• No results found

Erfaringer som verbalspråklige uttrykk

In document Etter boka? (sider 87-91)

7 H VA FORSTÅR ANSATTE MED EN ERFARING ?

7.2 Erfaringer som verbalspråklige uttrykk

As narrativas obtidas foram objecto duma análise de conteúdo, sem aprioris, de forma a tentar encontrar padrões na trama narrativa que permitissem desembocar na construção duma narrativa tipo, da mulher vítima de violência conjugal e estabelecer nexos de contiguidade entre as experiências de vida e as atribuições de sentido que lhes foram impostas e a actual condição de vítima.

Assim, o tratamento das narrativas das histórias de vida estabeleceu-se de acordo com as três fases de análise de conteúdo propostas por Bardin (2007): i) pré- análise, ii) exploração do material e iii) tratamento e interpretação dos resultados obtidos. Estes procedimentos foram posteriormente complementados com alguns princípios da grounded theory de Glaser e Strauss (1999) no que se refere à elaboração - a partir dos dados obtidos, de um modelo teórico compreensivo.

Contudo, todos estes procedimentos - análise de conteúdo de Bardin (2007) e grounded theory de Glaser e Strauss (1999) foram adaptados aos objectivos específicos do estudo em questão.

Inicialmente procedeu-se à fase de pré-análise proposta por Bardin (2007) que tem por objectivo a organização do material em estudo e a sistematização de ideias iniciais. Desta forma, efectuou-se inicialmente uma leitura genérica das narrativas de histórias de vida, que constituíram o corpus desta investigação, isto é, do «conjunto

dos documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos» (Bardin, 2007, pp.90).

Seguidamente, para facilitar a leitura e análise das histórias de vida procedeu-se à transcrição na íntegra das narrativas manuscritas ou oralmente registadas, para suporte informático (Microsoft Office Word). Ao longo da transcrição das narrativas, foram alterados todos os detalhes que permitissem a identificação dos participantes, particularmente, os nomes próprios e as referências geográficas, através da sua substituição pelas respectivas iniciais. Em simultâneo, catalogaram-se as histórias de vida com a letra H e numeraram-se aleatoriamente de 1 a 20.

Depois desta fase de organização, iniciou-se a análise propriamente dita do material. As vinte histórias de vida foram então, sucessivamente submetidas a 9 níveis de análise distintos, que emergiram indutivamente da leitura das histórias. Os 9 níveis de análise determinados foram: 1) determinismos transgeracionais antes da relação abusiva, 2) características da relação conjugal, 3) características da violência conjugal, 4) consequências da experiência de vitimação, 5) atribuições de sentido para a conduta violenta, 6) características de personalidade, 7) estilos cognitivos, 8) padrões de vinculação, 9) convicções pessoais básicas.

Em cada nível de análise, à excepção do nível 9, foram efectuados um conjunto de procedimentos (e.g., codificação e categorização) que correspondem à fase de exploração proposta por Bardin (2007).

Numa fase inicial efectuaram-se várias leituras às narrativas de histórias de vida o que, nos conduziu à identificação de temáticas centrais abordadas nas mesmas e consequentemente à constituição de categorias. Cada nível de análise integrou casualmente uma única categoria. Após a identificação das categorias foi elaborada uma primeira versão das grelhas de análise para os vários níveis, onde foram inseridas

todas as unidades de registo que se referiam a essas mesmas categorias. Esta investigação deu particular ênfase às unidades de registo temáticas – tema. O tema é considerado por Bardin (2007) como a unidade de sentido que se destaca naturalmente de um texto analisado e pode ser definido como «uma unidade de significação complexa, de comprimento variável; a sua validade não é de ordem linguística, mas antes de ordem psicológica: podem constituir um tema tanto uma afirmação como uma alusão; inversamente, um tema pode ser desenvolvido em várias afirmações (ou preposições)» (M.C. d’ Unrug, 1974; cit, in Bardin, 2007, pp. 99).

Ao longo da análise temática constatou-se que, as unidades de sentido recortadas correspondiam a diferentes níveis de especificação das categorias inicialmente estabelecidas o que, nos conduziu à elaboração de diferentes subcategorias dessas mesmas categorias. As subcategorias identificadas foram desta forma, adicionadas à grelha de análise inicial e as unidades de significado distribuídas criteriosamente pelas mesmas. Através deste procedimento alcançaram-se então, as versões finais das grelhas de análise construídas para os níveis 4, 7 e 8.

