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2.THE ERENACH’S WIFE

5. EORANN, LAST VISIT

A presente pesquisa bibliográfica, realizada junto a BVS-Psi, que resultou no levantamento de 14 artigos científicos sobre a inclusão de crianças com autismo na Educação Infantil, permitiu observar que se trata de um tema pouco estudado e explorado, mas, ainda assim, altamente fértil para a elaboração de compreensões e considerações de diversas ordens, bem como de indicativos sobre possíveis pautas e focos de atenção para construção de novos conhecimentos e responsabilidades com a inclusão de crianças com autismo na Educação Infantil.

Na interlocução com os artigos da literatura, constatamos que, ao abordarmos o autismo, adentramos num território onde a multiplicidade de manifestações impera e exige diferentes condutas, conforme a singularidade de cada criança. A própria existência de

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controvérsias e divergências na forma de conceber e lidar com o autismo revela a heterogeneidade encontrada nessa condição e, por conseguinte, reforça a necessidade de formular intervenções personalizadas que abarquem as necessidades diversas das crianças diagnosticadas com tal transtorno. A partir disso, evidencia-se a necessidade de novos estudos para clarificar e aprofundar na complexidade conceitual do autismo, bem como investigar se e como os diferentes conceitos de autismo estão presentes nos espaços educacionais, interferindo na atuação dos diferentes profissionais da Educação Infantil.

Com a pesquisa, constatamos que a maioria dos estudos concedeu atenção secundária, ou mesmo nenhuma, às peculiaridades da Educação Infantil e à importância da participação da família na inclusão escolar. Torna-se, portanto, de grande relevância, a realização de novas pesquisas que aprofundem na compreensão das experiências e do desenvolvimento das crianças de 0 a 5 anos nas escolas, com uma metodologia que esteja atenta às particularidades desse período da vida enquanto época de primeiras experiências de socialização fora do espaço familiar, sem perder de vista a importância da parceria educativa que pode ser promovida na relação escola-família visando ao desenvolvimento integral das crianças..

No cenário de inclusão das crianças com autismo na Educação Infantil, o conjunto de estudos analisados ora se aproxima do potencial interativo e educativo dessas crianças, valorizando os momentos de interação e de ensino-aprendizagem para o desenvolvimento de todas as crianças, mas ora se fixa nas limitações e dificuldades presentes na descrição de seu diagnóstico. Nesse sentido, ressaltamos a importância da realização de novos estudos que explorem e evidenciem as potencialidades das crianças com autismo e os recursos capazes de promover momentos de aprendizado e vivência social a essas crianças, reforçando, assim, o movimento da Inclusão Escolar. Como uma quantidade mínima dos artigos levantados discute os benefícios da inclusão para o desenvolvimento de todas as crianças, não somente para

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àquelas com autismo, considera-se relevante, ainda, a realização de investigações que abordemos efeitos desse complexo processo para todos os atores envolvidos.

A pesquisa bibliográfica realizada, destacou o potencial atribuído, pelos estudos, à relação professor-criança na efetivação e enriquecimento do processo de inclusão. Indicamos, contudo, carências no que tange à discussão sobre os posicionamentos e atuações de outros profissionais da educação no processo de inclusão, tendo em vista que a responsabilidade pela qualidade do serviço educacional é de todos os membros da comunidade escolar. É nesse sentido, que entendemos ser importante ampliar e aprofundar nos estudos sobre o vínculo professor-criança e suas implicações na convivência social e nos processos de aprendizagem das crianças, bem como colocar a relação entre criança e outros atores institucionais como nova perspectiva de análise em futuras investigações.

A indicação da presença e relevância de práticas interdisciplinares para a efetivação da inclusão escolar, nos estudos analisados, parece aflorar a necessidade de unir forças de diferentes campos de conhecimentos, articulando saberes e técnicas, para fazer frente à complexidade do processo de inclusão e de desenvolvimento das crianças. A interdisciplinaridade, nas instituições de Educação Infantil, pode ser um dispositivo potente, uma vez que possibilita a ampliação dos caminhos e produções para o enfrentamento dos desafios colocados pelo autismo, num exercício corresponsável e compartilhado entre os diferentes profissionais. A partir disso, consideramos de grande relevância investigar os alcances e limites da abordagem interdisciplinar nos casos de autismo presentes nas creches e pré-escolas, adentrando nas possibilidades e efeitos causados pela articulação de diferentes conhecimentos.

Observamos também que pouco, ou quase nada, é mencionado sobre como podem ser viabilizadas adaptações estruturais e pedagógicas da Educação Infantil, e outras melhorias nas instituições educacionais como um todo, em prol da inclusão e em consonância com as

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prerrogativas legais vigentes no país. Notadamente, há uma ênfase no papel do professor diante da responsabilidade de gerar adaptações focadas nas características das crianças, mas não há uma discussão sobre os alcances e limites impostos pela estrutura e organização das escolas, bem como pelas questões amplas do contexto sócioeconômico no qual estão inseridas. Nesse sentido, torna-se essencial novas pesquisas que se direcionem a uma visão global e integral das creches e pré-escolas, trazendo em pauta a realidade dos espaços físicos, dos recursos materiais e humanos e das condições de trabalho, bem como buscando no macro contexto da sociedade os elementos necessários para compreender as dificuldades de implementar mudanças estruturais e pedagógicas. Para além da dimensão teórica, esperamos que a realização de trabalhos nessa direção possibilite a construção de conhecimentos que incentivem e fomentem a elaboração das políticas públicas destinadas às crianças com autismo, de forma articulada com os movimentos sociais e educacionais vinculados à infância e à questão da inclusão no país.

Dessa forma, a presente pesquisa configura-se como um recorte de uma discussão mais ampla, que visa contribuir para um maior entendimento do processo educacional das crianças com autismo na Educação Infantil. Por mais que não tenha sido a intenção de esgotar o assunto, acreditamos na importância de dar visibilidade aos trabalhos elaborados e oferecer suporte teórico e empírico aos futuros estudos e investimentos comprometidos com a complexa tarefa de apostar nas crianças e dar lugar e voz à sua realidade e às suas necessidades, dentro de espaços escolares que, acima de tudo, são um direito. Assim, almejamos que as instituições de Educação Infantil, através do fortalecimento e disseminação da Educação Inclusiva, contribuam de forma efetiva com o desenvolvimento e as trajetórias de vida das crianças brasileiras.

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