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4.4 Evaluation of transient performance of decentralized control structures

De acordo com Cinque (1999), advérbios circunstanciais que seguem o complemento do verbo possuem um comportamento diferente dos advérbios sentenciais/predicativos, compreendendo uma variedade de elementos que codificam diferentes significações a saber: modo, lugar e tempo; realizando-se, por hipótese, dentro do VP. Como modificadores do predicado, não são rigidamente ordenados um em relação ao outro, sendo intercambiáveis, embora haja distinção de interpretação decorrente do escopo. Assim, em (34a), a expressão adverbial de lugar tem escopo sobre a expressão adverbial de tempo, e em (34b), verifica-se que a expressão adverbial de tempo tem escopo sobre a expressão de lugar:

(34) a. He attended classes every day of the week in a different university. b. He attended classes in each university on a different day of the week.

(Cinque, 1999: 28)

Para o autor, adverbiais circunstanciais que seguem o complemento são predicados de VP, o que leva a atribuir uma estrutura como (36) para dados como (35), onde „at the

university‟ é predicado do VP „John attended classes‟, e „every day‟ é predicado de um VP

maior „John attended classes at the university‟ (Cinque, 1999: 29):

(35) John attended classes at the university every day.

(36) F1 F2 F3 VP VP v NP VP every day VP v PP

J.attended classes at the university

O autor observa que uma variante dessa ideia é considerar a configuração em (36) como derivada de uma estrutura subjacente como (37), com o PP adverbial no spec de uma concha de VP distinta, seguido de sucessivos movimentos obrigatórios à esquerda do VP mais baixo para o especificador mais alto (talvez para estabelecer a predicação requerida) (Cinque, 1999: 30): (37) F1 F2 F3 VPI every day v VPJ at the univ v VPK

As expressões adverbiais de circunstância também se distinguem dos sintagmas adverbiais canônicos (propriamente ditos)27, que compreendem os advérbios mais altos e os mais baixos citados na seção anterior, porque podem ser realizadas por sintagma preposicional (por três horas, na cozinha, com grande zelo, por seu amor, com a bicicleta, de

uma maneira rude, etc), ou em forma de NP (um dia depois, amanhã, neste lugar, aqui, etc.). Possivelmente como consequência disso, eles não podem aparecer em qualquer das posições pré-VP abertas aos advérbios típicos/canônicos (exceto em posição inicial de tópico). Enquanto estes são caracteristicamente operadores, as expressões adverbiais de tempo e lugar podem ser vistas como modificadoras de predicado de uma variável de evento subjacente. Se advérbios típicos/canônicos ocupam a posição de especificador de projeções funcionais distintas acima de VP e o mesmo não acontece para os adverbiais circunstanciais, entre eles, os de tempo e lugar, é natural que a ordem rígida de advérbios seja uma consequência (via

Spec/head agreement) da ordem de seus respectivos núcleos funcionais. Assim, a ordem livre dos circunstanciais se correlacionaria com o fato de eles não serem gerados na posição de especificador de projeções funcionais.

Entre os advérbios apontados por Cinque (1999) como circunstanciais, nos interessam, mais especificamente, os de lugar, que discutiremos no capítulo 4, pois, demonstram um comportamento sintático específico.

Vimos que, de acordo com Cinque (1999), advérbios são realizados como especificadores de núcleos funcionais na estrutura oracional, o que se sustenta pela observação de que as diferentes classes de AdvPs e sua ordem relativa parecem combinar, nas línguas do mundo, em relação ao número, ao tipo e à ordem relativa dos morfemas que realizam os núcleos funcionais. Várias críticas a esse modelo têm surgido, seja do ponto de vista conceitual ou técnico, como veremos a seguir em Ernst (2002) e Costa (2008).

Ernst (2002: p 13) defende que as ordens relativas entre advérbios são determinadas por relações de escopo (as quais se definem na interface conceitual-intencional) e são expressas na sintaxe por adjunção às categorias relevantes. Na maioria dos casos, conforme observa o autor (cf. ERNST 2010, p. 183) “adverbials may adjoin wherever they receive their proper interpretation, [which is] determined in part by the lexical requirements of the

adverbial in question, by the requirements of other lexical items, and by general principles of semantic composition for adverbials”.28