Nos níveis 1, 2, 3, 5 e 6 da análise, constatou-se que as unidades de sentido remetiam ainda para diferentes particularidades das subcategorias identificadas o que, denotava a existência de subsubcategorias dentro dessas subcategorias. As grelhas de análise dos níveis 1, 2, 3, 5 e 6 foram, então, completadas com as subsubcategorias em que se desdobravam as subcategorias e as unidades de sentido redistribuídas por essas subsubcategorias criadas. Para estes níveis de análise a grelha tornou-se assim, definitiva. Encontram-se em Anexo A, as grelhas construídas para cada nível de análise das histórias de vida, assim como a operacionalização do sistema categorial.

Como a presente investigação se regeu pelos princípios do método indutivo, as grelhas de análise, inexistentes à priori, tomaram a configuração que as histórias de

vida suscitaram nos diferentes níveis de análise e, por isso, o grau de especificação da categorização dos níveis 1, 2, 3, 5 e 6 difere dos níveis 4, 6, 7 e 8.

Embora estes processos de codificação e de categorização se apresentem expostos linearmente, na realidade revelaram-se bastante interactivos, exigindo leituras exaustivas do material do estudo que, por sua vez, induziam reformulações do sistema categorial à medida que surgiam novas unidades de sentido. A realização destes procedimentos foi, por isso, bastante morosa e complexa, uma vez que se pretendeu apreender o máximo de conteúdo, sem negligenciar aspectos significativos. De acordo com a terceira fase da análise de conteúdo proposta por Bardin (2007), em seguida, procedeu-se ao tratamento e interpretação dos resultados obtidos. Nesta fase, a par de uma análise qualitativa, procedeu-se também a uma análise de carácter quantitativo, submetendo o sistema de categorias a operações estatísticas simples. Desta forma nos níveis 1, 2, 3 e 4 da análise foram calculadas a frequência absoluta e a percentagem das unidades temáticas referidas, enquanto que, nos níveis 5, 6, 7 e 8 se procedeu à classificação, de acordo com a presença ou ausência da temática na narrativa e à sua frequência percentual.

Depois da sistematização dos resultados e depois da sua interpretação, procurou-se a conceptualização de uma teoria local, de forma a melhor compreender a totalidade das temáticas constituintes das narrativas e das respectivas relações.

A fase seguinte da investigação foi então consubstanciada pelos pressupostos da grounded theory ou teoria fundada nos dados de Glaser e Strauss (1999).

A grounded theory é uma metodologia de investigação de carácter qualitativo que se baseia numa análise detalhada e flexível de dados empíricos e que permite a compreensão de experiências e significados. Assim, nesta estratégia a análise tem como objectivo a compreensão e a elaboração de teorias contextuais e locais, sobre os

padrões de acção e interacção que se estabelecem entre os diferentes processos do fenómeno a estudar, conceptualizando-as através dos dados (Sousa, 2006). A grounded theory centra-se num processo de compreensão progressiva do todo que constitui a narrativa do participante e tem subjacente um posicionamento epistemológico que enfatiza que, o processo de construção do conhecimento está dependente do sujeito que experiencia (Fernandes & Maia, 2001).

Na presente investigação, a conceptualização de uma teoria local a partir das narrativas de histórias de vida justificou-se na medida em que, para além da descrição das subsubcategorias, subcategorias e categorias emergentes dos dados, pretendeu-se elaborar um modelo teórico compreensivo que reflectisse os padrões de interacção detectados entre as mesmas. Estes padrões têm como finalidade ilustrar o comportamento dos sujeitos, com base nos significados construídos pelos próprios sobre as respectivas experiências de vida.

Contudo, a teoria elaborada não pode ser considerada uma teoria categórica uma vez que, a abordagem da grounded theory conceptualiza a teoria como um processo dinâmico, em constante desenvolvimento (Glaser & Strauss, 1999). Desta forma, a teoria proposta apenas tem fundamentação e validade para o estudo em questão.

In document Etter boka? (sider 87-91)