5 Evaluering
5.2 Et helhetsperspektiv på reguleringen av embryonal stamcelleforskning i lys av
Não tardaria até que outros povos tomassem conhecimento das novas descobertas. Na Europa esse processo ocorreu sobretudo pelo uso e maior popularização da imprensa. Diferente da produção no contexto ibérico, cuja maioria dos registros hoje conhecidos é manuscrita, o menor custo na produção de mapas impressos, bem como as restrições impostas na produção de mapas portugueses e espanhóis, fará com que os impressos se tornem mais populares já em finais do século XVI (LAGO, 2012).
As primeiras cartas impressas a mostrar o território americano também são bastante interessantes. Embora não apresentem um conhecimento tão desenvolvido da geografia dos lugares, os primeiros mapas-mundo desse tipo foram feitos e impressos por italianos. O primeiro deles, de Giovanni Matteo Contarini (1506), foi impresso por Francesco Rosselli, possivelmente em Veneza ou Florença. O mapa possui muitas legendas, e – o que nos é importante neste momento – apresenta um sistema de projeção de coordenadas geográficas, ordenadas por linhas de latitude e longitude, curiosamente sob uma projeção polar. O resultado são distorções latitudinais, seguindo uma adaptação da representação cônica de origem ptolomaica. Com a adição da quarta parte do mundo, compõem-se os 360º da esfera terrestre (THROWER, 1999).
As legendas citam as descobertas, os descobridores e os monarcas aos quais estavam vinculados os eventos. A América é representada em duas partes, uma ao sul, outra ao norte, separadas por um estreito. A costa norte apresenta informações detalhadas, indicando o conhecimento da terceira viagem de Colombo, em 1498, e a primeira viagem de Américo Vespúcio ao Novo Mundo (1499-1500). As ilhas do Caribe e o norte da América do Sul apontam, segundo a toponímia, para o uso de fontes espanholas. A costa do território que corresponde hoje ao Brasil não indica fontes portuguesas, exceto pela menção na legenda à viagem de Pedro Álvares Cabral e o nome Terra de Santa Cruz. No entanto, a representação não se aproxima de nenhuma das cartas portuguesas conhecidas do mesmo período, designadamente os mapas de Cantino e Kuntsmann I e II (ALEGRIA et al, 2012).
Com uma estrutura semelhante, o Universalior Cogniti Orbis Tabula, Ex
desenhado a partir dos descobrimentos recentes) de Johannes Ruysh, de 1507, também utiliza uma projeção polar cônica de tradição ptolomaica. Foi publicado em Roma junto a uma edição da Geografia do geógrafo alexandrino de 1508. Possui um grande número de legendas e a toponímia indica o uso direto de fontes portuguesas, tanto cartas como relatos. Entre as legendas, sobressaiem aquelas relativas ao continente sulamericano (designado Mundus Novus). Uma delas informa que os portugueses chegaram até à latitude de 50° em direcção a sul, sem terem conseguido avistar o fim do continente (NEBENZAHAL, 1990, p. 50).
No entanto, neste conjunto de representações impressas e de matriz ptolomaica é a carta de Martin Waldseemüller de 1507 que se tornará mais conhecida: a Universalis cosmografia secundum Ptholomaei traditionem et Americi
Vespucii aliorumque lustrationes, que acabou por dar nome ao continente, mesmo
sendo fruto de uma equivocada homenagem do cartógrafo a Américo Vespúcio, posteriormente corrigido em outro mapa, de 1513. Trata-se de uma modificação na representação ptolomaica inspirada no planisfério de Henricus Martellus Germanus, de 1490, com a adição do novo continente. Inaugura uma tradição de mapas cordiformes, posteriormente desenvolvidas por inúmeros cartógrafos, como Bernardus Sylvanus (1511) e Oronce Fine (1521), entre outros.
Entre os humanistas do Renascimento esta forma de representar a Terra foi considerada como a melhor solução, pois incorporava os novos conhecimentos geográficos à tradição clássica. Acrescentavam-se novas referências, como no caso do mapa de Caveri, para mencionar o nome e posição dos lugares. A projeção ptolomaica, no entanto, era muito mais imprecisa do que a que se desenvolvia na Península Ibérica: ainda assim, foi popular até o século XVII entre os círculos letrados, apesar do seu escasso valor prático (DOMINGUES, 2012).
