COMUNICAÇÃO
“O professor, com acesso a tecnologias, pode se tornar um orientador/gestor setorial do processo de aprendizagem”. José Manuel Moran
As Tecnologias de Informação e Comunicação fazem parte do cotidiano dos estudantes e estão em celulares, videogames, smartphones, tablets, notebooks, netbooks e
tablets. São chamados e-books ou livros digitais e que são ser armazenados em uma biblioteca
virtual. O acesso às informações é cada vez mais rápido.
Mas, de um lado, conforme Fagundes (2008) se as tecnologias analógicas permitem o aumento de informações como, por exemplo, o telescópio que amplia a maneira de pensar sobre o macrocosmo e o microscópio, na forma de perceber o microcosmo; de outro, as TIC ampliam o potencial cognitivo dos seres humanos pela possibilidade de criar e construir novos conhecimentos.
Pode-se definir Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) conforme Masetto (2000, p. 152) como sendo:
[...] o uso da informática, do computador, da internet, do CD-ROM, da hipermídia, da multimídia, de ferramentas para educação a distância – como chats, grupos ou listas de discussão, correio eletrônico etc. e de outros recursos de linguagens digitais de que atualmente dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e mais eficaz.
Fazem uso de TIC, com frequência, os alunos nascidos no período da era digital, àqueles que têm acesso a essas tecnologias, por que segundo Prensky (2001) são jovens que cresceram rodeados pelos computadores, videogames, CD players, câmeras de vídeo, telefones celulares e outros brinquedos eletrônicos e ferramentas e, por isso, são chamados de nativos digitais. No conceito desse educador e pesquisador, os estudantes já estão acostumados ao acesso rápido às informações e a interagir, ao mesmo tempo, em diferentes mídias. Ao contrário, os adultos, que aprenderam no decorrer de sua vida, a usar as tecnologias são identificados como imigrantes digitais pelo mesmo autor.
Contudo, se ressalta que, nem todos os jovens são nativos digitais, por que há aqueles que não tiveram contato e nem sabem manejar as TIC e não têm familiaridade ou hábito de utilização, por questões econômicas, culturais, geográficas ou educacionais, por exemplo.
Os nativos digitais são aqueles que “falam” a linguagem das tecnologias e utilizam: computadores, smartphones e a web. Prensky (2001) complementa essa afirmação mencionando que a média de tempo que os nativos digitais leem durante a sua vida é de 5.000 horas, mas passam mais de 10.000 horas jogando videogames sem contar às 20.000 horas em que assistem televisão além de usar celulares, acessar a Grande Rede Mundial, ler e-mails e enviar mensagens instantâneas.
Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão associado às Organizações das Nações Unidas (ONU), em 2000 os indivíduos conectados representavam um total de 400 milhões, em 2015 esse número cresceu para 3,2 bilhões de pessoas. Ou seja, em 2000, os internautas representavam 6,5% da população mundial, enquanto que, em 2015 subiu para 43%. As conexões de internet móvel em 2000 eram de 738 milhões de assinaturas e em 2015, aumentaram para 7 bilhões (Fonte: União Internacional de Telecomunicações).
Segundo dados apresentados pelo portal Statista (2014), o Brasil é o quarto país do mundo com maior número de nativos digitais entre sua população: 20,1 milhões de pessoas já nasceram dentro da era digital. O primeiro da lista é a China, com 75,2 milhões de pessoas que não conheceram um mundo sem a rede mundial de computador, seguido pelos EUA com 41,3 milhões e a Índia com 22,7 milhões.
Para Hernandes (1995) passados vinte anos, vivemos uma época em que as tecnologias estão em todo lugar e invadem o cotidiano de maneira veloz mudando as estruturas da sociedade. Neste contexto, a escola parece agir de maneira alheia, como se não percebesse todo esse processo e não precisasse lidar com isso. Contudo é preciso reconhecer que as novas tecnologias podem servir como aliadas ao processo de aprendizagem quando usadas de forma adequada.
