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Kapitel 3. Typetilfeller

3.2. Typetilfeller. Kjøp av aksjer

3.2.3. Et holdingselskap «kjøper seg kunder»

O manejo do paciente visa garantir a perfusão tecidual, minimizar a lesão miocárdica, potencializar as chances de recuperação da função cardíaca e/ou viabilizar a ponte para terapias definitivas em caso de irreversibilidade da disfunção miocárdica. O atendimento inicial não deve ser retardado e visa tanto à estabilização como à busca pelo diagnóstico etiológico do choque.

No caso do IAM, que, considerando sua epidemiologia, é o responsável por 80% dos choques cardiogênicos, o fluxo inicial de avaliação e de atendimento está bem estabelecido nas diretrizes de síndromes coronarianas agudas. Como regra, em caso de SCA complicada por choque cardiogênico, a recomendação é de que, dentro de 2 horas da admissão hospitalar, o paciente seja submetido à cineangiocoronariografia, com vistas à revascularização percutânea.715 No entanto, em outras causas

de choque cardiogênico, o manejo clínico pode ser bastante heterogêneo entre diferentes serviços, e as diferentes etiologias do choque cardiogênico possuem particularidades que podem influenciar no manejo clínico (Quadro 4.3).

O quadro 4.4 resume os principais aspectos relacionados à avaliação e ao manejo clínico de pacientes em choque cardiogênico. Na apresentação inicial, os parâmetros de

Quadro 4.1 – Critérios utilizados para caracterização de choque cardiogênico

Variável Definição clínica Killip Estudo SHOCK Estudo IABP‑SHOCK persistentemente graveCC avançado/CC

Clínica

PAS < 90 mmHg, oligúria*, diaforese e extremidades pálidas

Sinais de congestão pulmonar podem estar presentes

PAS < 90 mmHg > 30 minutos ou necessidade de

medidas de suporte para manter PAS > 90 mmHg

E

Evidência de hipoperfusão orgânica (oligúria* e extremidades frias)

PAS < 90 mmHg por > 30 minutos ou necessidade de medidas de suporte para manter PAS > 90mmHg

E Congestão pulmonar

E

Evidência de hipoperfusão orgânica (alteração de estado mental, oligúria*,

extremidades frias e pele pegajosa)

PAS < 90 mmHg com necessidade de múltiplos vasopressores/

inotrópicos e/ou BIA Evidência de hipoperfusão orgânica (alteração de estado mental, oligúria*,

extremidades frias e pele pegajosa) Insuficiência respiratória associada com

necessidade de ventilação mecânica

Hemodinâmica IC < 2,2 L/min/m², PoAP ≥ 15 mmHg e FC > 60 bpm

IC < 2,2 Lmin/m², PoAP ≥ 15 mmHg

e FC > 60 bpm IC < 2,2 L/min/m² e PoAP ≥ 15 mmHg

Laboratorial Lactato > 2,0 mmol/L Lactato > 2,0 mmol/L

Suporte estabelecido

Catecolaminas com PAS > 90 mmHg, < 12 horas do

diagnóstico do choque BIA em 86% dos pacientes

96% dos pacientes com ICP ou revascularização cirúrgica em até 5 horas

de delta T

Catecolaminas com PAS > 90 mmHg, < 12 horas do diagnóstico do choque

Randomização para BIA

Tentar manter IC > 2,4 L/m/m², PAM > 60 mmHg, débito urinário > 30 mL/hora, BIA se não instalado e redução do escore vasotrópico em

6 a 12 horas com manutenção de IC > 2,4 L/m/m² Se não estabelecido: ECMO, SCM e transplante cardíaco

Exclusão

Complicações mecânicas, > 12 horas de choque, choque após 36 horas do IAM, pacientes não elegíveis para revascularização e excluída presença de cardiomiopatia

Mais de 30 minutos de PCR, complicações mecânicas, > 12 horas

de IAM, pacientes não elegíveis para revascularização e excluída presença de cardiomiopatia

Pacientes não candidatos a DAVE ou transplante cardíaco, sinais

de falência múltipla orgânica irreversível estabelecida e prognóstico neurológico reservado

*Oligúria: diurese < 30mL/hora. CC: choque cardiogênico; PAS: pressão arterial sistólica; BIA: balão intra-aórtico; IC: índice cardíaco; PoAP: pressão de oclusão da artéria pulmonar; FC: frequência cardíaca; ICP: intervenção coronária percutânea; PAM: pressão arterial média; ECMO: oxigenação por membrana extracorpórea; SCM: suporte circulatório mecânico; IAM: infarto agudo do miocárdio; PCR: parada cardiorrespiratória; DAVE: dispositivo de assistência ventricular esquerda.

perfusão tecidual, de estado volêmico e de disfunção orgânica são fundamentais para definir as escolhas de monitorização hemodinâmica e direcionar o manejo.

