Educar pela Pesquisa tem sido apontado como um caminho para superar tanto a forma essencialmente disciplinar, tradicional de ensino e como a visão fragmentada do conhecimento. O Educar pela Pesquisa estimula a autonomia crítica, participativa, questionadora e criativa do sujeito, seu objetivo é fazer do aluno um parceiro de trabalho, ativo, participativo, produtivo e construtivo. De acordo com Demo (1998. p. 1), o diferencial da pesquisa como forma de ensino constitui-se em “[...] questionamento reconstrutivo, que engloba teoria e prática, qualidade formal e política, inovação e ética”. Atividade de pesquisa significa interpretação própria, compreensão contextual e elaboração pessoal. Em detrimento
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da educação tradicional da receita pronta, a pesquisa é um processo de investigação. Ela oferece conhecimento novo a respeito de uma área ou unidade, advindo da procura por novos materiais e da interpretação própria, a partir da experiência do estudante.
Citado autor indica alguns passos importantes para estimular o aluno a pesquisar. Para ele, é necessário que a escola tenha um ambiente saudável, positivo e propício para a realização de pesquisas e que estabeleça condições para a participação ativa. O aluno deixa de ser apenas um objeto do ensino e passa a ser um sujeito que participa efetivamente das ações de aprendizagem. O mesmo autor entende também que, num trabalho em equipe, a coleta de materiais é fundamental para a pesquisa, pois “significa habituar o aluno a ter iniciativa, em termos de procurar livros, textos, fontes, dados, informações. Visa-se superar a regra comum de receber as coisas prontas” (DEMO, 1998, p. 21). Outro passo a ser dado constitui-se na reconstrução do conhecimento, conduzindo o aluno a sentir a necessidade de aprender a aprender. A reconstrução implica interpretação, compreensão e transformação do que foi aprendido. Isso não significa abandonar conceitos anteriormente construídos, mas reconstruir os já assimilados, inserindo neles aspectos novos, amplos e ricos e possibilitando a compreensão do mesmo fenômeno, por conceitos mais complexos e mais elaborados.
Demo (1998) destaca estratégias que facilitam o questionamento reconstrutivo:
motivações lúdicas - como gincanas, jogos, brincadeiras, feiras de ciências, de matemática, porém sem caráter competitivo, o desafio é educativo e investigador;
hábito de leitura - deve ser constantemente estimulado. Isto requer bibliotecas com quantidades suficientes de exemplares e com títulos diversificados, bem como o envolvimento da comunidade escolar;
manejo eletrônico - o uso de novas tecnologias de informação e comunicação pode tornar-se um aliado importante na busca de maior motivação e da diversificação das estratégias de ensino;
apoio familiar - o processo de aprendizagem não é apenas problema escolar e necessita de acompanhamento familiar. É importante que a família fique atenta ao que se passa com o aluno, acompanhando seu cotidiano escolar.
Para que os alunos entendam, de fato, o que é trabalhado em sala de aula e busquem a reflexão, é preciso trabalhar de forma dinâmica, criativa, investigativa, desafiadora e argumentativa, em um movimento espiralado ou cíclico. Moraes, Galiazzi e Ramos (2004) apresentam os três momentos do Educar pela Pesquisa, como um movimento em espiral. Ele
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inicia com questionamentos sobre determinado assunto e o envolvimento de todos os participantes, com a finalidade de aprimorar o conhecimento que os sujeitos já possuem sobre o tema em questão. A segunda fase consiste em um processo de construção de novos argumentos. Produção escrita; leituras; entrevistas; consultas a obras literárias, enciclopédias e Internet, entre outros procedimentos, têm a finalidade de fundamentar os argumentos em construção, os quais auxiliam a construção de outros argumentos. Esse processo de questionamento e de construção de novos argumentos merece ser submetido à comunicação. O terceiro momento é, pois, comunicar os resultados da pesquisa, para que estes possam ser submetidos à crítica, para aperfeiçoamento e melhoria de sua qualidade. A partir desses questionamentos, surgem outros, o que leva à continuidade do processo e evidencia o movimento em espiral.
A prática da pesquisa por parte do aluno é fundamental, uma vez que auxilia na formação de indivíduos críticos em relação à sua realidade social. Freschi (2008, p. 29) salienta que “[...] quanto maior o contato com a pesquisa na sala de aula, maior será a capacidade crítica, criação, discussão, escrita, argumentação, debate, questionamento e comunicação desenvolvida com o aluno”.
Para que a educação pela pesquisa ocorra, o professor, como profissional da educação, deve também ser um pesquisador. Demo (1998) sugere cinco desafios que um professor pesquisador deve se propor: (re) construir seu projeto pedagógico próprio, lendo outros autores, e, principalmente, tornando-se capaz de escrever suas próprias ideias, aplicando o critério do questionamento reconstruído; (re) construir textos científicos próprios, nos quais evidencie o conhecimento científico e sua aplicabilidade nas áreas de interesse curricular; (re) fazer material didático próprio, os adaptando a cada turma com a qual esteja trabalhando; inovar sua prática didática, ou seja, permanentemente, melhorar as atividades a serem desenvolvidas por seus alunos; recuperar constantemente sua competência, evitando recorrer a „receitas‟ prontas que não levem em consideração as particularidades de cada situação.
A educação pela pesquisa visa à superação da aula tradicional copiada, uma vez que busca o envolvimento ativo dos alunos. Ela os conduz a serem sujeitos do processo de aprendizagem, capazes de questionar, argumentar e produzir, e possibilita aprendizagens significativas, tanto individual como coletivamente. Para Moraes (2004, p. 139), “a educação pela pesquisa constitui-se em forma de socialização e construção de autonomia dos sujeitos envolvidos, garantindo-lhes um domínio qualitativo do instrumental da ciência, numa preparação para intervenções transformadoras nas realidades em que se inserem”. O
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envolvimento do aluno com a pesquisa propicia a socialização dos sujeitos envolvidos e o desenvolvimento da autonomia, e das capacidades argumentativas e científicas.
Uma das formas de Educar pela Pesquisa consiste no trabalho com unidades de aprendizagem, fundamentadas por Moraes e Gomes (2007). Esta é a discussão apresentada na sequência.