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De maneira similar ao trabalho de Fernandes (2010), este trabalho acadêmico possui contribuições de método utilizado para a localização de instalações para armazenagem de suprimentos de alívio e contribuição de aplicação realizada, em que não somente os resultados da modelagem, mas também formas da obtenção dos parâmetros e outros produtos são oriundos do trabalho.

Este trabalho contribuiu no desenvolvimento de uma metodologia para o problema de localização de suprimentos de alivio através dos Modelos Estocásticos de Localização e, posteriormente, Métodos Multicritério para Tomada de Decisão. Essa abordagem proporcionou uma avaliação que considera parâmetros qualitativos e quantitativos na tomada de decisão sobre localização em logística de operações humanitárias e, consequentemente, mais robusta, pois é capaz de avaliar sua aplicabilidade mediante diferentes cenários.

Outra lacuna observada na literatura, e abordada neste trabalho, foi a de metodologia para atribuição de penalidades e calibração de modelos. A estimativa da demanda, utilizando informações disponíveis, como mapas de risco e dados demográficos, é um método que utiliza conhecimentos de instituições governamentais brasileiras e de fácil acesso. Também foram utilizadas restrições para alocação de produtos que possam ser adquiridos mediante contratos previamente negociados.

Neste trabalho, buscou-se também o entendimento de contextos referentes à preparação e resposta a desastres no Brasil, e não somente a visualização dos

valores resultantes do processo de modelagem adotado. Para desastres maiores, uma estratégia de preparação que contemple ações de coordenação, como criação de capacidade incidental, priorização de materiais e planejamento de rotas são mais eficazes do que a abertura de mais depósitos.

O comportamento das faltas, e os motivos que as causaram, permite uma análise sobre a organização da Defesa Civil no Brasil (BRASIL, 2012), que é estruturada com base nos Planos Diretores de Defesa Civil, em nível municipal; e a abordagem regionalizada é limitada à cinco macrorregiões geográficas do país, não contemplando mesorregiões e microrregiões estaduais. Os planos de preparação e resposta são elaborados pelas cidades, entretanto, em desastres de grande magnitude, as estruturas físicas dos municípios atingidos podem ser rompidas, como pode ser observado nos desastres de São Luiz do Paraitinga, em 2010, e na região serrana do Rio de Janeiro, em 2011. Os municípios sede das meso e microrregiões, embora não atingidos pelo desastre, são comprometidos, especialmente, pela necessidade do fornecimento de mão de obra e de locais para recebimento e triagem de doações, e passam a operar como uma central de distribuição secundária (KAWASAKI et al., 2012) para o abastecimento da localidade afetada pelo desastre. Apesar da existência de coordenação regional, existem deficiências na integração regional. Uma abordagem regionalizada e que estabeleça características operacionais similares para os planos de preparação e resposta, e que considere o auxílio mútuo entre as localidades, especialmente, predefinição de locais para apoio logístico e compartilhamento de materiais, é recomendada, pois aumentaria a capacidade de armazenagem (no modelo denominada incidental). A integração, além desse aumento de capacidade, facilita também ações de treinamento e qualificação, o compartilhamento reduziria a necessidade de investimentos dos municípios em equipamentos, assim como a dependência de organismos estaduais seria reduzida.

Essa estrutura focada nos municípios, na qual é assumido que as cidades serão capazes de realizar as operações logísticas, mostrou-se ineficaz na resposta ao desastre de Tōhoku, no Japão, em 2011, pois muitas estruturas municipais existentes foram destruídas e cada prefeitura tomou decisões de modo independente, priorizando os materiais de maneiras diferentes umas das outras,

com pouca troca de informações, evidenciando problemas de coordenação, o que acarretou na dificuldade na gestão de capacidade dos depósitos (HOLGUÍN-VERAS et al., 2014).

Outra questão observada é a necessidade de planos de alerta e resposta integrados dentro de uma mesma bacia hidrográfica. A legislação brasileira prevê essa integração (BRASIL; 2012), entretanto os planos de resposta e as capacidades de armazenagem e transporte não consideram esse aspecto. Estados e municípios, comumente, possuem seus limites geográficos através de cursos d’água, e, em algumas situações, municípios formam um conglomerado urbano separado apenas por um rio e não possuem planos de emergência integrados. Essa situação agrava- se quando estão situados em estados diferentes. Outro aspecto é a integração dos sistemas de monitoramento e alertas, principalmente para sobreaviso de municípios que situam-se a jusante de uma mesma bacia hidrográficas.

A logística de resposta a desastres é uma atividade crucial. Algumas recomendações em uma etapa de preparação à desastres são sugeridas, como a criação de um comitê para a logística de resposta, integrando a sociedade civil nesse processo, treinando e qualificando pessoal, o que proporciona ganhos de capacidades e consequente melhoria na operação logística (HOLGUÍN-VERAS et al., 2014).

A elicitação dos critérios de decisão, que devem ser contemplados num processo de localização de suprimentos de alívio, evidenciado através do desenvolvimento de uma árvore de valor, pode servir de referência para outros processos decisórios em logística de operações humanitárias e também para outros tipos de desastre.

No desenvolvimento deste trabalho foram encontradas algumas limitações e dificuldades, como a obtenção de opiniões de especialistas. Recomenda-se na aplicação, neste tipo de análise, uma seleção inicial de experts em quantidade, pelo menos, 100% maior que o valor desejado ou mínimo necessário, a fim de obter uma amostra possível de ser analisada.

Além do modelo, outro produto, oriundo da elaboração deste trabalho, é uma planilha para estimativa de demanda de materiais em caso de desastres (inclusive

água), com base em The Sphere Project (2011) e nas informações e dados obtidos. Essa planilha foi distribuída aos representantes (COMDECs) dos municípios do Vale do Paraíba. O usuário insere a quantidade de desabrigados/desalojados ou a quantidade de habitações destruídas e a demanda quinzenal de suprimentos de alívio é estimada, assim como a necessidade de transporte.

Acidentes de grande porte podem ser uma realidade na região do Vale do Paraíba Paulista. Nas discussões com a Defesa Civil foi ressaltado que a divisa do Estado de São Paulo, encontra-se a uma distância geodésica inferior a 15 km da Central Nuclear de Angra dos Reis. Uma eventual evacuação, devido a acidente de origem tecnológica na região, poderia gerar uma demanda humanitária de grande porte.