, pelo que não é possível saber o que se passou aos 28 dias para a degradação dos provetes ter sido em maior proporção. Coloca-se a hipótese de formação de etringite nessa idade; no entanto, sem a aná- lise DRX não é possível ter a certeza.

DISCUSSÃO DE RESULTADOS

5.2.4.4 DRX e ATG

Verificou-se pela comparação dos resultados obtidos pelos dois métodos que na ATG existem várias argamassas que não evidenciam a existência de portlandite mas para as quais, através da DRX, a presença de portlandite é indiscutível. Se a verificação fosse ao contrário, poderia ser expli- cado pela análise ATG ser mais completa e rigorosa e detetar portlandite que a DRX não detetasse. No entanto, neste caso, coloca-se em hipótese ter ocorrido carbonatação da argamassa durante a preparação da amostra para a ATG, visto que a preparação é demorada e a argamassa está durante a preparação exposta ao ar. Na Figura 5.3 não se deteta a presença de portlandite na argamassa NHL_10T+10Mk aos 90 dias, no entanto, no difratograma correspondente, Figura 5.4, a sua existên- cia é detetada.

Figura 5.3 – Curva dTG da NHL_10T+10Mk aos 90 dias

Figura 5.4 – Difratogramas da NHL_10T+10Mk aos 28 e 90 dias