Os processos organizacionais referem-se às características, capacitação, recursos e infra-estrutura das organizações que desenvolvem módulos educacionais, sendo empregados a fim de estabelecer e implantar a estrutura necessária para a condução das tarefas estabelecidas pelos demais proces- sos. Além disso, processos organizacionais também são responsáveis por definir atividades para a melhoria dos recursos humanos e do próprio processo de desenvolvimento dos módulos.
Nove processos organizacionais foram definidos para a construção de módulos educacionais: (1) Processo de Capacitação; (2) Processo de Comunicação; (3) Processo de Gerência; (4) Pro- cesso de Coordenação; (5) Processo de Controle de Artefatos; (6) Processo de Infra-Estrutura; (7) Processo de Melhoria; (8) Processo de Treinamento e (9) Processo de Copyright e Licença.
Processo de Capacitação
O Processo de Capacitação é responsável pela determinação e avaliação da capacidade de cada equipe de desenvolvimento por meio da identificação de recursos humanos, computacionais e econômicos.
Como atividades pertinentes ao Processo de Capacitação têm-se: (1) implantação do processo; (2) coleta de dados; e (3) determinação de capacidades. A título de ilustração, considere a atividade de coleta de dados. São coletadas informações referentes ao número de equipes de desenvolvi- mento, número de membros de cada equipe, formação e experiência de cada membro (tanto em aspectos de desenvolvimento como na familiaridade com o domínio de conhecimento tratado pelo módulo educacional), lista de recursos computacionais (hardware, software – específicos ou não ao domínio de conhecimento), disponibilidade econômica, capacidades técnica e gerencial de cada equipe, entre outras.
O Processo de Capacitação foi originalmente definido por Maidantchik (1999), no contexto de desenvolvimento de software envolvendo equipes de trabalho geograficamente dispersas. Ressalta- se, entretanto, que as atividades estabelecidas pelo processo também podem ser consideradas na construção de produtos livres. De fato, conforme destacado na Seção 4.2.2, um aspecto relevante associado ao desenvolvimento livre diz respeito à seleção dos desenvolvedores e à atribuição de tarefas. Nesse sentido, a determinação e a avaliação da capacidade das equipes de trabalho envolvi- das no projeto constituem aspectos importantes a serem explorados, sendo apoiados pelo Processo de Capacitação.
Processo de Comunicação
No Processo de Comunicação são abordados todos os aspectos do desenvolvimento que requerem a troca de informações entre as equipes de trabalho.
Como atividades pertinentes ao processo têm-se: (1) implantação do processo; e (2) deter- minação dos meios e protocolos de comunicação. Na atividade de determinação dos meios e
protocolos de comunicação, por exemplo, são identificados os métodos e procedimentos, meios
tradicionais ou eletrônicos para troca de informações, considerando os recursos técnicos das equi- pes. Protocolos de comunicação são definidos e implementados (Maidantchik, 1999).
Assim como o Processo de Capacitação, o Processo de Comunicação foi definido por Maidant- chik (1999) e estabelece atividades relevantes tanto no contexto de desenvolvimento tradicional como sob a perspectiva de desenvolvimento livre, facilitando a interação entre as várias equipes de trabalho.
Processo de Gerência
No Processo de Gerência são estabelecidas as atividades genéricas aplicáveis no gerencimento de um dado processo.
Como atividades pertinentes ao Processo de Gerência têm-se: (1) início e definição do escopo; (2) planejamento; e (3) execução e controle. A título de ilustração, considere a atividade de
execução e controle. Cabe ao gerente iniciar a implantação do plano de gerência e monitorar a
execução do processo, informando o progresso das atividades. O gerente deve ainda investigar, analisar e solucionar problemas, bem como garantir que eventuais modificações não introduzam inconsistências em outras tarefas.
Conforme destacado anteriormente, embora o desenvolvimento de produtos livres apresente características distintas em relação ao desenvolvimento tradicional, ambos necessitam de uma pes- soa (ou grupo de pessoas) que centralize o processo de construção dos produtos. Nesse sentido, o Processo de Gerência mostra-se relevante sob ambas as perspectivas de desenvolvimento. Eviden- temente, a gerência em um projeto de desenvolvimento livre atua de forma mais flexível e menos rigorosa se comparada à gerência de um projeto de desenvolvimento tradicional.
150 4.5. Processos do Ciclo de Vida de um Módulo Educacional
Processo de Coordenação
No Processo de Coordenação são estabelecidas as atividades para coordenar as equipes de de- senvolvimento. Um coordenador é responsável por um produto ou tarefa realizada por uma dada equipe.
Compõem o Processo de Coordenação as seguintes atividades: (1) início e definição do escopo; (2) planejamento; e (3) execução e controle. Considere a atividade de início e definição do escopo. Nessa atividade determinam-se os requisitos das atividades a serem executadas e identificam-se as responsabilidades das equipes de desenvolvimento. Cabe à gerência identificar a viabilidade da realização da tarefa, determinando os recursos da equipe e avaliando sua adequação.
