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4. The case and its context

4.1 Ethiopia

Antes de mais, convém referir que dificuldades e limitações foram e são encontradas em todos os trabalhos realizados, pelo que este estágio não foi diferente. Em todos os contextos de intervenção, possivelmente em alguns mais do que noutros, existiram aspetos limitantes à realização das sessões, que acarretaram dificuldades, mas que ainda assim foram ultrapassadas, com dedicação e persistência. A maioria das dificuldades com que nos deparamos, ainda que tivessem sido limitantes, constituíram o ponto de partida para o crescimento em termos pessoais e profissionais, aproximando- nos do contexto real de trabalho.

Na Casa da Fonte as estagiárias depararam-se com várias limitações. Inicialmente a principal dificuldade verificada prendeu-se com o espaço disponibilizado para a sessão, que não era o mais apropriado. Esta dificuldade foi ultrapassada, uma vez que as estagiárias pediram permissão para realizar as sessões no ginásio do Centro social Paroquial de Oeiras, pedido este que foi aceite pelos responsáveis do CSPO. Outra das limitações encontradas está relacionada com o horário em que decorreram as sessões, pois estas eram ao fim do dia e depois de uma semana de aulas, as crianças vinham naturalmente cansadas e por vezes acabavam por descarregar as frustrações da escola e da relação com os colegas, o que interferia com o decurso normal das sessões e com a prestação das crianças nas mesmas. As idades das crianças mostraram também ser uma limitação, pois ao longo do estágio, tivemos crianças com idades compreendidas entre os cinco e os 13 anos. Este facto dificultou o planeamento das sessões pois era necessário desenvolver atividades que se adequassem a todas as crianças, o que nem sempre se revelou uma tarefa fácil, pois as atividades mais simples desmotivavam as crianças mais velhas, e por outro lado as tarefas mais complexas não eram indicadas para as crianças mais novas, que ainda não tinham adquirido por exemplo competências de leitura. A duração da sessão também mostrou ser uma limitação no decorrer do estágio, uma vez que no início da sessão, as crianças tinham de arrumar o seu material da escola e a organização do grupo ainda demorava algum tempo. O tempo dedicado às atividades, bem como a reflexão sobre as mesmas deveria ter sido mais extenso, no entanto com o preenchimento das fichas de avaliação da sessão e do comportamento, a sessão passava muito rápido. O facto de algumas crianças participarem em apenas uma sessão, constitui de igual forma uma limitação e condicionou a intervenção, pela coesão do grupo. Além disso, na maior parte das vezes as crianças apenas frequentavam as sessões por indicação do Director da Casa, para estarem ocupadas e para verificarem se gostavam das atividades Deste modo, estas crianças acabavam por não beneficiar da intervenção. Devido à flutuação do grupo ao longo das sessões verificou-se uma alteração na dinâmica e na relação entre as crianças, sendo que as crianças “novas” precisavam de algumas sessões para se integrarem no grupo, o que levava muitas vezes à repetição de atividades e não permitia alcançar os objetivos pré-estabelecidos. Por fim, considerando ainda a intervenção na Casa da Fonte, a falta de material revelou-se outra limitação pois o ginásio do CSPO dispunha apenas de bolas, cadeiras e mesas, pelo que o material necessário para as sessões era realizado e/ou levado pelas estagiárias.

No projeto Psicomotricidade na Escola, foram sentidas algumas limitações, nas sessões do grupo 2 que se realizaram na Escola E.B. 1 de Caselas, as dificuldades sentidas prenderam-se com a duração reduzida das sessões, uma vez que 45 minutos não eram suficientes para organizar o grupo, realizar as atividades e refletir sobre as mesmas. As sessões dos grupos 4 e 5, que se realizaram na escola E.B. 1 Os Moinhos do Restelo foram as que trouxeram mais dificuldades para as estagiárias porque eram realizadas num local de passagem, situado entre a cozinha e os corredores das salas de aula. Devido à sua localização, as sessões eram constantemente interrompidas por auxiliares, crianças ou professores que circulavam neste espaço, o que provocava alguma agitação nas crianças, que não se conseguiam concentrar nas tarefas que estavam a realizar. Outra limitação sentida foi a desistência de algumas crianças, quer por coincidir com a hora de outra atividade quer por decisão conjunta da criança e do professor, que na

opinião das estagiárias não foram razões que justificassem a saída das mesmas. Para além disso, algumas sessões não foram realizadas, sendo as estagiárias informadas na hora da sessão, devido a realização de atividades suplementares como por exemplo: fotografias de turma, simulacro, hora do conto, ou apresentação de projetos. Relativamente ao grupo 5, o horário das sessões mostrou ser uma limitação, pois era difícil reunir o grupo, tendo em conta que as crianças eram de turmas diferentes e algumas ainda estavam no intervalo neste horário. Ainda em relação ao horário das sessões do grupo 5, quando estava a chover nos dias da sessão, esta tinha de começar com um atraso de meia hora, pois havia crianças a ocuparem o ginásio, o que mostrou ser uma limitação. Na escola E.B. 1 dos Moinhos, a duração das sessões também mostrou ser uma limitação, visto os 45 minutos não serem suficientes para a realização de todas as etapas essenciais da sessão. Por fim, mas não menos, importante, a dificuldade de comunicação com as Professoras desta Escola, também se revelou uma limitação, pois as Professoras pareciam não compreender a importância das sessões, deixando por vezes ao critério das crianças a decisão de participar nas sessões ou impedindo-as mesmo de participar como forma de castigo pelo mau comportamento nas aulas.

Por último, e considerando a intervenção realizada no Centro Social Paroquial de Oeiras, inicialmente as estagiárias sentiram dificuldades em conseguir motivar os utentes a participarem nas sessões, contudo esta dificuldade foi-se atenuando ao longo das sessões através da confiança e empatia criada entre os utentes e as estagiárias e também através dos conteúdos das sessões. Outra dificuldade sentida inicialmente foi a adaptação de atividades para o grupo, uma vez que o mesmo era muito heterogéneo a nível de autonomia, contudo os objetivos foram sempre cumpridos. As soluções encontradas são, seguidamente, mencionadas: optou-se sempre por atividades em que os utentes pudessem ficar sentados, pois um utente tinha cadeira de rodas e algumas utentes tinham dificuldades na marcha; algumas atividades os utentes eram divididos em pequenos grupos, escolhidos pelas estagiárias, de modo a criar grupos de trabalho que se complementassem; o número de estagiárias, quatro, permitiu um acompanhamento mais individual aos utentes menos autónomos.