Em meio às aspirações da população mariliense que há muito tempo esperavam pela criação de uma faculdade e pela “agência”30 dos deputados estaduais que representavam a cidade de Marília e região (Mauricio dos Santos e Aniz Brada) a FFCL de Marília foi criada. Somando-se as aspirações e iniciativas da população e de políticos a Imprensa local também foi responsável por dar visibilidade à aspiração dos marilienses e cobrar a criação dessa faculdade.
Castilho (2009), e Tobias (1975), ressaltam a importância da imprensa local na reivindicação frente ao governo local e ao governo estadual em prol a criação de escolas para a cidade. Tendo resolvido o problema da instrução primária e secundária, a aspiração da população da recém-criada cidade de Marília passa a ser a instrução superior.
[...] depois de, através de sua imprensa, conseguir suas primeiras escolas oficiais, suas escolas Reunidas de Marília, seu Grupo Escola de Marília, seu Ginásio Estadual de Marília e sua Escola Normal, a cidade de Marília passa a almejar por uma coisa inaudita, uma universidade, que na época só existiam em três capitais do Brasil. (TOBIAS, 1975, p.191)
Ou ainda:
Por meio de levantamentos dos jornais31 que circulavam em Marília no período estudado, foi possível obter informações sobre a importância da criação de uma instituição pública de ensino superior para Marília e região, e inteirar melhor o leitor do que seria uma Faculdade. (CASTILHO, 2009, p.68-69).
A criação dessa faculdade foi amplamente noticiada pelos jornais da cidade com especial destaque para o Correio de Marília. Todos os assuntos referentes a essa faculdade foram noticiados por esse jornal. Em uma visita à Câmara dos Vereadores da cidade que possui um acervo dos dois principais jornais impressos naquela época – Correio de Marília e o Diário de Marília – tivemos a oportunidade de observar nas
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Bourdieu define a estratégia como um momento em uma série de trocas materiais e simbólicas que se define pelas posições ocupadas pelos agentes na relação. As estratégias são segundo Bourdieu: “invenção permanente, indispensável para se adaptar às situações imediatamente variadas, nunca perfeitamente idênticas” (2004, p.81). Logo, as estratégias podem ser definidas como possibilidades de ação ou como Bourdieu denomina “atos de jogo” que estão inscritos no jogo (relações que se travam dentro do campo político), mas, que serão acionadas dependendo da situação e posição dos agentes em ação.
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Os principais jornais criados desde a fundação de Marília até a criação da Faculdade de Filosofia foram: Correio de Marília criado em 1928 e atualmente funciona com o nome de “Jornal Diário”; Alto Cafesal de 1928; Correio Diocesano de 1937; Diário Paulista de 1933; Diário de Marília de 1935; Jornal de Marília de 1939 e Jornal do Comércio de 1946.
páginas desse jornal nos anos de 1955 a 1959 como esse evento foi amplamente noticiado: desde iniciativas dos políticos da cidade – vereadores e deputados – na elaboração de projetos a serem apresentados na Assembleia Legislativa; o parecer positivo sobre a conquista do instituto para o Município; a publicação dos cursos disponíveis; aviso e convites de eventos e atividades realizadas na faculdade. à população local durante muito tempo foram publicados nesse jornal.
Essas notícias sobre a Faculdade publicadas nesse jornal serviram para aproximar os moradores da cidade e a Faculdade. Segundo a professora Yoshiko Tanabe, - que também foi uma das primeiras estudantes e depois docente do curso de Ciências Sociais em entrevista ao projeto “Institutos Isolados de Ensino Superior de
São Paulo (1923 - 1976): Memória e História” concedida a Leonor Maria Tanuri nos
anos de 1992 - existia uma estreita relação entre a recém-criada Faculdade e os habitantes da cidade:
Havia muita gente da cidade participando das palestras e eu tenho a impressão que as palestras não eram tão herméticas assim, sabe Leo [Leonor Tanuri entrevistadora] a tal ponto de chamar atenção do pessoal da cidade que ia lá e entendia porque senão o pessoal não iria mais. Havia sempre concertos, havia os jograis estiveram em Marília, houve uma japonesa concertista, Lady não sei das quantas, não me lembro o sobrenome dela, que veio e se apresentou lá na Faculdade, esse piano de calda era sempre utilizado para grandes concertos. A própria cidade, quer dizer, havia algumas coisas que também tinham a participação da Faculdade [...]. (TANABE, Yoshiko. Entrevista nº01, 3 de nov. de1992, CEDEM/UNESP)
Também em entrevista ao projeto “Memória da Universidade”, o Professor
José Roberto Amaral Lapa (1992), um dos professores que estiveram em Marília desde a criação da faculdade ressalta a grande participação da população local nos eventos
dessa faculdade: “Em Marília, por exemplo, havia um circuito muito largo de pessoas
de todas as categorias que participavam de tudo da faculdade. Estavam sempre presentes, sempre nos apoiando, etc.”
Durante os primeiros anos de criação da Faculdade houve um envolvimento grande com a comunidade local. Essa relação de proximidade foi estreitada ainda mais pelas inúmeras publicações sobre a Faculdade em seus jornais locais. Integração que talvez não se observe mais entre a comunidade acadêmica e os habitantes de Marília,
mas no momento de sua criação com o entusiasmo pela grande conquista “coletiva”
seus representantes políticos fizeram dessa um espaço importante de encontro entre a comunidade mariliense e a Faculdade. Ainda segundo a Professora Yoshiko Tanabe (2014, p.3), devido ao grande envolvimento do pessoal da Faculdade com a cidade e a participação, da comunidade mariliense nos eventos promovidos, transformou-a em um
“polo cultural da cidade”.