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A análise econômica do sistema foi feita considerando uma vida útil de 20 anos. Para efeito de cálculo foram consideradas as prováveis valorizações de moeda no período de tempo analisado, ou seja, juros e inflação. Considerou-se uma taxa anual de desconto de 6,4 % para a realização do cálculo do VPL, referente ao mês de junho de 2018, com base na taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), que é definida como a taxa média ajustada dos

financiamentos diários relativos a operações financeiras registradas do SELIC, segundo o Banco Central do Brasil (2018).

Os benefícios recebidos devido à economia de água foram calculados multiplicando as tarifas de água e esgoto para a cidade de Uberlândia (Tabela 8), fornecidas pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE).

Tabela 8. Estrutura tarifaria do DMAE, categoria residencial para Uberlândia-MG Faixa de consumo Tarifa mínima residencial

De 0 a 10 m³ tarifa mínima residencial R$ 16,53 De 11 a 20 m³ preço por m³ excedente R$ 1,27 De 21 a 30 m³ preço por m³ excedente R$ 1,45 De 31 a 40 m³ preço por m³ excedente R$ 2,00 De 41 a 50 m³ preço por m³ excedente R$ 3,45 Acima de 50 m³ preço por m³ excedente R$ 4,30

Fonte: Adaptado de DMAE, 2018.

De acordo com o Comitê Técnico de Regulação dos Serviços Municipais de Saneamento Básico (CRESAN), nos últimos anos os reajustes anuais nas tarifas de água foram de 8% em 2011 e 2012, 24 % em 2013, 5,56 % em 2014, 9,95 % em 2015, 11,28 % em 2016 e 6,58 % em 2017. Sendo assim, tem-se um reajuste anual de 10,48 % nas tarifas de água da concessionária. É importante salientar que este reajuste pode sofrer alterações devido aos diversos fatores, dentre eles os investimentos realizados pela concessionária, custos de energia elétrica e aumentos generalizados no preço de equipamentos e materiais.

Os gastos com energia elétrica devem ser considerados para a operação da bomba pressurizadora que compõe o sistema. Para avaliar estes gastos foi utilizada a tarifa atual de preço de energia elétrica para a cidade de Uberlândia, igual a R$ 0,587/Kwh, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, 2018). A taxa de reajuste anual média nos últimos anos foi assim igual a 10,24 % conforme a Tabela 9, fornecida pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG,2018). Sendo assim nota-se que os reajustes nas tarifas de água e de energia elétrica têm sido maiores que as taxas de inflação.

No próximo item do presente relatório está descrita a utilização do software Netuno para a avaliação econômica e nesta percebe-se que o programa não leva em conta estas diferenças, considerando as taxas de reajuste iguais as taxas de inflação, o que nem sempre ocorre.

Foram ainda considerados na análise econômica uma taxa anual equivalente a 1 % do investimento inicial para a realização de limpeza e manutenção do sistema. Ao longo do tempo o valor de manutenção foi ajustado conforme uma taxa de inflação de 4 % ao ano, ou seja, 0,33% ao mês.

Tabela 9. Histórico de reajustes de tarifa de energia elétrica (2013-2018)

DATA AJUSTE (%) 05/04/2013 3,06 07/04/2014 16,33 27/02/2015 28,80 07/04/2015 7,07 24/05/2016 3,78 23/05/2017 -10,56 22/05/2018 23,19 Ajuste médio (%) 10,24

Fonte: Dados da ANEEL apud CEMIG, 2018. 3.8.1. Netuno

Todos os cálculos referentes à análise econômica foram feitos utilizando o programa Netuno, que além de fornecer um algoritmo para o dimensionamento dos reservatórios, calcula os gastos com a implantação, manutenção e operação do sistema, e os benefícios obtidos com o aproveitamento pluvial, elaborando um fluxo de caixa que fornece ao usuário o VPL e o tempo de retorno do investimento.