As tecnologias podem contribuir segundo Bransford, Brown e Cocking (2007, p. 264),
para
trazer para a sala de aula currículos estimulantes, baseados em problemas do mundo real; proporcionar estruturas de apoio e ferramentas para favorecer a aprendizagem; dar aos alunos e professores mais oportunidades de feedback, reflexão e revisão; construir comunidades locais e globais, incluindo professores, administradores, estudantes, pais, cientistas, profissionais e outras pessoas interessadas e expandir as oportunidades de aprendizagem para o professor.
Os autores enfatizam que, os novos currículos, que incorporam o uso pedagógico das tecnologias possibilitam aos estudantes resolver problemas da realidade, bem como analisá- los num ambiente ativo e participativo em uma simulação de trabalho em um Banco, por exemplo, onde os alunos assumam funções e aprendam sobre essas atividades, construindo conhecimento e desenvolvendo habilidades (BRANSFORD; BROWN; COCKING, 2007).
Para Almeida (2014, p. 3) “fazer uso de TIC como meio é incorporar instrumentos que passam a ser uma excelente via, pela qual diferentes conhecimentos podem chegar à sala de aula. Os aspectos interativos que as TIC oferecem são atraentes e as possibilidades são muitas”. Sob outra perspectiva, Alcici (2014) salienta que as TIC não deveriam ser, de uma hora para outra, agentes de mudança, nem serem substituídas pela figura do educador, mas é necessário que a escola esteja preparada para viver essa época de tecnologias na sociedade.
O professor é fundamental no processo de construção de conhecimentos como mediador, na interação dos alunos com as TIC, para instigar os questionamentos, a argumentação e a pesquisa. Araújo (2009, p. 8) comenta: “ressalte-se que a dimensão mediadora é incontestável, conferindo, por conseguinte, centralidade entre às relações entre o professor e o aluno, expressas pelo necessário encadeamento entre o ensino e a aprendizagem”.
Muitas são as informações que podem ser acessadas na rede, mas nem todas são úteis para as atividades escolares. O educador precisa auxiliar os estudantes no desenvolvimento da capacidade crítica em filtrar notícias, fatos, conteúdos ou propagandas da rede. Para isso, “[...] uma geração de professores precisa aprender a usar novas ferramentas, novas abordagens e novas habilidades” conforme Tapscott (1999, p. 145). E, segundo o mesmo autor, isso promove uma situação desafiadora aos docentes por diversos fatores: resistência ao novo, escassez de tempo para capacitação ou porque a escola não disponibiliza verbas suficientes para cursos de aprendizagem com o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação.
Faria (2008) complementa, que os professores devem estar preparados para uma geração que está habituada a ter acesso à Internet, e que têm facilidade para buscar informações por meio dessa tecnologia.
Para Valente citado por Faria (2008 p. 43)
o papel do educador está em orientar e mediar as situações de aprendizagem, utilizando a tecnologia, para que ocorra a comunidade de alunos e ideias, o compartilhamento e a aprendizagem colaborativa, levando à apropriação que vai do social ao individual, como preconiza o ideário vygotskyano (Vygotsky,2000). O professor, pesquisando junto com os educandos, problematiza e desafia-os, pelo uso da tecnologia, à qual jovens modernos, estão mais habituados, surgindo mais facilmente a interatividade.
Moran (2000, p. 30) assinala ainda que “o professor é um pesquisador em serviço. Aprende com a prática e a pesquisa e ensina a partir do que aprende [...]. O seu papel é fundamentalmente a de um orientador/mediador”.
Masetto (2000) também atribui ao professor o papel de mediação, pois salienta que a tecnologia é um meio que auxilia no processo de aprendizagem e que o professor é o mediador desse aprendizado junto aos seus alunos no uso pedagógico de Tecnologias de Informação e Comunicação.
A contextualização das Tecnologias de Informação e Comunicação na época contemporânea; o conceito; os dados estatísticos sobre as TIC no mundo; os hábitos dos nativos digitais, o uso nas escolas das TIC como recurso pedagógico e a perspectiva de teóricos foram explicitados nessa seção com enfoque no aprendizado e no papel do professor.