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A Terra Indígena Araribá, atualmente, é habitada por 578 índios das etnias Guarani e Terena, estando o contingente populacional distribuído nas quatro comunidades da seguinte forma: Aldeia Kopenoti, população de 195 índios; Aldeia Nimuendajú, população de 85 índios; Aldeia Ekeruá, população de 180 índios e Aldeia Tereguá com a população de 118 índios.

Com relação à população com deficiência dessa Terra Indígena, em conversa com a enfermeira da Unidade de Saúde”, foi informado a existência de seis pessoas com deficiência em Araribá. Estando as deficiências classificadas da seguinte forma:

53 As informações foram coletadas por meio de uma conversa informal com as mães e enfermeira do posto indígena e foram registradas no caderno de campo.

Quadro 7 - Pessoas com deficiência na Terra Indígena Araribá

ALDEIA TIPO DE

DEFICIÊNCIA IDADE GÊNERO

Nimuendajú Síndrome de Down 5 anos Feminino

Tereguá Deficiência

Intelectual 9 anos Feminino

Kopenoti Paralisia cerebral 33 anos Masculino

Kopenoti Surdez 55 anos Masculino

Kopenoti Surdez 52 anos Feminino

Ekeruá Deficiência

Intelectual

13 anos Feminino

Fonte: Dados coletados nesta pesquisa

Na Aldeia Kopenoti, com índios da etnia Terena, encontra-se o maior número de pessoas com deficiência (três), sendo todos adultos. As duas pessoas surdas nasceram com essa deficiência, sempre moraram na comunidade e são da mesma família, irmãos.

O outro adulto, com paralisia cerebral (PC), também sempre morou na Aldeia Kopenoti, sua mãe relatou que teve problema durante o parto e o bebê demorou à nascer e por esse motivo faltou oxigênio no cérebro da criança que nasceu com PC. Dessa forma, este adulto necessita utilizar cadeira de rodas para sua locomoção. Com a ajuda da mãe transita pela comunidade. Atualmente ele possui duas cadeiras de rodas doadas pela FUNAI e recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Quando perguntado a mãe deste adulto se ele frequentou a escola, ela informou que não, pois a escola ficava longe de sua casa e não tinha condições de levá-lo porque a acessibilidade das estradas da comunidade é precária e seria necessário um automóvel para realizar o transporte. Por este motivo a mãe relatou ter interesse de matricular seu filho na Associação de Pais e Amigo dos Excepcionais (APAE). Recentemente a mãe ficou sabendo, por uma filha, que a APAE “pega e deixa em casa todos os dias” e foi informado também que neste local o rapaz poderá realizar os atendimentos de fonoaudiologia e fisioterapia sem interrupção. Atualmente ele faz fisioterapia duas vezes por semana na cidade de Avaí, entretanto a mãe revela que ele não vai com frequência porque quando o carro da FUNAI está cheio de pacientes para serem atendidos na cidade não sobra lugar para levá-lo, pois sua cadeira de rodas ocupa espaço que poderia levar outro paciente.

Mesmo com dificuldades para locomoção, este adulto, com ajuda da mãe, transita pela comunidade e frequenta a casa dos parentes. Nas atividades festivas de abril, a qual a pesquisadora deste estudo esteve presente, foi observado este adulto frequentou e assistiu as

apresentações atentamente acompanhado pela mãe, tias e primos. Na foto a seguir pode ser observado esse momento.

Figura 11: Adulto com PC

Fonte: Michele Aparecida de Sá (2012)

Na Aldeia Ekeruá existe uma adolescente de 13 anos com deficiência mental. A enfermeira da Unidade de Saúde informou que a deficiência é resultado da sequela de meningite adquirida na primeira infância. Atualmente a menina frequenta a escola de sua comunidade e o vice-diretor revelou como sendo a maior preocupação dos professores a melhor forma de ensinar essa aluna, pois ela é aprovada de ano sem aprender os conteúdos destinados ao seu ciclo. Também foi informado que a aluna frequenta a escola e não recebe nenhum tipo de atendimento educacional especializado, mas este não é o único problema. Os professores informam que não recebem orientações e apoio da Diretoria de Ensino de Bauru, órgão responsável pela escola.

Na Aldeia Nimuendajú, habitada por índios da etnia Guarani, há uma menina de cinco anos com Síndrome de Down. A criança não nasceu na comunidade, veio com sua

família da T.I Barragem situada no distrito de Parelheiros, município de São Paulo/SP. A mãe já morou na Aldeia Nimuendajú e após se separar do marido mudou-se para T.I Barragem, quando sua filha com Síndrome de Down nasceu (fruto do segundo casamento) ela quis voltar para a Aldeia Nimuendajú, pois as condições de vida em Barragem estavam precárias.

Na Aldeia Tereguá, habitada por índios das etnias Terena e Guarani, identificou-se uma menina de nove anos com deficiência intelectual. A mãe relatou que a filha nasceu com os dedos das mãos e pés unidos e há três anos ela fez uma cirurgia para separá-los. Atualmente a criança frequenta a escola de sua comunidade e encontra-se matriculada na pré- escola.

Neste contexto, observa-se que nas quatros aldeias da Terra Indígena Araribá existem pessoas com deficiência, sendo elas adultas ou crianças. A condição da deficiência nas comunidades não é algo recente, há mais de 50 anos existe pessoas com deficiência habitando essa Terra Indígena.

Quando perguntado aos membros da comunidade se vive alguma pessoa com deficiência na Terra Indígena, eles relatam a existência de quase todas as pessoas com deficiência, isso ocorre porque todos os índios da Terra Indígena Araribá possuem algum grau de parentesco mesmo vivendo em comunidades diferentes.

Foi percebido que a nomenclatura deficiente ou deficiência é um termo não utilizado pelos índios. Dentro da Terra Indígena Araribá é utilizada a nomenclatura “problema” ou “aquela pessoa tem problema” para se referirem as pessoas com deficiência da comunidade. Na verdade, todas as pessoas com alguma característica diferente dos demais membros da comunidade são consideradas pelo grupo como uma pessoa que tem problema. A religião esta em processo de revitalização e não foi possível perceber a concepção nativa que a comunidade tem sobre a pessoa com deficiência.

De forma geral, é observado que as pessoas com deficiência fazem parte de uma realidade concreta das comunidades indígenas e por esse motivo precisam de visibilidade e garantia dos seus direitos. Assim, neste estudo, serão apresentadas algumas reflexões sobre duas crianças com deficiência, uma da Aldeia Nimuendajú e a outra da Aldeia Tereguá.

Para preservar a identidade das crianças foram utilizados nomes fictícios, no caso da menina com Síndrome de Down da Aldeia Nimuendajú esta será chamada de Jaci54 e a

criança com deficiência intelectual da Aldeia Tereguá chamará Tainá55.

54 Na língua indígena Jaci significa lua. 55 Na língua indígena Tainá significa estrela.