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Erkjennelse og den allmenne logikkens regler

In document Kants logikk (sider 43-50)

2.2 Kants allmenne logikk

2.2.4 Erkjennelse og den allmenne logikkens regler

Os teóricos do movimento apontam diversas vantagens ou pontos positivos em relação trabalho na Economia Solidária: ele é apresentado como mais autônomo,

emancipatório, menos discriminatório e menos exploratório, propicia mudanças sociais mais amplas, envolve uma preocupação com o entorno social e o meio ambiente, entre várias outras características (Singer, 2000, 2004; Gaiger, 2008). Assim, vamos discutir neste item quais os pontos que os próprios trabalhadores consideram positivos e negativos em relação ao seu trabalho nas cooperativas, o que contribui de maneira significativa para compreendermos qual é a percepção do cooperado sobre seu próprio trabalho.

Em relação à Coopfaxina, existem duas características principais citadas como positivas sobre a cooperativa: a primeira é que o empreendimento não tem as mesmas exigências, em relação à qualificação, escolaridade e idade que o mercado de trabalho de maneira geral. Em segundo lugar, os trabalhadores apontam como vantagem, em relação a outros trabalhos, o fato de, na cooperativa, não haver patrão, isto é, não haver a figura do chefe que ordena, pressiona e inspeciona o trabalho. O relato abaixo nos demonstra não haver, na cooperativa, exigências de qualificação e de limite de idade:

São várias coisas positivas que eu acho da cooperativa: não exige estudo, idade, só que tem pessoas que não valorizam realmente o serviço, porque tem serviço que exige idade, curso, se você não tiver um curso não entra, se não tiver experiência não entra, então é legal a cooperativa, é positiva por causa disso, não exige muitas coisas. (...) Então eu acho muito positiva a cooperativa por causa disso, ela não exige coisas que uma fábrica exige (Alice, 25 anos, cooperada da Coopfaxina). A cooperada Laura ratifica a fala anterior e aponta como vantagem a não necessidade de comprovar antecedentes criminais:

Eu acho que é bom porque você não precisa ter diploma, eles não vão lá buscar antecedentes criminais, acho assim que é uma boa o trabalho na cooperativa (Laura, 33 anos, cooperada da Coopfaxina).

A esse respeito, o cooperado Sebastião afirma não haver nenhum tipo de discriminação na aceitação dos novos cooperados:

Na cooperativa não tem discriminação de idade, dá preferência pra todo mundo, não existe cor, não existe nação, não existe nada (Sebastião, 50 anos, cooperado da Coopfaxina).

A cooperada Julia ressalta a importância de haver certa autonomia na realização de seu trabalho:

Eu, eu vou falar a verdade: eu penso que, até hoje, a cooperativa é o melhor trabalho que eu já tive, porque eu sempre cortei cana, trabalhava numa linha de montagem, eu trabalhava o dia inteiro naquela linha, trabalhei muito, inclusive, quando eu trabalhava, eu engravidei, perdi meu filho, de tanto trabalhar. Então, a cooperativa foi um dos melhores serviços que eu tive, porque ninguém manda em você, você faz suas obrigações, seus deveres, ninguém é seu chefe, ninguém te manda (...), a gente só sabe o que a gente tem que fazer, a gente tem que fazer direito porque a gente tá

aqui pra isso. Aqui, eu trabalho do jeito que eu quero, eu faço as coisas do jeito que eu quero, eu chego ninguém fala nada, ninguém fala “tem que fazer isso” ou “isso tá mal feito”, tá tudo bom, então isso é muito bom, aqui pra mim é muito bom (Julia, 46 anos, cooperada da Coopfaxina e membro do Conselho Fiscal).

