De acordo com Moita, (2007) as peças obtidas por injeção em moldes podem apresentar vários defeitos. Esses defeitos podem ter várias origens: erros na produção do molde ou projeto mal realizado, má escolha dos parâmetros de injeção, material em más condições ou inapropriado para a peça em questão e má manutenção ou incapacidade da máquina de injeção. De seguida apresentam-se alguns desses defeitos mais comuns e uma breve definição do defeito e qual a sua causa (Moita, 2007):
Pontos pretos - Pontos pretos em toda a superfície da peça. Particularmente distintos quando o material é transparente (Figura 3.36 (a)). A origem deste defeito está relacionada com a degradação do polímero (que se está a processar ou a purga do material anterior foi mal feita);
Degradação de material - Aparecimento de descolorações na superfície da peça que vão da cor amarela à preta. A causa é a degradação térmica do plástico derretido;
Linhas de material frio - Material frio, proveniente do bico de injeção ou do canal quente originam marcas na peça com a forma de uma cauda de cometa;
Deformação na desmoldagem - A peça não é uma reprodução exata da cavidade, apresentando zonas deformadas. Dependendo do grau dos danos apresentados pela peça estas deformações podem ser classificadas como: marcas de extratores, contração e fraturas; Queimados – Pontos pretos, amarelos (em peças brancas ou
transparentes) e manchas brancas (em peças pretas) do queimado são visíveis na superfície da peça (Figura 3.36 (b)). Este problema aparece na sequência de uma má ventilação do molde. Resultantes do aprisionamento de gases dentro do molde;
Rebarba – O excesso aparece ao longo da linha de partição, das saídas de escape de gases e dos ejetores. A peça moldada possui o excesso de material sob a forma de uma película fina (Figura 3.36 (c));
Falta de enchimento – Não existe um enchimento completo da cavidade. Este tipo de defeito aparece geralmente distante do ponto da injeção nas peças com um comprimento de fluxo longo e de baixas espessuras. Na maioria das vezes advém de falta de gases de escapes, os gases ficam aprisionados na cavidade (Figura 3.36 (d));
Jetting – Mancha (fluxo) estreita e ondulada com origem no ponto de injeção e de comprimento variável (por vezes pode apresentar uma geometria semelhante ao serpentear de uma cobra). Causa frequentemente diferenças na cor, no brilho ou textura;
Peça sem brilho – A superfície da peça não tem um acabamento uniforme, apresentando zonas com diferentes brilhos. Temperaturas não adequadas e pressões baixas podem provocar a falta do brilho desejado;
Chupados – Este defeito surge devido a contração de material. Surge com maior frequência em zonas com ribs, onde a acumulação de material é mais intensa (Figura 3.36 (e));
Ruben Alexandre da Costa Mota - 59 -
Empeno – A peça obtida não corresponde às especificações de projeto, apresentando-se de uma maneira geral empenada. A principal causa de empeno ocorre devido a um arrefecimento deficiente e não suficiente da peça (Figura 3.36 (f));
Linhas de soldadura – A peça apresenta as linhas de união de fluxo enrugadas tornando-a mais frágil nessa zona (Figura 3.36 (g)); Adesão – A peça não é ejetada e permanece agarrado ao molde; Gito preso – Após a injeção da peça o gito permanece preso aos
canais de injeção.
(a) (b) (c)
(d) (e) (f)
(g)
Figura 3.36 – Exemplos de defeitos que podem ocorrer nas peças, pontos negros (a), queimados (b), rebarba (c), falta de enchimento (d), chupados (e), empeno (f) e linhas de soldadura (g) (Centimfe, 2003).
Ruben Alexandre da Costa Mota - 61 - desenvolvidas no estágio
Capítulo 4
Atividades
desenvolvidas no
Estágio
4.1 - Introdução
Ao longo dos vários meses de estágio essencialmente em duas áreas, manutenção de moldes e injeção (produção), procurou-se fazer a integração em várias funções que permitissem futuramente responder ao tema principal proposto, otimização de máquinas e moldes para processos de alta qualidade. Dado que o objetivo principal é obter um processo de alta qualidade, através da otimização do molde e da rentabilidade do processo de injeção/máquina de injeção, a passagem pela manutenção de moldes e na produção na área da injeção, permitiu o contacto direto e conhecer a realidade dos moldes, sua manutenção, do processo produtivo e várias etapas até à obtenção do produto pretendido.
