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Estudio particularizado de las curvas de cada expresión

representativas en las que interviene la AU12

7.6 Estudio particularizado de las curvas de cada expresión

Pra falar eu fico emocionado, para falar de Albertino tenho que tirar primeiro o chapéu, dizer da nossa saudade. Além de compositor, o Albertino foi uma pessoa maravilhosa, com ele aprendi muita coisa; ele me ensinou o pulo do gato no samba, o pulo do gato (GARCIA Osvaldo, 2014, p.11).

Talvez uma das duplas mais famosas do carnaval paraense tenha sido a de Albertino Garcia e Osvaldo Garcia. Esta dupla participou na composição de sambas enredo que, até hoje, são cantados nos redutos do samba em Belém do Pará, talvez até, sem que saibam quem foram seus compositores.

(...) uma dupla de compositores composta por Osvaldo Garcia e Albertino Garcia participa pela primeira vez nesta formação, compondo para o festival do Rancho o samba Canto dos Orixás para o concurso oficial do ano seguinte, Entretanto este samba de enredo não conseguiu o 1º lugar na competição. Em 1980 a dupla volta a compor com o tema estabelecido pelo Rancho, desta feita para homenagear o museu paraense Emílio Goeldi. Este samba vence o festival, é gravado pelo cantor Balalaika da Mangueira e passa a ser cantado por toda a cidade. A dupla e seu samba fizeram com que o Rancho conquistasse o bicampeonato do carnaval paraense promovido pela Prefeitura Municipal de Belém. João Manito (2000) refere também que, a partir deste samba a dupla passa a ser considerada como ‘uma das mais perfeitas duplas de compositores de samba que o Pará jamais possuíra, mesmo porque o compositor paraense ou era muito egoísta e não gostava de dividir suas glórias ou não sabia compor com outras pessoas ao lado’ (MANITO, 2000, p. 290).

A primeira intervenção em um samba aconteceu quando Osvaldo Garcia estava fazendo a música pro Império de Samba Quem São Eles de parceria com o professor Jorge Moreira. Osvaldo mostrou pro Albertino e ele falou: “Pô! Bota! Bota aí! Bota a valsa de Strauss aí!”. Osvaldo Garcia ficou meio confuso e Albertino insistiu: “Bota aquela melodia, não tem letra, só bota só a melodia – lá, lá ia, laiá, laiá, laiá, lalá.” (GARCIA Osvaldo, 2014, p. 14).

A melodia “casou direitinho [...] casado música! Por isso que eu digo que, Deus é que mandou ele!” (GARCIA Osvaldo, 2014, p.13). O nome de Albertino não entrou como parceria neste samba, porque na letra, já estava o nome de Osvaldo Garcia e Jorge Moreira. Foi a primeira vez que Albertino entrou na vida de Osvaldo Garcia como compositor (GARCIA Osvaldo, 2014).

Muitas lembranças que Osvaldo Garcia guarda de seu mais querido parceiro musical referem-se aos conselhos que eram dados por ele (Albertino) em relação à ética na composição musical. Esses conselhos ficaram para sempre na sua memória e lhe

nortearam sua vida enquanto compositor - dizia, para ter cuidado com a música dos outros (OSVALDO GARCIA, 2014).

Osvaldo lembra que Albertino não usava a palavra “plágio”. Quando percebia alguma semelhança musical com outro compositor, ele Albertino dizia “Pera aí! Isso já existe, cara, isso não é nosso, tem que ser nosso. Cuidado com a música dos outros! ” (GARCIA, 2014, p.13).

Em relação ao plágio, até hoje ele tem isso como ensinamento nº 1. Osvaldo Garcia enfatiza que, muitas vezes, deixou de fazer samba enredo e participar de festival, mesmo que ele já tivesse um nome na mídia do samba, exatamente por se lembrar dos conselhos do amigo e parceiro musical.

Pelo meu nome mesmo – ‘Eu não tô conseguindo fazer! ’ Eu podia, sabe? Um boi com abóbora, lá, lá, um iô, iô aqui’. Não cara, eu não vou fazer isso; eu podia fazer um plágio, de repente um samba do Rio de Janeiro, sabe? Um samba que ninguém conhece. Mas isso não é meu, não sou eu que tô fazendo, tá entendendo? Não sou eu que tô fazendo! .É a mesma coisa que tú fazes um samba, e de repente passa na avenida o samba; o samba é bonito, aí tú fica. Quando tú vai pra tua casa dormir, tú diz: Realmente é bonito, mas não é meu, eu copiei. Então, eu copiei uma frase: Quem tem talento, cria, quem não tem, copía (GARCIA Osvaldo, 2014, p.13).

Depois do primeiro samba, Canto aos Orixás, para o Rancho, no carnaval de 1978, vieram outros tantos. A parceria obteve muito sucesso e se tornou muito coesa, fato que se comprova nesta citação:

E nos fizemos muita música juntos; essas do Rancho foram todas, todas, todas de parceria com o Albertino Garcia, graças a Deus. E fizemos música para a Mocidade de Nazaré, que foi reeditada para esse carnaval agora de 2013 pela Embaixada da Pedreira, que é aquela música do palhaço – Oba! Oba! Oba! A Imaginação. Foi reeditada. Música que já foi cantada quatro vezes pelo carnaval paraense. Foi cantada pela Mocidade, foi cantada pelo Sapo Muiraquitã da Terra Firme, foi cantada pela Pedreira e todo tempo foi nota dez, tanto pelo Sapo, como pela Embaixada, e outro foi em Macapá, um negócio assim, mas já levaram pra lá essa música, certo? (GARCIA Osvaldo, 2014, p.14).

Entre as músicas compostas por essa dupla para o Rancho estão: Canto aos Orixás; Museu Emílio Goeldi (1980); Tuyá; O Pequeno Índio Guardião da Floresta Renascida (1981); Rancho de Ouro: O Canto do Jubileu (1984); Amanheceu (1985); Rei do Bagaço; Coisas da Vida (1986) (OLIVEIRA, 2006).

Para outras escolas de samba: Alegria! Alegria (com Dominguinhos do Estácio) para o Bloco Unidos de Nazaré (1981); Boneca Tropicana e Frevo do Bensom, para o Trio Elétrico Bensom (1983); Balão Mágico, para o bloco Carnavalesco Unidos

de Nazaré (1984); Vem Quem Tem; Vem Quem Não Tem, para a Escola de Samba

Acadêmicos da Pedreira (1989) (OLIVEIRA, 2006).

Osvaldo Garcia tem, na memória indelevelmente marcada, uma frase de Albertino Garcia “Tem um detalhe: tem que ganhar no festival e na avenida, porque lá na avenida é que termina o festival” (GARCIA, 2014, p. 13).

O último samba da dupla foi Vem Quem Tem; Vem Quem Não Tem, para a

Escola de Samba Acadêmicos da Pedreira em 1989. Para Osvaldo Garcia restou uma imensa saudade e a glória te ter feito com Albertino grandes sambas de enredo que ficarão na história do carnaval paraense.

2.4 A TRAJETÓRIA ARTÍSTICA DOS COMPOSITORES DE