Julia destaca ainda que o trabalho na cooperativa é o melhor que já teve, comparando com um trabalho em fábrica, em linha de montagem, por exemplo. Alguns cooperados enfatizaram, nesse sentido, que o trabalho na cooperativa não é muito pesado, mas percebemos que isso varia conforme a experiência anterior de trabalho desses sócios. Alguns trabalhadores que tiveram a experiência de trabalho na lavoura consideram o trabalho de limpeza muito mais “leve”:

Eu gosto de trabalhar aqui, não é um serviço tão pesado. Na lavoura já é mais pesado, porque você fica ao sol o dia inteiro, a tarde inteira, e aqui não, você fica sempre na sombra, tem vantagem bastante, da cooperativa (Sonia, 33 anos, cooperada da Coopfaxina).

O fato de não haver chefe ou patrão também foi apontado pelas cooperadas da Coopcostura como um dos principais pontos positivos do trabalho na cooperativa. A fala da cooperada Juliana evidencia isso:

Olha, na cooperativa, é bom, porque, assim, você tá trabalhando pra você, você não tem um patrão que tá ali te obrigando a fazer as coisas, só que se a gente trabalha, a gente tem que ter consciência de que é nosso, então a gente tem que lutar pra aquilo crescer, numa empresa, a maioria fala assim “ai, eu sou mandado, então eu faço o que tem que fazer naquela hora, se não deu tempo de acabar, amanhã eu faço”. Porque aqui a gente tem uma meta, se no final do dia nós temos que fazer aquilo, nós temos que fazer (Juliana, 30 anos, cooperada da Coopcostura, atua no setor de costura).

Devemos enfatizar, porém, que, como a própria cooperada ressalta em sua fala, apesar de na cooperativa não haver um chefe, as cooperadas têm metas rígidas de produção a serem cumpridas, as quais são estabelecidas não só por sua própria capacidade produtiva, mas, especialmente, pela empresa para a qual prestam serviço. Em algumas situações informais, inclusive, elas chegam a se referir à pessoa da fábrica de toalhas que leva o material para ser costurado como “chefe” ou alguém que tenha o poder de mando.

Outro ponto citado como vantagem em se trabalhar na cooperativa é a flexibilidade em relação a faltas e horários. As cooperadas costumam valorizar a possibilidade de poderem se ausentar eventualmente ou sair em horários de expediente para resolver algum problema dos filhos ou levá-los ao médico, sem que haja risco de demissão ou exclusão:

A gente tem também a liberdade pra poder resolver alguns problemas de casa (Roberta, 33 anos, cooperada da Coopcostura, atua no setor de acabamento/limpeza e faz parte da Diretoria).

Apesar do risco de demissão não existir, existe, em geral, uma pressão significativa exercida pelas próprias colegas quando alguma outra tem que se ausentar, e a causa disso é, mais uma vez, a preocupação em manter os níveis de produção.

Como desvantagem, as cooperadas da Coopcostura mencionam a ausência de certos benefícios sociais que tradicionalmente acompanham o salário no trabalho formal. No entanto, este não parece ser um grande problema para as cooperadas, principalmente porque avaliam que sua remuneração é bastante satisfatória, o que compensaria a ausência de alguns benefícios. Além disso, as cooperadas pagam o INSS normalmente e têm uma espécie de fundo de Natal, ou “caixinha”, como chamam, que substituiria o décimo terceiro salário. Dessa maneira, a ausência de outros direitos não parece ser um problema significativo.

Esse não é o caso da Coopfaxina. A falta de careira assinada seria o principal problema apontado pelos cooperados em relação ao seu trabalho. Apesar dos cooperados terem certos benefícios pagos juntamente com sua retirada mensal, a maior parte deles não é consciente disso. Além do mais, se ressentem do fato de que, ao sair da cooperativa, não têm nada a receber, no caso, fundo de garantia ou algo equivalente:

Se eu saio hoje, faz cinco anos, se eu trabalhasse numa empresa, teria fundo de garantia pra eu receber, poderia tirar férias, por exemplo, se eu falto, tem que pôr alguém e eu perco o dia, então tem uns pontos meio negativos, mas é uma cooperativa (Julia, 46 anos, cooperada da Coopfaxina).

