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M ETHODOLOGICAL CONSIDERATIONS

5. DISCUSSION

5.1 M ETHODOLOGICAL CONSIDERATIONS

Introdução

A actividade de alguns membros da Missão foi obrigada a orientar-se de acordo com o facto de o chefe da Missão ter sido convidado para desempenhar as funções de professor convidado da Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo.

Se por um lado, novas obrigações de responsabilidade internacional, roubavam algum tempo precioso, por outro lado permitiram trabalhar na monografia do Povo Maconde em condições excepcionalmente favoráveis pela existência naquela Universidade de uma biblioteca especializada em problemas africanos, a chamada biblioteca Gubbins, que não tem nada que se assemelhe em Portugal, não só pela qualidade e abundância de livros relativos à África do Sul e Oriental, como pelas facilidades de trabalho resultantes de uma excelente organização.

Nestas condições, durante os meses que o Chefe da Missão e o 1ª Assistente, Margot Dias, residiram em Joanesburgo, puderam trabalhar activamente na redacção de capítulos da Monografia, que lhes tinham sido atribuídos.

O Chefe da Missão, mais preso a Joanesburgo pelas ocupações docentes, pode terminar todos os capítulos a seu cargo. A 1ª Assistente, como tinha maior mobilidade aproveitou a estadia em África para realizar trabalhos de campo no Sul do Save, onde estudou aspectos da cultura Shangane e Chope, principalmente o ramo Valenge deste último grupo. Nos períodos que permaneceu em Joanesburgo estudou os capítulos dos Macondes que lhe foram atribuídos, e redigiu os capítulos sobre cestaria e olaria, tendo bastante adiantados o capítulo sobre a música e instrumentos musicais. No decorrer do ano de 1960 deve terminar este capítulo e escrever os capítulos sobre parentesco e ritos de puberdade. Estes últimos de colaboração com o Chefe da Missão. O Adjunto da Missão, Dr. Manuel Viegas Guerreiro, sentiu [2] que lhe era indispensável voltar aos Macondes para poder redigir os capítulos sobre literatura oral, sabedoria popular e língua Maconde. De acordo com esta

necessidade permaneceu uma temporada no Planalto Maconde, onde colheu os elementos que lhe faltavam, indo depois ao sul de Angola estudar alguns aspectos da etnografia de populações de economia colectora, que tinha iniciado na campanha de 1958.

Tudo leva a crer que no decorrer de 1960 o Dr. Guerreiro tenha concluído a redacção destes capítulos sobre o Povo Maconde, podendo entregar-se então o manuscrito para impressão.

A calcular pelo que já está redigido e pelos elementos coligidos, a monografia virá a ter de 500 a 600 páginas, o que levará a dividi-la em dois volumes.

Estamos também a trabalhar na escolha de ilustração: mapas, desenhos, fotografias e músicas, indispensáveis num trabalho desta natureza.

Além dos materiais publicados os ficheiros da Missão vão sendo enriquecidos com numerosos elementos sobre a etnografia ultramarina, podendo vir a constituir um importante núcleo de consulta para estudiosos das ciências da cultura.

Independentemente das prospecções e estudos levados a cabo em Moçambique e em Angola, o Chefe da Missão juntamente com a 1ª Assistente, realizaram pesquisas de campo na União Sul Africana e no Tanganhica, de grande interesse para a melhor compreensão dos estudos iniciados na Província de Moçambique.

A abundância de elementos colhidos e as proporções que a nossa Monografia do Povo Maconde está a assumir, levaram-nos a resolver não incluir na dita monografia um capítulo sobre a aculturação dos Macondes de aquém e além Rovuma, como primitivamente vínhamos pensando, para vir a escrever mais tarde um trabalho independente sobre o assunto.

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Os Macondes do Tanganhica

A viagem de pesquisa que levámos a cabo no Tanganhica foi de grande importância para a compreensão de alguns problemas relativos ao Povo Maconde. Não relataremos aqui tudo o que recolhemos com carácter meramente etnográfico, porque esses materiais serão aproveitados na

Monografia que estamos a redigir, ou no trabalho que aparecerá posteriormente intitulado: “Tipos de aculturação múltipla em dois grupos bantos das margens do Rovuma”. Limitamo-nos, portanto, a fazer referência aqui a alguns aspectos político-sociais que pelo seu melindre não poderão ser divulgados publicamente, e a dar alguns elementos da actual política no Tanganhica que interessam à nossa Província de Moçambique.

