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Kapittel 4 – Analyse

4.5 Porteføljeerfaring

4.5.2 Entreprenøriell erfaring i evalueringsprosessen

Na oportunidade, iremos analisar a tese de doutorado de Ribeiro, de 1989, quando o autor aplica a abordagem metodológica de Bertrand (1968). A escolha deste trabalho para fins de análise, se deve ao fato de ser o único, de meu conhecimento, que procura seguir o roteiro metodológico sugerido por Bertrand. Procuro, através da interpretação de Ribeiro, mais sustentação teórica na base metodológica que irei propor.

Observa-se o autor que a noção da metodologia geossistêmica, na abordagem da Geografia Física, propícia uma discussão teórica que persiste no ambiente acadêmico, com o objetivo de superar a dicotomia da Geografia Física e Geografia Humana.

A procura por uma interpretação, ou postulação de paisagem, a qual possa proporcionar-me uma metodologia adequada à mesma, bem como um respaldo teórico que se alicerçasse nos estudos integrados da Ciência Geográfica. Conheci muitos trabalhos, em sua maioria, dando ênfase à especificidade, tratando do urbano, do rural, da geomorfologia, climatologia..., fragmentando o saber. Não é esse caminho que pretendo seguir, o da fragmentação, e sim, o da interação dos estudos geográficos, a partir da categoria paisagem.

Uma colocação muito relevante é encontrada em Ribeiro (1989), que se desfaz do contexto da especificidade do conhecimento na Ciência Geográfica, e opta por trabalhar o espaço geográfico em uma dimensão ampla e integrada, resultando numa organização espacial, feita, principalmente, de um apanhado empírico e, tendo como categoria de análise, a paisagem, propiciando o entendimento da relação sociedade e natureza.

Vale ressaltar que a noção de paisagem na Geografia Tradicional era tida como algo descritivo e narrativo, dotada de um forte conteúdo empírico, por isso esquecida na Nova Geografia, onde as análises críticas se fazem presentes.

Ribeiro (1989) consegue reviver dois momentos esquecidos na Geografia, o empírico e a noção de paisagem. O empírico parece enraizado na própria experiência do autor, tendo ingressado como geógrafo, no Ministério das Minas e Energia, no Projeto RADAMBRASIL nos anos (1975-1983), dedicado a estudos geográficos das paisagens brasileiras, dotados de forte conteúdo empírico. O empírico adotado pelo autor não conduz a uma interpretação somente narrativa e descritiva da paisagem. A visão transcende o visível e logo é colocado após uma “descritiva e narrativa” visão das paisagens aparentes em sua área de estudo.

Segundo o autor, os processos da natureza e da sociedade são responsáveis por produzirem a paisagem, no sentido de generalização e, com isso, de sua reprodução e transformação.

Vale salientar que, para a compreensão da paisagem, o autor se fundamenta, inicialmente, na compreensão do geossistema proposto por Bertand (1968). Coloca Ribeiro que o potencial ecológico constituído do estudo da geologia, da geomorfologia e do clima, conduziria à compreensão dos solos e da vegetação como fatores da exploração biológica do espaço, tendo, na ação antrópica, um agente de transformação, ao longo do processo de seu desenvolvimento histórico. Ribeiro tenta materializar a concepção metodológica de Bertrand, proposta em 1968.

A exploração dos elementos da natureza pode estar relacionada não com a exploração da vegetação ou do solo, configurados como “exploração biológica”, o desenvolvimento da sociedade pode estar intrinsecamente relacionado com os componentes do potencial ecológico, principalmente na área de litoral, na exploração do visível. Noutras palavras, as dunas, ou até mesmos as condições de clima, e do sol no Estado do Ceará que deixou de ser sinônimo de

seca para se tornar objeto de propaganda às empresas turísticas que trabalham no litoral da região.

Nessa visão integrada da natureza e da sociedade, o autor destaca, inicialmente, o papel da natureza afirmando a importância da mesma no processo de construção da paisagem. Destaca que em cada produto existe a correspondência de um conjunto de características derivadas do potencial ecológico e da exploração biológica da paisagem. Mas adverte o forte papel da sociedade já que a mesma teria a capacidade para mobilizar os fatores da exploração biológica (solos e vegetação), criando paisagens em equilíbrio dinâmico, com o aumento da capacidade de uso. Esta capacidade relaciona-se ao emprego de técnicas no solo agrícola.

