Foram entrevistados através de um questionário semiestruturado todos os especialistas em Fitoterapia do Núcleo de Fitoterápicos do Estado do Ceará, 07 (sete ao todo) excetuando-se um membro que se aposentou na ocasião da pesquisa e por isso não quis responder ao questionário. A faixa etária dos entrevistados é de 43 a 58 anos, quatro são do sexo masculino e três do sexo feminino. Todos residem no estado do Ceará. A equipe de especialistas é formada por 04 engenheiros agrônomos, 02 farmacêuticas e 01 química, todos vinculados ao Governo do Estado do Ceará através da Secretaria de Saúde e/ou Secretaria de Agricultura. Em relação à qualificação profissional há 01 mestre, 01 especialista e 05 graduados. A equipe atua na gerência, fiscalização, treinamento/capacitação e implantação de unidades de Farmácias Vivas no estado do Ceará, bem como nos estágios supervisionados na área de fitoterapia de algumas IES, sendo referência na área de fitoterapia em saúde pública.
Cinco questionários foram aplicados pessoalmente pelo pesquisador. A tarefa do pesquisador resumiu-se a entregar os formulários e recebê-los após o preenchimento, na presença de uma testemunha, conforme TLCE. Outros dois questionários foram aplicados via formulários
on line do Google®.
Na avaliação da parte II do questionário que trata dos aspectos gerais sobre formação em saúde foi verificado que na opinião dos especialistas cearenses, a formação acadêmica oferecida para profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, etc.) no estado do Ceará é satisfatória. Quanto à formação acadêmica oferecida para profissionais de saúde em plantas medicinais e fitoterápicos no estado do Ceará os especialistas avaliaram como regular. Para a maioria dos entrevistados as universidades possuem um papel estratégico para a formação de profissionais de saúde aptos ao trabalho com plantas medicinais. Todos os especialistas cearenses
do NUFITO acreditam que a inserção de disciplinas de plantas medicinais e fitoterápicos nos cursos de graduação em saúde é de fundamental importância para a saúde pública do Brasil, em especial a atenção básica. O conhecimento de plantas medicinais e fitoterápicos pelos profissionais de saúde é considerado pelo grupo como imprescindível para a promoção da saúde e a capacitação em serviço (treinamento/atualização) dos profissionais de saúde faz-se necessária para a ampliação da fitoterapia no Brasil e promoção do uso racional.
Na análise da parte III dos questionários que se refere às opiniões pessoais dos especialistas cearenses sobre as temáticas plantas medicinais e educação superior, verificou-se que a situação das plantas medicinais e fitoterápicos no Estado do Ceará, evidenciada pela equipe de especialistas cearenses, no que consiste ao interesse dos profissionais de saúde sobre o tema é de pouco interesse, ou interesse superficial que são atribuídos à falta de conhecimento. Fatores citados como ocasionadores da falta de interesse foram os baixos salários pagos aos profissionais que atuam no setor (referindo-se ao serviço público na atenção primária à saúde). Quanto à questão da resistência de alguns profissionais de saúde ao trabalho com fitoterapia, foram atribuídos diversos motivos tais como, falta de conhecimento na área, falta de aprofundamento das pesquisas com plantas medicinais, implementação de políticas públicas, descrédito da terapêutica, falta de informação. Verificou-se que vários aspectos relacionados à educação, à saúde e à participação do governo foram mencionados, demonstrando que no entendimento do grupo, para o pleno desenvolvimento do profissional na área, são necessárias ações conjuntas entre: Ministérios da Educação, Saúde, Agricultura, bem como Prefeituras, Estados, entre outros.
Como fatores imprescindíveis para a qualificação dos profissionais de saúde em fitoterapia foi colocada pela equipe dos especialistas cearenses do NUFITO a questão da obrigatoriedade da temática nos currículos de graduação das universidades, criação de cursos de especialização, cursos de extensão, políticas públicas voltadas para o ensino da fitoterapia, bem como treinamento continuado em serviço.
Como sugestão para as universidades cearenses a equipe enfatizou a inserção de disciplina de fitoterapia na grade curricular, ampliação da pesquisa, ensino e extensão, promoção sistemática de eventos científicos na área, integrar as práticas integrativas e complementares nos currículos de saúde, mais projetos de investimento. Como característica comum, os entrevistados avaliam as ações da Política Pública de Plantas Medicinais e Medicamentos Fitoterápicos na educação superior em saúde no Ceará como insuficiente para atender às demandas de formação
na área, devido aos diversos fatores já citados e à falta de financiamento para cumprimento de suas diretrizes.
Em resumo, os especialistas cearenses atribuem um papel central às IES na formação acadêmica na área de plantas medicinais e fitoterapia no estado. Esse fato pode ser em parte atribuído ao papel estratégico que a UFC ocupa nas pesquisas com plantas medicinais regionais e a criação do Programa Farmácias Vivas. Também reconhecem que as IES cearenses de maneira geral não têm cumprido o papel que caberia a elas, que seria a formação acadêmica e científica sólida preconizada pela PNPMF, ainda na graduação e isso pode ser um fator responsável pelo desconhecimento de muitos profissionais de saúde em relação à temática, o que culmina por gerar preconceito. Salientam a obrigatoriedade da temática nos currículos de graduação das IES, a criação de cursos de especialização no estado, cursos de extensão, bem como treinamento continuado em serviço e avanço das pesquisas. Para eles é necessária uma maior atenção do poder público estadual no sentido de propiciar o pleno desenvolvimento da Fitoterapia no Ceará, principalmente através de financiamentos permanentes em apoio às unidades de Farmácias Vivas existentes, para que as mesmas possam contar com uma equipe permanente de profissionais capacitados de forma a propiciar campo para os estágios curriculares no SUS, capacitação de profissionais em serviço e atendimento contínuo às demandas da sociedade.
6.5 A Percepção dos Membros dos Conselhos de Classe de Fortaleza sobre o Ensino das