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B ERGEN TILRETTELEGGER FOR KJØP AV EGEN BOLIG , EN DEL AV EN

5. FORTELLINGER FRA FEM ULIKE KOMMUNER

5.3 B ERGEN TILRETTELEGGER FOR KJØP AV EGEN BOLIG , EN DEL AV EN

A hermenêutica da profundidade (HP) consiste na interpretação dos discursos das entrevistadas sobre educação e cuidado de crianças pequenas.

O enfoque da HP para Thompson (2011) integra o processo de interpretação do campo-objeto, juntamente com o mundo sócio-histórico no qual, estão localizados os discursos denominados formas simbólicas. O campo-sujeito está relacionado à interpretação, elaborada pelas pessoas no cotidiano, na tentativa de compreender o que acontece ao seu redor.

A Hermenêutica de Profundidade (HP) parte dos estudos da Grécia Antiga, desenvolvida ao longo de dois milênios e modificada por filósofos que estudaram as formas simbólicas. O tempo e a história encontraram um lugar no caminho metodológico trilhado por filósofos como Wilhelm Dilthey (1811 - 1913, França), Heiddegger (1889 - 1976, Alemanha), Hans-Georg Gadamer (1900 - 2002, Alemanha) e Paul Ricoeur (1913 - 2005, França). Gadamer consolidou o campo da pesquisa social ao repensar as condições sócio-históricas e “nas coisas análogas a textos, são produzidos e recebidos”. (THOMPSON, 2011, p.362).

54 Especialmente Heidegger e Gadamer cooperaram, reconhecendo a interpretação como uma atividade realizada por seres humanos e como um processo que também é parte da historia. O exemplo fornecido por Thompson (2011) é uma pesquisa de opinião que pode afetar os participantes ou mesmo os estudos sobre desigualdades e podem gerar novas mobilizações, afetando o curso da história. O reconhecimento da ação dos seres humanos no mundo sócio-histórico é considerado ativo e não apenas uma mera observação. O processo de compreensão e interpretação das formas simbólicas não se restringe à ação dos analistas e por já ser um campo interpretado, a função dos analistas é reinterpretá-lo.

A HP é assumida como “um referencial teórico metodológico geral, dentro do qual alguns métodos podem ser situados e ligados entre si.” (THOMPSON, 2011, p.356). A interpretação e a compreensão dos estudos devem ocupar o lugar de uma dimensão metodológica complementar às pesquisas formais, sem ser dispensável. Não se trata de atacar o positivismo no século XIX, ou relegar a produção de estudos estatísticos e análises formais, mas sim oferecer um enfoque parcial no caso das formas simbólicas.

A metodologia adotada por J.B.Thompson prevê a interpretação da doxa: “uma interpretação das opiniões, crenças e compreensões que são sustentadas e partilhadas pelas pessoas que constituem o mundo social” (THOMPSON, 2011, p.364).

O filósofo britânico Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889 - 1951) restringiu a análise à interpretação da doxa. O mesmo ocorreu em diferentes segmentos da área do conhecimento como a fenomenologia desenvolvida por Husserl (1859-1938, Alemanha), Alfred Shültz (1899-1959, Viena), na etnometodologia concentrada na pesquisa empírica desenvolvida pelo sociólogo Harold Garfinkel (1917 - 2011, Estados Unidos) e Aaron Cicourel (1928, Estados Unidos). As críticas acerca do cotidiano não incluíram, por exemplo, as formas simbólicas em seu contexto histórico, “a preocupação exclusiva com a interpretação da doxa é tão enganadora como o erro de não se tomar em conta essa dimensão” (THOMPSON, 2011, p.364).

A primeira fase é a análise sócio-histórica; permite a identificação e descrição das condições sociais e históricas de produção, circulação e recepção de formas simbólicas expostas, tidas como fenômenos sociais. Uma

55 vez contextualizadas e produzidas historicamente, as formas são veiculadas e recebidas em condições específicas. Ao circunscrever as situações a espaços- temporais, os chamados campos de interações sociais que são compostos por pessoas em determinados lugares, tempos em uma condição dinâmica. O autor demarcou como a experiência humana, mas também parte do passado. Thompson defende que a percepção acerca do passado é porque o relacionamos com o que veio antes. Apoiado na obra de Gadamer sobre a consciência histórica, Marx chamou a atenção em seu livro O 18 Brumário de Louis Bonaparte que, em determinados momentos da história, uma mudança social ganha força e, quando o conflito ocorre, há uma tendência de obnubilar o presente e retomar o passado. Uma familiaridade com a tradição.

