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1. Introduction

1.7 Enterobacteriaceae

1.7.1 Escherichia

Pode-se confirmar o que foi dito anteriormente, que “Vossa mercê” era usado como pronome de tratamento de 2ª pessoa com verbo em 3ª pessoa. Só foram encontradas ocorrências relacionadas às 3ª P. S. e 3ª P. P., no que diz respeito aos verbos, e 2ª P.S. em referência ao discurso. Por exemplo:

P3

(70) “... eu quero pedir a Vossa mercê me mandasse dar uma surra pelo que fiz...”. (Queluz, Jornal de Queluz, 1929, p. 1, ed. 184). *grifo nosso - Me mandasse: verbo em 3ª P. S. / discurso do falante em 2ª P. S.

(aquele com quem se fala);

“ANCÊ”

Esse termo também é usado como pronome de 2ª pessoa relativo a um verbo de 3ª pessoa. Exemplos:

P2

(71) “qui ancê tem qui tá tão bravo?.”. (Ouro Preto, Liberal Mineiro, 1882, p. 3, ed. 26). *grifo nosso P3

(72) “Sò sí ancê fallá a m’ea linga...”. (Paraopeba, Gazeta de Paraopeba, 1937, p. 10, ed. 1458). *grifo nosso P4

(73) “_...ondé qui ancê andara qui tem mais de quato sumana qui nóis num sincronta?”. (Nanuque, Folha de

Nanuque, 1967, p. 3, ed. 189). *grifo nosso

“MECÊ”

O “Mecê” segue os mesmos indícios dos termos anteriormente descritos, fator já explicado anteriormente, e exemplificado abaixo:

P2

(74) “Titia, vovó disse mecê é muito feia, é uma cascavel.”. (Juiz de Fora, Echo do Povo, 1882, p. 3, ed. 48).

*grifo nosso

P3

“VACÊ”

Também apresentou verbos em 3ª P. com discurso de 2ª P. Exemplo:

(76) “... espere um pôco que vacê pega ela...”. (Paraopeba, O Buraco, 1946, p. 1, ed. 149). *grifo nosso

“VANCÊ”

A afirmativa também se confirma em relação a esse termo. Exemplo:

(77) “Vancê não vio quando chegou a noticia...?”. (Ouro Preto, Noticiador de Minas, 1869, p. 3, ed. 145). *grifo

nosso

Nos P2, P3 e P4, encontramos “Vancê” em frases em que o pronome estava expresso no plural e o verbo no singular, como se pode observar nas ocorrências abaixo. Exemplos:

(78) “-Vancê não sabem.”. (Ouro Preto, Noticiador de Minas, 1869, p. 3, ed. 95). *grifo nosso

(79) “Pois vancês sabe qui no lugá tem turidade...”. (Ouro Preto, Liberal Mineiro, 1882, p. 3, ed. 26). *grifo

nosso

(80) “Visto que vances não que me attendê...”. (Ouro Preto, Liberal Mineiro, 1882, p. 3, ed. 26). *grifo nosso (81) “Nesse caso vances faz aquillo que quisé...”. (Ouro Preto, Liberal Mineiro, 1882, p. 3, ed. 26). *grifo nosso “VOCEMECÊ/VOSSEMECÊ”

Apresentou frequências apenas referentes à 3ª P.S., no que diz respeito aos verbos encontrados na frase, e 2ª P.S. no que diz respeito à pessoa do discurso, seguindo o mesmo padrão dos termos anteriores, como mostra os exemplos abaixo:

(82) “É vocemecê uma rapariga que foi tocada pela eletricidade... ?”. (Ouro Preto, Diário de Minas, 1874, p. 3, ed. 240). *grifo nosso

(83) “E vossemecê – traz! Quebra a corda e vai so com os diabos...”. (Ouro Preto, Jornais de Ouro Preto, 1882, p. 3, ed. 87). * grifo nosso

“VOSSÊ”

Também segue o padrão dos termos anteriores, ou seja, são pronomes de tratamento de 2ª pessoa usados com verbos de 3ª pessoa, como mostra o exemplo que se segue:

“OCÊ”

Quanto a este termo, também se confirmam as afirmações anteriores, sobre ser um pronome de 2ª pessoa usado com verbos em 3ª pessoa. Exemplo:

(85) “E ocês pensa qu’a gente não tem mais que fazê...”. (Juiz de Fora, Correio de Minas, 1898, p. 3, ed. 9). *

grifo nosso

No P2, P3 e P4 encontramos frases em que o pronome não concordava com o verbo, como se pode observar nas ocorrências abaixo. Exemplos:

(86) “E ocês pensa qu’a gente não tem mais que fazê...”. (Juiz de Fora, Correio de Minas, 1898, p. 3, ed. 09).

