2 SITUERING AV STUDIEN
2.1 Et historisk blikk på medisinens kunnskapsteoretiske utvikling
Max e Dave Fleischer também investiram em um aparato técnico chamado por eles de processo 3D. Patenteado em 1923, consistia de diferentes cenários construídos em maquetes montadas sobre uma mesa redonda giratória. As maquetes eram dispostas sobre a mesa em diferentes distâncias da câmera e havia um suporte no qual se apoiava o acetato em primeiro plano. Na projeção, o desenho se ajustava perfeitamente com o cenário das maquetes. Assim, quando o personagem se deslocava, o cenário era girado levemente de acordo com o movimento do(s) personagem(s). Leonard Maltin (1987) descreve o funcionamento desse mecanismo:
Simplificando, uma estação e uma câmera de animação horizontal são presas a uma enorme plataforma rotativa, na qual cenários em miniaturas foram construídos. Como sempre, os personagens são traçados e pintados em acetato, mas os acetatos ficam suspensos verticalmente em uma armação de aço que revela, atrás destes, o cenário “ao vivo”. Um mecanismo especial permite o cenário girar um pouco de cada vez, da mesma maneira que uma pessoa moveria um background tradicional de papel para uma tomada panorâmica. Fleischer e John Burks, os quais inventaram o sistema, perceberam mais tarde que colocando alguns objetos no primeiro plano, na frente dos personagens animados, criariam uma maior sensação de profundidade e perspectiva.97
Um dos destaques do uso dessa técnica de construção de cenários tridimensionais e prova do potencial criativo dos Fleischer encontra-se no filme Grampy
in House Cleaning Blues (EUA – 1937), no qual um cenário em miniatura dos cômodos
da casa da personagem de Betty Boop é mostrado através de um movimento de câmera. O cenário feito de maquete surpreende pela qualidade técnica, combinado perfeitamente com o desenho tradicional da Betty Boop (Fig. 2.24).
97
Fig. 2.24 – À esquerda, esquema em recorte da mesa de filmagem em formato circular dos Irmãos Fleischer. Acima, três quadros que mostram o cenário tridimensional no filme de Betty Boop, Grampy in House Cleaning Blues (EUA – 1937). Fonte: woolandwax.blogspot.com e Youtube.
Já nos estúdios de Walt Disney, havia também um departamento de filmagem e, à medida que os trabalhos de animação foram ficando mais sofisticados, surgiu também a necessidade de melhorias nos mecanismos de suporte de câmera para fotografar os acetatos. O primeiro sistema de captura era uma mesa com um suporte de madeira aonde se fixava a câmera que não se movia e os movimentos de câmera eram feitos no trabalho de animação – processo muito laborioso. Então, o departamento de filmagem teve a ideia de fazer um suporte de câmera que pudesse variar a sua altura, tornando fácil conseguir efeitos de zoom com a câmera, aproximando-a ou afastando-a da base do desenho. Para movimentos laterais, a solução encontrada foi adaptar peg-bars sobre barras que podiam deslizar para a esquerda e para a direita98.
Os constantes experimentos com o suporte da câmera para obter os mais variados movimentos acabou ajudando a equipe técnica de Disney a desenvolver um aparato técnico que oferecia o efeito de profundidade semelhante ao processo 3D dos Fleischer, a câmara de múltiplos planos. Enquanto os Fleischer utilizavam maquetes na horizontal como cenários, Disney optou por posicionar os elementos de cenários, desenhados em acetato, empilhados em uma espécie de prateleira com quatro ou até seis níveis dispostos a distâncias diferentes da câmera – daí o nome, múltiplos planos99. No dispositivo de Disney, cada plano podia ser movimentado independentemente para, por exemplo, ter o efeito de um zoom-in100. Esse sistema exigia a presença de um
engenheiro para resolver problemas técnicos e fazer cálculos matemáticos, a fim de que o movimento funcionasse o melhor possível.101 Para se ter uma ideia da complexidade deste aparato, havia 22 possibilidades de ajustes para cada quadro fotografado. Além
98
THOMAS & JOHNSTON, 1984, p 308 (tradução livre).
99
THOMAS & JOHNSTON, 1984, pp 308-312 (tradução livre).
100
Efeito de aproximação.
101
disso, cada plano era iluminado por um conjunto de dois spots de luz cuja intensidade tinha que ser regulada para cada plano102 (Fig. 2.25).
Fig. 2.25 – À esquerda,
câmara de múltiplos planos: cada plano tinha
uma pessoa responsável para a operação e organização dos acetatos. Ao lado, esquema geral do equipamento. Fonte:
THOMAS & JOHNSTON, 1984 e
O processo 3D dos Fleischer era bem mais simples, pois não era necessária uma equipe grande para manipulá-lo. A ilusão de velocidades diferentes dos planos do cenário funcionava bem, devido à forma arredondada da mesa giratória: os planos que se moviam mais lentamente ficavam próximos ao centro da mesa; já os elementos posicionados mais na borda moviam-se com maior velocidade. Dessa maneira, era simples simular o movimento em diferentes níveis do cenário, quando um personagem andava sobre ele.
Ambos os processos solucionaram muito bem a ilusão de profundidade; porém, a câmara de múltiplos planos tinha um custo muito alto de manutenção, o que fez com que Disney criasse até um departamento específico para o manuseio de seu equipamento.
Mais uma vez, podemos perceber como a tecnologia serviu como suporte fundamental para o desenho animado; nesse caso, para conceber a ilusão de profundidade. Pode-se perceber que, mais tarde, essa ilusão passou a ser gradativamente simulada através das tecnologias digitais, oferecendo os mesmos efeitos da câmera multiplana de Disney e dos Fleischer – meios que, além de facilitar a utilização das técnicas de animação, barateiam e agilizam o processo produtivo.
102