3. METODE
3.9 Etiske betraktninger
A1 _ Organização de ideias através de história em quadrinhos
Esta atividade consistia em organizar seqüencialmente as falas de uma história em quadrinhos dentro dos balões. Para isso, utilizamos um gibi da “Turma da Mônica”, de Maurício de Sousa33. Eliminamos as falas dos
personagens e as colocamos numa sequência aleatória. Pedimos então que cada um colasse as falas nos locais que julgassem adequados, estabelecendo o começo, o meio e o fim da história. Esse foi o primeiro passo para que os educandos pudessem compreender a sequência narrativa e ordenar o pensamento na etapa de elaboração do roteiro.
33 SOUSA, Maurício de. Sansão em: Ai, minhas orelhas! In: Almanaque da Mônica, n.91. São Paulo: MS Produções/Editora Globo, jul./2002.
A2_ Construindo um programa de televisão
Aproveitando o conteúdo de ciências “aparelho reprodutivo” fizemos mais uma atividade proposta. As crianças, distribuídas em grupos, tinham que adaptar o conteúdo a algum formato de programa televisivo. Cada equipe iria elaborar e apresentar para as demais. A atividade foi registrada com uma câmera fotográfica digital levada pela pesquisadora. Cinco equipes foram formadas e a maioria optou por fazer um telejornal.
A equipe 1, ao ser solicitada para dar um nome ao jornal, sugeriu Jornal da Record, Jornal da Globo, Jornal do SBT. Quando sugerimos “Jornal do Djalma”, a surpresa foi geral. Eles achavam que não seria possível um jornal de televisão da escola “[...] porque isso é coisa que só acontece no Rio de Janeiro ou em São Paulo.”, observou o educando GN. Contudo, logo após a surpresa, veio a satisfação e a concordância.
A equipe 2 pediu para planejar um programa de debates. O tema seria a vida de Djalma Maranhão, já que estávamos na semana comemorativa ao nascimento do prefeito que deu nome à escola. Neste grupo alguns detalhes foram pensados e até um microfone de lapela foi adaptado a partir de uma caneta.
A equipe 3 copiou trechos do livro de ciências, distribuiu-se espacialmente e realizou a leitura para os demais. Embora sem muita desenvoltura, podíamos perceber o esforço dos educandos para que a leitura fosse contínua e com boa entonação.
Já na equipe 4, um fato nos chamou a atenção: a educanda LM começou a explicar como gostaria que fosse a gravação. A equipe elaborou um telejornal chamado “Transmissão da vida” e contava com apresentador, repórter e entrevistado. Também criaram texto de abertura e encerramento. A seguir, transcrição do texto final do programa:
“ O p r o g r a m a Tr a n s m i s s ã o d a v i d a t e r m i n a a q u i . F i q u e m agora com Malhação”.
A equipe 5, em virtude da desorganização entre os componentes, não quis apresentar o trabalho. Resolvemos não interferir.
A3_ Oficina de roteiro
A fim de discutirmos a elaboração do roteiro, apresentamos uma animação em curta-metragem da Disney-Pixar chamado Os pássaros”. A intenção era trabalhar a noção de início, meio e fim de uma narrativa, além de outros aspectos inerentes a uma produção audiovisual, tais como:
!a ideia, que é o principio de qualquer roteiro, é o início do processo;
!a story-line. Este termo vem do inglês e significa “linha da história”. Uma
story line é um resumo da história a ser transformada em roteiro.
!a sinopse, que é também um resumo da história a ser transformada em roteiro contendo agora o fio principal da história e o perfil dos personagens, ou seja, um conjunto de informações físicas e psicológicas da personagem, podendo estar incluída a história ou antecedentes desta. Por fim, o roteiro, produto final da oficina, contendo as ideias e a sequência que conduziriam à história de cada um.
Ao final da oficina estabelecemos uma atividade de fixação. No quadro- negro, eles deveriam reproduzir, em formato de story-board34 a história que
tinham visto durante a oficina. Eles não só sabiam toda a sequência, como foram capazes de desenhar os personagens em detalhes. Em seguida, pedimos que fizessem um outro roteiro em story-board, dessa vez abordando o tema “meu bairro” .
34
Uma sequência descritiva das cenas de um filme, que são esboçadas no papel, como se fosse um gibi.
A4_ Oficina de uso da câmera e noções básicas de elementos de expressão no vídeo
A segunda oficina foi de uso de câmera e noções básicas de elementos de expressão no vídeo. Por ser mais técnica e envolver diretamente o recurso tecnológico causou um grande impacto. A aula contou com o apoio de dois operadores de câmera profissionais que se dispuseram a colaborar com esta etapa.
