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ERTMS IMPLEMENTATION FROM THE PERSPECTIVE OF JERNBANEVERKET'S PROGRAM 2006-2015

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5 IMPLEMENTATION OF ERTMS LEVEL 2 - SYSTEM

5.5 ERTMS IMPLEMENTATION FROM THE PERSPECTIVE OF JERNBANEVERKET'S PROGRAM 2006-2015

A reflexão e discussão conceitual sobre o conhecimento estão fundamentadas em princípios filosóficos da Teoria Geral do Conhecimento, apesar de os primeiros estudos sobre o conhecimento terem sido de natureza especulativa. Mesmo assim, as abordagens filosóficas sobre o conhecimento continuam sendo discutidas e pesquisadas, por fundamentarem as grandes linhas do pensamento e do conhecimento humano.

As concepções sobre a Teoria Geral do Conhecimento tiveram início no século XVII, quando esta tornou-se uma disciplina específica da Filosofia, constituindo-se numa interpretação e numa explicação filosófica do conhecimento humano (HENSSEN, 2003).

Neste sentido, a abordagem filosófica sobre o tema requer um repensar a estrutura filosófica do conhecimento e seus três grandes eixos dimensionais: a gnosiologia, ontologia, e a epistemologia. A gnosiologia trata da filosofia intelectual e se preocupa com a validade do conhecimento em função do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o objeto. Este

objeto é questionado pela ontologia, filosofia existencial preocupada com o ser. A epistemologia por sua vez se refere ao estudo do conhecimento relativo ao campo de pesquisa em cada ramo das ciências (WIKIPÉDIA, 2006).

Assim, percebeu-se que a Teoria Geral do Conhecimento faz parte e integra as preocupações dos pensadores antigos e modernos sobre o conhecimento numa perspectiva filosófica. Diante disso, procurou-se lançar um olhar mais acurado sobre o que já foi escrito e pensado sobre o tema, no sentido de possibilitar a adoção de uma perspectiva que viesse nortear o modelo epistemológico de estudo do conhecimento organizacional.

Essa abordagem levou a distinguir duas grandes tradições opostas, ainda que complementares sintetizadas aqui à luz dos entendimentos de Aranha & Martins (1993); Nonaka e Takeuchi (1997) & Chaui (2005), o racionalismo e o empirismo.

O racionalismo, método proposto por René Descartes (1596-1650), para a prática da ciência e do pensamento em geral, considera o conhecimento como produto de um processo mental e sua fonte é a razão, afirmando ser possível adquirir conhecimento por dedução, através do raciocínio. Este filósofo propôs quatro regras para o pensamento racional. A primeira consiste em não aceitar nada como verdadeiro: a segunda, dividir os problemas em partes e resolvê-los da melhor forma possível; a terceira, refletir a partir de coisas simples e avançar o grau de complexidade de análise das coisas ou objetos e, por fim, a última, registrar numericamente o maior número de informações e fazer análises gerais, de modo a não omitir nada. Entretanto, Immanuel Kant (1724-1804) defendia que, antes de tudo, era necessário estudar o que é a própria razão e indagar o que ela pode e o que não pode conhecer; o que é a experiência e o que ela pode e o que não pode conhecer, enfim, o que é a verdade.

O empirismo defendido por John Locke foi desenvolvido por David Lume (1711- 1776), que entendeu ser a identidade entre a ordem das coisas e a ordem das idéias resultado de hábitos mentais ou da crença que existe numa ligação entre os fenômenos. Modela-se aí uma crítica ao conceito de causalidade, com repercussões para os filósofos posteriores, a exemplo de Immanuel Kant, que considerou o conhecimento como a síntese do dado na sensibilidade do indivíduo, caracterizado pelo fenômeno, e daquilo que produz o entendimento por si, que são os conceitos. Com esse pensar, o conhecimento nunca é o conhecimento das coisas “em si”, mas das coisas no indivíduo.

Como John Locke, David Hume também reconheceu no campo da matemática um conhecimento independente da experiência e, portanto, válido de modo universal, apesar de todos os conceitos matemáticos serem provenientes da experiência. Entretanto, há entre eles relações que têm validade independentemente de qualquer experiência.

