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É amplamente conhecida a associação entre condições de modo de vida e a ocorrência de doenças não transmissíveis, que são hoje extremamente relevantes no cenário epidemiológico mundial (Casto et al., 2008). Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que o tabagismo, o baixo consumo de frutas e hortaliças e, o sedentarismo encontram-se entre as condições responsáveis por grande numero de doenças e mortes nos países em desenvolvimento e, em particular, nas Américas onde se encontram o Brasil (WHO, 2002).

33 Os dois aspectos mais relevantes como relacionados a um quadro de balanço energético positivo tem sido mudanças no consumo alimentar, com aumento do fornecimento de energia pela dieta, e redução da atividade física, configurando o que poderia ser chamado de estilo de vida ocidental contemporâneo (Garcia, 1997; Kumanyika, 2001). Assim, fica claro o papel dos aspectos sócio-culturais nesta determinação, formando uma rede de fatores (Sobal, 1991), cuja aproximação permite compreender e intervir no atual quadro em evolução (Casto et al., 2008).

Ao se focalizar a obesidade pelos aspectos vinculados a alterações na dieta, cabe destacar que o aumento da ingestão energética pode ser decorrente tanto da elevação quantitativa do consumo de alimentos como de mudanças na dieta que se caracterizam pela ingestão de alimentos com maior densidade energética, ou pela combinação dos dois. O processo de industrialização dos alimentos tem sido apontado como um dos principais responsáveis pelo crescimento energético da dieta da maioria das populações ocidentais (Mendonça e Anjos, 2004).

A alimentação apresenta papel fundamental para a melhora da situação de saúde da pessoa com SM. O padrão da dieta normalmente intitulado como “ocidental”, caracterizado pelo consumo de alimentos refinados e industrializados, como biscoitos, refrigerantes, entre outros, é comprovadamente um fator desencadeador da SM (Dibello et al., 2009). A alimentação adequada contribui de maneira direta para diminuir a pressão arterial, a glicemia, o colesterol e triglicérides. Além disso, contribui para o emagrecimento, favorecendo também a normalização destes parâmetros (Vieira, 2010).

A intervenção dietoterápica faz parte da terapia inicial para o manejo da SM como integrantes das alterações do estilo de vida (Maki, 2004). Alguns estudos têm analisado o papel de fatores dietéticos relacionados à SM considerando-a como uma entidade clinica independente (Esposito et al., 2004; Azadbakht et al., 2005; Laaksonen et al., 2005; Freire et

al., 2005; Esmailllzadeh et al., 2005; Steemburgo et al., 2006; Sahyoun et al., 2006).

Evidencias a favor da mudança de estilo de vida tem sido manifestada também em outros trabalhos (Pan et al., 1997; Knowler et al., 2002). No estudo de Tuomilehto et al. (2001), com um seguimento de mais de 3 anos com 522 indivíduos com intolerância a glicose, com mudanças de estilo de vida (diminuição do peso, redução da ingestão de gorduras saturadas, aumento da ingestão de fibra e aumento da atividade física) foram capazes de prevenir o desenvolvimento de DM2 no grupo intervenção (risco relativo [RR] 0,42). Se

34 extrai similares conclusões do estudo de Knowler et al., (2002), onde há uma menor incidência de diabetes (em um seguimento de quase 3 anos) para 1.079 pacientes pertencentes ao grupo de modificação intensiva do estilo de vida (RR 0,42) em contraposição aos 1.073 pacientes do grupo com tratamento de metformina (RR 0,69) e os 1.082 pacientes com do grupo placebo (RR 1,00). Esposito et al.(2003), observaram que uma perda de 10% do peso com uma dieta hipocalórica tipo mediterrâneo com maior quantidade de fibra e ácidos graxos insaturados reduziu marcadores inflamatórios e melhorou a sensibilidade insulínica. A modificação do estilo de vida consiste em conseguir e manter uma redução de 7% do peso inicial com uma dieta hipocalórica pobre em gordura e uma atividade física moderada (Fuster e López, 2006).

Até as últimas décadas do século passado, a orientação nutricional em caso de perda de peso e controle glicêmico era a de restrição de carboidratos, devido a sua relação com o aumento da glicemia e triglicérides sérico (Vieira, 2010). Entretanto, atualmente orienta que de 50 a 60% da energia da dieta sejam provenientes de carboidratos, nutriente responsável por fornecer energia, desde que haja distribuição entre diversas refeições e preferência por fontes contendo fibra alimentar (SBC, 2005). A importância da ingestão de grãos integrais como fator de proteção para a SM foi confirmada em alguns estudos de coorte (Mckeown et al., 2004) . No estudo Framingham Offspring Cohort (Mckeown et al., 2004) o maior consumo de alimentos ricos em fibras (particularmente de grãos integrais de cereais) foi negativamente associado com a resistência à insulina e com menor prevalência da SM. Em indivíduos idosos a ingestão diária mais do que três porções de alimentos ricos em grãos integrais por dia foi associada à menor freqüência de SM e um menor risco de mortalidade por doenças cardiovasculares (Sahyoun et al., 2006). No Brasil, um estudo transversal realizado na população nipo-brasileira demonstrou que o consumo de gordura total aumentou, enquanto que o consumo do acido graxo poliinsaturado linoléico reduziu a chance para a presença de SM (Freire et al., 2005). Outro estudo brasileiro também transversal com pacientes DM2 demonstrou que o consumo de alimentos rico em fibras solúveis, representados pelos grãos integrais e frutas, foi um fator de proteção para a presença da SM (Steemburgo et al., 2006). A dieta mediterrânea (rica em grãos integrais, legumes, frutas, vegetais e nozes, azeite de oliva e peixes) foi comparada com a dieta recomendada pela American Heart Association (2005) gordura total < 30% do valor energético total, ao final de dois anos o numero de componentes da SM foi menor nos pacientes que seguiram a dieta mediterrânea (Esposito et

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al. 2004). Já em um ensaio clinico de menor duração, a dieta Dietary Approaches to Stop Hypertension – DASH (Sacks et al., 2001) foi mais efetiva na melhora do perfil de todos os

componentes da SM (reduções da cintura abdominal, peso, triglicerídeos, níveis pressóricos e aumento do HDL-c) quando comparada como uma dieta controle e com uma dieta hipocalórica para perda de peso (Azadbakht et al., 2005). Alem disso, a alteração na fonte de carboidratos da dieta provavelmente independente do conteúdo de fibras, foi capaz de modificar a resposta das células beta pancreática à glicose (Laaksonen et al., 2005). Diante do exposto os fatores dietéticos podem exercer um papel fundamental tanto nos componentes individuais como a prevenção e controle da SM (Steemburgo et al., 2007).

2.5 Circunferência da cintura e a importância da avaliação da distribuição da gordura