Durante as campanhas levadas a cabo nos anos anteriores, notámos a elevada emigração de Macondes para o Tanganhica e fizemos referência a esse facto nos relatórios de 1957 e 1958. Chamámos também a atenção para as possíveis consequências que daí podiam advir.

Afinal não nos tínhamos enganado quanto à importância da situação, simplesmente, uma vez conhecidos bem os factos e os números, a situação é bem mais grave do que supúnhamos.

Segundo publicações oficiais do Tanganhica, o número de Macondes portugueses imigrados atinge o número incrível de 27.489 indivíduos! Esta cifra é ainda mais extraordinária, se pensarmos que os Macondes portugueses devem orçar por uns 100.000. Infelizmente, esta debandada não está circunscrita ao grupo Maconde, pois há hoje no Tanganhica 95.464 Macuas e 126.741 Ajauas. Mas a imigração Ajaua já se vem fazendo desde os fins do séc. XIX e não sabemos se toma este carácter alarmante que observámos nos Macondes.

A imigração Maconde é principalmente grave porque do outro lado do Rovuma existe um povo também chamado Maconde que, com os seus 333.897 indivíduos, constituí um dos grupos mais numerosos do Tanganhica. Ora é bem natural que entre estes dois grupos nasça um certo espírito de solidariedade que amanhã pode dar origem a uma situação idêntica à que temos hoje no Congo, onde uma [4] realidade étnico-política se ergue com aspirações e pretensões que brigam com as fronteiras de três Estados soberanos, entre os quais está o nosso.

Infelizmente isto não são meros receios ou suposições mas surge já como uma ameaça concreta. De facto, constituiu-se há pouco no Tanganhica uma associação conhecida por “Tanganyika-Mozambique Makonde Union”. Esta Union tem grupos associativos em Dar-es-Salaam e Tanga. A Union foi

Administração inglesa para consentir e fiscalizar todas as associações indígenas que não pareçam constituir uma ameaça directa para os poderes políticos. Desta maneira temos constituída uma organização em que os Macondes do Tanganhica ficam unidos aos de Moçambique, como se se tratasse do mesmo povo, e estivessem ligados por laços íntimos de convívio e de cultura. Contudo, os Macondes do Tanganhica e os de Moçambique, embora provenientes de um tronco comum em remoto passado, constituem desde há séculos grupos independentes e diferenciados, sem laços especiais de convívio. Sabem que são aparentados, como o são os Matambués e os Andondes mas isso não quer dizer que se considerem pertencer ao mesmo povo.

A princípio pensámos que tal associação tivesse meros fins políticos subversivos e visasse, à maneira do que se está a passar no Congo, a uma tentativa de constituir unidades sociais e políticas africanas, cujos limites ultrapassam as fronteiras políticas tradicionais, criando um estado de inquietação que constitui uma ameaça para os Estados europeus com territórios em África. Todavia, após cuidadosas pesquisas viemos a descobrir que esta associação tem fins diferentes e até muito respeitáveis, embora nem por isso deixem de constituir uma ameaça para nós. De facto, parece fora de dúvida, pelas conversas que tivemos com os missionários suíços e alemães beneditinos a quem está confiada a tarefa da conversão das populações do Sul do Tanganhica, que esta associação faz parte de um plano de luta contra o islamismo.