Contudo, muitos trabalhadores parecem compreender que esses direitos não existem porque se trata de uma cooperativa, que tem o funcionamento diferente de uma empresa. Mesmo assim, a carteira assinada é algo de que sentem falta, em função mesmo da cultura do assalariamento, lógica dentro da qual aprenderam a viver, ainda que alguns nunca tenham tido um trabalho assalariado. A Economia Solidária tem convivido com o sistema capitalista, o que cria, entre os trabalhadores, a expectativa do acesso a determinados benefícios sociais, como demonstra Lima (2007: 149):

A existência de um mercado de trabalho “associado”, ao lado do mercado assalariado formal e informal, faz com que os trabalhadores circulem entre eles com desenvoltura. Neste mercado predomina a cultura do assalariamento, a perspectiva do acesso aos direitos. O trabalho associado, nesse contexto, aparece mais como uma variante do assalariamento, do que uma forma alternativa.

Questionamos, então, o porquê de alguns ex-cooperados terem processado a cooperativa justificando vínculo empregatício. Num primeiro momento, imaginamos que isso se devia à falta de compreensão do funcionamento do cooperativismo, mas, em contato direto com os trabalhadores, passamos a perceber que não é bem este o caso. Talvez a formação em

Economia Solidária tenha sido insuficiente no sentido de fazer com que esses trabalhadores aprendessem a valorizar outros aspectos positivos do trabalho autogestionário. Porém, mais do que isso, devemos ressaltar que existe uma cultura de mercado que não muda de um momento para o outro e que é dominante, possibilitando que os trabalhadores transitem entre mercado e autogestão na medida em que essas opções, em cada momento de suas vidas, lhes pareçam mais ou menos vantajosas.

Além disso, existem outras questões envolvidas no caso específico das cooperativas de trabalho, como, por exemplo, a existência de advogados oportunistas que se aproveitam das brechas existentes na lei e na falta de compreensão social acerca do trabalho associado para convencer esses trabalhadores, que são pessoas carentes, a se voltarem contra o próprio empreendimento na busca por vantagens financeiras.

Essa falta de conhecimento por parte da sociedade e o preconceito existente em relação às cooperativas são dificuldades citadas pela Diretoria da Coopfaxina em relação ao cotidiano de trabalho:

O que o pessoal mais fala aqui [como desvantagem] é o tempo de trabalho, porque nas empresas que você trabalha você tem um tempo de trabalho que você pode se aposentar por um valor “x”. Na cooperativa, não, a gente só paga o INSS, a gente vai aposentar com um salário mínimo, o ponto negativo é esse. E um pouco também o preconceito de aceitar as cooperativas. Quando você sai da cooperativa pra procurar outros serviços lá fora, como eles já têm preconceito, como já aconteceu com alguém, quando a moça foi procurar serviço, a outra moça falou: “onde você trabalhou?”, eu disse: “eu trabalhei na cooperativa”, aí ela falou: “que cooperativa?”, e respondeu: “cooperativa de limpeza”, quando você fala de cooperativas, as pessoas não entendem. Eles acham que é ruim trabalhar na cooperativa porque eles não conhecem a cooperativa, são outras empresas (Viviane, 36 anos, cooperada da Coopfaxina, membro da Diretoria).

Eu acho que não tem ponto negativo, o problema é ficar sem a renda, o que tá dando medo agora é isso, é o TAC, se a cooperativa não puder permanecer, nós temos que arrumar alguma forma pra gente ter renda, trabalhar pra algum lugar pra ter renda (Sandra, 46 anos, cooperada da Coopfaxina e membro da Diretoria).

Fica evidente que, para a Diretoria, a falta de compreensão da sociedade e o contexto de atuação do sistema judiciário fazem surgir problemas como os provocados pelo TAC.

4.6. A visão dos trabalhadores sobre o cooperativismo e a Economia

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