A erosão dos solos é tema de discussão e de grande número de pesquisas desenvolvidas no meio científico. Configura-se como um problema ambiental de ordem internacional e preocupa desde pequenos agricultores, ambientalistas até grandes produtores. As perdas de solo provocadas pela erosão contribuem não somente para a degradação ambiental, mas provocam perdas econômicas irreparáveis.
Como condicionantes à erosão dos solos têm-se os fatores: erosividade, erodibilidade, relevo e cobertura vegetal (SILVA et al., 2003). Fernandez (2011) acrescenta que a natureza do solo, o clima e a ação antrópica são fatores que, também, influenciam na erosão.
Para Accioly et al. (2010), o potencial natural de erosão do solo é característica de uma área e independe do seu uso, cobertura e manejo, são, portanto, a erosão esperada numa área desprovida de vegetação. Desta forma, inerente ao (PNE) fatores como erodibilidade, perdas de solo, cobertura vegetal, entre outros são analisados e alguns são diretamente influenciados pelas atividades praticadas no solo.
Segundo Fernandez (2011), a erodibilidade pode ser definida como a maior ou menor facilidade com que as partículas do solo destacadas e transportadas pela ação de um agente erosivo, sendo uma propriedade complexa em função do grande número de fatores físicos, químicos, biológicos e mecânicos intervenientes, variando de um solo para outro ou até mesmo no próprio solo analisado.
Outro fator na análise do potencial natural de erosão é a erosividade das chuvas, que é definida por Hudson (1961 apud GUERRA et al., 1994), como a capacidade das gotas de chuva de causar o desprendimento das partículas de solo. Diferente da simples definição, a determinação deste parâmetro se reveste de complexidade. Guerra (1991) afirma que devem ser considerados outros fatores que variam no tempo e no espaço.
Várias pesquisas têm sido realizadas com intuito de analisar os processos erosivos no semiárido nordestino devido à relação direta entre a erosão e o processo de desertificação, pode-se citar Albuquerque et al., (2001), Souza e Martins (2012) e Sobrinho e Falcão (2013).
5 GEOTECNOLOGIAS NO ESTUDO DO PROCESSO DE DESERTIFICAÇÃO
A desertificação e as modificações na paisagem ocorrem de forma dinâmica e temporal e são intensificadas pelas ações humanas ao longo dos anos. Com isso, o estudo da desertificação necessita de técnicas seguras que possibilitem o monitoramento das alterações na paisagem visando à conservação dos recursos naturais e o combate à degradação das terras.
Nesse sentido, o Geoprocessamento e o Sensoriamento Remoto se firmam como ferramentas de grande importância no estudo de áreas degradadas, possibilitando por meio de suas técnicas monitoramento e fornecendo dados sobre os ambientes semiáridos.
Câmara e Davis (2000, p. 1) asseguram que:
[...] o termo Geoprocessamento denota a disciplina do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica e que vem influenciando de maneira crescente as áreas de Cartografia, Análise de Recursos Naturais, Transportes, Comunicações, Energia, Planejamento Urbano e Regional.
A utilização de técnicas de Geoprocessamento é uma poderosa ferramenta para estudos ambientais, pois possibilita analisar o uso atual do solo e/ou cenários futuros que permitem estudar impactos ambientais e as modificações na paisagem. Para tanto, são utilizados sistemas específicos para cada aplicação. Esses sistemas são tratados como Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), que processam dados gráficos e não gráficos (alfanuméricos) enfatizando as análises espaciais e modelagens de superfícies (CÂMARA; MEDEIROS, 1998).
Os SIGs dispõem de um conjunto de ferramentas e operações que permitem a integração e análise de dados de maneira a transformá-los em informações úteis para tomada de decisões. Segundo Rocha (2000), os SIGs têm capacidade para aquisição, armazenamento, tratamento, integração, transformação, manipulação, modelagem, atualização, processamento, recuperação, análise e exibição de informações digitais georreferenciadas, topologicamente estruturadas, associadas ou não a um banco de dados alfanuméricos.
Os SIGs possibilitaram uma variedade de aplicações voltadas para análise ambiental, pois proporcionam um meio para integrar conhecimento sobre os
processos naturais e sociais no interesse de um planejamento ambiental integrado, permitem ainda comparar as condições ambientais predominantes em diferentes partes do mundo. Os sistemas de informação geográfica tornam possível incorporar os diversos elementos biofísicos e humanos de uma determinada área (LONGLEY et al., 2013).
Existem diversas formas de aquisição de dados para abastecer esse sistema, dentre as quais se podem citar entre as mais comuns aquelas oriundas dos equipamentos de posicionamento por satélite e sensoriamento remoto. É preciso destacar que as informações geográficas, tratadas por estes sistemas, são componentes essenciais das geotecnologias.