Nesse contexto, circulam entre diversos territórios os conhecimentos geográficos adquiridos pela expansão ibérica, assim como as técnicas de produção de mapas. Inauguram as inovações desta cartografia de origem neerlandesa a obra
Nova et Aucta Orbis Terrae Descriptio ad usum navigantium emendata et accomodata, de Gerard Mercator, impressa em Duisburgo em 1569. Utiliza um
sistema de projeção com base em coordenadas geográficas, no qual a esfera é representada sobre um plano a partir da sua projeção sobre um cilindro. Os meridianos são perpendiculares a linha do equador, conquanto as latitudes são
paralelas a esse marco. Este tipo de projeção, apesar de distorcer as áreas das latitudes mais elevadas, mantém as formas e as distâncias, sendo extremamente útil a navegação, por permitir um preciso posicionamento, sem o uso da bússola e estima de distância. Pela primeira vez a cartografia se assenta totalmente sobre os preceitos da astronomia e da matemática, princípios ainda hoje conservados (THROWER, 1999).
Em 1570, Abraham Ortelius lança o primeiro Atlas impresso em sentido estrito, isto é, um conjunto de mapas de mesmo tamanho, em estilo uniforme, acompanhado de textos descritivos. O Theatrum Orbis Terrarum foi um enorme sucesso editorial, contando com 53 mapas de diversas regiões do globo. Obra sequencial ao sucesso editorial do Theatrum de Ortelius é o Atlas de cidades
Civitates orbis Terrarum, editado em seis volumes entre 1572-1617 por Georg Braun
e impresso por Granz Hogenberg, contando com 576 planos de cidades de todo o mundo, em perspectiva de “olho de pássaro” ou oblíqua (THROWER, 1999).
Trata-se de um período de efervecência na técnica de produção cartográfica. Diversos tipos de projeção serão experimentados na busca de uma representação adequada. O conhecimento de um território até então desconhecido aos europeus e a navegação animavam esse processo. Thrower (1999) menciona, por exemplo, a projeção azimutal de Maggioli (1511) e a codiforme de Werner (1514). Dentre as mais importantes, devemos mencionar também a projeção cilíndrica de Mercator (1569).
No entanto, nem tudo era inovação. Muitas vezes deu-se o contrário, fruto do uso contínuo de antigas chapas de impressão, compradas ou adquiridas por herança, além das obras se destinarem a um público mais amplo, que quer se interessava pelas novas descobertas, como pelo simples valor estético das obras.
Se difundiriam mais tardiamente também os Atlas náuticos, sendo os dois primeiros elaborados por Lucas Janszoon Waghenaer: o De Spieghel der Zeervaerdt (Leiden, 1584-1585) e o Thresoor der Zeervaert (1592). Apesar do respectivo sucesso editorial, não atingiram o público esperado, isto é, os pilotos e homens do mar. Nestas obras é interessante perceber as aproximações com a cartografia portuguesa:
São de referir as semelhanças entre as vistas das costas, isto é, perfis mais ou menos naturalistas das áreas sobranceiras ao mar, inseridos nas próprias cartas, e as perspectivas de D. João de Castro nos seus três famosos roteiros elaborados entre 1538 e 1541 (ALEGRIA; DIAS, 2000, p. 62).
Outros importantes cartógrafos também irão produzir Atlas náuticos, como é o caso de Joan Blaeu e Johannes Janssonius. Do esforço de Johannes van Keulen e do hidrógrafo e do matemático Claas Jansz Vooght é produzido o Zeeatlas of Water-
Werelt, publicado em 1681, sendo que a participação de Vooght expressou “elevado
interesse científico” (ALEGRIA; DIAS, 2000, p.64).
Na segunda metade do século XVII, outros países também construíram suas escolas de cartografia e surgiriam as primeiras Academias de Ciência e, no século seguinte, as Sociedades de Geografia. Na França, Colbert, secretário de Estado de Luís XIV, cria a Academia de Ciências de Paris, em 1666, além de atrair o cosmógrafo italiano Jean-Dominique Cassini para o Observatório de Paris. Este é o contexto no qual se desenvolve o método de triangulação e se desenvolvem os estudos para o cálculo de longitude no mar. Ação similar é estabelecida na Inglaterra com a instauração do Comitê de Longitudes, que será plenamente alcançado após a invenção do relógio de precisão marítima de John Harrison, em 1725, inaugurando uma nova fase na produção dos mapas, com base no apurado cálculo das coordenadas geográficas.