Em sua análise, os adjuntos que participam de relações de escopo (referidos como adjuntos predicacionais) selecionam proposições ou eventos, mediante o cálculo FEO (FACT- EVENT-OBJECT), o qual corresponde a zonas ordenadas da estrutura oracional. Dada essa configuração, os diferentes tipos de adjuntos permitem identificar os seguintes níveis de ordenamento: ato-de-fala > fato > proposição > evento > evento especificado. Aos diferentes níveis correspondem os diferentes tipos de advérbios (predicacionais), assim ordenados: „orientados para o discurso‟ > „avaliativos‟ > „modais‟ > „evidenciais‟ > „orientados para o sujeito‟> „modo‟, embora a posição relativa dos adjuntos em cada zona seja decorrente das relações de escopo, e não da associação a um tipo de posição sintática. Ernst (2002, p. 143) distingue ainda os adjuntos do tipo „participantes‟, que incluem locativos, instrumentais e benefactivos, e que não têm exigências de escopo, e os adjuntos/ advérbios funcionais, como advérbios de negação, tempo, frequência, que manifestam relações fracas de escopo.

Em relação a essas objeções, Cinque (2004) observa que, mesmo sendo consensual que exista uma necessidade semântica de que algumas noções estejam no escopo de outras, por determinação de um princípio semântico da interface conceitual-intencional, isso não implica que a sintaxe estreita (narrow syntax) seja amorfa, em relação a essas propriedades. Em particular, considera que as abordagens baseadas na adjunção devem especificar claramente as propriedades lexicais e semânticas das diferentes classes de advérbios, pelas quais se definem as relações de escopo e os pontos de adjunção, o que não foi suficientemente alcançado na teoria linguística.

Cinque observa ainda que a abordagem baseada na adjunção livre não tem nada a dizer a respeito das classes de advérbios, que se manifestam de maneira uniforme nas línguas do mundo. Em sua argumentação, alega que existem muitas noções no repertório conceitual- intencional que poderiam ser gramaticalizadas, mas não o são, cabendo reconhecer que as noções existentes correspondem a distinções funcionais fornecidas pela GU (por um acidente evolutivo), assim como a relação com as classes de advérbios correspondentes (conforme propõe o modelo baseado em sua inserção como especificadores). Diante disso, conclui:

28 “(...) advérbios podem adjungir-se onde quer que recebam a respectiva interpretação, a qual é determinada em parte pelas exigências lexicais do advérbio em questão, pelas exigências de outros itens lexicais, e por princípios gerais da composição semântica para adverbiais” [tradução minha].

“(...) it seems reasonable to require that there be a formal means to relate the functional head distinctions to the corresponding AdvP distinctions, irrespective of the possibility that the relative scope relations among such UG entities ultimately reflect a more general cognitive order of scope among them.”29 (Cinque, 2004: 34)

Além disso, ainda segundo Cinque (2004), a proposta da adjunção, em que a ordem relativa de advérbios é baseada em relações de escopo, nada tem a dizer a respeito da ordem relativa entre um advérbio e o verbo, ou entre um advérbio e um dos complementos da oração, uma vez que tais relações não se prestam a uma análise em termos de escopo. Nesse aspecto, faz referência ao caso das línguas românicas, em que a ordem do advérbio em relação ao verbo, além de variar de língua para língua, é determinada pela a forma do verbo (finita, infinitiva, participial).

A escolha entre as propostas citadas é uma decisão a ser tomada com base em argumentos conceituais, teóricos e empíricos, estando o debate ainda em aberto em relação a várias questões. Do ponto de vista dos questionamentos deste trabalho, as hipóteses formuladas confirmam a necessidade de postular a categoria advérbio, em oposição às demais classes (lexicais) – independentemente de sua manifestação (ou a de suas subclasses) estar associada ao léxico funcional e/ou substantivo. Conforme mencionado, será discutido, no próximo capítulo, o problema da ocorrência de advérbios (circunstanciais) na posição de sujeito. Como será demonstrado, as propriedades sintáticas desses advérbios não colocam os problemas teóricos apontados na análise dos advérbios predicacionais, sendo esse aspecto crucial para a análise a ser proposta para essas construções – uma vez que a mobilidade do advérbio não trará mudança de significado.

Antes de abordar essa questão, vamos ainda nos deter em alguns aspectos da sintaxe dos advérbios no português, o que nos permitirá demonstrar a complexidade dessa categoria e dos traços (formais e semânticos) que realiza.

3.2.2 A relação entre o mapeamento sintático e a interpretação semântica do advérbio