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5. DISKUSJON

5.3 D ET UTVIDEDE KUNNSKAPSROMMET

Completava-se assim parte da história desse leiriense, nascido em 14 de abril de 1918. Trajetória repleta de ação cultural, mas também de participação política, por certo, em muitas oportunidades, elementos indissociáveis.

Irmão mais novo de um membro do núcleo clandestino de implantação da república, Franco fez parte do Grupo de Apoio ao Partido Comunista, organização estruturada para o combate clandestino ao regime salazarista. Além dele, deste grupo de retaguarda, faziam parte um grande número de intelectuais desse tempo, tais como Urbano Tavares Rodrigues, Miguel Tavares Rodrigues, entre outros. Como se disse, foi membro da SEDES (Associação para o Desenvolvimento Econômico e Social), esperando que Marcelo Caetano tivesse a força necessária para formar um governo de centro e acabar com o fascismo. Porém, com o desgosto da guerra colonial, rapidamente se desencantou com a organização.

Fez parte do Movimento Democrático Português26 ligado ao Partido Comunista e, depois do 25 de Abril, ao Partido Socialista27. Também após a revolução, ligou-se ao PC.

26 “O Movimento Democrático Português - Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE) foi uma das mais importantes organizações políticas da Oposição Democrática ao regime do Estado Novo em Portugal, antes do 25 de Abril. Foi fundado em 1969, actuando através de comissões democráticas eleitorais, para concorrer às eleições legislativas. Depois do 25 de Abril constitui-se como partido político, fazendo parte de todos os Governos Provisórios, com excepção do VI. Concorreu à eleição para a Assembleia Constituinte de 1975 sozinho, e a partir de 1976 em aliança com o PCP, integrando a APU. Em 1987, em dissidência com o PCP, já não participou na coligação eleitoral CDU, acabou por dar lugar ao movimento Política XXI que veio a integrar o Bloco de Esquerda. Nessa mesma data, alguns militantes

Durante anos, exerceu atividades profissionais longe dos palcos, tendo sido gerente comercial e empresário, carreira certamente proporcionada pelos primeiros estudos obtidos na Escola Comercial e Industrial de Leiria, onde foi aluno de destaque.

Além disso, um humanista, no sentido de um homem voltado ao espírito literário e democrático. Auto intitulava-se “ateu militante de combate”, apesar de privar de excelentes relações com o clero de Leiria, a quem dizia que “no dia em que começasse a ser crente, era o ‘sinal’ da existência de Deus”.

Franco veio a falecer em 19 de fevereiro de 1988, em Queluz. Em 2003, ao centro cultural construído na cidade de Leiria é dado o nome de Teatro Miguel Franco.

O nome desse dramaturgo já está inscrito, com algum louvor, na história do teatro português. Embora não tenhamos, até o momento, conhecimento de trabalhos que se dediquem exclusivamente à análise das peças de Miguel Franco28, a sua obra já foi reconhecida por vários historiadores de peso. Citemos apenas alguns dos nomes que consagram alguma atenção de seus estudos historiográficos a Miguel Franco.

Afora a História do Teatro Português (1967) e as diversas menções em Combate por um teatro de combate (1977), ambos de Luiz Francisco Rebello, esse autor dedicou a Franco três verbetes de seu 100 anos de teatro Português (1984). Além de estar elencado no Dicionário de Autores, Rebello dedica verbetes às peças O motim e A legenda do cidadão Miguel Lino. Uma foto da primeira encenação de O motim no Teatro Avenida, em 1965, ilustra uma das páginas desse livro.

José de Oliveira Barata, em sua História do Teatro Português (1991), dedica ao nosso autor alguns parágrafos, enquadrando-o na grande confraria dos dramaturgos que apelaram aos temas históricos.

Também Duarte Ivo Cruz, História do Teatro Português (2001), menciona Franco como representante, “com maior ou menor constância e fidelidade” (CRUZ,

dissidentes, formaram a Associação de Intervenção Democrática (ID), que até hoje continuam a integrar, como independentes, as listas do PCP - Partido Comunista Português”. http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Democrático_Português (em 23-set-10) 27 “O Partido Socialista (PS) português foi fundado em 19 de Abril de 1973 na cidade alemã de Bad Münstereifel, por militantes da Acção Socialista Portuguesa”. http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Socialista_%28Portugal%29

28 Com exceção feita ao trabalho já citado de Graça Maria Pereira Teixeira, dissertação defendida na Universidade Aberta de Lisboa, que trata da peça O Motim.

2001, p. 308), do estilo épico-narrativo. Cita não só as peças históricas, mas também O capitão de navios (1980).

Carlos Porto, no capítulo que estuda o “Teatro desde a Presença”, parte do sétimo volume da História da Literatura Portuguesa (2002), dirigida por Oscar Lopes e Maria de Fátima Marinho, sintetiza o dramaturgo da seguinte maneira:

Inscreve-se num teatro de intervenção (...). A peça O Motim esteve na origem de um dos grandes escândalos do teatro português dos anos 60 com a sua proibição pelas autoridades cinco dias depois da estreia (...). Revelou-se um dramaturgo com um grande sentido da relação do teatro com o público e com o domínio da criação cênica (...) (PORTO, 2002, p. 559).

Por fim, nessas nossas anotações biográficas e comentários de sua obra feitos até aqui, estão resumidos os motes que impulsionam a vida de Franco, não só como dramaturgo e ator, mas também como cidadão: a cultura é parte integrante e indispensável na vida de um país, mas que ela seja, sempre, motivada e pautada pela realidade social e histórica, que nela encontre o seu ponto de partida, mas que a ela volte e lá interfira e, assim, contribua com a sua evolução.

Sem dúvida um homem de teatro, talvez não na acepção ordinária do termo, designando um profissional da categoria ou estudioso da dramaturgia. Mas sim um homem que não conseguia se ver sem o teatro, nem conseguiria reconhecer um país sem ele, embora tenha sofrido, como que parafraseando Garrett, a ausência de civilização necessária ao seu desenvolvimento.

O capítulo 2 procurou delinear traços proeminentes do autor, assim como do tempo que assistiu ao surgimento de sua obra mais importante e que será objeto desse trabalho. Procurou-se assim destacar os aspectos relevantes no que diz respeito ao posicionamento político de Franco, que contribuirá para a leitura da peça e as consequentes conclusões. Parece-nos importante também que seja conhecida, ainda que de forma abreviada, dadas as restrições necessariamente impostas a este trabalho, o conjunto da obra do autor para que tenhamos a percepção do espaço que a peça O Motim ocupa nessa produção.