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Er det sammenheng mellom endringer i sysselsetting,

3 Vekst og verdiskapning

3.3 Er det sammenheng mellom endringer i sysselsetting,

O evento da morte anunciada põe o sujeito diante de algo que cessa todo o movimento de fruição, de domínio, de poder. Esse movimento, iniciado já na hipóstase e que, até o sofrimento, no anúncio da morte, o sujeito não conhecia outra forma de ser. A morte coloca o Sujeito diante de outro modo que ser, coloca o Eu diante do Outro. A morte de si não é algo que o ser alcança, ela vem sem que o Eu tenha chamado.

Essa aproximação da morte indica-nos que nós estamos em relação com algo que é absolutamente outro, algo que possui a alteridade, não como uma determinação provisória, algo que nós podemos assimilar pelo gozo, mas algo cuja existência mesma é feita de alteridade. É assim que a minha solidão não é confirmada pela morte, mas pela morte quebrada (LÉVINAS, 1979, p. 116).

A socialidade, a pluralidade não significa a multiplicidade de existentes, mas se revela como um evento no próprio existir do existente. É como se o existir se alienasse diante da morte, diante da qual ele não tem mais poder. Porém, esse Outro que se anuncia não possui esse existir no modo como é próprio de o sujeito possuir. Esse Outro revela-se fora do meu conhecimento; sobre ele, o Eu não tem gozo (conhecimento). A alteridade não é o encontro com um outro Eu, semelhante a

Heidegger, a morte não é nunca um fato puramente extrínseco que sobrevenha a uma existência já realizada e estabelecida. A inevitabilidade da morte se inscreve, desde o princípio, na estrutura ontológica da existência. Todas as crianças que nascem estão já a caminho da morte. A existência humana pode definir-se essencialmente como um “ser para a morte”. A estrutura da morte está enraizada no fato de que a existência é fundamentalmente preocupação e angústia. A angústia fundamental e profunda que se manifesta na experiência humana não é realmente mais que angústia diante da morte. A autenticidade se realiza unicamente quando o homem se enfrenta, fria e realisticamente, com a irreversível necessidade da morte, isto é, a própria morte. Nesse enfrentamento, o indivíduo se converte em homem livre e autêntico. Nada pode morrer em lugar de outro. Morre-se por conta própria, em meio à mais perfeita solidão. Diante disso, podemos dizer que a vida é absurda? Heidegger não fala de que seja absurda. E recusa categoricamente o suicídio. É necessário esperar a morte, isto é, antecipar, na mente, a morte inevitável e compreender à luz dessa morte a possibilidade do momento. Somente na grandeza trágica e solitária frente à morte, pode-se encontrar cada um durante uns breves momentos, algo de si mesmo, uma autenticidade provisória. Sua liberdade se converte, desse modo, em liberdade para a morte (GEVAERT, Joseph. 1983, pp. 295-353).

si. A alteridade é exterior ao eu e é justamente essa absoluta exterioridade que possibilita a alteridade, a relação com Outro, não um diferente que é assimilado no Mesmo. O Outro não tem correspondência com o Eu, não são correlativos. Esse é o evento da total alteridade.

Porém, resta ainda um problema: se a morte é o evento em que o Outro se manifesta ou, ainda, se a morte jamais é presença, como o Eu poderá pôr-se diante do Outro sem aniquilar-se? O Outro seria sempre anúncio, jamais presença no existir do sujeito. Seria apenas por-vir. Porém, no presente, o Eu permaneceria só, e sua solidão ainda não teria sido quebrada. Na relação com a morte, ou o Eu assumiria o evento que a morte anuncia ou esta assumiria o Eu. Em ambas as possibilidades, o Mesmo prevaleceria. A relação com esse evento que a morte anuncia terá que se constituir numa outra perspectiva, em que ambos os termos não se excluam, nem mesmo como participação.

Lévinas trata, então, da “relação com o Outro (autrui), o face-a-face com o outro, o encontro de um rosto que, ao mesmo tempo, dá e tira o outro. O outro (autre) assumido é outrem (autrui)” (LÉVINAS, 1979, p. 120).