Buscamos na tese de Ribeiro (1989), entender a base metodológica de Bertrand quando da sua aplicação. A compreensão do que venha a ser paisagem, fica bem clara quando a define como a síntese concreta das relações entre a sociedade e a natureza, em sua estrutura e dinâmica. No entanto, o autor não propicia uma dinâmica dos fatores inseridos no potencial ecológico.

O autor busca, de início, o entendimento conceitual sobre a paisagem, na citação de Bertrand (1968);

A paisagem não é a simples adição de elementos geográficos disparados. É, numa determinada porção do espaço, o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos biológicos e antrópicos que, reagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável, em perpétua evolução. (p. 49)

Argumenta o autor que o conceito de paisagem de Bertrand se insere na concepção sistêmica e evidencia o caráter interativo e integrador da “combinação dinâmica” entre os elementos da natureza e os da sociedade, e permite o entendimento do processo dialético das transformações que se verificam na própria paisagem.

Mesmo tecendo aspectos favoráveis, Ribeiro questiona o entendimento de Bertrand sobre a concepção de paisagem. Argumenta que a mesma perde sua identidade original, uma desvantagem, segundo ele, para a linguagem da ciência geográfica, uma vez que se passaria a utilizar um conceito simples e comum para designar um conteúdo muito mais complexo, ou seja, a noção de organização espacial.

Desta forma, Ribeiro insere a organização espacial em seus estudos, dando uma dimensão mais ampla ao termo paisagem por conta de sua formação, ou seja, a necessidade de aplicabilidade que o projeto RADAMBRASIL exigiu dos profissionais que o desenvolviam. O autor demonstra uma preocupação que extrapola a noção da paisagem, passando a ver nela a expressão da organização espacial da sociedade. Daí a organização espacial, adotada pelo mesmo, referir- se, à organização da sociedade.

Quanto à taxonomia proposta por Bertrand, situa o geossistema entre uma escala regional e a local. Ribeiro adverte que a representação cartográfica da paisagem exige um inventário geográfico completo e relativamente detalhado. O essencial do trabalho, segundo ele, concentra-se no terreno: levantamentos geomorfológicos, pedológicos e fitogeográficos, exame das águas superficiais, observações meteorológicas e elementos, inquéritos sobre o sistema e valorização econômica. Não enfatizam o autor os aspectos culturais que fazem parte da organização espacial.

Seguindo a preocupação já demonstrada por Bertrand, quando menciona a taxonomia, Ribeiro adota a vegetação como critério de classificação das paisagens: (a) as paisagens campestres, (b) as paisagens das áreas dissecadas e florestadas, (c) as paisagens coloniais em pequenas propriedades, (d) as paisagens das florestas artificiais e (e) as paisagens das reservas indígenas. Esta divisão, caso fosse no semi-árido, o critério possivelmente não se pautaria na vegetação, uma vez que a vegetação de caatinga assume proporções significativas onde não normalmente não se configuravam.

No estudo de Ribeiro os elementos naturais e sociais não tomaram o mesmo nível de influencia, quando na aplicação da abordagem metodológica de Bertrand, já que consiste, como diz ele, avaliar a capacidade de intervenção antrópica em produzir paisagens derivadas, partindo de paisagens naturais marcantes, ao longo do processo de ocupação humana. Pode se evidenciar que o homem aparece como um elemento dinamizador da paisagem natural associado a um fator de produção, sua identidade com a Terra, ou a natureza não é notória. Percebe, ainda, que o autor não considera os aspectos culturais, sendo a sociedade envolvida apenas quando se trata de uma inserção da tecnologia.

A natureza aparece de início como um recurso natural, no sentido de ser explorada pela sociedade, à medida que o processo histórico for se consolidando.

Para o autor a Paisagem é algo concreto, materializado pela trajetória histórica da sociedade através de um território. A sociedade seria o agente dinamizador e transformador da natureza. Não seria uma natureza passiva, esta tenderia a reagir dialeticamente às pressões exercidas pela sociedade.

Tendo um ar discursivo, dialeticamente expressivo, verifica-se no trabalho de Ribeiro, apenas um estudo da seleção e sistematização de informações referentes à paisagem natural, e a paisagem construída pela forma de uso da terra para fins práticos. Para fins de aplicabilidade, torna-se necessário o modelo de Bertrand (1968), o que facilita a sistematização da informação, porém o inter-relacionamento entre os diversos elementos envolvidos não é possível perceber.