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III. PREFACE

4.2   R ESEARCH METHOD

A obra Viagem ao centro da Terra, de 1864, teria sido inspirada em uma viagem que Jules Verne havia realizado para a Noruega e outros países escandinavos. Trata-se de um romance de ficção científica, repleto de termos geológicos, mineralógicos, paleontológicos e referências culturais e históricas, que se tornou um clássico da literatura infantojuvenil. De acordo com Viana (2013), por causa dessas referências e pelo projeto pedagógico da editora Hetzel, quando publicado, o livro era acompanhado de um manual de mineralogia.

A história é narrada pelo jovem alemão Axel Lidenbrock, sobrinho de Otto Lidenbrock, um importante professor de mineralogia e geologia. Os dois, após decifrarem um

25 Informações disponíveis em <http://www.unesco.org/xtrans/bsstatexp.aspx?crit1L=5&nTyp=min&topN=50>. Acesso em: 15 jun. 2014.

26 Le parfait prototype de ce citoyen du monde sur lequel compte l’humanité pour faire passer un message de

misterioso criptograma, encontrado em um manuscrito antigo e deixado por Arne Saknussemm,27realizam uma grande viagem da Alemanha até a Islândia, passando por vários pontos do mapa, como Copenhague, antes de enveredarem-se, com a ajuda de um guia, pelo interior de um vulcão extinto, o Sneffels, e atingir o centro da Terra. É então que os três personagens vivem várias aventuras e se depararam com situações inusitadas, como a presença de monstros marinhos, até conseguirem voltar à superfície por meio de outro vulcão, o Stromboli, mas agora na Itália. Brion (1969) classifica também o romance como de iniciação e formação, em que Axel

é o metal pobre que deve ser forjado no fogo da terra (o vulcão), lavado e endurecido na água do mar interior subterrâneo, martelado pelos perigos; é informe e só receberá sua forma através do contato violento com as provações; até então é maleável, sem um perfil nítido, sem consistência. A aventura lhe dá seu rosto, seu significado, seu ser verdadeiro. (p. 37)

Mesmo com a história baseando-se em teorias científicas questionáveis, como a de que a Terra seria na verdade oca, com um subterrâneo cheio de vegetações e animais pré- históricos, o livro continua sendo publicado e traduzido em muitos países. Prova do sucesso que a obra fez e faz pelo mundo é o fato de a entrada do vulcão Sneffels ter-se tornado um local de ―peregrinação‖, como afirma Jean Verne (2008), bisneto do escritor. Jules Verne parecia já prever o êxito que sua obra teria, visto que, por meio de um recurso metalinguístico, no fim do livro, pode-se ler a seguinte afirmação do narrador:

Para concluir, devo acrescentar que esta Viagem ao centro da Terra fez enorme sucesso no mundo inteiro. Foi impresso e traduzido em todas as línguas; os jornais mais prestigiados publicaram seus principais episódios, que foram comentados, discutidos, criticados e sustentados com igual convicção tanto pelos crentes quanto pelos descrentes. (tradução de Cid Knipel Moreira - VERNE, 1994, p. 229, sublinhado nosso) 28

27 Ainda que alguns acreditem na real existência desse personagem, de acordo com vários autores, como Paumier (2008), o alquimista islandês do século XVI seria um personagem fictício, fruto da imaginação de Verne. 28 Pour conclure, je dois ajouter que ce Voyage au centre de la terre fit une énorme sensation dans le monde. Il

O romance ganhou adaptações cinematográficas e para séries televisivas. Para o cinema os filmes mais célebres são os norte-americanos: o do diretor Henry Levin, de 1959; e a versão mais atual e repleta de efeitos especiais, de 2008, do diretor Eric Brevig. Diferentemente do livro, nesses dois filmes, o ponto de partida para o centro da Terra são os Estados Unidos, e não a Alemanha. Outra diferença entre o que se vê nos filmes e o que se lê no romance é a forma como a mulher apresenta-se na história. Enquanto no livro a figura feminina tem a função de apoiar e esperar os personagens principais em casa, nos dois filmes, os aventureiros são acompanhados por uma jovem. Tal questão da presença da mulher no decorrer da viagem é criticada por Brion (1969), pois, na sua visão,

a presença de uma mulher entre os exploradores no filme [pela data em que foi publicado o texto, o autor certamente referia-se à versão de 1959] extraído da Viagem de Verne é um contrasenso e um erro monumental: a mulher, a ‗dama‘, permanece sempre imóvel no ponto de partida da aventura e o círculo, ao se fechar, encontra-a no mesmo lugar. (p. 36, negrito do autor)

De fato, na obra, Graüben, uma das poucas personagens femininas, incentiva os aventureiros a fazer a viagem e até demonstra vontade de acompanhá-los, mas permanece na Alemanha esperando seu noivo Axel.

É possível encontrar também versões da obra em formato de história em quadrinhos, e, recentemente, no Brasil, foi lançada uma edição em cordel, publicada em 2009, pela editora Nova Alexandria.

Desde o século XIX, os livros de Verne nunca deixaram de ser traduzidos, adaptados e reeditados no território nacional. Em uma busca no acervo digital da Fundação Biblioteca Nacional, verificou-se que a obra que constitui o corpus do presente trabalho foi publicada, no épisodes, qui furent commentés, discutés, attaqués, soutenus avec une égale conviction dans le camp des croyants et des incrédules (VERNE, 1865, p. 472).

Brasil, ao menos uma vez por década, a partir de 1960, sendo que as primeiras edições, da Livraria Garnier, remontam ao século XIX.

No item seguinte, será apresentada a metodologia do trabalho. O método de análise tanto dos elementos paratextuais quanto dos excertos das traduções será o comparativo, e se baseará em autores como Genette (2009) e Venuti (1995 a, 1995b, 1996 e 2002).