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Esta seção aborda o cruzamento das informações com relação às variações por tolerância oficial para variações sem foco e brincadeiras e a rotina de coordenação da aliança, apresentadas por cada gestor comparando as percepções dos gestores aos pares, gerando assim proposições para a categoria.

Proposição 11: Tolerância para novas formas de trabalho e liberdade dosada para a equipe, são fatores significativos para o processo de coordenação interorganizacional.

As evidências demonstradas no Quadro 40 abordam as declarações dos gestores das três empresas.

O gestor representante da Empresa A possui foco mais para resultados do que para a forma que a equipe realiza as atividades, e na parceria ocorreu a terceirização do produto do parceiro, e o resultado foi fruto de toda a equipe, sendo que as etapas, prazos e metas foram estipulados e declarados, entretanto a liberdade de execução coube a equipe realizar de forma mais liberal, sendo esse tipo de gestão uma característica não só do gestor, mas da Empresa A.

O gestor da Empresa B segue o mesmo comportamento do gestor anterior, tanto com a equipe, quanto com o parceiro, e a declaração ilustrando o fato está relacionado diretamente com a liberdade que ele concede as equipes na etapa de pesquisa e desenvolvimento.

A Empresa C também se utiliza da variação deliberada, e de forma bem parecida com os gestores anteriores, principalmente pela questão de liberdade na execução de tarefas a partir dos problemas apresentados. Vale ressaltar que o parceiro aprova esse comportamento, e propõe sugestões durante o processo.

As evidências apresentadas respaldam os estudos de Miner (1994), a partir que as variações sem foco ou brincadeiras são desenvolvidas por indivíduos e por pequenas equipes que não trabalham de forma regrada.

O conceito proposto por March (1991) no que se refere a busca por processos, ou desenvolvimento mais rápidos através de estruturas não burocráticas, é pertinente para as evidências dos casos em estudo.

March (1991) e Miner (1994) confirmam as evidências no que diz respeito ao papel do gestor como facilitador e estimulador do processo, para que os resultados sejam satisfatórios.

QUADRO 40 - Análise cruzada das variações deliberadas por tolerância para variações sem foco e brincadeiras, e as rotinas de coordenação interorganizacional

Variação

Deliberada Empresa Evidências

Tolerância oficial para Variações

Sem Foco e Brincadeiras

A Ocorre a variação: Particularmente, eu gerencio com olho mais no

resultado do que no jeito que a minha equipe vai se comportar no desenvolvimento do trabalho.

Como ocorre: É, então assim, novamente, eu coloco algumas

metas, e na época eu também coloquei, e algumas metas de conclusão do projeto, e fui cobrar na hora de cada entrega, eu não fico muito preocupado de como se desenvolve o relacionamento da equipe... na verdade assim... existia na época, e aqui a gente sempre trabalha assim, entregas para serem feitas em determinados prazos, os prazos foram cumpridos, e as entregas foram feitas. E para isso eu sou muito rigoroso [...] com o resultado! A forma como as pessoas desenvolvem essa relação para fazer o processo não me preocupa muito não!

Relação com a coordenação: Olha na verdade a gente terceirizou

um produto, e esse produto a gente desenvolveu uma tecnologia, que foi a técnica de múltiplos sais, e dessa primeira parceria, nasceram outras parcerias com o mesmo tipo de produto. Então, assim, posso dizer que a parceria trouxe uma tecnologia nova que agregou algo para empresa. Basicamente isso! E não foi de um processo pontual, ou de uma pessoa, mas foi de uma equipe. Olha, a equipe da parceria desenvolveu uma situação que a gente não tinha aqui. A coordenação da equipe, ela ganhou com essa evolução! Na verdade assim, a parceria gerou resultados que trouxe benefícios para a empresa, não só naquele caso, mas para outros casos, gerando um modelo de parceria, que a gente fez com outras equipes, e com outras empresas... depois. [...]

B Ocorre a variação: [...] sempre com total liberdade. Tanto da parte

do parceiro como da nossa.

Como ocorre: Agora é uma relação de troca de informações, nada

oficial, mas está uma relação muito boa. Eles passam as informações que a gente pede na medida do possível e a gente vai dando posicionamento de como está o andamento do projeto. [...]Eu acompanho passo-a-passo o desenvolvimento farmacotécnico, participo das reuniões, faço e envio relatório... tudo, tudo! Tem que estar envolvido, senão acaba não evoluindo. [...] Sim! Sim! É normal. Este tipo de tratamento é importante para um clima mais amistoso.

Relação com a coordenação: Existe esse tipo de comportamento

na parceria... com relação a estrutura inicial de pesquisa, e nessa fase a liberdade é maior e o meu controle não é muito grande... até pela questão de facilitar o processo.... então os estudos... hmmm... tipo, eu tenho que coletar informação, levantar estrutura e cruzar essas informações iniciais... é meio assim, o que temos e o que precisamos.... e normalmente isso é meio burocrático, mas nessa etapa eu acabo deixando eles mais soltos... mas acompanho

resultados.

C Ocorre a variação: Acontece.

Como ocorre: Já que aqui na empresa eu distribui assim as coisas,

a gente tem três coordenadoras de projetos e cada uma tem uma pessoas trabalhando com elas. Então o que eu passei para elas foi o seguinte: o projeto também é de vocês. Façam o que tiver que fazer, esse é o projeto. É... isso é o que tá ai. A gente tem a parte científica, mais ou menos, e a metodologia que a gente tem que fazer. As modificações, alterações e melhorias, é por conta de vocês. Se vai ler artigos, ou buscar as soluções pros problemas, ou transformar isso num produto, hoje é responsabilidade de vocês.

Relação com a coordenação: O parceiro aprova. E olha... o que

ajuda na coordenação é primeiro que a gente ajuda ele, trazendo algumas soluções para as pesquisas, e também tem o feedback. Toda e qualquer sugestão ou alteração, a gente tem o apoio dele. Ou se é viável ou não, se está de acordo com a nossa realidade ou não. Ás vezes a técnica é muito boa, mas não se aplica a nossa realidade. Então tudo isso a gente tem a parceria dele para saber se é viável ou não.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados de pesquisa.

O enfoque para a coordenação da rotina é explicado pelos conceitos de March (1991) e Miner (1994), relevando a capacidade de gerar capacidade e conhecimentos organizacionais que incentivem o desenvolvimento do aprendizado. Assim as experiências narradas pelos gestores com a variação pela tolerância oficial para variações sem foco e brincadeiras, encaixam no conceito da variação, seleção e retenção apresentado por Campbell (1965a), pois a partir do surgimento de novos problemas a busca por soluções são necessárias, e esse tipo de variação é uma das formas existente para promover a evolução, sendo uma relação significativa no que tange a inserção ou mudança de uma determinada rotina.

4.4.5 Análise cruzadas da percepção dos gestores para as variações mais