A turma foi dividida em grupos e distribuída de forma que todos pudessem experimentar o recurso. Nessa primeira etapa a aula foi apenas demonstrativa, mas já pudemos detectar alguns dos principais problemas enfrentados pela turma: a indisciplina, a falta de concentração e a dificuldade para o trabalho em equipe. A quantidade de câmeras não foi adequada ao número de alunos (eram apenas três, para vinte alunos), o que dificultou o trabalho. Além disso, observamos que a participação não foi equitativa, porque relações de poder se manifestavam durante o trabalho. Alguns componentes em cada grupo se impunham em detrimento de outros e, ao invés de experimentarem um processo de construção coletiva eles experienciavam comportamentos que demonstravam hierarquia e enfrentamentos.
Na segunda etapa, as aulas práticas, foram muito reveladoras. Alguns educandos que conheciam , ou, que demonstravam maior intimidade com a câmera, procuravam ajudar os outros. Eles se organizavam (com relação à ordem de realização dos exercícios) e escolhiam a sequência de quem iria começar e terminar os exercícios.
A5_ Visita técnica à COMUNICA – Superintendência de Comunicação da UFRN/TVU
No mês de setembro de 2008, realizamos uma visita à COMUNICA como encerramento de nosso trabalho no ano letivo. Este figurou mais como um momento lúdico e envolveu diversas situações não-programadas.
Para a realização da visita, solicitamos antecipadamente um ônibus à prefeitura, no que fomos prontamente atendidos. Entretanto, antes de sairmos,
a parte lateral ônibus, que era uma aquisição recente da prefeitura, havia sido danificada. Embora o responsável não tenha sido identificado, esse fato gerou um princípio de mal-estar entre o motorista e a coordenadora da aula de campo, representada pela pesquisadora, o que acabou envolvendo os pais presentes. Após alguns minutos de conversa, a situação foi contornada, com a decisão de fazermos um relatório conjunto justificando o ocorrido.
Felipe Camarão representa o mundo para a maior parte daquelas crianças. São poucas as oportunidades que elas têm de algum lazer que envolva o deslocamento do bairro, o que dirá para um local como uma emissora de televisão. Assim, o percurso foi cheio de energia, com cantorias e, em virtude de alguns comportamentos mais exaltados, muitas regras estabelecidas pelo educador responsável.
Como era um grupo considerado numeroso para uma visita desta natureza e os espaços muito limitados, a visita se deu em grupos menores. O ápice foi o momento do encontro de todos no estúdio da TV universitária. Observamos que as luzes, os cenários e, principalmente, as câmeras, despertaram grande interesse, inclusive do educador responsável pela turma.
No percurso de retorno, tento35 entrevistar alguns educandos. Visivelmente inseguros, não se sentem à vontade com o gravador. O educador responsável tenta ajudar e explica para R o que ele deve responder:
“− Diz assim: meu nome é R, eu sou aluno do 5º ano do Djalma Maranhão. Essa viagem foi muito importante, porque eu aprendi como funciona uma rádio e uma televisão.
R não consegue responder, fica intimidado e diz que tem problemas para decorar o texto.
Então passou a vez para L. O educador dá novamente as instruções e ele responde:
− Meu nome é L. Sou do quinto ano da Escola Municipal Djalma Maranhão. E achei a visita muito legal.
Perguntou o local que mais o agradou e ele responde:
− A última sala que a gente foi.
35 A despeito do uso corrente do plural majestático neste texto, aqui optamos pelo emprego da primeira pessoa do singular, por tratar-se de uma conversa entre dois interlocutores.
Pergunto qual o nome da última sala que a gente tinha visitado. Ele responde:
− O estúdio de televisão.
Pergunto por que ele gostou mais do estúdio, o que mais chamou a atenção no estúdio.
− As câmeras, os lugares onde eles apresentam.
Pergunto se ele sabia que era assim. Ele prontamente responde:
− Não.
Retornei para R., que, incentivado pelo colega, mostra-se mais interessado em responder.
Quando pergunto o que ele achou da visita, ele respondeu mecanicamente:
− A sala de estúdio de televisão. Pergunto o porquê. Ele responde:
Figura 6 − A gente se vê na Globo (Cenas da violência urbana no bairro)36
36 Produção do educando Rafael, do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Djalma Maranhão. Oficina de Roteiro – setembro de 2008.