Para Sousa (2007), as geotecnologias permitem a realização de análises complexas ao integrar dados de diversas fontes (sensoriamento remoto, cartografia digital, bancos de dados e Sistema de Posicionamento Global.). Para essa integração, há softwares que possuem recursos (contrastes, composições, segmentação, classificação etc.) que permitem individualizar geo-objetos, isto é, alvos estudados (água, solo e vegetação), e, ainda, separar os diferentes níveis de degradação das terras e as distintas classes de cobertura vegetal, dando como resultado a criação de bancos de dados georreferenciados.
Com isso, podem-se definir geotecnologias como conjunto de técnicas que permitem análise, manipulação e processamento de informações espaciais. Em grande parte das análises e monitoramento da superfície terrestre, dados obtidos por sensoriamento remoto têm-se tornados imprescindíveis, por proporcionarem uma periodicidade necessária à realização de diagnósticos ambientais.
Com a inovação dos meios de exploração dos recursos naturais, a necessidade de estudos, que acompanhassem a dinâmica das modificações no meio ambiente, também, cresceu, como por exemplo, as técnicas de sensoriamento remoto que possibilitaram o estudo de impactos ambientais em diversos biomas de diferentes locais na superfície da Terra, tornaram-se, assim, um campo em contínua evolução. O conceito mais específico para sensoriamento remoto leva em conta as funções dos sensores e a transferência de dados por intermédio de energia entre o objeto e o sensor. Alguns autores afirmam que o aspecto chave na definição do sensoriamento remoto não é o nível de coleta de dados e sim o uso de sensores de radiação eletromagnética para inferir propriedades de objetos da superfície terrestre.
Novo (2009) passa a definir sensoriamento remoto como sendo a utilização conjunta de sensores, equipamentos para processamento e transmissão de dados colocados a bordo de aeronaves, satélites ou outras plataformas, com objetivo de estudar eventos, fenômenos e processos que ocorrem na superfície do Planeta Terra a partir do registro e da análise das interações entre a radiação eletromagnética e as substâncias que o compõem em suas mais diversas manifestações.
Os sensores são equipamentos capazes de coletar energia proveniente do objeto, convertê-la em sinal possível de ser registrado e apresentá-lo em forma adequada à extração de informações.
A evolução e criação de sensores mais sofisticados, que possibilitam imagens com alta resolução e a disponibilização de dados em larga escala, têm impulsionado o crescimento e a divulgação do sensoriamento remoto (SILVA et al. 2010), o que proporciona dados mais confiáveis, que asseguram o acompanhamento dos fenômenos estudados, como o processo de desertificação e as modificações na distribuição espacial da vegetação.
A utilização de imagens de satélite para o estudo da dinâmica do processo de desertificação em áreas do semiárido nordestino vem sendo frequentemente realizada. Nesse sentido, podem-se citar os trabalhos desenvolvidos recentemente por Silva et al. (2009) na região de Gilbués-PI, com a finalidade de identificar e diagnosticar o nível de desertificação por meio de imagens de satélite; Paiva e Silva (2009) utilizaram imagens MODIS e TM para detecção de áreas degradadas na sub- bacia do Taperoá-PB, e Freire (2004) cuja pesquisa sobre o análise e mapeamento da desertificação na região do Xingó utilizou o Sensoriamento Remoto e Sistemas de Informação Geográfica.
Em outras regiões Semiáridas no mundo, o emprego das getecnologias tem proporcionado resultados satisfatórios. Santini et al. (2010), em pesquisas na ilha de Sardenha na Itália, utilizaram as ferramentas de SIG e modelagem para avaliação de risco à desertificação, integrando índices e fatores do processo. Huang e Siegert, (2006) utilizaram imagens SPOT com ênfase na detecção de vegetação esparsa como indicador de desertificação no norte da China, o que proporcionou dimensionar a dinâmica das mudanças ambientais e os processos de desertificação.
Nessa perspectiva, Adamo e Meyer-Crews (2006) analisaram o risco ambiental e a desertificação no centro-oeste da Argentina, quando realizaram análise por Sensoriamento Remoto e índices de vegetação, ocasião em que
detectaram mudanças e fragmentação na vegetação entre 1973 e 2001, confirmando a degradação ambiental na região.
Impulsionados pela disponibilização de dados orbitais por órgãos nacionais e internacionais, o uso do sensoriamento remoto tem sido cada vez mais frequente, e as demais geotecnologias são utilizadas por diversos autores que estudam a região Semiárida sob as diferentes formas de abordar as questões ambientais e as interferências das ações humanas ao meio ambiente.
Dessa forma, as geotecnologias se firmaram como ferramentas de grande apoio para a elaboração e execução de projetos e estudos de análise ambiental, desde que dados com informações geográficas possam ser coletados.