*grifo nosso

(87) “Ocês não tá vendo que aqui hoje não tem nada?”. (Nanuque, Folha de Nanuque, 1963, p. 6, ed. 38). *grifo

nosso

Os exemplos acima e o corpus em anexo nessa pesquisa corroboram com as afirmativas de que o “Você” é um pronome de tratamento de 2ª pessoa com verbo de 3ª pessoa, mostrando que isso se aplica a todas as variantes dos termos “Vossa Mercê”, encontradas nesse trabalho.

As demais pessoas do discurso (1ª e 3ª pessoa do singular e do plural) não foram encontradas em nenhum momento no corpus da pesquisa. Por isso, foi tratada apenas a 2ª pessoa do discurso, aquela com quem falamos. De acordo com os dados, percebe-se que o singular se sobrepõe ao plural e que existe um aumento significativo em seu uso, à medida que aumenta o número de ocorrências nos períodos finais.

Outro fato a ser descrito é que as ocorrências sempre apareceram em discursos diretos ao interlocutor, sejam nas transcrições de diálogos, cartas, crônicas, ou qualquer GT encontrado nesta pesquisa, até mesmo nos anúncios em que o autor busca um contato mais direto com o leitor.

3.1.3 GÊNERO (MASCULINO - GM / FEMININO - GF)

Em relação ao gênero, é necessário esclarecer que, num único texto, podem ser encontradas inúmeras ocorrências, como mostra o quadro abaixo:

Quadro 5 - Exemplo da coleta de dados

n. Trecho Edição Ano Página Observações

1 ...novos quesitos para você responder... 183(1) 1890 1 Texto intitulado “Estudinhos da Lingua Portuguesa”. Autor: Padre Senna Freitas. Diálogo. 2 Qual o sentir de você sob a

generação de termos...

Idem Idem Idem Idem

3 Admite você a seguinte locução...

Idem Idem Idem Idem

4 ...pelo que respeita a 2ª frase do quesito que você me faz.

Idem Idem Idem Idem

5 Não entende você que é indiferente dizer melhor ou mais

bem?

184(1) Idem Idem Idem

6 Continuando a interrogar você sobre as impressões de uma leitura feita hontem...

Idem Idem Idem Idem

7 Veja você Boullet... Idem Idem Idem Idem

8 Não acha você soberanamente reprovável tal repetição...

185(1) Idem Idem Idem

O autor do texto e os personagens também podem ser um só para essas ocorrências, como expresso acima. Por se tratar de um suporte jornalístico, dificilmente se saberá sobre a procedência do autor, mas os personagens são facilmente caracterizados, quando expressos no texto.

Abaixo, as tabelas indicam a frequência referente aos gêneros do termo “Você”, em que Masc. se refere a masculino; Fem. feminino; Indet. (anúncio) são os gêneros indeterminados que se referem aos anúncios publicitários; Indet. (pseudônimo) se referem aos textos cujo autor não é identificado ou usa um pseudônimo.

Quanto aos personagens, M↔M é a interação entre falantes do gênero masculino; F↔F, entre falantes do gênero feminino; F↔M, entre falantes de gêneros opostos; e por fim Indet. (A↔L) que representa a comunicação entre os personagens não identificados, pois estes fazem parte da relação autor↔leitor.

Tabela 8 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Você” por período

AUTOR PERSONAGEM (NS)

Masc. Fem. Indet. (a) Indet. (p) M↔M F↔F F↔M

Indet. (A↔L) Total n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % P1 2 1,7 0 0 0 0 9 4,8 8 7,4 0 0 0 0 3 1,2 11 2,8 P2 32 27,1 3 20 0 0 57 30,3 61 57 5 62,5 10 45,5 16 6,1 92 23,2 P3 34 28,8 6 40 16 21,1 43 22,9 19 17,8 2 25 10 45,5 68 26,2 99 24,9 P4 50 42,4 6 40 60 78,9 79 42 19 17,8 1 12,5 2 9 173 66,5 195 49,1 Total 118 100 15 100 76 100 188 100 107 100 8 100 22 100 260 100 397 100 % 29,7 3,8 19,1 47,4 27 2 5,5 65,5 100

A tabela acima mostra que o número total de “Autor” é o mesmo dos “Personagens”, por isso usamos apenas um valor total. Tal fato ocorre por levarem-se em consideração as relações sócio-pragmáticas existentes em cada texto analisado. Ou seja, em um único texto tem-se um autor específico, seja ele Masc., Fem., Indet. (a) ou Indet. (p) e nesse mesmo texto ocorrerá um tipo de relação entre os personagens, que podem ser M↔M, F↔F, F↔M e Indet. (A↔L). Portanto, os valores totais entre ambos sempre será o mesmo.