Independentemente da resposta que Lévinas dará a esse problema, convém salientar que surge uma questão no evento da morte que se anuncia: a possibilidade de o Eu existir sem poder, um outro modo de existir, sem que seja essencial, ou seja, sem que tenha que dominar, lutar pela existência. Existir sem interesse, sem que tenha de tomar para si tudo o que está à sua volta. O ser humano, nessa perspectiva, pode, a partir do Outro, que é anunciado na morte, ser além da essência, sem domínio, sem poder. Porém, tal possibilidade não é arrancada do próprio Eu, mas suscitada por Outro. O Eu vê que é possível existir, não em função de si, mas voltado para o Outro. Uma conversão que não foi provocada por sua própria vontade, mas por um evento do qual ele não tem domínio. A conversão (de voltar-se para o Outro e deixar de viver para si) tem origem no Outro.

O evento que a morte anuncia provoca excedência ao Sujeito. O Eu diante do Outro excede a sua natureza, dá um salto para além da essência, passa à “outra margem”. E é aqui que começa a ser forjada a subjetividade na concepção levinasiana. O sujeito não é apenas o movimento essencial de ser próprio. Através do seu poder, nele encontramos algo que está além da essência, mas que não tem

origem em si, e sim, no Outro. A essa relação com o Outro, Lévinas irá chamar de

ética.

Nós chamamos ética uma relação entre termos onde um e outro não estão unidos nem por uma síntese de entendimento, nem por uma relação de sujeito e objeto e onde, no entanto, um pesa ou importa ou é significante em relação ao outro, onde estão ligados por uma intriga que o saber não podia esgotar, nem desdobrar (LÉVINAS, 2001, p. 225).

A relação ética não é proveniente da ontologia, não tem como referência o ser. A intenção de Lévinas, com o seu discurso sobre o Eu e a subjetividade é a de mostrar que o outro ser humano não pode ser compreendido pela preposição mit, tal como ele, aliás, já mencionara isso no início de O Tempo e o Outro (LÉVINAS, 1979, p. 79). O autor concebe que a situação essencial do Miteinandersein (estar- reciprocamente-um-com-outro) remete à idéia de uma associação de igualdade a propósito de algo, de algum termo comum, como se fossem termos iguais voltados para uma mesma direção, mas não voltados um para o outro. A relação do Eu com o Outro, para Lévinas, é um face-a-face. Assim, por exemplo, o Eu se depara com o evento que a morte anuncia, de frente. E, mais ainda, a relação que se instaura entre o Eu e o Outro não é simétrica. Existe aí uma desproporcionalidade, visto que ambos são de natureza diferente, sem correspondência na ordem da natureza ou da essência. O ser humano não é com o outro, mas “outramente”, no face-a-face diante do outro.

A reflexão de Lévinas nos permite conceber a possibilidade de o Eu “ser outramente” (autrement) ou “de outro modo que ser”, num movimento inverso do ser, enquanto esse está centrado em si, em existir; o “outramente” que ser implica um movimento de saída de si em direção ao outro. Ao invés de ocupar-se de si mesmo, o Eu passa a ocupar-se do Outro.

A respeito da Subjetividade, devemos esclarecer que o Eu levinasiano adquire um outro movimento, para além da sua essência, para além do poder de existir. O Eu, na perspectiva levinasiana, além de existir para si, é também um

Lévinas situa o cruzamento do ser com o além doser na subjetividade. Uma espécie de sincronia entre a essência e o “outro modo que ser”, um épos27 unificante no tempo e na história. A subjetividade é justamente esse épos que se realiza na

subjetividade ou humanidade.

Haverá que mostrar já desde agora que ex-ceção de “o outro modo que o ser” – mais além do não-ser – significa a subjetividade ou a humanidade, o si-mesmo que repudia as anexações da essência. Eu, como unicidade, fora de toda comparação, já que, à margem da comunidade, do gênero e da forma, ao não encontrar mais repouso em si mesmo, in-quieta desde o momento em que não coincide consigo mesmo. Unicidade da qual o à margem de si mesmo, a diferença com respeito a si é a não-diferença propriamente tal e a extra-ordinária recorrência do pronominal ou do reflexivo, o se que, não obstante, já não assombra a nada porque entrou na linguagem

vulgar e corrente em que as coisas se mostram e as idéias se

compreendem. Unicidade sem lugar, sem a identidade ideal que um ser toma do querigma que identifica os aspectos inomináveis de sua manifestação, sem a identidade do eu coincidindo consigo mesmo, unicidade que se retira da essência; enfim, homem (LÉVINAS, 1999, pp. 51-52).

