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O projeto de investigação-ação surge dentro da grande temática da avaliação das aprendizagens e consistiu na análise dos níveis de especificação dos PNEF (introdutório, elementar e avançado), comparando a atribuição dada pelos diferentes professores do grupo entre si e com os níveis reais de um conjunto específico de alunos. A seguinte reflexão terá como base o balanço que o núcleo de estágio fez em conjunto de todo o projeto, realçando, quando pertinente, as aprendizagens mais pessoais.

A título de contextualização do leitor com o projeto, o seguinte parágrafo apenas descreve de uma forma geral a metodologia bem como os resultados obtidos. Para uma consulta mais aprofundada sobre o projeto em si, este pode ser consultado em anexo (ver anexo 1).

Para realizar a atribuição dos níveis, os professores observaram, individualmente, um vídeo, e registaram os níveis de aprendizagem. Tinham como suporte fichas que explicitavam os níveis em cada matéria, podendo consultá-las antes ou durante a visualização do vídeo. Foram também entrevistados para angariarmos informações quanto às suas dificuldades no processo de atribuição de níveis e também para procurar saber as suas opiniões quanto aos resultados obtidos. Foi verificada pouca fiabilidade entre os professores e também uma eficácia reduzida. Face aos resultados, e tendo em conta que se tratava de um projeto de investigação-ação, o nosso trabalho prendeu-se com a formulação de um plano de ação para resolver o problema identificado. Importa referir que o problema foi identificado através de entrevistas aos professores do grupo de Educação Física. (Correia, Massa & Espírito Santo, 2014).

Passando então para a análise do projeto, em termos da sua relevância formativa, este revelou-se não só como uma mais-valia para o grupo de EF, mas também para a nossa formação, enquanto futuros profissionais. Os benefícios de ordem mais prática que obtivemos com a concretização deste projeto prenderam-se com assimilação de todos os processos necessários à conceção e consecução de um trabalho de investigação. Uma vez que se tratou de um processo de investigação ação, tivemos a oportunidade, tal como referido no parágrafo anterior, de propor uma ação com vista à atenuação do

problema identificado. Tentámos ir ao encontro da realidade em que nos encontrávamos, tendo a nossa proposta coincidido em vários aspetos, com as sugestões dadas pelos professores na sessão de dinamização dos resultados do projeto. Este foi um momento gratificante para nós, revelando um bom conhecimento das características do contexto em que nos inseríamos.

Outra das grandes vantagens que a realização deste projeto trouxe para nós enquanto estagiários foi a necessidade de nos apropriarmos de todos os objetivos necessários à atribuição de um nível de especificação. Obrigou-nos a ter um conhecimento aprofundado e intrínseco dos objetivos inerentes a cada nível, algo que, de acordo com Barbosa e Alaiz (1994), está na base de uma avaliação eficaz, afirmando que uma das condições fundamentais à construção da avaliação das aprendizagens dos alunos assenta sobre o conhecimento e assimilação dos critérios de avaliação.

Passando para aprendizagens mais latas, este trabalho permitiu-nos perceber quais as principais dificuldades dos professores na avaliação das aprendizagens dos alunos. Não só interiorizámos as suas opiniões, tentando compreender todos os seus pontos de vista, como apurámos o nosso sentido crítico e reflexivo sobre o processo de avaliação, preconizado a nível nacional. Durante as entrevistas realizadas, assim como no momento de discussão promovido na sessão de apresentação, foi notória a capacidade das crenças dos professores condicionarem a eficácia do processo de avaliação. Sabendo que esta é uma realidade com que nos podemos vir a deparar no futuro, importa compreender quais as opiniões dos professores, de que forma é que as diretrizes nacionais contribuem para o seu ceticismo e como é que estas podem ser moldadas, no sentido de uma maior harmonização dentro do grupo.

De uma perspetiva mais pessoal, foi extremamente interessante ouvir perspetivas tão diferentes entre professores que trabalham no mesmo contexto, com base nos mesmos critérios. Isto leva-me a refletir sobre a possibilidade de um professor ter uma conceção própria sobre o ensino da Educação Física, e neste caso mais concreto a avaliação das aprendizagens, mas trabalhar em prol daquilo que é defendido pelo grupo. No caso da escola em questão, falamos de um grupo que espelha em todas as suas práticas as diretrizes dos PNEF. Aprendi com isto que é fundamental haver um equilíbrio entre o compromisso com o grupo, para que estejamos todos a trabalhar no mesmo sentido, e o questionamento crítico do porquê de trabalharmos de determinada forma.

Do ponto de vista dos benefícios para o grupo de Educação Física, a grande mais-valia deste projeto foi ter promovido um momento de abertura, onde todos os professores

discutiram um problema real e pertinente para as suas práticas profissionais, sendo agora possível trabalhar para melhorar. De entre todas as nossas propostas para o plano de ação, que pode ser consultado no trabalho em anexo (ver anexo 1), saliento a última apresentada, nomeadamente a necessidade de haver um trabalho mais coletivo e menos isolado. Tal como refere Comédias (2004, 2012), é necessário existir uma estrutura conceptual construída em grupo e tempo de trabalho coletivo entre os professores. Foram tantas as vezes que o núcleo de estágio encontrou no trabalho coletivo a melhor forma de dar resposta às suas dificuldades, e a única forma de atingir objetivos maiores, como foi evidente no projeto “Dos 8 aos 80” – que isso seja um exemplo para o grupo de Educação Física.