A facilidade com que falamos alemão permitiu que nos entregássemos a longas conversas com os padres beneditinos de Mtwara, [5] Nanyamba, e Newala, que nos deixaram nitidamente entrever os seus planos. Sobretudo o Reverendo Padre Philotheus Reich, excelente conhecedor da região e dos Macondes, explicou-nos que a sua tarefa era extremamente ingrata, porque os Macondes do Tanganhica eram na sua grande maioria maometanos, e que por mais esforços que fizessem não era possível convertê-los à religião católica. Já o mesmo não sucedia com os Macondes de Moçambique que, ou eram já católicos, ou pagãos, mas raríssimas vezes maometanos, sendo sempre possível obter a sua conversão. Desta maneira, os Macondes portugueses podem ser uma força importante de penetração e difusão do catolicismo, porque convivendo intimamente com os outros e podendo casar entre si, acabarão por,

com o tempo, ajudar os missionários na sua tarefa de conversão de toda a área maconde do Tanganhica.

Para os missionários católicos este plano é absolutamente legítimo e louvável, visto que, na sua qualidade de sacerdotes, o seu fim primordial é conquistar almas e catequizar o gentio. Por outro lado, estando eles convencidos, como estão, que com o tempo os africanos conquistam a sua independência, é para eles de toda a conveniência porem-se ao lado deles e lutar por essa independência. Se se colocassem do lado das potências europeias arriscavam-se a serem considerados como inimigos dos africanos – aliás é desta arma que se serve a propaganda islâmica. Por isso lutam pelos interesses superiores do espírito, sacrificando, se isso for necessário, outros interesses.

Portanto, os inspiradores da União dos Macondes não foram elementos das esquerdas, mas antes elementos católicos bem intencionados. O chefe do movimento é um Maconde português, católico e muito devoto, que se encontra na Missão de Mikindani, onde é carpinteiro. Foi ele que andou por Dar-es- Salaam e Tanga em campanha de propaganda, conseguindo arranjar muitos adeptos entre os milhares de Macondes portugueses que vivem no Tanganhica, e entre elementos Macondes locais de formação mais suspeita. Uma vez montada a empresa, designou certos indivíduos para lugares de chefia e regressou a Mikindani.

É evidente que tal associação, mesmo na sua forma inicial [6] e com objectivos superiores, constitui um perigo para a soberania portuguesa, visto pretender reforçar laços de solidariedade e de convívio social entre dois grupos até hoje bem diferenciados e independentes, pretendendo ignorar a existência de uma fronteira política que os separa. Todavia o perigo verdadeiro não está nas intenções dos que inspiraram a associação, mas nos propósitos daqueles que se aproveitam deste magnifico instrumento de propaganda política, que amanhã pode ser uma arma poderosa nas mãos dos chamados nacionalistas africanos. Tanto mais que como a política se está a desenrolar no Tanganhica, há a temer o triunfo dos elementos islâmicos mais numerosos, como adiante veremos. Se isto se vier a dar, em vez de serem os Macondes portugueses um elemento de conversão dos Macondes do Tanganhica, através da Union, pode-se verificar precisamente o inverso, e serão os macondes do Tanganhica que exercerão

Alguns chefes políticos sabem perfeitamente que no dia em que o Tanganhica obtiver a sua independência, “Tanganyika-Mozambique Makonde Union” será uma cunha metida em território português e um motivo poderoso de reivindicações e de conflitos com Portugal.

Aliás, não se julgue que eles esperam por esse dia para actuar. Já hoje se vão verificando algumas infiltrações perigosas, como o da fixação de alguns sacerdotes maometanos no planalto Maconde de Moçambique, vindos do Tanganhica, a que já fiz menção noutro relatório.

A façanha mais recente, e esta já declaradamente relacionada com a Makonde Union, verificou-se quando um grupo de Macondes se dirigiu ao Sr. Cônsul português em Dar-es-Salaam, em nome da “Union”, pedindo para que ele repatriasse todos os Macondes portugueses. O cônsul respondeu-lhe que se poderia pensar em repatriar alguns velhos incapazes de trabalhar, mas que não ia repatriar milhares de homens que não lhe ofereciam a mínima garantia de que não regressariam de novo dentro em pouco ao Tanganhica.

Que estaria por detrás deste pedido? É evidente que havia nele intenção política. Ninguém impede os Macondes portugueses [7] de regressarem às suas aldeias, e muitos fazem-no com frequência. A que propósito viria uma comissão fazer tal pedido ao Cônsul? Simplesmente apalpar o terreno e ver a reacção do Cônsul? Ou pretenderiam entrar em massa e fazer uma parada de força em Moçambique? Tudo é possível, mas o certo é que estamos em face de uma ameaça que com o tempo se vai tornando mais perigosa.