Sobre o termo “Você”, pode-se afirmar que o “Autor” Masc. é mais frequente no P4; o Fem. no P3 e P4; Indet. (a) só apareceu a partir do P3, sendo mais usado no P4; e Indet. (p) obteve maior frequência no P2. Em sua totalidade, a classificação Indet. (p) foi a maior, seguido do Masc., Indet. (a) e Fem., respectivamente.

Quanto aos “Personagens”, as relações M↔M, que mostram falantes do gênero masculino, as F↔F do gênero feminino e as F↔M, que são de gênero opostos, foram mais frequentes no P2, sendo a última com valores iguais, tanto no P2, quanto no P3. Já as personagens, indicadas por A↔L, que representam a interação autor x leitor, foram mais encontradas no P4. Das quatro classificações de “Personagens” a A↔L foi a mais encontrada, o que mostra que os textos eram escritos, em sua maioria, diretamente para o leitor. Exemplos:

(88) “... pois você acredita que meu compadre...”. (Ouro Preto, O Universal, 1830, p. 4, ed. 414). - AUTOR: indeterminado/ PERSONAGENS: masculinos (M↔M); um leitor narra a algazarra que ouviu entre dois telegráficos.

(89) “A isto respondeu-me voce não he Commandante...”. (Pouso Alegre, O Recopilador Mineiro, 1836, p. 5, ed. 343). - AUTOR: masculino / PERSONAGENS: indeterminados (A↔L); trata-se de uma carta de um leitor.

A tabela 9, abaixo, refere-se aos gêneros relativos ao “Vossa Mercê” ao longo dos períodos recortados:

Tabela 9 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Vossa Mercê” por período AUTOR PERSONAGEM (NS) Masc. Fem. Indet. (a) Indet. (p) MM FF FM Indet. (AL) Total n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % P1 4 44,4 0 0 0 0 1 16,7 2 40 0 0 0 0 3 42,9 5 33,3 P2 5 55,6 0 0 0 0 4 66,7 3 60 1 100 2 100 3 42,9 9 60 P3 0 0 0 0 0 0 1 16,6 0 0 0 0 0 0 1 14,3 1 6,7 P4 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 9 100 0 0 0 0 6 100 5 100 1 100 2 100 7 100 15 100 % 60 0 0 40 33,3 6,7 13,3 46,7 100

O “Vossa Mercê” apresentou maior número de autores Masc., principalmente no P2. Um fator a ser evidenciado é a falta de autores Fem. e também Indet. (a), mostrando que esse termo não apareceu em nenhum texto com caráter de anúncio ou propaganda.

Quanto aos “Personagens”, pode-se perceber que os falantes, em sua maioria, mostraram-se parte da relação autor↔leitor. Falantes masculinos também apresentaram uma frequência relevante. Exemplos:

(90) “De Vossa mercê affectuoso filho _”. (Leopoldina, O Leopoldinense, 1882, p. 3, ed. 37). - AUTOR: indeterminado (pseudônimo) / PERSONAGENS: masculinos (M↔M); Transcrição de uma carta de um filho para um pai.

(91) “... vossa mercè não me fez doação de um so vintém ?”. (Bagagem, O Palladio, 1886, p. 1, ed. 11). - AUTOR: indeterminado (pseudônimo) / PERSONAGENS: feminino (F↔F), sobrinha e tia; Texto Intitulado “Romance de uma Velha”. Por J. M. de Macedo.

Em seguida, tem-se o termo “Ancê”, descrito de acordo com os autores e os personagens encontrados na pesquisa ao longo dos quatro períodos.