Após detalhada análise e informação reunida dos vários exercícios realizados ao longo do estágio, este capítulo incide, na explicação fundamentada das atividades que se desenvolveu durante esses meses, relatando cada função desempenhada e atenções a ter, e se possível modificar/otimizar processos ou pequenas ações, de forma obter um produto com melhor qualidade e com igual ou superior rentabilidade. Sendo assim, este capítulo está dividido entre o sector Produtivo e o Sector da Manutenção.
Na produção aborda-se, o arranque do processo numa máquina de injeção até começar a produzir com um processo estável e automático, quais os fatores que influenciam e cuidados a ter para obtenção de peças sem defeitos, problemas típicos do processo de injeção e soluções aplicadas para evitar ou corrigir esses problemas.
Na segunda parte, manutenção, apresenta-se os cuidados a ter na manutenção dos moldes, como é feita e tipos de manutenção e também se aborda a eficácia e eficiência na mudança de moldes e do sistema de montagem de moldes na máquina. O último tópico da manutenção poder-se-ia inserir na produção, até faria mais sentido pois é uma etapa do processo de produção e ocorre na área da injeção, mas de qualquer forma o molde é o destaque nesse tópico, logo decidiu- se colocar na parte da manutenção de moldes. Sempre que possível tentar-se-á introduzir algumas propostas de otimização das funções desempenhadas ou de modificação de algumas ações facilitando-as ou até mesmo eliminando-as no caso de não apresentar valor acrescentado ao longo do processo.
4.2 - Produção
Na Figura 4.1 representa-se o diagrama do processo de produção na Iber-Oleff, em que engloba várias etapas processuais desde a obtenção da matéria-prima até ao envio do produto final e receção por parte do cliente nas suas instalações. O processo de produção de componentes técnicos para a indústria automóvel não difere muito de outras realidades mesmo fora da área dos plásticos, sendo sempre subdividido em várias etapas processuais, em que todas elas são dependentes entre si.
Ruben Alexandre da Costa Mota - 63 - Figura 4.1 - Diagrama do processo de produção na Iber-Oleff (Gonçalves, 2013)
O processo de produção (Figura 4.2) divide-se em três etapas de maior importância, a injeção, a decoração/pintura e a montagem. As várias atividades desempenhadas e processo de produção serão abordadas de uma forma estruturada, que será iniciada por uma breve descrição que consiste na função e suas responsabilidades, seguidamente será apresentada em forma de instrução de trabalho os passos que se efetuam em cada função, por via a obter um correto procedimento. No fim de cada função, alguns pontos que carecem de maior atenção, são analisados e explicados em maior detalhe com exemplos do conhecimento adquirido ao longo do estágio. Serão descritas as melhorias e como aplica-las nos casos em que se observa que existe uma capacidade de melhoria ou necessidade de alteração de alguma função.
Figura 4.2 - Área de injeção (Gonçalves, 2013)
Na área de injeção, a produção é assegurada pelo processo de injeção propriamente dito - máquinas de injeção, pré-montagens e embalagem final do
produto, quando a peça injetada é produto acabado. A manutenção de moldes não está inserida na produção, mas está diretamente ligada ao processo de produção na área de injeção, uma vez que aquando do término da produção das peças o molde é retirado da máquina e encaminhado para a manutenção, para ser limpo e protegido até à próxima produção. Antes de iniciar o processo de injeção e arrancar com a produção de forma automatizada, há necessidade de preparação prévia de algumas etapas, respeitando os procedimentos - métodos operatórios. Estes procedimentos estão estabelecidos com o objetivo de evitar erros, criar uma linha de tempo e promover assim a organização das tarefas e sobretudo para atingir elevados níveis de qualidade no produto final.
Ao nível da produção as funções realizadas ao longo do estágio foram as seguintes: Operador de máquina;
Instalação de moldes;
Arranque de máquina de injeção e processo de injeção.
Todas as ações ou funções descritas, nos próximos subcapítulos serão sempre relativos à Iber-Oleff, demonstrando como se deve fazer e quais os procedimentos efetuados ao desempenhar essa função ao longo do estágio.