Relance da situação política actual no Tanganhica

Para bem compreendermos o perigo que ameaça as populações indígenas do Norte de Moçambique, e, consequentemente, a nossa soberania, temos de procurar analisar a emaranhada política do Tanganhica. Embora não sejamos políticos, e tenhamos relutância em fazer incursões em domínios alheios aos nossos interesses profissionais, somos obrigados a fazê-lo dadas as íntimas relações entre o político e o social.

Os ingleses estão hoje a fazer uma política de franco e cordial convívio entre os diferentes grupos raciais, procurando a todo o custo acabar com qualquer forma de segregação. A grande experiência colonial inglesa levou-os a proceder desta maneira no Tanganhica. Não sabemos se há sinceridade ou não nesta orientação, nem isso interessa; o que sabemos é que o funcionalismo inglês corresponde de maneira absolutamente perfeita à orientação superior. Ao contrário dos latinos – e neste ponto somos infelizmente demasiado latinos – cada funcionário incarna magnificamente a política ditada em Londres. Em numerosas conversas que tivemos com administrativos ingleses, verificamos uma completa aceitação da política de convívio inter-racial. Mais do que isso, pareceu-nos mesmo que os funcionários administrativos estavam intimamente convencidos de que não deviam existir hoje barreiras raciais e de que pelo aperfeiçoamento das técnicas e consequente aumento do nível de vida, pela instrução e pela educação se conseguiria fazer dos indígenas cidadãos absolutamente idênticos aos cidadãos europeus.

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Não está no meu propósito avaliar se esta política me parece acertada ou errada. O que devo dizer é que acredito que um dos grandes elementos do bom êxito da política colonial inglesa, está na inteligente atitude dos funcionários de todas as categorias que, em vez de procederem arbitrariamente, sem respeito pela orientação dos seus superiores em Londres, partem do princípio que se a orientação escolhida foi essa, é porque, de momento, deve ser essa a melhor. Infelizmente entre nós, cada um julga que vê melhor os problemas, esquecendo que deles só vê um aspecto, e que os que governam devem conhecer os problemas em toda a sua complexidade.

Portanto, ao contrário daquilo que geralmente pensamos em relação à atitude snobe e racista inglesa, e que foi de facto uma atitude que se manteve através de séculos e cujas raízes mergulham no próprio sentimento de classe, tão vincado em Inglaterra, nós vemos hoje um comportamento completamente diferente no Tanganhica. Pode mesmo dizer-se que parece ter-se dado um fenómeno duplo de inversão de atitude tradicional de comportamento racial para aquém e para além Rovuma. Enquanto de nós, ainda hoje considerados como o povo menos discriminador por índole e tradição, apresentamos um quadro verdadeiramente

surpresa maior no Tanganhica, pela sua política de confraternização multi- racial.

A vida em Dar-es-Salaam é de franco convívio multi-racial. Nos cinemas vimos brancos, orientais e pretos, não só nos lugares mais baratos, como nos mais caros, embora os pretos no balcão sejam raros.

Nos cafés, bares e restaurantes vêem-se indivíduos de todas as raças e não raro sentados às mesmas mesas. O convívio parece cordial.

É certo que muitas famílias inglesas se portam com a habitual reserva, mas ninguém se atreve a negar aos pretos certos direitos.

São numerosos os lugares ocupados por pretos, como empregados de comércio, ou no funcionalismo, como chauffeurs de táxis, [9] etc. No Civil Service havia, no princípio de 1959, 200 pretos ocupando cargos elevados e esse número subiu para 242 em Setembro do mesmo ano. Este número é particularmente elevado, se pensarmos que o total de lugares de categoria superior é de 329.

Apesar desta rápida transformação, os membros da oposição não se cansam de criticar o Governo e pedir uma acção mais rápida.