Tabela 10 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Ancê” por período

AUTOR PERSONAGEM(NS) Masc. Fem. Indet. (a) Indet. (p) MM FF FM Indet. (AL) Total n. % n. % n. % n. % n. % n . % n. % n. % n. % P1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 P2 0 0 0 0 0 0 4 100 2 16,7 0 0 1 20 1 100 4 22,2 P3 2 14,3 0 0 0 0 0 0 2 16,7 0 0 0 0 0 0 2 11,1 P4 12 85,7 0 0 0 0 0 0 8 66,7 0 0 4 80 0 0 12 66,7 Total 14 100 0 0 0 0 4 100 12 100 0 0 5 100 1 100 18 100 % 77,8 0 0 22,2 66,7 0 27,7 5,6 100

Observando os autores referentes ao “Ancê”, pode-se dizer que o gênero Masc. predominou nesse termo. Não foram encontrados nem autores Fem. e nem Indet. (a). Em relação aos personagens, observa-se que a maioria foram M↔M, seguido de F↔M. Poucos textos foram escritos buscando uma interação com o leitor. Exemplos:

(92) “_<< Agora fico sabendo que ancê no peito tem boca>>”. (Ouro Preto, Jornais de Ouro Preto, 1888, p. 4, ed. 524). - AUTOR: indeterminado (pseudônimo) / PERSONAGENS: um casal (F↔M); Diálogo. Sem autoria.

(93) “que inté é u’a esmola mecê deixa eu i inté lá...”. (Paraopeba, Gazeta de Paraopeba, 1936, p. 3, ed. 1444). - AUTOR: Masculino / PERSONAGENS: Masculino (um caipira / um chefe de trem); Texto sem título. Autor: CORNELIO PIRES.

A tabela 11 ilustra a análise referente ao termo “Mecê” em relação aos gêneros acima descritos.

Tabela 11 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Mecê” por período

AUTOR PERSONAGEM (NS) Masc. Fem. Indet. (a) Indet. (p) MM FF FM Indet. (AL) Total n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % P1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 P2 1 12,5 0 0 0 0 1 20 1 12,5 1 100 0 0 0 0 2 41,7 P3 3 37,5 0 0 0 0 2 40 2 25 0 0 0 0 3 100 5 25 P4 4 50 0 0 0 0 2 40 5 62,5 0 0 1 100 0 0 6 33,3 Total 8 100 0 0 0 0 5 100 8 100 1 100 1 100 3 100 13 100 % 61,5 0 0 38,5 61,5 7,7 7,7 23,1 100

Em relação ao “Mecê”, observamos que só foram encontrados textos com autores Masc. e Indet. (p), sendo o primeiro mais frequente. Já os personagens apresentaram os quatro tipos de relações aqui descritas entre os falantes, mas M↔M apresentou-se mais recorrente. Exemplo:

(94) “_Mais, vendo mecê, nhô Rosa, eu, logo, se rependi.”. (Uberaba, Lavoura e Commercio, 1934, p. 16, ed. 6246) - AUTOR: Masc. Fontoura COSTA. / PERSONAGENS: Amigos (M↔M); Diálogo.

A tabela abaixo indica os valores referentes ao “Vacê” em relação aos gêneros pesquisados:

Tabela 12 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Vacê” por período AUTOR PERSONAGEM (NS) Masc. Fem. Indet. (a) Indet. (p) MM FF FM Indet. (AL) Total n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % P1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 P2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 P3 1 25 0 0 0 0 0 0 1 50 0 0 0 0 0 0 1 16,7 P4 3 75 1 100 0 0 1 100 1 50 1 100 0 0 3 100 5 83,3 Total 4 100 1 100 0 0 1 100 2 100 1 100 0 0 3 100 6 100 % 66,6 16,7 0 16,7 33,3 16,7 0 50 100

Como nos termos anteriormente descritos, no “Vacê” o tipo de autor mais recorrente nos textos foi o Masc. e os personagens mais encontrados nesses textos foram os Indet. (axl), mostrando um caráter de interação entre o autor e o leitor, indicando textos com objetivos mais literários e com autoria expressa. Exemplos:

(95) “Vacê põe ua pedra cerrano os carrero das furmiga...”. (Paraopeba, O Buraco, 1946, p. 1, ed. 149). - AUTOR: Masc. Cornelio Pires. / PERSONAGENS: Indefinido (A↔L); Crônica (“causo”).