Nessa compreensão, o empirismo defendeu a possibilidade de aquisição do conhecimento por indução a partir de experiências sensoriais. Na antiguidade, as concepções empiristas surgiram com os pensadores sofistas, depois com os estóicos e epicuristas. Dos estóicos, partiu pela primeira vez, a comparação da alma ou espírito humano com uma tábua RAZA, na qual nada está escrito, ou seja, uma folha em branco sobre a qual a experiência irá escrever as impressões do mundo exterior. Na idade moderna, através da filosofia inglesa dos séculos XVII e XVIII, é que o empirismo chega a ter pela primeira vez um desenvolvimento sistemático. Seu verdadeiro fundador é John Locke (1632-1704), o que afirmou que o conhecimento começa do geral para o particular. A gênese do conhecimento (experiências) é a sensação e a reflexão que, por sua vez, geram idéias. Essas idéias, mesmo provenientes de sensações e reflexão, têm sempre na experiência a sua origem, idéia, aceita por Immanuel Kant, de que realmente o conhecimento se inicia com a experiência, entretanto, não resulta só da experiência.

Essas abordagens histórico-filosóficas têm suas raízes inseridas num conjunto de doutrinas que integraram a teoria geral do conhecimento, porém foram pouco compreendidas. Por isso, são polêmicas e geram especulações sobre a verdadeira origem, evolução e significado do conceito de conhecimento, conforme demonstra o Quadro 2.

Quadro 2 – Correntes Filosóficas do Conhecimento

Corrente Filosófica Pensadores Teses

René Descartes Conhecimento como produto de um processo mental e sua fonte é a razão. Racionalismo

Immanuel Kant Estudar o que é a própria razão e indagar o que ela pode e o que não pode conhecer.

John Locke A gênese do conhecimento (experiências) é a sensação e reflexão, que por sua vez geram idéias.

Empirismo

David Lume

A identidade entre a ordem das coisas e a ordem das idéias é o resultado de hábitos mentais ou da

crença (que existe) numa ligação entre os fenômenos. Immanuel Kant

A experiência é a base do conhecimento, apesar de este apenas surgir quando o pensamento lógico do racionalismo e a percepção sensorial do empirismo se unificam.

Friedrich Hegel

Conhecimento é gerado a partir da experiência sensorial filtrada através da relação dialética que, por intermédio das teses e antíteses, rejeita o que não é racional mantém o que é racional, chegando ao estado que ele denomina autoconhecimento do espírito absoluto, forma mais avançada do conhecimento.

Karl Marx

No processo de geração de conhecimento existe uma constante interação entre o sujeito e o objeto, sendo que o objeto sofre transformações no processo de se tornar conhecido.

Karl Popper A evolução do conhecimento consiste na passagem do conhecimento

filosófico para o científico Síntese das correntes

Thomas S. Kuhn História da ciência e da filosofia

Tais concepções filosóficas sugerem uma tendência para a conjunção da razão e da experiência, cuja confirmação é a configuração do pensamento científico moderno que começa a se objetivar.

Por conseguinte é inegável que os antecedentes do conhecimento localizam-se no advento da filosofia grega. Opinião que está em consonância com o pensamento de Almeida (2007). A partir daí, o conhecimento não repousa mais na especulação, mas, tem sua base na observação, experimentação e mensuração.

Com isso surgiu um novo percurso, onde o pressuposto da teoria geral do conhecimento como reflexão filosófica foi o de considerar o homem como racional consciente, haja vista ser a consciência um conhecimento (das coisas e de si), e um conhecimento desse conhecimento (reflexão). Assim sendo, apesar das diversidades de interpretação, esse fato conduziu a discussão para um novo entendimento sobre o conhecer, definido por Reale (2004 p.46) como:

Conhecer é trazer para o sujeito algo que se opõe ao objeto: - não toda realidade em si mesma, mas a sua representação ou imagem, tal como o sujeito a constrói, e na medida das ‘formas de apreensão’ do sujeito correspondente às peculiaridades objetivas.