Para a análise financeira, o Netuno dispõe de um botão chamado “análise econômica”. Quando o usuário utiliza esta função o programa solicita ao usuário os seguintes dados iniciais: taxas de inflação, em %/mês; tarifas de água, em R$/m³; período de reajuste das tarifas de água e de energia elétrica, em meses; período de análise, em anos; taxa mínima de atratividade, em %/mês; mês de instalação do sistema; custos de implantação, operação e manutenção, em R$. Conforme a Figura 20, as tarifas de água são inseridas considerando suas respectivas variações com o aumento do consumo.

Para a análise dos custos de operação o programa tem a opção “motobomba”, onde são inseridos os dados da mesma, para que possam ser calculados os gastos com energia elétrica. Os dados inseridos para esta analise são: Potência, em Cv; rendimento, em %; tempo de partida, em s; custo unitário, em R$; Tarifa de energia elétrica, em R$/Kwh; impostos fixos e variáveis. Na

Figura 21 está representada a inserção de dados no Netuno, para o conjunto motobomba utilizado.

Foram considerados também custos operacionais com manutenção e cloração do sistema. Para tais, foram considerados custos anuais de 1% do valor total de implantação, conforme sugerido por Tomaz (2011).

Figura 20. Netuno- Inserção de tarifas de água e esgoto

Fonte: Netuno, 2018.

Figura 21. Netuno - Inserção de dados da motobomba

Segundo Ghisi e Cordova (2014), valor da conta de água em um dado mês, é calculado pelo algoritmo do Netuno conforme a Equação 21.

𝐶𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙= {

𝐶𝑜𝑛𝑠á𝑔𝑢𝑎. (1 +𝑗100𝑣𝑎𝑟) + 𝑗𝑓𝑖𝑥𝑜+ 𝑗𝑒𝑠𝑔𝑜𝑡𝑜, 𝑠𝑒 𝑎 𝑡𝑎𝑟𝑖𝑓𝑎 𝑑𝑒 𝑒𝑠𝑔𝑜𝑡𝑜 𝑓𝑜𝑟 𝑓𝑖𝑥𝑎

𝐶𝑜𝑛𝑠á𝑔𝑢𝑎. (1 +𝑗100𝑣𝑎𝑟+𝑗𝑒𝑠𝑔𝑜𝑡𝑜100 ) + 𝑗𝑓𝑖𝑥𝑜, 𝑠𝑒 𝑎 𝑡𝑎𝑟𝑖𝑓𝑎 𝑑𝑒 𝑒𝑠𝑔𝑜𝑡𝑜 𝑓𝑜𝑟 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑙

(21)

Na qual: Ctotal é o valor total da conta de água com aproveitamento pluvial, em R$; Conságua é o

custo total de água consumido no mês i, em R$; Jvaré o imposto variável, em %; Jfixo é o

imposto fixo, em R$; Jesgoto é a tarifa de esgoto, em R$.

Ainda segundo Ghisi e Cordova (2014), o algoritmo calcula o custo total da conta considerando as variações de tarifa com o consumo para uma ocasião sem o aproveitamento de águas pluviais e para uma outra ocasião com aproveitamento de águas pluviais. Sendo assim, a economia de água esperada é definida pela Equação 23.

𝐸á𝑔𝑢𝑎𝑖 = 𝐶𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙𝑠𝑒𝑚𝑝𝑙𝑢𝑣− 𝐶𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙𝑐𝑜𝑚𝑝𝑙𝑢𝑣 (23)

Na qual: Eaguai é a economia de água num dado mês i, em R$; Ctotalsempluv é o custo total da conta

sem o aproveitamento pluvial, em R$;Ctotalcompluv é o custo total da conta com o aproveitamento

pluvial, em R$.

Com base nessa metodologia e considerando os impostos, juros, inflação e reajustes nas tarifas, o algoritmo elabora um fluxo de caixa e calcula o tempo de retorno do investimento, o VPL e a taxa interna de retorno, a partir das quais podem-se fazer conclusões sobre a viabilidade do sistema (GHISI e CORDOVA, 2014). No trabalho em questão a viabilidade do sistema foi então avaliada com a utilização do Netuno em cada uma das demandas consideradas (casos A, B e C), fazendo as devidas considerações e discussões sobre os resultados obtidos.

4 RESULTADOS E DICUSSÕES