Relacionado ao “Vancê”, pode-se apresentar a seguinte tabela:

Tabela 13 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Vancê” por período

AUTOR PERSONAGEM (NS) Masc. Fem. Indet. (a) Indet. (p) MM FF FM Indet. (AL) Total n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % P1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 P2 4 18,2 0 0 0 0 11 57,9 7 58,3 0 0 2 25 6 28,6 15 36,6 P3 7 31,8 0 0 0 0 3 15,8 1 8,3 0 0 4 50 5 23,8 10 24,4 P4 11 50 0 0 0 0 5 26,3 4 33,4 0 0 2 25 10 47,6 16 39 Total 22 100 0 0 0 0 19 100 12 100 0 0 8 100 21 100 41 100 53,7 0 0 46,3 29,3 0 19,5 51,2 100

Referente a este termo, pode-se perceber que o uso de autores Masc. e Indet. (p) é quase equivalente, não possuindo textos cuja autoria é Fem. ou Indet. (a). Quanto aos personagens, a única relação entre os falantes não encontrada foi a do gênero feminino, sendo que a com maior frequência foram as Indet. (A↔L).

Exemplos:

(96) “Vancê não vio quando chegou a noticia...?”. (Ouro Preto, Noticiador de Minas, 1869, p. 3, ed. 95). - AUTOR: Indefinido (pseudônimo) / PERSONAGENS: vizinhos (M↔M); Crônica.

Abaixo, a tabela indica o termo “Vocemecê/Vossemecê” descrito como os anteriores:

Tabela 14 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Vocemecê/Vossemecê” por período

AUTOR PERSONAGEM (NS) Masc. Fem. Indet. (a) Indet. (p) MxM FxF FxM Indet. (A X L) Total n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % P1 1 16,7 0 0 0 0 0 0 1 16,7 0 0 0 0 1 100 2 16,7 P2 3 50 0 0 0 0 6 100 3 50 2 100 3 100 0 0 8 66,7 P3 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 P4 2 33,3 0 0 0 0 0 0 2 33,3 0 0 0 0 0 0 2 16,6 Total 6 100 0 0 0 0 6 100 6 100 2 100 3 100 1 100 12 100 50 0 0 50 50 16,7 25 8,3 100

Os termos “Vocemecê/Vossemecê” mostraram resultados equivalentes em relação aos únicos tipos de autores encontrados, o Masc. e o Indet. (p). Quanto aos personagens, houve predominância das relações M↔M em relação as demais. Exemplo:

(97) “Imagine vocemecê o assombramento de vosso compadre...”. (Baependi, O Baependiano, 1883, p. 2, ed. 284). - AUTOR: Indefinido (pseudônimo) / PERSONAGENS: duas comadres (F↔F); Carta.

A tabela abaixo indica os autores e personagens do termo “Vossê”.

Tabela 15 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Vossê” por período

AUTOR PERSONAGEM (NS) Masc. Fem. Indet . (a) Indet. (p) MM FF FM Indet. (AL) Total n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % P1 1 16,7 0 0 0 0 2 13,3 1 10 0 0 0 0 2 25 3 14,3 P2 5 83,3 0 0 0 0 12 80 9 90 3 100 0 0 5 62,5 17 81 P3 0 0 0 0 0 0 1 6,7 0 0 0 0 0 0 1 12,5 1 4,7 P4 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 6 100 0 0 0 0 15 100 10 100 3 100 0 0 8 100 21 100 % 28,6 0 0 71,4 47,6 14,3 0 38,1 100

Os autores encontrados no termo “Vossê” foram, em grande maioria, Indet. (p). os Masc. mostraram um baixo percentual e os Fem. e Indet. (a), nem se quer foram encontrados. Quanto aos personagens, pode-se afirmar que apenas as relações F↔M não foram encontradas e que a maioria dos textos apresentaram relações entre falantes do tipo M↔M. Exemplos:

(98) “E como vossê entende disto...”. (Ouro Preto, O Universal, 1828, p. 4, ed. 81). - AUTOR: Da Aurora, Indefinido (pseudônimo) / PERSONAGENS: o Rei Luiz XIV/seu Esmoler Mór (M↔M); Notícia.

Na tabela abaixo, se encontram os autores e os personagens referentes aos termos “Ocê” de acordo com os períodos pesquisados:

Tabela 16 - Gênero (masculino/feminino/indeterminado) referente ao uso do “Ocê” por período

AUTOR PERSONAGEM (NS)

Masc. Fem. Indet. (a) Indet. (p) MM FF FM

Indet. (AL) Total n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % n. % P1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 P2 3 13 0 0 0 0 1 20 3 25 0 0 0 0 1 12,5 4 13,8 P3 5 21,7 0 0 0 0 4 80 4 33,3 1 100 3 37,5 1 12,5 9 31 P4 15 65,3 0 0 1 100 0 0 5 41,7 0 0 5 62,5 6 75 16 55,2 Total 23 100 0 0 1 100 5 100 12 100 1 100 8 100 8 100 29 100 % 79,3 0 3,4 17,3 41,4 3,4 27,6 27,6 100

O “Ocê”, assim como muitos dos termos apresentados anteriormente, mostrou-se, na maioria dos textos, com autores Masc. Os personagens dos textos, referentes a esse termo, apresentaram todos os tipos de relações entre os falantes, mas como os demais termos, a com maior índice foi M↔M.