Esses fragmentos que definem o conhecer integram conceitos subjetivos, polêmicos e especulativos dentro de determinado contexto histórico que pouco acrescenta à macro- discussão sobre a origem e evolução do conhecimento. É, portanto, uma busca pela possibilidade de uma realidade, ou talvez, da “verdade”.

São controvérsias existentes sobre os conceitos de conhecimento, não sendo o objetivo da pesquisa discutir a falta de consenso filosófico sobre a definição precisa do conhecimento. Na realidade, os antecedentes do conhecimento localizam-se no advento da filosofia grega.

Porém a literatura ainda não encontrou, pelo visto, uma resposta para a pergunta sobre a origem, significado e conceitos do conhecimento. Assim sendo admitiram-se alguns conceitos e definições do conhecimento com base nos princípios filosóficos, e em seguida em termos de pensamento econômico.

Sanchez & Heene (1996) definiram o conhecimento como o conjunto de crenças mantidas por um indivíduo acerca de relações causais entre fenômenos. Entenderam por relações causais as relações de causa-e-efeito entre eventos e ações imagináveis e prováveis conseqüências para aqueles eventos ou ações.

De acordo com Nonaka & Takeuchi (1997), o conhecimento é um processo mental ideal, originado de conhecimentos anteriores, admitindo-se que a verdade se instala a partir de argumentações. No entanto, seguindo a epistemologia tradicional, adotaram a definição de conhecimento como “crença verdadeiramente justificada”, respaldada na obra de Platão, apesar de algumas restrições por parte de pesquisadores atuais, como: Aranha & Martins (1993), que questionam se a crença na verdade de uma coisa não constitui o verdadeiro conhecimento dessa coisa, por isso, existe a possibilidade de essa crença estar errada.

Davenport & Prusak (1998) consideraram o conhecimento como um conjunto de experiências, valores, informação contextualizada, bem como idéias que provêm de um marco ou estrutura mental para avaliar e incorporar novas experiências e informações.

Von Kroh & Nonaka (2001) procuraram organizar um conceito de conhecimento considerando que:

• O conhecimento é crença verdadeiramente justificada em razão de os indivíduos justificarem a veracidade de suas crenças com base nas observações que fazem do mundo a partir da realidade e de forma concreta;

• O conhecimento é algo abstrato; • O conhecimento é explícito e tácito;

• O conhecimento depende de um contexto facilitador da capacitação, que oportunize relacionamento e troca de informações.

Porém, Oliveira Junior (2006, p.4) fez referência nos seus estudos teórico-empíricos em empresas multinacionais sobre as definições acerca do conhecimento individual e organizacional, atribuindo-lhes dois objetivos:

Primeiro, explicar que a relevância estratégica do conhecimento nunca é algo dado, absoluto ou determinístico, mas apenas existe em forma de crenças baseadas em avaliações de possíveis relações causais entre os fenômenos. Segundo, reconhecer que o conhecimento é originado e existe na mente de indivíduos, mas as organizações podem possuir conhecimento em várias formas que são compreendidas por mais de um indivíduo.

À luz do exposto, percebeu-se que o conceito de conhecimento numa visão genérica vem sendo tratado no nível dos processos mentais conscientes que, no entendimento de Almeida (2007), mobiliza as principais capacidades e disposições da mente humana como: percepção, sensibilidade, imaginação, abstração e memória principalmente, associadas com o que alguns autores tratam como conhecimento tácito. Esse tipo de conhecimento integra uma das classificações mais conhecidas de dimensões de conhecimento humano apresentada por Polanyi (1967) & Spender (1996), conhecimento tácito e conhecimento explícito.

O conhecimento tácito se adquire através da experiência estando relacionado com os sentidos. É pessoal, difícil de formalizar e comunicar, aspectos que dificultam a transmissão e o compartilhamento. Para esse autor é um conhecimento adquirido por “osmose”, comparado com o conhecimento de um indivíduo que entra numa organização nova e inicia uma atividade diferente.

O conhecimento explícito pode ser codificado, estruturado e expresso por meio de palavras e números. É sistemático e transferível através da linguagem formal, pode ser facilmente comunicado e compartilhado. Compreende as fórmulas científicas, procedimentos codificados, regras gerais do negócio, normas técnicas da organização patentes, e relacionamentos com clientes, além de outros dados formais e sistematizados.