A monitorização hemodinâmica invasiva com cateter de artéria pulmonar deve ser considerada precocemente, particularmente quando existirem incertezas em relação a diagnóstico, evidência de disfunções orgânicas iminentes ou quando a resposta ao manejo inicial for inadequada. Apesar de historicamente controverso, existem evidências crescentes de que a utilização do cateter de artéria pulmonar em pacientes com choque cardiogênico pode impactar em desfechos.659,716

O uso de drogas vasoativas é a forma mais rápida e imediata de instituir suporte circulatório. O efeito inotrópico ajuda a contrabalançar a queda do débito cardíaco por aumento da pós-carga. No entanto, doses elevadas estão associadas a piores desfechos, tanto pelo cenário hemodinâmico deletério, como pelo efeito direto de aumento da demanda miocárdica de oxigênio. Existem poucas evidências comparando vasopressores em pacientes com choque de qualquer etiologia, e as decisões de uso devem ser baseadas em experiência clínica e perfil hemodinâmico. Preconiza-se a utilização

Quadro 4.2 – Estrutura, responsabilidades e componentes do time de choque

Estrutura/operação Sobreaviso médico Responsabilidades Componentes necessários Laboratório de hemodinâmica Cardiologista intervencionista ICP/DAV percutâneo

Sobreaviso médico 7/24 horas Laboratório disponível 7/24 horas

Staff de enfermagem

Sala de cirurgia cardíaca Cirurgião cardíaco ECMO/ transplante/ DAV temporário Sobreaviso médico e perfusionistas 7/24 horas

IC avançada/ transplante Especialista em IC avançada/ transplante/ DAV

Case manager

Avaliação para transplante; DAV coordenação/manejo;

opções terapêuticas

Sobreaviso médico

CTI cardíaco Cardio/intensivista

Primeiro respondedor Avalia, tria, aloca recursos Cateter Swan-Ganz, manejo VM

Plantão presencial 7/24 horas

Staff de enfermagem com experiência

em suporte circulatório e cateter Swan-Ganz

ICP: intervenção coronária percutânea; DAV: dispositivo de assistência ventricular; ECMO: oxigenação por membrana extracorpórea; IC: insuficiência cardíaca; CTI: centro terapia intensiva; VM: ventilação mecânica.

Figura 4.1 – Fluxograma de acionamento do time de choque e manejo do choque cardiogênico. BIT: mensageiro de urgência; CTI: centro de terapia intensiva; IAMCST: infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST; ICP: intervenção coronária percutânea; UTI: unidade de terapia intensiva; IC: insuficiência cardíaca.

CHOQUE CARDIOGÊNICO

IAM com Supra ST Acionar Equipe Hemodinâmica

Não IAM

ICP com suporte

se indicado

Monitorar com Swan Ganz

se choque persistente e uso de inotrópicos pós-ICP

Time de Choque Staff UTI cardíaca Staff IC avançada/Transplante Staff hemodinâmica/Cirurgião

Ligar BIP/CTI Cardio Acionar Time de Choque

Manejo de drogas vasoativas

cf. recomendação Diretriz

Monitorar com Swan Ganz

cf. recomendação Diretriz

Suporte circulatório mecânico

cf. recomendação Diretriz

Cineangiocoronariografia

das menores doses possíveis, pelo menor tempo possível. A tendência contemporânea é, particularmente no choque cardiogênico, combinar diferentes agentes em menores doses e evitar doses extremas, para prevenir vasoconstrição isquêmica. O escalonamento rápido de vasopressores catecolaminérgicos (por exemplo, aumento

de noradrenalina superior a 0,2 µg/kg/minuto em 2 horas) sem melhora do quadro de hipotensão pode indicar ciclo vicioso de toxicidade e resistência. Algoritmos de escalonamento de doses de inotrópicos e vasopressores possuem impacto prognóstico e, talvez, possam auxiliar nas decisões terapêuticas (Quadro 4.5).717,718

Quadro 4.3 – Aspectos clínicos das principais etiologias do choque cardiogênico

Apresentação clínica Etiologia Considerações

IC aguda de novo

IAM anterior extenso, IAM com comprometimento de ventrículo direito, diferentes causas de ruptura de cordoalha, induzida por estresse (catecolaminérgica), miocardite fulminante, CIV

pós-infarto, ruptura de parede livre de ventrículo esquerdo, sepse com evidência de disfunção ventricular aguda. Choque

cardiogênico pós-PCR com disfunção ventricular pós-PCR

Situações com alto potencial de recuperação: IAM com reperfusão precoce e disfunção transitória, miocardite fulminante, cardiomiopatias catecolaminérgicas, disfunção miocárdica induzida por sepse, disfunção ventricular pós-PCR

