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A Psicologia Social tem por objecto o comportamento social, ou seja, tal como propôs Gordon Allport, “os pensamentos, sentimentos e comportamentos dos indivíduos enquanto moldados pela presença real, imaginada ou implícita dos outros” (Jesuíno, 1994, p. 168). Efectivamente, todas as pessoas sofrem influências dos ambientes sociais, relacionando-se o seu comportamento, em variadas situações, com as características da sua sociedade. “Qualquer tentativa sistemática para chegar a uma compreensão básica do comportamento humano tem mais tarde ou mais cedo, de tratar da influência dos factores sociais” (Kendler, 1968, p. 117).

Ao longo da história da Psicologia Social, houve necessidade de definir o conceito de atitudes como condição primordial na compreensão do comportamento, sendo um dos principais da psicologia social. O conceito em questão, originário do latim aptitudinem, através do italiano attitudine que significa uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir em relação a grupos, questões, outros seres humanos, ou, mais especificamente, a acontecimentos ocorridos no nosso meio circundante (Kardec, 1978). Contudo, a dificuldade em criar uma definição única do conceito de atitudes levou a que vários psicólogos elaborassem algumas análises sobre o seu significado.

O estudo do conceito de “atitude” remonta ao início do século vinte, mantendo-se até aos dias de hoje sem que uma definição conceptual tenha sido assumida de forma universal (Pinheiro, 2001).

Segundo a literatura, o termo atitude surge pela primeira vez no vocabulário científico da área, em escritos dos fundadores da escola de Wùzbourg e em particular nos trabalhos de Oswald Kulpe no início de século vinte. As experiências de Kulpe desde logo se caracterizaram como um marco de grande significado teórico, visto que mostraram que, perante o mesmo estímulo, o sujeito actua e responde de forma distinta entre si (Thomas & Alaphilippe, 1993, cit. in. Pinheiro, 2001). Para esclarecer e clarificar melhor a relação flutuante entre estímulo e resposta, foi inserida uma variável, a atitude.

Numa primeira fase do estudo das atitudes, pretendeu-se individualizar as atitudes através da construção de instrumentos de medida que permitissem situar e comparar diferentes indivíduos entre si, através de escalas de atitudes, que medissem as suas diferenças de disposição a respeito dos objectos de atitudes específicas.

Segundo Lima (2004), Thomas e Znaniecki foram os primeiros autores a propor uma relação entre atitude e comportamento, defendendo que as atitudes eram “um

processo de consciência individual que determina actividades reais ou possíveis do indivíduo no mundo social” (Lima, 2004, p. 188). Para estes autores, o termo atitude é entendido como um reflexo do meio social a nível grupal e como uma tomada de consciência de um grupo face a um objecto social. Para Ajzen e Fishbein (1980), o termo atitude foi usado pela primeira vez pelo psicólogo Herber Spencer em 1930.

Em 1928, Thurstone (cit. in Serrano, 1998) refere que as atitudes surgem como o somatório do conjunto de inclinações e sentimentos que um indivíduo apresenta (preconceito ou polarização, ideias preconceituosas, medos, ameaças e convicções) sobre um tema específico.

Gordon Allport (1935, cit. in Pinheiro, 2001), considerado como o percursor da psicologia social, propôs como definição de atitude um estado de disposição nervosa e mental que, ao ser organizado pela experiência, exerce influência directa ou dinâmica sobre as respostas do indivíduo, a todos os objectos e situações com as quais ele se encontra relacionado.

Krech e colegas (1975, cit. in. Pinheiro, 2001) exprimem o conceito de atitude como uma organização duradoura de avaliações positivas ou negativas, sentimentos emocionais e tendências de acção, favoráveis ou desfavoráveis, em relação a objectos sociais. Duarte (1992, cit. in. Serrano, 1998) refere que o conceito de atitude é utilizado para denominar um estado mental que predispõe o indivíduo a agir de uma determinada forma, quando a situação implica a presença real ou simbólica do objecto de atitude que a determina. Eagly e Chaiken (1993, cit. in. Pinheiro, 2001) declaram que a “atitude é uma tendência psicológica que é expressa pela avaliação de uma entidade particular com algum grau favorável ou desfavorável” (p.1).

Lima (1993, cit. in. Mestre, 1999), apesar da diversidade de definições sobre atitudes e da delimitação dos seus constituintes essenciais, considera que as definições mais usadas são as de carácter mais geral. Para este autor, as definições mais utilizadas são consensuais quanto ao facto das atitudes se referirem e expressarem experiências subjectivas de um grupo ou indivíduo em situações conhecidas, sendo por isso possível predizer a sua reacção, assim como, passível de ser perspectivado como positivo ou negativo.

Serrano (1998) menciona que a perspectiva mais defendida e usada da análise do termo atitude se baseia numa visão multidimensional, a qual se fundamenta no modelo de três componentes: a componente cognitiva (refere-se a crenças, conhecimento, conceitos, informações e cognições que acreditamos como verdadeiras em relação a um

objecto social); a componente afectiva (sistema de valores de dimensão emocional na qual o indivíduo desenvolve sentimentos de aceitação ou rejeição relativamente ao objecto social); e a componente comportamental (predisposição para actuar de uma determinada forma, sendo esta componente constituída pelo conjunto de reacções do indivíduo relativamente ao objecto da atitude).

Para Lima (2004), as atitudes referem-se sempre a objectos específicos que estão presentes ou que estão lembrados através de um indício do objecto. Segundo a autora quase tudo pode ser objecto de atitudes.

Embora exista uma grande disparidade relativamente às definições de atitude, a generalidade dos autores aceitam que uma atitude não é observável; que uma atitude é sempre relativa a um objecto ou categoria de objectos; que é adquirida e susceptível de mudança; e, que é polarizada e reveste-se de alguma intensidade.

De seguida, após estudarmos o conceito de atitude a fim de o compreendermos melhor, abordaremos a importância das atitudes dos professores em contexto educativo.