Exemplo:

(99) “...ocê manda o Zequía me buscá.”. (Paraopeba, 1936, p. 5, ed. 1406). - AUTOR: Ferreira Neto, Masc. / PERSONAGENS: marido > esposa (F↔M); Conto.

3.1.3.1 AUTOR

Os números significativos de gêneros indeterminados mostram uma característica dos textos jornalísticos, cujo maior interlocutor é o leitor. Os textos não são particulares e se dirigem, em sua maioria, a um público indeterminado.

Outro elemento diz respeito ao gênero masculino dos autores: os números são muito significativos, e mostram uma sociedade paternalista. O gênero feminino é quase inexpressivo, sendo comum apenas no termo “Você” e “Vacê”, mostrando que as mulheres tinham pouco espaço de atuação na sociedade, inclusive na imprensa.

Para corroborar com nossa afirmativa, os gráficos abaixo mostram os termos pesquisados e os autores encontrados por período, começando pelo termo “Você”.

Gráfico 8 - Autores relativos ao termo “Você”

O gráfico acima permite perceber que, os textos com autores Indet. (pseudônimos), textos de cunho literário, cujo autor usa pseudônimo ou não vem expresso, eram mais comuns nos períodos iniciais, sofrendo uma pequena queda no P3 e voltando a ter um aumento no período final. Já os autores Masc. foram mais frequentes a partir do P3. Os femininos só foram encontrados a partir do P2 e aumentaram significativamente, se estabilizando entre o P3 e P4. Por sua vez, os Indet. (anúncio) só foram encontrados no P3, sendo mais significativos nos períodos finais da pesquisa, onde ultrapassaram todas as demais classificações, eles se referem a propagandas e anúncios, o que possibilita notar que apenas no séc. XX os jornais começaram a ganhar as características que possuem atualmente, ou seja, passam a ser mais anunciativos e menos literários. Exemplos:

GM:

(100) “Assim, quando você e sua família passarem em frente ao monumento...”. (Conselheiro Lafaiete, O

Progresso, 1972, p. 5, ed. 1). - Artigo intitulado “Avante Herois!”. Autor: Alexandre Antônio

Nepomunceno.

GF:

(101) “Esta coluna foi criada para você que gosta e se interesse por decoração.”. (Conselheiro Lafaiete, O

Progresso, 1972, p. 7, ed. 2). - Coluna intitulada “Pagina Feminina”. Por Suzana.

Exemplo de gênero Indeterminado (pseudônimo): 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 1 2 3 4

AUTOR - VOCÊ

masc. fem. indet. (a) indet.(p)

(102) “Dia um tanto quanto agitado para você.”. (Uberlândia, O Triângulo, 1978, p. 2, ed. 3966). - Horóscopo diário.

Gênero Indeterminado (anúncio):

(103) “Você receberá um talão de cheque que lhe possibilitará...”. (Baependi, O Patriota, 1950, p. 1, ed. 1368). - Anúncio do Banco Itajubá S.A.

O gráfico abaixo mostra os tipos de autores relacionados na pesquisa ao termo “Vossa Mercê”.

Gráfico 9 - Autores relativos ao termo “Vossa Mercê”

O “Vossa Mercê” apresentou apenas textos com autores Masc. e Indet. (pseudônimo), mostrando que seu uso decorre de textos mais literários e não de textos com características jornalísticas. Os Masc. só ocorreram entre o P1 e o P2. Já o Indet. (pseudônimo) foi encontrado nos períodos em que o termo foi recorrente, com exceção do P4, onde o termo não foi mais encontrado nos textos, o seu ápice como Indet. (pseudônimo) aconteceu no P2. Exemplos:

GM:

(104) “... como apráz a vossa mercê acreditar.”. (Ouro Preto, Diário de minas, 1873, p. 1, ed. 58). - Romance intitulado “O Bandido do Rio das Mortes”, por Bernardo Guimarães, capítulo IV.

Gênero Indeterminado (pseudônimo): 0 10 20 30 40 50 60 70 80 P1 P2 P3 P4