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5 Tertnes, Bergen

5.2 Evaluering av prosjektet

A indisciplina é um tema pouco estudado, mas parece ter impregnado a educação brasileira em todos os níveis. Sabe-se que a indisciplina não é restrita à escola, mas é nesta que ela aparece como problema da Psicologia da Educação. Trata-se de um assunto de difícil abordagem, que vem se tornando objeto de preocupações e estudo. Na relação professor/aluno, segundo Aquino (1996), duas leituras são possíveis: a indisciplina vista como resistência e outra na qual o foco são as relações familiares e o ambiente escolar, detalhadas a seguir.

3.3.1 Indisciplina como resistência

Em um passado recente e, quiçá, ainda presente em algum contexto, a disciplina em sala de aula era tratada com extrema rigidez, imposta como meio de controle, quase que absoluto, das condutas dos alunos. Nas relações institucionais, até a geração passada, tempo muito recente, reinava uma espécie de militarização, em que a hierarquia e a obediência sem questionamentos eram extremamente valorizadas. Essa postura de subordinação e obediência manteve-se por mais tempo ainda no ambiente escolar. Aquino (1996) descreve o tamanho da rigidez disciplinar da conduta dos estudantes, quando salienta a importância de se acatar plenamente as ordens do professor, de haver silêncio absoluto em classe, de os alunos estarem sempre cuidando para não andar arrastando os pés, da contenção dos movimentos bruscos e das expressões de euforia nos recreios, tudo isso implicando sanções severas. Aspectos estes que ainda hoje deixariam satisfeitos uma parcela relevante de educadores. No entanto, essa disciplina era mantida de forma coercitiva, às custas de ameaças e castigos.

O professor, neste passado nem tão remoto, além de se colocar como detentor do conhecimento, busca se impor com autoritarismo, aplicando pesadas sanções e castigos físicos com o propósito de modelar moralmente o aluno – sua ‘função prioritária’. Em tese, tudo isto já passou. As relações sociais se desmilitarizaram e nos propomos a uma nova forma de

pensar, de sentir e de agir: é um novo momento histórico. No entanto, essa sociedade parece ainda conservar a imagem de alguém ‘submisso e temeroso’ (AQUINO, 1996, p. 43). Questiona-se: será que a indisciplina de hoje não indica que nossa estrutura pedagógica está arcaica e despreparada para receber este novo sujeito histórico, com valores e demandas diferenciados? Caso sim, a indisciplina de hoje pode ter novos sentidos e significados, assumindo a forma de resistência no âmbito do espaço educacional.

3.3.2 Indisciplina como fruto da omissão da família

Aquino (1966) acredita que a indisciplina como fruto da omissão da família vincula a indisciplina à fraqueza da estrutura psicológica e moral (falta de solidariedade, cooperação, reciprocidade, aceitação de regras, compartilhamento de responsabilidades, percepção do outro, etc.), cuja formação antecede à vida escolar, mas são requisitos necessários para o trabalho em classe, pois sua falta gera apatia, indiferença, rebeldia, agressividade, falta de limites e desrespeito. Esses são aspectos que, segundo o autor, tendem a ser vistos como de responsabilidade do círculo familiar, isentando a escola.

Diz Aquino (1966) ser necessário pensar que ambas, a escola e a família, são instâncias responsáveis pela educação do indivíduo. Porém a visão de indisciplina como sintoma de relações familiares limitadas em cumprir seu papel educacional, parece levar ao entendimento de que compete à escola assumir responsabilidades que lhes são alheias. Há no seu parecer, fortes indícios de que a escola hoje é vista por sua clientela como tendo papel normatizador importante, algo que parece ir além de sua função de divulgar conhecimentos científicos, artísticos e sociais, de modo que se investem mais esforços em disciplinar o comportamento dos alunos do que na razão de ser da escola. Ao assumir integralmente o papel normatizador, a escola necessariamente deixa de dedicar tempo ao papel de conduzir, via aprendizagem, o comportamento dos alunos. Parece que estamos diante de uma “[...] crise de paradigmas em curso, quer no interior das relações familiares, quer no corpo das ações escolares – o que significa uma perda de visibilidade sobre os grandes sentidos sociais da educação como um todo” (AQUINO, 1996, p. 47-48).

3.3.3 O que há de comum nessas duas visões?

Na visão da indisciplina como resistência, a escola tem enfrentado as consequências das formas cristalizadas de autoritarismo constituídas no decorrer da história. Como reação a isto, os alunos resistem e contestam ações que eram previsíveis e, inclusive, saudáveis. Já na

ótica da fraqueza psíquica, o impacto da desestruturação familiar trouxe efeitos negativos sobre o conceito de autoridade, conceito este necessário para que o trabalho pedagógico seja levado em bons termos. Nas duas visões, a indisciplina é resultado de aspectos externos à relação professor/aluno. Assim, não se pode responsabilizar exclusivamente o aluno pela indisciplina, já que a rebeldia é saudável. Da mesma forma, não se pode creditar a indisciplina ao professor ou à escola, como se ela fosse, respectivamente, um problema didático ou criado no espaço escolar. A indisciplina é um fenômeno histórico, como o são a própria escola e seus atores.

Bohoslavsky indica que “o motor da aprendizagem” deve ser considerado em seu sentido etimológico: “como um ‘estar entre’, com o conhecimento localizado em seu centro, e não atrás do cenário educativo. O objeto a ser aprendido, por sua vez, também está posto entre os que ensinam e os que aprendem” (BOHOSLAVSKY, 1981 apud AQUINO, 1996, p. 49). Sendo assim, a relação professor/aluno é o aspecto central em torno do qual gravitam o contrato pedagógico e as práticas educativas, a razão mesma de ser da escola.

3.3.4 A relação educador-educando

A escola, segundo Aquino (1996), é o lugar identificado, autorizado e legitimado para realizar o fazer educacional (a tarefa educativa) e a relação concreta entre professor e aluno, seus protagonistas, e constitui a base, o núcleo fundamental de toda a estrutura educacional. Com esses parâmetros pode-se explorar melhor a problemática da indisciplina. Não se pode negar também que a indisciplina permeia as relações professor/aluno. É bem verdade que a família e outras instâncias sociais também favorecem a indisciplina, todavia o objetivo do presente trabalho é identificar como ela se dá na relação professor/aluno. Os vínculos nela estabelecidos, os posicionamentos do professor diante da indisciplina dos alunos, a compreensão que se tem do problema, as formas de enfrentá-lo e seu grau de eficácia, o cumprimento das obrigações de cada um mostram ser aspectos que merecem um olhar mais aprofundado.

4. O SISTEMA EDUCACIONAL ADVENTISTA E A FILOSOFIA QUE O SUSTENTA

“Até que compreendamos com clareza a natureza do homem, nada mais estará claro para nós”.

D. Elton Trueblood A presente pesquisa foi realizada no contexto da educação adventista, razão pela qual são trazidas aqui informações tidas como centrais para facilitar sua compreensão.