O Processo de Coordenação foi estabelecido no contexto de desenvolvimento distribuído (Mai- dantchik, 1999) e apresenta-se particularmente interessante em projetos de desenvolvimento livre, os quais requerem intensa coordenação entre os diversos desenvolvedores, em geral dispersos ge- ograficamente.
Processo de Controle de Artefatos
O Processo de Controle de Artefatos refere-se às atividades para controlar a produção e a integração dos artefatos (sub-produtos) elaborados pelas equipes de desenvolvimento.
As atividades estabelecidas pelo processo são: (1) início e definição do escopo; (2) plane- jamento; e (3) execução e controle. A atividade de planejamento, por exemplo, é responsável pela definição de um plano para a elaboração de artefatos, identificando as interfaces com outros artefatos, produzidos pelas diversas equipes de desenvolvimento.
As atividades pertinentes ao Processo de Controle de Artefatos foram estabelecidas no contexto de desenvolvimento distribuído (Maidantchik, 1999), sendo aplicáveis tanto em projetos tradicio- nais como em projetos envolvendo o desenvolvimento de produtos livres.
Processo de Infra-Estrutura
O Processo de Infra-Estrutura é responsável por definir as atividades para estabelecer e manter a infra-estrutura necessária para a execução dos demais processos. A infra-estrutura pode incluir hardware, software, ambientes e ferramentas educacionais, ferramentas específicas do domínio de conhecimento, tecnologias colaborativas, mecanismos de comunicação (síncrona e assíncrona) e quaisquer outros recursos necessários ao desenvolvimento, operação, disponibilização e manuten- ção do módulo educacional.
Como atividades pertinentes ao Processo de Infra-Estrutura têm-se: (1) implantação do pro- cesso; (2) instalação da infra-estrutura; e (3) manutenção da infra-estrutura. Na atividade de ins-
talação da infra-estrutura, por exemplo, a infra-estrutura necessária à execução dos processos é
As atividades estabelecidas pelo Processo de Infra-Estrutura são relevantes em qualquer pro- jeto de desenvolvimento, seja ele tradicional ou livre. No caso da existência de várias equipes de trabalho distribuídas, ênfase deve ser dada às tecnologias colaborativas e aos mecanismos de co- municação, tais como correio eletrônico, web, listas de discussão, sistemas de controle de versões, ferramentas para gerenciamento de concorrência, repositórios de informação, entre outros.
Processo de Melhoria
No Processo de Melhoria são estabelecidas as atividades básicas que a organização deve executar a fim de estabelecer, avaliar, medir, controlar e melhorar os processos do ciclo de vida do módulo educacional. Além de mudanças tecnológicas e mudanças no próprio processo, alterações quanto aos paradigmas e princípios educacionais adotados também devem ser consideradas.
Compõem o Processo de Melhoria as atividades de: (1) determinação do processo; (2) avali- ação do processo; e (3) melhoria do processo. Considere a atividade de melhoria de processo. A organização deve sugerir mudanças e identificar os pontos fracos a fim de melhorar tanto os processos seguidos pelas equipes como o processo padrão da organização.
Embora a noção de melhoria de processo seja um tanto quanto abstrata no contexto de desen- volvimento de produtos livres, a identificação dos pontos falhos ocorridos durante o projeto pode fornecer indicativos a respeito de quais práticas devem ser reformuladas para a execução, com sucesso, de projetos semelhantes no futuro.
Processo de Treinamento
O Processo de Treinamento é responsável por estabelecer as atividades referentes à melhoria do conhecimento das equipes de desenvolvimento. Tanto habilidades gerenciais e técnicas como ha- bilidades específicas envolvendo o domínio de conhecimento devem ser consideradas.
Como atividades estabelecidas pelo Processo de Treinamento têm-se: (1) implantação do pro- cesso; e (2) treinamento. Na atividade de implantação do processo, por exemplo, é realizada a revisão dos requisitos a fim de determinar os recursos e conhecimentos necessários para a condu- ção das tarefas. Conforme o Processo de Capacitação, identificam-se quais equipes precisam ser treinadas e os tópicos de treinamento. Para cada equipe é estabelecido um plano de treinamento.
Como a maioria dos projetos de desenvolvimento livre envolve participantes voluntários, mo- tivados a participar do projeto em função de interesses/problemas de desenvolvimento em comum, treinamento em técnicas e/ou conhecimentos específicos é, em geral, desnecessário. Na verdade, parte-se do pressuposto de que os participantes já têm a motivação e o conhecimento necessários para ingressarem no projeto. Por outro lado, no desenvolvimento tradicional, tal pressuposição nem sempre é verdadeira, fazendo com que o treinamento dos desenvolvedores seja uma prática fundamental para o sucesso dos projetos.