Situações com baixo potencial de recuperação: IAM com reperfusão tardia, incompleta ou não realizada; complicações

mecânicas de IAM; disfunção de ventrículo direito com manutenção de altas pressões de enchimento

IC crônica agudizada (pacientes em estágio D)

Cardiomiopatia isquêmica, dilatada sem etiologia esclarecida, chagásica, taquicardiomiopatia induzida por TV reentrante, taquicardiomiopatia por fibrilação atrial persistente, orovalvares

primárias em evolução tardia (estenose aórtica com evidência de ventrículo esquerdo remodelado; estenose mitral com

hipertensão pulmonar e disfunção de ventrículo direito)

Alto potencial de recuperação: doença valvar passível de tratamento cirúrgico

Baixo potencial de recuperação: IC estágio D

Pós-cardiotomia

Disfunção primária de enxerto pós-transplante cardíaco, má proteção miocárdica perioperatória, Disfunção de ventrículo direito crônica − agudizada pelo perioperatório, hipertensão

pulmonar com componente capilar pulmonar

Considerar monitorização invasiva em pacientes de risco. Considerar BIA precocemente após ou durante saída de bomba,

certificar‑se de exclusão de causas de falência secundária (ar em coronária e kink em artéria pulmonar), considerar monitorização com ETE. Considerar manejo com esterno aberto

nas primeiras 24 a 48 horas de pós-operatório

Choque cardiogênico iatrogênico

Uso de IECA/ BRA/ betabloqueador nas primeiras 24 horas de choque cardiogênico identificado

Choque cardiogênico subdiagnosticado classificado como vasoplegia. Deterioração por expansão volêmica não monitorada

Análise do estudo TRIUMPH sugere aumento de mortalidade nesses pacientes nos primeiros 30 dias pós infarto A monitorização hemodinâmica invasiva atentando para manutenção de balanço hídrico equilibrado pode ajudar no que

clinicamente sugira somente vasoplegia

IC: insuficiência cardíaca; IAM: infarto agudo do miocárdio; CIV: comunicação interventricular; PCR: parada cardiorrespiratória; TV: taquicardia ventricular; BIA: balão intra-aórtico; ETE: ecocardiograma transesofágico; IECA: inibidores da enzima de conversão da angiotensina; BRA: bloqueador de receptor da angiotensina.

Quadro 4.4 – Considerações sobre o manejo clínico e o prognóstico no choque cardiogênico

Avaliação clínica Suporte inicial Prognóstico

Avaliação clínica- hemodinâmica

Monitorização não invasiva: baixo débito urinário, estado mental, temperatura, pressão não invasiva, ecocardiograma à beira do leito e bioimpedância cardíaca Monitorização invasiva (monitor de débito indireto, cateter de artéria pulmonar, sonda vesical, ScVO2/

SVO2 contínuos, pressão arterial média)

Laboratório para definição de disfunções orgânicas (lactato, SVO2, SCVO2, gasometrias, ureia, creatinina,

bilirrubinas, TGO, TGP, fibrinogênio, dímero D, tromboelastografia, proteína C‑reativa, hemograma) Investigação do diagnóstico etiológico (IAM, complicações mecânicas de IAM tardias ou precoces, miocardite, insuficiência mitral aguda, EAo, CC iatrogênico, IC crônica agudizada em baixo débito terminal)

Necessidade de catecolaminas para manutenção de PAS > 85 mmHg

Determinação de tolerância a inotrópicos Necessidade de associação de inotrópicos Necessidade/tolerância a vasodilatadores por

via intravenosa

IRpA com necessidade de intubação orotraqueal (para diminuição de VO2 ou para permitir procedimentos diagnósticos/terapêuticos) Determinação de necessidade de instalação de BIA

INTERMACS I ou II: pacientes em uso de catecolaminas ou evidência de disfunções orgânicas

(pulmonar, renal e hepática) apesar de aparente suporte otimizado. Prováveis candidatos a suporte circulatório mecânico como ponte para decisão ou

cuidados paliativos

INTERMACS I ou II resgatado: estabilização em uso de BIA e baixo escore inotrópico INTERMACS III ou IV: recuperação hemodinâmica em uso de 1 ou 2 inotrópicos em dose intermediária (por exemplo: dobutamina 5 a 7,5 µg/kg/minuto) livres

de catecolaminas

ScVO2/SVO2:saturação venosa central de oxigênio/saturação venosa mista de oxigênio/; TGO: transaminase glutâmico oxalacética; TGP: transaminase

glutâmico pirúvica; IAM: infarto agudo do miocárdio; EAo: estenose aórtica; CC: choque cardiogênico; IC: insuficiência cardíaca; PAS: pressão arterial sistólica; IRpA: insuficiência respiratória aguda; VO2: consumo de oxigênio;BIA: balão intra-aórtico; INTERMACS: Interagency Registry for Mechanically Assisted