Almeida (2007) considerou três definições para o conhecimento: o conhecimento conceitual compreendendo os conceitos, as noções, as teorias, leis, regularidades, relações e significados; conhecimento operacional aquele que incorpora as práticas de aplicação das metodologias, técnicas e procedimentos que podem ser utilizados e combinados; o conhecimento instrumental por incorporar uma variedade de instrumentos e técnicas aplicáveis. Entretanto, afirmou com base na literatura sobre o tema que parte significativa do conhecimento nas organizações é tácito e gera-se através das experiências do trabalho diário, em que as pessoas mantêm uma rede de significados partilhada.

Nessa linha de raciocínio, Nonaka e Takeuchi (1997) desenvolveram uma estrutura conceitual que compreende duas dimensões: a dimensão ontológica e a dimensão epistemológica. A dimensão ontológica apóia-se no conhecimento dos indivíduos e constitui um processo que se amplia pela organização, mediante a interação, cristalizando-se como parte da rede de conhecimento da organização. A dimensão epistemológica tem como base conceitual a teoria do conhecimento tácito e o conhecimento explícito.

A tabela 2 - Diferenças entre os dois tipos de conhecimento

Conhecimento Tácito (subjetivo) Conhecimento Explícito (objetivo) Conhecimento da experiência (corpo) Conhecimento da racionalidade (mente) Conhecimento simultâneo (aqui e agora) Conhecimento seqüencial (lá e então) Conhecimento análogo (prática) Conhecimento digital (teoria)

Fonte: Nonaka & Takeuchi (1997, p. 67)

De outra parte, Kogut & Zander (1993) dividiram o conhecimento organizacional em: informação e know-how. Na informação os autores conceituam o conhecimento considerando que este pode ser transmitido sem a perda de integridade, uma vez que as regras sintáticas para decifrá-lo são conhecidas. Incluíram fatos, proposições axiomáticas e símbolos. Sobre o know-how, consideraram como uma habilidade ou expertise acumulada que possibilita a alguém fazer algo de maneira fácil e eficiente.

Por conseguinte, se a informação for baseada em regras sintáticas, significa que está codificada e poderá ser explicitada de forma compreensível e socialmente acessível na empresa. Entretanto, na medida em que o know-how é uma habilidade acumulada, significa que nem sempre tal habilidade consegue explicar o como fazer.

Essas características estabelecem as diferenças entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito, apesar de alguns estudiosos do assunto não admitirem a impossibilidade de dissociação entre o conhecimento tácito e o explícito. Nesse entendimento, privados os coeficientes tácitos, todo conhecimento explícito não teria sentido.

Do que foi discutido, fica clara a relação entre o conhecimento explícito e a informação por um lado, e o know-how assim como o conhecimento tácito, por outro lado.

Por fim, em linguagem organizacional o conhecimento é um conjunto integrado por informação, regras, interpretações e conexões colocados dentro de um contexto e de uma experiência que se sucede, dentro de uma organização de uma forma geral ou pessoal (ALMEIDA, 2007).

Netto (2005) considerou o conhecimento organizacional como sendo a assimilação de crenças e verdades, originadas no interior e exterior das empresas representado por idéias ou modelos de conteúdos teóricos ou práticos, objetivos e subjetivos que, de certa forma, afetam e dependem de emoções e diferenças de percepções dos indivíduos e têm a função de influenciar a competitividade das empresas.

Portanto, a arquitetura conceitual sobre o conhecimento é vasta, porém alguns conceitos ainda não são suficientemente delimitados do ponto de vista utilizado nesta investigação. Pois não é tarefa fácil se realizar uma abordagem adequada à realidade dos estudos do conhecimento com o viés filosófico como fonte de reflexão e inspiração, para se pensar as várias facetas e teorias relacionadas aos atos humanos de criar, aprender, incluir, compartilhar, codificar e agir em ambientes organizacionais industriais.

Então, sumariando o pensamento administrativo e sua evolução pode-se deduzir que os fundamentos da teoria do conhecimento compõem-se com as teorias da administração.

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