2. Teori
2.2 Hvordan styres og vurderes prosjekter?
2.2.2 Et utvidet syn på prosjekter
Diz Beividas (2006, p.23):
Entretanto, mesmo que possamos dizer que a Semiótica esteja em melhor situação para oferecer auxílio nos estudos sobre a linguagem cinematográfica... Não está segura de seus métodos e descobertas que, nessa perspectiva, devem ser vistas, antes de tudo, como hipóteses de trabalho...
No entanto, o percurso gerativo, o quadrado semiótico, a isotopia preservam a homogeneidade da descrição e conferem à análise mais que observações intuitivas. As análises cinematográficas que se baseiam na Psicanálise também sofrem muitas vezes de interpretações vagas e ou intuitivas, suplantadas na estipulação do nível inconsciente, colocado como um lugar secreto, insondável, e, por isso, inviabilizando a (re) construção da significação. A ideia, portanto, é que se possa tornar o subjetivo analisável. O “subjetivo” como parte estruturante das tramas textuais, isto é, verificável.
E é também essa homogeneidade, ao lado de um constante aprofundamento nas discussões sobre seus princípios epistemológicos, que faz com que a semiótica greimasiana se sinta segura, inclusive, para refutar algumas soluções que a Semiologia procura se basear para a análise de imagens a partir do conceito de ícone de Pierce.
Assim o projeto da semiótica sincrética, aqui defendido em relação ao objeto visual, toma como ponto de partida a recusa completa dos postulados de base da semiologia da imagem. Mas também não parte da ideia de que há equivalências semióticas com os signos visuais e textuais como propõe Metz. Em verdade, baseia-se nos princípios epistemológicos da teoria semiótica de Hjelmslev, ou seja, engloba principalmente as noções de função (função de interdependência – recíproca -, função de determinação - unilateral -, função de constelação - relação de combinação) e função de conceptualização.
Afastando, então, as noções da teoria peirceana, Beividas (2006) propõe um modelo de análise baseado nas noções de função de Hjelmslev, do texto de 1968, para as definições das linguagens complexas (sincréticas)25. Quando Hjelmslev enunciou o conceito de função, ele procurou deixar claro que pretende obter um conceito sui
generis para a linguística. Segundo ele, o sentido desse conceito se encontraria:
A meio caminho entre seu sentido lógico-matemático e seu sentido etimológico, tendo este último desempenhado um papel considerável em todas as ciências, inclusive na lingüística. O sentido, como o entendemos, e mais próximo do primeiro, mas não idêntico a ele. Precisamente este conceito intermédio e de combinação e o que precisamos em lingüística. Assim, podemos dizer que uma entidade do texto (ou do sistema) tem certas funções, e com isso pensar: primeiro, aproximando-nos do significado lógico-matemático, que a entidade mantém dependências com outras entidades, de tal sorte que certas entidades pressupõem a outras; e segundo, aproximando-nos do significado etimológico, que a entidade funciona de um modo definido, cumpre um papel definido, toma uma ‘posição’ definida na cadeia (apud BEIVIDAS, p. 91).
Beividas explica que as funções se distinguiriam conforme seus funtivos estivessem em relação de pressuposição recíproca (função de interdependência), ou em relação de pressuposição unilateral (função de determinação). Teria também uma
25 O termo sincrético também foi utilizado por Greimas e Courtés no texto de 1979, no entanto, de acordo
relação de combinação, sem nenhum tipo de pressuposição por parte de nenhum de seus funtivos (função de constelação).
A função essencial, num sistema semiótico, é aquela que é contraída pela forma do conteúdo e pela forma da expressão de um código: a função semiótica (de interdependência). Essa é a função que “inaugura” a significação, o efeito de sentido de um signo, e o constitui enquanto tal. E não importa sua extensão (morfemática, frasal ou textual). A função semiótica é a pressuposição recíproca entre seus dois funtivos, os quais se apresentam como “solidários”; sua operação e sua presença “acontecem” no interior de uma linguagem, de um código. Isto é, pelo fato de estabelecer a relação de interdependência entre a forma (códica) do conteúdo e a forma (códica) da expressão, “só podemos afirmá-la como função intrassemiótica ou intracódica. Enquanto tal, não seria, portanto, possível estender, sem mais, seu alcance para possíveis relações intercódicas” (BEIVIDAS, 2006, p. 91).
Num sistema complexo, as funções semióticas dos vários códigos podem se tornar funtivos de nova função – que poderia ser denominada de função intersemiótica. Por meio da função intersemiótica, é possível obter a integração das significações dos códigos heterogêneos de uma linguagem complexa. Essa integração pode receber uma denominação específica: a de sincretismo dos códigos. O termo sincretismo é bem útil e preciso para definir o modo de presença dos códigos no interior das semióticas complexas, pois conserva etimologicamente a acepção de um “conglomerado heterogêneo”26.
Essa etimologia historicamente datada ajuda a preservar o sentido de certa desorganização que tem a ver com a autonomia de cada um dos elementos. Se por esse conceito etimológico, o termo consegue por em evidência a autonomia dos códigos intervenientes, por outra acepção – mais relacionada à semiótica, em que uma grandeza (a linguagem cinematográfica, por exemplo) é capaz de compreender dois ou mais termos heterogêneos em superposição (os vários códigos) – é possível destacar a fusão estabelecida. Isso quer dizer que o sincretismo atende uma orientação analítica, descritiva – pois preserva a autonomia dos elementos constituintes – e, ao mesmo tempo, uma orientação de síntese, de leitura – assegurando a unicidade global do significado da linguagem manifestante. Por isso que os termos como semióticas sincréticas ou linguagens sincréticas incluem, em sua definição, o mecanismo
sincretizador, proporcionado pelo estabelecimento da função intersemiótica. E, portanto, essa função poderia também ser tida como função de sincretização ou função sincrética. De qualquer modo, tais funções correspondem ao eixo paradigmático da linguagem. Talvez seja mais fácil visualizar o que foi dito a partir das seguintes ilustrações27: C = conteúdo E = expressão FS = função semiótica 27 As ilustrações foram baseadas no trabalho de Beividas (2006), porém reconstruídas.
Sendo que as funções semióticas (F1, F2, F3, F4) poderiam se recombinar, sem que perdessem sua autonomia, implicando outra função intersemiótica. Não há diferença de natureza entre essas duas versões. Por exemplo: