A escolha de uma metodologia, em qualquer investigação, é orientada pelo problema, pelas questões de investigação e pelos objetivos, de forma a garantir resultados válidos e fiáveis conducentes a conclusões coerentes e consistentes (Bogdan & Biklen, 1994).
Com o presente estudo pretende-se construir conhecimento sobre: Qual o impacte de atividades IBSE integrando ferramentas da Web 2.0 no desenvolvimento de conhecimentos e competências necessários ao exercício de uma cidadania ativa, fundamentada e crítica no âmbito da investigação e inovação responsáveis em áreas científicas de ponta?
Este enunciado foi delimitado nas seguintes questões de investigação:
i. Como se poderá conjugar a reflexão sobre a investigação e inovação responsáveis com a abordagem IBSE?
ii. De que forma as aplicações da Web 2.0 poderão auxiliar na concretização das diferentes fases desta abordagem?
iii. Que potencialidades e dificuldades experimentam alunos e professores durante a realização destas atividades IBSE?
Estas questões operacionalizam-se nos seguintes objetivos que no seu conjunto orientam a opção metodológica do estudo:
1. Como conceber e realizar estratégias educativas de natureza investigativa (de tipo IBSE) sobre investigação e inovação responsáveis em áreas científicas de ponta (atuais e controversas), adequadas ao programa de Ciências Naturais do 3.ºCEB e que integram aplicações da Web 2.0.
2. Identificar/descrever as potencialidades e dificuldades sentidas pelos alunos e professores durante a realização das atividades.
Através deste estudo pretende-se obter diferentes tipos de produtos, nomeadamente, estratégias didáticas destinadas à educação em ciências no 3.ºCEB e novo conhecimento relativo à conceção e à realização destas estratégias em contexto educativo.
De forma a operacionalizar este estudo, optou-se pela metodologia Design Based
Research (DBR). Segundo Wang e Hannafin (2004) a metodologia DBR representa um
novo paradigma de investigação no aprender a ensinar.
Esta metodologia é de cariz qualitativa e quantitativa com implicações no desenvolvimento de novas teorias de ensino e aprendizagem (Dede, 2005). Combina a procura de soluções práticas para os problemas, reais, de sala de aula com a investigação das questões de ensino e aprendizagem (Reeves, Herrington & Oliver, 2005). Permite, ainda, preencher a lacuna existente entre a investigação e a prática educativa (Andriessen, 2007).
Trata-se de uma proposta metodológica utilizada para abordar a necessidade de inovação em contextos educativos, com grande potencial no desenvolvimento e avaliação de ambientes de inovação em educação (Anderson, 2005). Tem a finalidade de aumentar o conhecimento na investigação em educação sobre como os alunos aprendem e, simultaneamente, contribuir para a inovação, melhoria das práticas e para o desenvolvimento profissional dos professores (Andriessen, 2007; Braddley, 2008).
É caraterizada por ser uma abordagem:
1) intervencionista, procurando atuar num contexto real com o objetivo de o mudar;
2) iterativa, integrando ciclos de análise, desenvolvimento, avaliação e reformulação/melhoramento;
3) inclusiva, permitindo o envolvimento e a contribuição ativa na investigação dos alunos e de especialistas das áreas educativa e científica em várias fases da sua implementação;
4) orientada para os processos, centrando-se na compreensão e melhoria de intervenções educativas;
5) orientada para a utilidade, visto que pretende o desenvolvimento de estratégias adequadas a contextos reais;
6) orientada para a teoria e pela teoria, visto que recorre ao quadro concetual existente para a conceção de protótipos cuja aplicação e avaliação sucessiva também contribuem para a (re)construção de teoria.
A DBR pressupõe a colaboração entre professores, alunos e investigadores de modo a possibilitar a implementação de propostas didáticas, fundamentadas teoricamente, e a reflexão sobre as consequências dessas propostas ao nível da motivação dos alunos para a aprendizagem, a aprendizagem das ciências e o estudo das dificuldades que os professores enfrentam quando pretendem implementar estratégias de ensino inovadoras, assim como as aprendizagens que realizam quando estão envolvidos em processos de investigação na prática (Oliveira et al., 2009).
É descrita por ciclos intermitentes de implementação, análise e avaliação de materiais (artefactos) que dizem respeito à intervenção pedagógica propriamente dita. O artefacto é desenvolvido, implementado em contextos reais de ensino e aprendizagem e testado (Reeves, Herrington & Oliver, 2005). Cada ciclo gera conhecimentos práticos sobre a avaliação da intervenção que constituem oportunidades de aprendizagem para a melhoria progressiva em ciclos subsequentes de intervenções. A intervenção é documentada e avaliada e os conhecimentos gerados por meio dessa avaliação permitem refletir sobre o processo e, com base nessa reflexão, planear ações futuras (Ramos, Gianella & Struchiner, 2010). A avaliação dos ciclos iterativos de desenvolvimento, implementação e estudo permitem que o investigador possa reunir informação sobre uma intervenção, de forma a melhorar o design do artefacto (The Design-Based Research Collective, 2003). Também permite melhorar as práticas dos professores através da reflexão interativa (Bereiter, 2002).
Esta metodologia tem sido um modelo para numerosos estudos de investigação em educação, como por exemplo, na investigação de como o desenvolvimento de novas tecnologias na educação mudaram ou tiveram impacto nos currículos, na investigação e no ensino-aprendizagem em ambientes inovadores. Em todos estes estudos, foi recolhida grande variedade de dados e analisada com base na triangulação, gerando conhecimentos que permitiu rever o processo e apontar possibilidades de aperfeiçoamento progressivo da intervenção e em iterações futuras. Os resultado das iterações são discutidos para uma maior compreensão da relevância da aplicação em contextos reais, da diversidade de métodos e da contribuição dos conhecimentos gerados para (re)avaliação do processo (The Design-Based Research Collective, 2003).
Contribui para uma melhoria da prática do professor e para, estudar como os artefactos (ferramentas tecnológicas, atividades estratégicas ou inovações curriculares) podem ser implementados de modo a promover aprendizagens (Oliveira et al., 2009). Permite, ainda, compreender como, quando e porquê as inovações educacionais funcionam na prática, podem produzir relevantes explicações sobre práticas inovadoras e estabelecem princípios que podem ser utilizados por outros professores (The Design- Based Research Collective, 2003). Carateriza, também, a complexidade, fragilidade ou solidez de uma determinada estratégia de forma a ser útil para outros, isto é, exige mais do que a compreensão da investigação num contexto específico, mas procura também que se mostre a relevância dos resultados obtidos em determinado contexto para outros contextos (Barab & Squire, 2004).