Os modos de operação da ideologia, ou seja, o sentido, serve para estabelecer e sustentar as relações de dominação, Thompson (2011).

O estudo elaborado por Clifford Geertz, antropólogo avaliado por Thompson (2011) como o melhor conceito de cultura, intitulado A interpretação das culturas. Thompson criticou as diferentes maneiras que o conceito foi abordado na obra, à falta de consistência com que Geertz usou o termo na metodologia para se referir à interpretação, relações de poder e conflitos sociais que Thompson denominou de concepção estrutural da cultura e trata de um olhar que visualiza aspectos simbólicos dos fenômenos culturais como o fato dos mesmos estarem em determinados contextos sociais estruturados. Desta forma, o autor elaborou uma classificação relacionada à constituição das formas simbólicas, portanto para a presente dissertação, ajuda a compreender a extensão dos discursos:

Aspecto intencional: quando denominado sujeito-produtor, tenta expressar o que quer dizer para sujeito ou sujeitos, bem como a forma que o sujeito percebe a mensagem produzida. Vale dizer que o intuito não é que a análise capte exatamente o que o sujeito quis dizer e que, como um fenômeno significativo, possa também ser percebido como produzido por tal sujeito.

Aspecto convencional: constrói, produz e interpreta as formas simbólicas através das regras, códigos e convenções que integram o conhecimento geralmente tácito, compartilhado e empregado no cotidiano por mais de uma pessoa, motivo pelo qual passa a existir mais chance de haver intervenções.

56 Aspecto estrutural: os seus elementos se colocam de uma maneira articulada, assim é possível analisar os elementos à sua volta e suas inter- relações.

Aspecto referencial: construções podem dizer respeito, representar, referir-se a algo. Em circunstâncias específicas, figuras ou expressões podem ganhar especificidade.

Finalmente o aspecto contextual das formas simbólicas, faz parte de processos e contextos-históricos dentro e por meio dos quais são produzidas, transmitidas e reproduzidas:

[...] a maneira que um discurso é interpretado por indivíduos particulares, sua percepção como um discurso e o peso a ele atribuído estão condicionados ao fato de que essas palavras foram expressas por esses indivíduo, nessa ocasião, nesse ambiente, e de que são transmitidas por esse meio (THOMPSON, 2011, p. 192). A segunda fase é a análise formal ou discursiva, um estudo da estrutura dos padrões da articulação e das relações das formas simbólicas compreendidas como construções significativas estruturadas. A estrutura interna da forma simbólica conta com padrões. Podem ser estudadas as maneira como se constituem as relações e características estruturaisa partir dos dados obtidos nas entrevistas, relacionados com a primeira análise, ou seja, a sócio-histórica. Para apreender os sentidos e significados das formas simbólicas é preciso contextualizar e identificar as formas simbólicas estruturadas, da forma acima colocada.

A terceira fase é a interpretação que articula a análise sócio-histórica, formal e discursiva, à luz da teoria da Ideologia e dos Estudos Sociais da Infância. Será realizada uma transcrição dos discursos e interpretação das formas simbólicas, para definir características estruturais, padrões e relações. As fases são relativas, as escolhas e definições dependem das inferências realizadas na revisão de literatura e no conteúdo a ser analisado detalhadamente, de acordo com as entrevistas realizadas.

A análise de conteúdo é um recurso no estudo qualitativo de entrevistas, para psicólogos e sociólogos, constituídos de etapas segundo Bardin (2011). A pré-análise é realizada a partir da definição do corpus e permite elaborar hipóteses, objetivos e os indicadores que subsidiarão a

57 interpretação final. A exploração do material inclui a codificação por meio das escolhas das unidades (inclusive as regras de contagem), classificação e a escolha das categorias (agregação) que ajuda na compreensão dos conteúdos e características do texto. Após a transcrição das entrevistas, e com a ajuda da teoria e do contexto sócio-histórico, será concluída a última etapa do tratamento dos resultados (inferência e interpretação).

O uso sistemático da descrição do conteúdo faz parte da primeira etapa, a inferência. O procedimento intermediário que permite ou não seguir até a próxima fase, qual seja, a interpretação, a última etapa. Na fase de interpretação e reinterpretação, as descrições serão articuladas às informações desenvolvidas na análise sócio-histórica e na análise formal ou discursiva à luz dos estudos sociais sobre a infância e da teoria de ideologia de Thompson. Segundo J.B. Thompson (2011), o estudo da hermenêutica remete à interpretação contextualizada das formas simbólicas de maneira, que dá sentido às mensagens recebidas.

Capítulo 2. As políticas de educação e cuidado destinadas às