1. Moderne reproduksjonsteknologi
1.2 Et rettslig bilde med etiske rammer i en kulturell kontekst
Uma das consequências desta diferenciação seria a privatização da religião. Schluchter, citado por Casanova (1994, p. 35), sintetiza em duas principais teses:
(1) (...) a secularização largamente cumprida significa que as crenças religiosas se tornam subjetivas como um resultado do surgimento de interpretações alternativas da vida, que em princípio não podem mais ser integradas numa visão de mundo religiosa.
(2) Tão logo as instituições são afetadas, a secularização largamente cumprida significa que a religião institucionalizada foi despolitizada como resultado de
22―What remains, therefore, as significant and overwhelming evidence is the progressive and apparently still
continuing decline of religion in Western Europe. It is this evidence which has always served as the empirical basis for most theories of secularization, and one should not discard it lightly. Indeed, Western European societies are among the most modern, differentiated, industrialized, and educated societies in the world. Were it not for the fact that religion shows no uniform sign of decline in Japan or the United States, two equally modern societies‖.
uma diferenciação funcional da sociedade, que em princípio pode não ser mais integrada através da religião institucionalizada.23
Seguindo neste raciocínio, as grandes instituições religiosas acabariam perdendo importância levando os indivíduos a construir sua própria religião (CASANOVA, 1994, p. 36) a partir de elementos disponíveis no agora concorrido mercado religioso.
O caso brasileiro é sintomático desta tendência, onde não é raro pessoas públicas como artistas, políticos e mesmo cidadãos comuns declararem ter um crença que em outras épocas ou contextos seria considerada impossível. No mesmo indivíduo pode-se encontrar a adoração por Nossa Senhora e a crença no espiritismo kardecista e o medo da ação de ―trabalhos de feitiçaria‖. No Brasil, no nível da tradição, essa profusão de crenças não é excludente.
Casanova (1994, p. 5) traz à luz o processo inverso que ele chama de ―desprivatização‖ da religião.
Estamos testemunhando a ―desprivatização‖ da religião no mundo moderno. Entendo por desprivatização o fato que tradições religiosas mundo afora estão se recusando a aceitar o papel marginal e privatizado que as teorias da modernidade bem como as teorias da secularização tinham reservado a elas. Movimentos sociais têm surgido que são de natureza religiosa ou estão desafiando em nome da religião a legitimidade e a autonomia das esferas seculares primárias, o estado e a economia de mercado. Similarmente, instituições religiosas e organizações recusam-se a se restringirem ao cuidado pastoral das almas individuais e continuam a trazer questões sobre as interconexões da moralidade pública e privada e a desafiar as pretensões dos subsistemas, particularmente estados e mercados, serem isentos de considerações normativas estranhas. Um dos resultados desta contestação em curso é um processo dual e inter-relacionado de repolitização das esferas privadas religiosa e moral e renormativização das esferas da economia pública e da moral.24
Por outro lado, talvez a privatização da religião nunca tenha acontecido com força no Brasil, e seria temerário falar em repolitização da esfera religiosa no Brasil quando esta esteve longe de ser despolitizada. Além disso, é inegável a revitalização da atuação política dos
23
(1) As far as the world views are concerned, largely completed secularization means that religious beliefs have become subjective as a result of the rise of alternative interpretations of life, which in principle can no longer be integrated into a religious world view. (2) As far as the institutions are concerned, largely completed secularization means that institutionalized religion has been de-politicized as a result of a functional differentiation of society, which in principle can no longer be integrated through institutionalized religion.
24 (…) we are witnessing the ―deprivatization‖ of religion in the modern world. By deprivatization I mean the
fact that religious traditions throughout the world are refusing to accept the marginal and privatized role which theories of modernity as well as theories of secularization had reserved for them. Social movements have appeared which either are religious in nature or are challenging in the name of religion the legitimacy and autonomy of the primary secular spheres, the state and the market economy. Similarly, religious institutions and organizations refuse to restrict themselves to the pastoral care of individual souls and continue to raise questions about the interconnections of the private and public morality and to challenge the claims of the subsystems, particularly states and markets, to be exempt from extraneous normative considerations. One of the results of this ongoing contestation is a dual, interrelated process of repoliticization of the private religious and moral spheres and renormativization of the public economic and political spheres.
grupos religiosos nas últimas décadas bem como o uso de valores religiosos nos debates públicos sobre temas polêmicos.
O fenômeno da secularização não escapou à compreensão da IURD, que deu uma interpretação própria aos problemas brasileiros e soube relaciona-los à suposta falta de importância dada pela sociedade à religião bem como, ainda na década de 90, anuncia a necessidade de envolver o sagrado nas outras esferas da sociedade brasileira.
O sistema econômico e social de nosso país piora a cada ano que passa. A administração adotada pelos nossos governantes é elitista, contempla apenas uma parte da sociedade, enquanto a imensa maioria do povo continua convivendo com as mazelas de sempre, como a fome, o desemprego, o subemprego, a falta de cidadania e a violência urbana, entre outras. Toda essa estrutura, se por um lado leva o homem a refletir sobre Deus, a se preocupar com o seu lado espiritual, por outro favorece também o fenômeno da secularização (CABRAL, 1996, p. 2A).
O texto de 1996 tenta demonstrar o perigo de uma sociedade secularizada e a necessidade de ―devolver‖ esta sociedade para Deus. Ou seja, ao menos no nível do discurso, a IURD não aponta apenas para a transformação do indivíduo, mas para a paulatina transformação da sociedade através de sua ação religiosa e política. Por exemplo, em 28 de junho de 2008 na ―Marcha para Jesus‖ em Florianópolis, o bispo e vereador iurdiano Alceu Nieckarz estava em cima de um caminhão ―trio elétrico‖ com outras lideranças religiosas de outras denominações e ao lhe ser dada a palavra ele bradou ―vamos conquistar esta cidade para Jesus‖, logo à frente, a passeata passou em frente a uma das principais delegacias da cidade, ele agradeceu a ajuda das autoridades e fizeram uma oração, todos ajoelhados, pedindo o bem da cidade.