Lévinas chama de “momento de lucidez”, na história da filosofia, a ruptura da essência pela subjetividade. O metafísico, nessa perspectiva, encontra-se fora do ser. Para Lévinas, parece ser algo que cruza a imanência, sem estar preso a ela. Uma espécie de “relâmpago” que corta o histórico, o dito. Porém, ao cortar a história, ele se “historiciza”, mesmo que, no ser “historicizado”, não se fixe. E, ao efetuar um corte no dito, ele acaba também, por um instante, possível de ser dito, mesmo que, já ao dizê-lo, sua significação não possa abarcá-lo.

Nesse sentido, podemos responder a questão que antes ficara sem resposta. Esse Outro que se anunciara na morte não é uma espécie de (il y a), sem existência, mas também não é pura existência. Ele aparece, mas não se fixa. Esse

de outro modo que ser se dá no tempo e não, fora dele. A essência e o seu além não significam um corte para outra realidade extra-mundo, atemporal. Assim como a essência, o “outro modo que ser” realiza-se no tempo.

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Acontecimento extraordinário e maravilhoso (var. epopéia), uma significação que se anuncia, evento extraordinário (sem mediação), um querigma, e não, apenas, um enunciado, entendendo- se aqui “enunciado” como sentença que “indica” algo. O “épos” ao qual se refere Lévinas é o próprio “algo” que se manifesta.

Porém, a relação que esse outro modo que ser estabelece com o tempo possibilita um outro modo de temporalização, capaz de condensar qualitativamente o “outro modo que ser”, mais além da essência e do dito, anacrônico e enigmático, “uma diacronia refratária a toda sincronização, uma diacronia transcendente” (LÉVINAS, 1999, p. 53). O outro modo que ser não é a-histórico ou fora do tempo. Embora ocorra no tempo e na história, opera um corte no curso do ser, por isso

diacrônico, assim como explica René Bucks:

Trata-se de uma transcendência do ser na imanência, uma superação da história que, no entanto, ocorre no interior da história e nela se reflete. O tempo diacrônico escapa definitivamente ao discurso ontológico, que sincroniza tudo, inclusive o passado e o futuro, representando-os. O tempo diacrônico é o tempo não sincronizável (BUCKS, 1987, p. 83).

O Dizer, ou esse além da essência, Lévinas considera como “a modalidade da transcendência”. A subjetividade é justamente esse enlaçamento e desenlaçamento da essência e o outro que a essência no tempo, sem, contudo, prender-se a ele. A concepção levinasiana de subjetividade não é pura finitude, mas carrega já a idéia de Infinito, a possibilidade de existir para além da essência. Na subjetividade, está incrustado o desejo do Outro, nela se encontra a possibilidade de ocupar-se não apenas com o ser próprio, mas com o de outrem que será, como veremos no próximo capítulo, expressão, manifestação do Infinito no tempo.

Contudo, a manifestação do Infinito no tempo precisa ser pontuada, mesmo sem termos a pretensão de achar que, nesse ponto, o tema estaria esgotado. Ao falar sobre a possibilidade de outro modo que ser no tempo precisamos identificar um evento “diacrônico” em que se dá o “enlace” entre o ser e outro modo que ser. Para Lévinas, o modo como a subjetividade tem de acolher o Outro (Infinito, transcendente) na história é a responsabilidade para com o outro alguém, o outrem.

Uma responsabilidade que é incutida pela idéia de Infinito, pelo desejo metafísico de ser para além da essência, portanto, uma responsabilidade que não tem como origem o próprio Eu, mas que provém do Infinito.

A subjetividade traduz um humanismo em que o “ser” humano implica também em ser mais além do que a sua essência. A essência, poderíamos dizer, é o “em si”, o ser voltado para si, interessado, fruição; enquanto o “mais além da

essência” ou autrement indica a responsabilidade, o voltar-se para outrem, a flexão diante do outrem, o desinteresse.

O outrem é a expressão do Dizer, apresenta o Infinito, mas não se reduz a ele. O outrem apresenta-se como linguagem. Um dizer a espera de resposta, um dizer que arranca o ser para além, para outro modo que ser. A responsabilidade é o evento em que o Dizer acontece, não como um grito no deserto, mas como um encontro, como diálogo. A responsabilidade é a resposta do ser ao Dizer proveniente de outro modo que ser.