O Governador, Sir Richard Turnbull, em resposta às críticas feitas por um membro do partido da oposição, que disse que a africanização se estava a realizar lentamente porque não se preparavam africanos para determinados lugares que requeriam especialização profissional, como a justiça, serviços judiciários, urbanização, etc. disse que havia cerca de 300 bolseiros do Estado a fazer estudos superiores, 200 dos quais estavam em Makerere, mais de 40 no Royal College e os restantes na Inglaterra.

Com esta hábil política, os ingleses conseguem protelar a independência do Tanganhica, sem criar conflitos e dando a todos a impressão de franca colaboração e simpatia.

O certo é que todos vivem num país que não só de facto, mas oficialmente, é africano, afirmando todos que os africanos têm necessidade de colaboração europeia e asiática.

Deve ser a única terra da Commom Wealth, onde a língua inglesa não se consegue impor. Chega a haver criados de restaurante que mal sabem inglês. O Suaíli é o idioma predominante. Os indianos, os árabes, os africanos, os nossos goeses (vivem lá hoje muitos milhares, segundo o nosso Cônsul, cerca de 35.000) e os europeus falam-no entre si. Até os ingleses, célebres pela sua

relutância em aprender idiomas, são obrigados a saber suaíli e em geral falam- no correntemente.

Como se explica esta política de compreensão generosa e altruísta dos ingleses, tão pouco de acordo com aquilo que em geral se lhes atribui? Eu creio que ela deve ser ditada em parte, por mera conveniência. A situação colonial naquela região devia ter aconselhado a orientação que estão a adoptar. Uma atitude rígida de domínio à custa de tudo – a que costumamos chamar a política do arrocho – com certeza que era pouco compensadora para a Inglaterra. O pragmatismo inglês levou-os a considerar o Tanganhica [10] como um território que com o tempo se vai perder e que convém governar de maneira a aproveitar dele tudo o que se puder, sem excessivas preocupações de prestígio, nem atitudes rígidas que criam conflitos e incompatibilidades. Por sua vez, criam um ambiente que lhes permite continuar a tirar vantagens políticas e económicas, no dia em que tenham de dar a independência aos africanos.

Falam de maneira a agradar aos africanos, dizem que trabalham para eles virem a ter a sua independência, e dão a impressão de fazerem todos os esforços para alcançar esse objectivo. Mas na realidade procuram protelar habilmente o dia em que os africanos se devem governar a si próprios. Se nas conversas não nos fazem tais confidências, parece-me que se pode chegar a esta conclusão através dos jogos da política local, e até dos discursos dos responsáveis, como o do Governador Sir Richard Turnbull que, ainda há pouco afirmou: “We are still only at the beginning of this process, and its speed and success must depend on a great deal of hard work and enthusiasm on both sides”. Com estas frases vai- se mantendo indefinidamente uma situação por vários anos, talvez por muitos. Mas quantos? Tudo depende do jogo das forças políticas em causa.

Parece que o grande progresso realizado no sentido de obter a independência do Tanganhica e na defesa dos direitos dos africanos se deve a Julius Nyerere, como à política intransigente do ex-governador (creio que Lord Twinning). O próprio Nyerere afirmou publicamente que estava imensamente grato aquele homem que, pela sua estulta política, o tinha levado a um triunfo político com que ele próprio nunca tinha contado.

Julius Nyerere, este homem pequeno, modesto e tranquilo, político extremamente hábil e tenaz é hoje o grande homem do Tanganhica. Embora a

perigar os interesses ingleses, o certo é que estamos perante uma personalidade com extraordinários recursos. O partido por ele criado, chamado Tanganyika Afrikan National Union, T A N U, é hoje uma força perigosa em África. Como exemplo da sua invulgar habilidade política poderemos citar o seguinte caso: a Administração Britânica propôs que nas eleições [11] para a Legislatura no Tanganhica cada eleitor devesse votar por um Africano, um asiático e um europeu. A proposta não lhe pareceu honesta, visto que os europeus e os asiáticos são uma pequena fracção da população total, e Nyerere procurou opor-se-lhe. Porém, quando tal plano foi imposto, ele tratou de tirar o melhor partido e conseguiu que em quase todas as constituintes houvesse um europeu