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Os dados utilizados neste presente estudo foram obtidos do acervo técnico do LEM – UnB. Os relatórios das inspeções disponibilizado selecionados inicialmente em função da idade das fachadas inspecionadas. Essa seleção permitiu verificar se havia fachadas com idades diferenciadas que permitissem elaborar uma análise temporal. Dado o volume de informações de inspeções serem consideráveis, optou-se por trabalhar com doze edifícios inspecionados. Neste sentido, todo o planejamento deste estudo se baseia em resultados de inspeções realizadas em determinado período pela equipe do LEM – UnB. As amostras foram, portanto, sistematizadas e incorporadas às análises propostas neste estudo (Apêndice A).

selecionados doze edifícios com características construtivas semelhantes de maneira a minimizar as variáveis que possam interferir nos resultados e análises. Brasília é uma cidade planejada e apresenta um campo amostral com edifícios bastante similares, principalmente na forma horizontal. Essa horizontalidade é mais característica em edifícios residenciais localizados no Plano Piloto. Em Brasília normalmente são encontrados sistemas construtivos em estrutura de concreto armado e fechamentos em alvenarias de vedação em blocos cerâmicos. Os edifícios são, na grande maioria, erguidos sobre pilotis e grande parte das fachadas é constituída por revestimentos cerâmicos ou revestimentos em argamassa com acabamentos em pintura.

As fachadas de edifícios de Brasília apresentam tipologia semelhante, possuindo, em geral, 6 andares e pilotis com fachadas revestidas parcial ou totalmente com placas cerâmicas. Neste sentido, nas amostras que apresentam composições de mais de um tipo de sistema de revestimento, somente são considerados as regiões de fachada revestidas com elementos cerâmicos. As demais fachadas com acabamento em reboco, elemento vazado, pedras naturais, placas metálicas, dentre outros tipos não são consideradas neste estudo. Essa mesma filosofia é aplicada para edifícios com mais de seis andares, ou seja, neste presente estudo se impõe uma limitação da altura dos edifícios em até seis pavimentos e topo de maneira a padronizar as referidas amostras.

A escolha do tipo de edificações se baseia na uniformidade das seguintes características: tipologia construtiva, tipo de materiais, volumetria da fachada (POYASTRO, 2011), fator de continuidade do revestimento (panos contínuos da fachada), número de pavimentos, localização, microclima do entorno, dentre outros. Essa uniformidade da amostra permite reduzir as variáveis inerentes dos edifícios e estabelece padrões comportamentais mensuráveis e comparativos dos fatores de degradação. Foram efetuados levantamentos de prédios com diferentes idades com o objetivo de observar o fenômeno temporal de propagação da degradação das fachadas.

As amostras de fachadas estão localizadas em Brasília-DF, distribuídas no Plano Piloto (região 1 e 2, Asa Norte e Asa Sul, respectivamente), Setor Sudoeste (região 3), Águas Claras (região 4) e Taguatinga (região 5), sendo que a maioria das amostras se concentram no Plano Piloto. A Figura 4.2 mostra o mapa de Brasília com a identificação dos locais em que as amostras de fachadas utilizadas neste estudo estão situadas.

A cidade de Brasília está localizada na latitude 15°78 Sul, longitude 47°93 Oeste. Sua altitude chega a 1160 m (ABNT NBR 15575-1:2013). Caracterizada pelo clima Tropical de Altitude, de acordo com a classificação de Köppen, a cidade possui duas estações distintas: quente-úmida (outubro a abril) e quente-seca (maio a setembro) (BRAGA; AMORIM, 2004).

Figura 4.2 – Mapa de Brasília com a identificação dos locais em que as amostras de fachadas utilizadas neste estudo estão situadas.

A Tabela 4.1 mostra a caracterização das amostras de fachadas para cada edifício em função da idade, da localização em cinco regiões de Brasília (Figura 4.2), da quantidade de amostra por idade, da identificação das empenas e prumadas com suas respectivas orientações.

As empenas apresentam área total de fachada muito inferior às áreas das prumadas, geralmente são diferenciadas em empenas cegas (quando apresentam panos contínuos). A Figura 4.3 mostra como as fachadas são classificadas nessa categoria (prumada e empena).

A amostra analisada consiste em 12 edifícios que, divididos por prumada e empena, geram um conjunto de 90 amostras no total. A área média das fachadas equivale a 315,00 m2, perfazendo um total de 28.383,00 m2 de área total de amostras de fachadas com

Tabela 4.1 – Características das amostras de edifícios com identificação por edifício, idade, quantidade de andar, prumada, empena e total de amostras por edifício.

Identif. Localiz./ Região Idade (Anos) Quantidade (Un) Referência Andar Prumada Empena Total

ER-001 1 6 3 10 2 12 Bauer et al., 2006ª ER-002 4 6 6 4 - 4 Bauer et al., 2007ª ER-003 1 9 6 8 2 10 Bauer et al., 2007b ER-004 5 19 6 2 2 4 Bauer e Castro, 2009 ER-005 1 5 6 2 2 4 Bauer et al., 2008 ER-006 3 17 6 3 - 3 Bauer et al., 2007c ER-007 1 5 6 4 - 4 Bauer et al., 2006b ER-008 1 8 6 5 2 7 Bauer et al., 2010 ER-009 2 36 6 13 4 17 Bauer et al., 2006c ER-010 1 32 6 6 2 8 Bauer et al., 2006d ER-011 3 10 6 8 2 10 Bauer et al., 2009 ER-012 1 9 6 6 1 7 Antunes, 2010

Total 71 19 90

A Figura 4.4 apresenta as amostras de edifícios selecionados a partir do banco de dados do LEM – UnB. Os edifícios residenciais de Brasília possuem certa regularidade em sua forma. Esses edifícios apresentam, na grande maioria, formato retangular com disposição horizontal. Os edifícios apresentam duas fachadas laterais principais (frontal – entrada principal e posterior) e duas fachadas laterais menores (empenas).

Ressalta-se que três amostras (ER-002, ER-004 e EC-007) apresentam mais de seis andares. Contudo, neste estudo, todas as análises se restringem são efetuadas considerando a altura do edifício até 6 pavimentos de maneira a minimizar o efeito da variável altura. No que concerne ao tipo de utilização, excluindo a amostra EC-007 (Edifício comercial), todas as demais amostras são compostas por edifícios residenciais.

ER-001 ER-002 ER-003 ER-004

ER-005 ER-006 EC-007 ER-008

ER-009 ER-010 ER-011 ER-012

Figura 4.4 – Identificação das mostras de edifícios com revestimento cerâmico utilizadas no presente estudo.

relativa do andar da amostra de fachada e ainda são divididas por diferentes regiões de ocorrência de anomalias. A identificação completa de toda a amostragem consta no Apêndice B (Tabela B.1).

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